Uma Chance para Duas

29 Capítulo 29


Notas iniciais
Perdoem os erros que as vezes passam despercebidos. No vemos nas notas finais. OBS.: A narrativa do capítulo foi mudada.

Quando Emma e Regina contaram as suas famílias que iriam se casar, foi motivo de muita alegria para todos. Cora e Zelena ficaram imensamente felizes, pois Emma trazia à tona o melhor de Regina, e ela agora finalmente estaria em relação erguida e estruturada pelo amor, ao contrário do que a Regina tinha tido anteriormente com a Marcela. Os pais de Emma também não poderiam estar mais felizes, sabiam que nas relações anteriores da filha, ela nunca havia se sentido completa, e por isso teve o Henry sozinha, mas em Regina, Emma tinha encontrado alguém para dividir a sua vida, alguém que a amava, que amava seu filho e que doaria a sua vida em prol da deles.

O casamento seria apenas a formalização do que já havia entre elas, depois de tudo que passaram para finalmente poderem estar juntas, ter a companhia uma da outra era o que bastava para elas. Juntas elas possuíam amor, confiança, segurança e uma família. Henry já tinha Regina integralmente como mãe, e depois que a chamou assim pela primeira vez, aquela palavra não saiu mais da sua boca, Regina também já o tinha como seu, para ela, não existia coisa mais prazerosa do que ver o seu garoto fazendo as suas descobertas, experimentando sabores, aprendendo coisas novas, crescendo. Emma se perdia no tempo sempre que parava para ver os dois brincando juntos, poderia passar horas os olhando, que ela nem sequer daria conta. Depois de tudo que aconteceu, a vida parecia estar sorrindo para elas novamente.

Não era apenas a vida pessoal das duas que prosperava, o que aconteceu com a Marcela teve uma repercussão maior do que Emma esperava, e logo ela ficou conhecida como a advogada que enfrentou Marcela Barcello, dona de maior empreiteira da cidade, e venceu. Emma não se valia desse título, e de forma alguma lhe agradava, mas isso trouxe para ela maior visibilidade, e consequentemente, inúmeros outros casos.

Regina continuava a dar aulas na universidade, mas o que passou a ocupar ainda mais o seu tempo foi a sua pesquisa, durante as bateladas de teses, os resultados que foram sendo obtidos acabaram por superarem as expectativas, e por isso precisavam receber um pouco mais de atenção para ser atestada a veracidade dos resultados.

E por o motivo do excesso de trabalho das duas e por muita insistência de Zelena, com exceção da lista de convidados e dos vestidos, as duas ficaram totalmente isentas dos preparativos do casamento, seus familiares juntamente com Ruby, cuidariam de tudo, o que preocupou um pouco Regina, mas preocupação essa que passou assim que Emma a lembrou de tudo que envolve um casamento.

Com Zelena à frente, o casamento aconteceria em cinco meses, tempo esse que foi palco de momentos singulares para duas, começando pela possibilidade de entrada do Henry na creche. Emma e Regina pesquisaram e visitaram todas as creches próximas ao bairro em que elas moravam. Buscavam um lugar onde não houvesse distinção entre os filhos e casais homo e heterossexuais, e que as crianças fossem ensinadas a respeitar as diferenças existentes entre as pessoas.

E enquanto isso, durante o período em que elas estavam fora, o Henry ficava com Cora, que também cuidava de Eva, pois Zelena já tinha voltado a trabalhar. A priori, não quiseram ocupá-la com isso, iriam procurar uma babá, mas Cora insistiu. No primeiro dia que deixaram o Henry com ela, imaginaram que quando voltassem encontrariam a casa de cabeça para baixo, um verdadeiro caos, apesar de Eva já se sentar, não era o suficiente para Henry, que queria que ela andasse para poder brincar com ele, e junto disso, não parava quieto. Porém todos se surpreenderam com o que encontraram ao chegar para buscá-los, Cora estava sentada no tapete, com Eva sentada em seu colo e Henry também sentado, mas a sua frente. Ela contava uma história, para crianças, eles estavam fascinados e pareciam hipnotizados pelo tom de voz usado por ela para narrar a história, Henry prestava atenção a todas as palavras que ela dizia, e apesar da pouca idade, parecia compreender tudo que Cora dizia.

—(...) E então Príncipe Encantado levantou a tampa do caixão de vidro e sutilmente selou os seus lábios com os da princesa que dormia um sono profundo, e como num passe de mágica, a Branca de Neve despertou, irradiando uma onda de energia por toda a floresta, até mesmo os anões, que assistiam a tudo, puderam senti-la. Então a Branca de Neve se casou com o Príncipe Encantado...

—E viveram felizes para sempre. — Regina terminou a história, pegando a mãe de surpresa, que estava tão entretida contando a história para as crianças, que não percebeu a chegada de Zelena, Emma e Regina.

—Que susto, menina! —Cora falou se levantando com a Eva no colo.

Assim que percebeu que eram, o Henry correu em direção as mães, abraçando primeiro as pernas de Regina, pois ela estava na frente, e depois Emma, que estava logo atrás com Zelena.

—Como ele se comportou? —Emma perguntou a Cora, pegando o Henry nos braços. —Espero que não tenha dado muito trabalho.

—Nada além do esperado, ele se comportou muito bem, Emma, não me deu trabalho nenhum. —Cora falou passando a Eva para Zelena.

—Tólia, mamãe. —Ele falou se referindo a história que Cora tinha havia contado para eles.

—Você gostou, Henry? — Regina perguntou, e o garoto fez que sim com a cabeça.

—Mãe, a Eva comeu bem?

—Sim, tanto ela como o Henry comeram bem, e por falar em comer, vocês deveriam ficar para jantar comigo.

E por fim, todas decidiram ficar para o jantar.

—Vocês já escolheram os convites? —Cora perguntou.

—Então, eu gostei de um e a Regina de outro, estamos ainda decidindo qual vamos escolher.

—Ainda bem que não são vocês que estão preparando o casamento, não conseguiram nem escolher os convites ainda. —Zelena falou enquanto amamentava a filha.

—Muito obrigado Zelena, por lembrar que o casamento é meu, mas eu não vou participar de quase nada. —Regina falou.

—Até parece que você gostaria de passar o dia ligando para buffets e conferindo orçamentos como nós temos feito, nem tempo para isso você tem.

Regina ia abrindo a boca para responder a irmã, mas Emma foi mais rápida.

—Acho que você deveria levar a sua irmã para a prova dos doces, para ver se corta essa acidez dela.

—Emma! —Regina protestou.

—Por parte da Regina pode não parecer, mas na verdade nós estamos muito gratas, tudo tem estado muito corrido.

—Eu sei, conheço essa daí desde quando eu nasci.

—A propósito, como que está a reforma da casa, Regina? —Cora perguntou.

—Está indo bem, o arquiteto me disse que semanas antes do casamento ela já vai ser entregue.

—Já tem algum cômodo pronto?

—Quase todos, eles estão sendo apenas finalizados. — Emma respondeu. —Quando os convites forem enviados, é o endereço de lá que será dado para o envio dos presentes.

—Mas para os convites serem enviados, primeiro vocês precisam escolher eles. —Zelena falou para alfinetar a irmã, de quem recebeu um olhar lancinante.

Enquanto as mulheres conversavam, as crianças que tinham tido um dia animado com Cora, logo cederam ao cansaço e adormeceram.

—O que você achou das creches? — Cora perguntou a Emma, enquanto Regina e Zelena implicavam entre si.

—De ontem para hoje fomos em várias, mas nós encontramos duas creches que realmente me agradaram, e que também são perto da casa de Regina, já que ainda estamos resolvendo se vamos nos mudar para lá depois da reforma, mas as duas pregam premissas que eu acho importante.

—E na questão de filhos de casais homoafetivos?

—As duas falaram que pregam os valores humanos, antes de cor, credo e sexualidade, mas só em uma das creches tinha efetivamente crianças com dois pais ou duas mães.

—Você não acha que ainda está muito cedo para colocá-lo numa creche?

—Acho que eu e Regina acabamos ficando receosas com babás, pensamos que talvez a creche seja melhor devido ao convívio com outras crianças, e também não queremos ocupar você por muito mais tempo.

—Me ocupar? Imagina Emma, na verdade foi muito bom poder ficar com os meninos, independe da empregada, eu normalmente fico muito só aqui, imagino que você saiba, e ter ficado com o Henry e a Eva ocupou o meu tempo, me lembrou muito de quando a Zelena e a Regina eram crianças, a diferença é que dessa vez eu não tenho o meu Henrique, mas a presença de criança em casa é sempre maravilhosa.

—Temia que o Henry aprontasse muito, te desse muito trabalho, ele anda em uma fase muito curiosa, tudo ele quer ver, quer pegar.

—A Regina as vezes me conta das proezas dele, mas é o esperado para a idade. Ele é muito inteligente, e observador também, enquanto eu contava a história, ele praticamente não piscava, parecia entender tudo, ele e a Eva na verdade, essas crianças de hoje em dia só faltam nascer falando.

—Ele gosta de ouvir histórias, sempre contei histórias para ele ante de dormir, mas por ser tão elétrico, me surpreendeu ele prestar atenção por não ser o horário de dormir.

—Devo confessar que eu achei que ele fosse estranhar ficar comigo, mas realmente tudo correu tranquilo, você tem um menino de ouro.

E nos dias que se sucederam, Cora continuou ficando com Henry e Eva, a garota era a sua neta biológica, e agora com Regina e Emma estando juntas, toda via, Henry também era o seu. Inicialmente quando ela se ofereceu para ficar com as crianças, temeu que devido ao pouco tempo de convívio com Henry, ele estranharia ficar sozinho com ela, mas se surpreendeu com a desenvoltura do garoto na sua presença, e a convivência foi responsável por estreitar os laços, ao ponto de quando chegar a hora de Emma ou Regina virem buscá-lo e ele bater o pé e não querer ir.

Entre o trabalho e a procura de uma creche para o Henry, Emma e Regina finalmente haviam escolhido o layout dos convites e os enviaram para os convidados. Elas haviam pedido a Zelena e aos demais que estavam responsáveis, que fosse algo íntimo e esperavam que atendessem a isso.

Uma coisa que Branca, mãe de Emma, não abriu mão, foi a tradição de que o noivo não poderia ver a noiva antes do casamento, e neste caso, seria a de que as noivas não poderiam se ver antes do casamento, então desde o primeiro dia em que Emma foi ao ateliê, Branca vinha do Maine para acompanhá-la, e Cora fazia o mesmo a respeito da Regina.

—Você não vai me contar nadinha sobre como está ficando o seu vestido? —Regina perguntou a Emma, quando ela chegou em casa depois uma das provas do vestido. Era meio dia de um sábado e Regina preparava o almoço para os três, enquanto o Henry tirava uma soneca.

—Você vai me contar do seu?

—Eu estou jurada de morte, Emma, tenha dó de mim.

—Então eu também não posso falar, meu amor. — Emma falou se aproximando para ver o que Regina estava preparando.

—Para quê que eu fui concordar com isso? Eu realmente só vou poder te ver vestida no dia?

—Segundo dona Branca, sim! Mas não é só você que está nessa situação, posso apostar que você deve estar maravilhosa nesse vestido, se você já é sem, imagina com. —Emma falou deixando Regina presa entre ela e o balcão da cozinha.

—Você não vai mesmo me falar? — Regina disse fazendo biquinho.

—Não! —Emma falou beijando ela.

—As vezes eu nem acredito que você aceitou entrar nessa comigo, sabia?

—Pensando bem agora, eu nem deveria ter aceitado, afinal, nem um anel tinha ao menos.

—Achei que isso fosse o de menos.

—Eu estou brincando, você sabe que realmente é, isso aqui. — Ela falou levantando a mão que continha a aliança de ouro branco. — pode ser um símbolo de união, mas não é nada se a verdadeira união não existir entre nós.

—Isso eu sei que existe. —Regina falou enlaçando seus braços envolta do pescoço de Emma, a puxando para si e tomando os seus lábios. Poderia passar o tempo que fosse, mas sempre que suas peles se encontravam, a sensação de uma corrente elétrica percorrendo seus corpos sempre as acometiam, causando um frio na espinha. —Eu gostaria muito de terminar isso que nós estamos começando, mas eu preciso terminar o nosso almoço, o Henry vai acordar daqui a pouco.

—Por falar nisso, vou dar uma olhada nele, porque se não, daqui há uns dias ele vai estar acordando e se jogando para a fora do berço.

Quando Emma chegou no quarto, o Henry já estava acordado, ele estava sentado e pendia sonolento para os lados. Depois do incidente com a Marcela, o garoto havia ficado assustado e dificilmente se separava de Regina ou de Emma, e por esse motivo elas tinham colocado o berço dele em seu quarto, mas essa providência já não se fazia mais necessária.

—Olha quem acordou. — Emma disse quando entrou na cozinha com o Henry, ele tinha a cabecinha deitada em seu ombro. —Acho que acordou sem querer acordar, olha essa carinha. — Ela falou quando colocou o Henry na cadeirinha de alimentação e se sentou em uma das cadeiras da mesa.

—Esse sono vai passar em dois segundos quando ver a comida. —Regina falou enquanto colocava os pratos na mesa para que pudesse se servir.

Naquela altura, certos dias deixavam que o Henry comesse sozinho para estimular o desenvolvimento motor, e aquele seria um dos dias, logo a bagunça estaria garantida.

—Ah, Emma, o arquiteto me ligou hoje cedo para me deixar a par de como estavam as coisas e dizer que os móveis para o quarto do Henry tinham chegado. —Mas tudo que Emma se deu ao trabalho de fazer, foi levantar o olhar do prato. —Não me olha assim, e nós temos que decidir isso.

—Mas não precisa ser agora.

—Ok, então eu estou achando que o “agora” vai ser quando estivermos no altar e que nós vamos fazer a nossa mudança na lua de mel.

—Porque não podemos ficar aqui?

—E porque não podemos ir para lá? A casa é grande, tem espaço de sobra para o Henry brincar, ele está crescendo, a quantidade de brinquedos está aumentando e daqui a pouco esse espaço não vai mais ser o suficiente para ele, você sabe disso. Fora que vai ter muito mais espaço para você trabalhar, a tua mesa tá apinhada de pastas e ainda tem as minhas.

—Eu sei de tudo isso, Regina, mas é que eu tenho uma relação com tudo aqui. Eu fiquei muito tempo sozinha aqui, Regina, e depois veio o Henry...

—Mas você, vocês na verdade, não estão mais sozinhos, e eu não falando só de mim. Você tem a Lily na empresa, tem clientes que se tornaram seus amigos, tem a minha família, que não é perfeita, mas que também é sua, ou eu estou enganada?

—Não, não está.

—Então! Mas você está certa, nós não precisamos decidir agora.

As provas dos vestidos se seguiram, e vinham sempre acompanhadas de incessantes perguntas que não podiam ser respondidas, o que não as irritava, na verdade se tornava divertido.

Mesmo não estando a par de todas as decisões que estavam sendo tomadas a respeito do casamento, à medida em que o dia se aproximava, elas ficavam mais tensas e ansiosas.

Na semana que antecedeu a entrega da casa, Emma e Regina foram à casa para ver os presentes que tinham chegado e o que já poderia ser usado na casa. Quando entraram na casa o cheiro de tinta fresca logo as receberam, a decoração antes monocromática entre o branco e preto, tinha sido substituída por tons pastéis e tons de branco, e os móveis, no geral, ainda estavam desmontados ou cobertos.

Quando entraram no quarto de hóspedes, perceberam que aquela atividade levaria mais tempo do que elas imaginaram que levaria. O cômodo estava cheio de embrulhos e caixas.

— Porque que eu acho que a maioria dessas coisas vieram da sua família? — Regina falou ainda impressionada com tudo que tinha ali.

—Será que tem uma casa nova aí no meio também? —Emma disse dando uma volta no pouco espaço livre do quarto. —E ei, o que você quer dizer com isso?

—Nada não, amor. Por onde nós começamos?

—Não sei, mas sei que vou cansar. —Emma falou se sentando no chão e abrindo o primeiro presente.

Regina abriu as janelas do quarto e fez o mesmo que Emma, se sentou no chão e começou a abrir os presentes.

Os presentes variavam entre utensílios de cozinha, eletrodomésticos e eletrônicos, jogos de mesa, cama e banho, e todos os presentes que tinha chegado via correio, estava endereçado às duas, menos um.

—Eu acho que esse aqui é só para você, Regina. —Emma disse pegando o embrulho retangular.

—De quem é esse?

—Sra. e Sr. Barcello.

Em instantes, todo o sangue da face de Regina pareceu sumir, os pesadelos haviam parado, mas a Marcela era um assunto em que não se falava mais. Regina não se culpava necessariamente por o que tinha acontecido, mas tudo que aconteceu e ainda culminar a morte de alguém, a tirou do eixo de certa forma.

—Posso abrir? —Emma perguntou.

—Claro, abre logo e vê o que é.

Emma abriu o embrulho, e dele saiu uma caixa de madeira em mogno. A caixa era o recipiente de um faqueiro de prata, mas não foi isso que chamou a atenção delas ao abri-lo.

—Uma carta, talvez. Mas seja lá o que for, está endereçado a você.

—Me deixa ver isso. —Ela disse pegando o envelope, e junto de um suspiro, Regina o abriu e tirou o papel de dentro, e então leu em voz alta.

Regina, diante de tudo que aconteceu, nós não temos palavras para expressar o quanto nós sentimos por tudo que aconteceu com você, das poucas vezes que nós nos encontramos, você sempre nos pareceu ser uma mulher formidável. Imagino que a essa altura do campeonato você também já deve saber o que aconteceu conosco, a Marcela já foi em nossa vida, a nossa maior vitória, mas ela se tornou o nosso pior pesadelo. É assustador o que ela fez conosco, o inferno que ela transformou as nossas vidas foi sem precedentes, soubemos o que ela fez com você, com a sua atual companheira e com o filho dela, ficamos tão descrentes da humanidade dela, que nos perguntamos a quem mais ela pode ter feito mal. Doeu muito o que ela fez conosco, mas nós somos os pais e ela era a nossa filha, até os últimos instantes acreditamos que ela poderia mudar, que ela iria se arrepender do que tinha feito conosco que éramos seus próprios pais, não queríamos que acabasse dessa forma, mas não culpamos você, isso nunca.

Então nós soubemos que você e a Emma vão oficializar essa união, e junto desse presente nós só podemos desejar a vocês toda a felicidade do mundo, e que assim como nós, possam e estejam reconstruindo as suas vidas depois desse furacão.

Com amor, Mauro e Kristin Barcello.

—Nossa. —Foi tudo que ela conseguiu dizer ao terminar de ler.

—Você está bem? —Emma perguntou abraçando ela.

—Estou, é só que quando eu penso em tudo que ela fez com todos nós, prender os pais em clinicas com incapacitados ou raptar uma criança e talvez até mais, além do que nós sabemos, faz com que eu me pergunte se era só mau caratismo ou se, sei lá, se não tinha algum problema naquela cabeça.

—Sabe que as vezes eu me pergunto a mesma coisa? Aquele não é um dia que eu goste de lembrar, mas ela estava completamente instável. Mas não é hora para lembrar disso, ok? Olha só o que nós estamos fazendo hoje, foi difícil, mas se eu pudesse vou atrás, eu ainda pegaria o seu caso, e se pudesse escolher, eu ainda escolheria me apaixonar por você.

— Você não existe, Swan. —Regina falou beijando-a.

E sem se abater por mais tempo, passaram o resto da tarde abrindo os presentes. Quando terminaram e saíram do quarto de hospedes, Regina puxou Emma pela mão para que parassem em frente a uma das postas do corredor que estavam fechadas.

—O que foi? —Emma perguntou.

—Eu quero te mostrar uma coisa. —Regina disse abrindo a porta.

O cômodo estava totalmente escuro, e diferente do restante da casa, o cheiro de tinta fresca era mais ameno, quase um perfume.

—Vem. — Regina entrando com Emma no cômodo.

Os olhos de Emma já haviam se acostumado com o escuro e por esse motivo, quando Regina ascendeu a luz, ela se perguntou se o que via era real.

—Não...

—Você não gostou?

A decoração do cômodo que elas adentraram era em tom sobre tom de azuis e branco, com quadros nas paredes com imagens de carrinhos e aviões, haviam nichos com brinquedos, aliás, por todo o quarto haviam brinquedos, ursos, bonecos, carros, bolas...

—Eu não estou acreditando nisso.

—Eu não podia deixar de montar um quarto para ele.

—Você não devia ter se dado ao trabalho.

—Você não gostou?

—Claro que gostei, ele é lindo, mas imagino que o Henry gostará muito mais que eu.

—Então quer dizer que...

—Nós vamos nos mudar para cá.

Para Emma e Regina, os meses que se seguiram ora pareceram passar voando, ora pareceram se arrastar. Ao passo que os seus familiares seguiam com as preparações do casamento, que diga-se de passagem estavam todos bem resolvidos e elas já tinham seus vestidos prontos.

Sobre a creche, elas repensaram, mesmo estando ocupadas devido aos seus respectivos trabalhos, queriam poder estar com Henry em seus horários de almoço e intervalos, e com ele integralmente em uma creche seria impossível, então optaram por colocá-lo mais tarde e contrataram uma babá.

A pedido de Emma e Regina, Cora passou no apartamento de Emma para ver se as coisas iam bem, mas assim que saiu do elevador já pode ouvir os choros do garoto. O primeiro dia com a babá foi caótico, ao acordar, de imediato o Henry já a estranhou, não queria comer e sequer queria que ela chegasse perto dele, sempre que ela se aproximava ele começava a chorar e a chamar por as mães. Quando Cora entrou no apartamento, o garoto correu logo ao seu encontro. Henry estava vermelho de tanto chorar, e com medo de que a situação fosse interpretada erroneamente, a babá tratou logo de explicar o que estava acontecendo. Então Cora a dispensou, disse que Emma e Regina depois acertariam com ela, preparou uma mochila com os pertences do Henry, e o levou para sua casa. Daquele dia em diante, independente do que Emma e Regina dissessem, ela que cuidaria do Henry.

Para o nascimento de Eva, Cora havia dito que uma criança faria muito bem aquela família, que renovaria os ares, mas o bem que duas fariam era imensurável, afinal, ele também era o seu neto.

Notas finais
Então, como eu já falei nas notas do autor, a forma de narração do capítulo foi mudada e continuará dessa forma nos próximo capítulos.