Uma Chance para Duas
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Emma
De todas as questões da vida, a única que eu tinha certeza era a de que queria ser mãe, o problema foi que eu esperei durante muito tempo alguém para realizar esse sonho comigo. Demorei a perceber que esse sonho era meu, e que eu não precisava esperar por alguém que aparentemente tivesse as mesmas aspirações ou os mesmos desejos, eu deveria me bastar, ser o suficiente por mim mesma.
E essas não são só questões da minha vida adulta, desde que percebi quem eu era e comecei a namorar garotas, nunca encontrei alguém para fazer morada, alguém em que eu me achasse. Não que isso tenha me frustrado, muito pelo contrário, me diverti e aproveitei. Mas chega uma hora em que todos nós jovens adultos precisamos escolher nossos caminhos, e eu escolhi o meu.
Me formei em direito com honra, e comecei a pesquisar sobre inseminação in vitro e artificial, me associei à uma empresa de advocacia e até um ano e cinco meses atrás estava fazendo uma poupança para realizar meu sonho e poder dar ao meu futuro filho tudo que ele mereceria.
Para minha sorte e alegria, minha inseminação deu certo de primeira. Hoje com o Henry com seis meses, volto a trabalhar, dessa vez me associei à empresa de uma amiga da faculdade, afinal, vida e responsabilidades novas também merecem um emprego novo.
—Seja muitíssimo bem-vinda, Emma, eu não poderia estar mais feliz em ter você trabalhando conosco. — Disse a Lilith me recebendo —Como vai o baby? Forte como um touro?
—Muito obrigada. — Falei sorrindo — Está sim, aliás, está cada vez mais esperto.
—Conseguiu uma babá em tempo integral?
—Consegui sim, obrigado por a recomendação.
—Não foi nada. Bom Emma, fico feliz em informar que você já tem um caso para trabalhar.
—Já? Mas estou chegando hoje, como isso é possível?
—Então, uma amiga está querendo se divorciar, me ofereci para representá-la, mas ela achou melhor não, afinal, eu conheço ambas. Então sugeri você, e ela concordou.
—Está certo então, vou me organizar e logo começarei a trabalhar.
—A sua secretária já tem todos os dados da cliente, é só mandar ela ligar e marcar de vocês se encontrarem. — Lilith já estava saindo da sala quando rodou sobre os calcanhares voltando — A propósito, a Regina, essa minha amiga que você vai representar, ele é bastante ocupada, trabalha em dois lugares e eu ainda não sei bem o que aconteceu entre ela e a Marcela, sua esposa ou ex, sei lá. Ela ligou hoje, mas não quis conversar.
—Entendo... — Falei já imaginando a possível razão da separação.
—Mas ela é ótima, inteligente, proativa e é daquelas que quando ri, ri até dar dor na barriga. Em outras condições eu apresentaria melhor vocês duas.
—Acredito que nós nos daremos bem. — Falei realmente desejando isso, até por que não há nada mais chato que cliente chato.
Como eu estava com saudades do ambiente de trabalho, a maternidade foi algo maravilhoso, mas voltar a fazer o que você nasceu para fazer, é sem igual. No final do dia já havia marcado de encontrar a amiga da Lilith, marcamos em um café no horário da tarde, próximo ao hospital central da cidade. Segundo a cliente, ela só tinha esse horário disponível, que era um intervalo entre o trabalho na universidade e o no hospital, e incrivelmente, eu já tinha mais três novos clientes agendados ao longo da semana.
Ao chegar em casa tomei um banho, amamentei meu bebê faminto e comi algo. Estava feliz comigo mesma pôr o dia de hoje, estava realizada e me perguntando o que mais me faltava, o que mais eu poderia querer da vida, e com esse pensamento adormeci.
Dia seguinte
Já no café que marcamos de nos encontrar, me perguntava se a cliente iria demorar, eu havia chegado há cindo minutos e tecnicamente ela não estava atrasada, e mesmo se fosse se atrasar, para uma pessoa tão ocupada isso seria perfeitamente aceitável.
Mal havia acabado de pedir um chocolate quente com creme e canela, vi a porta do estabelecimento se abrir, por ela entrou uma mulher morena, com cabelos curtos e negros como a noite, parecia procurar alguém, mas não tardou a me encontrar, afinal o café estava praticamente vazio. Eu tinha escolhido uma mesa um pouco afastada, onde poderíamos conversar sem sermos interrompidas ou ouvidas facilmente.
Ao chegar na mesa ela me lançou um sorriso educado e trocamos cumprimentos.
—Boa tarde, eu sou Emma Swan, e irei representar você no seu pedido de divórcio.
—Regina Mills, prazer. A Lilith me falou muito bem de você. — Disse ela com um sorriso cansado.
— Então Regina... Posso te chamar assim de Regina?
—Claro.
—Por se tratar de um processo de divórcio, temo que terei que fazer algumas perguntas um tanto quanto pessoais. Algum problema quanto a isso?
—Bom, você faz a suas perguntas e eu vejo quais posso responder. — Para qualquer outra pessoa que ouvisse essa resposta, ela com certeza soaria bem grosseira, mas para mim, no momento pareceu que ela só queria se proteger.
Aquela mulher que estava sentada na minha frente não parecia nem de longe com a mulher que ria até a barriga doer que a Lilith falou. A pessoa que estava na minha frente parecia fria, magoada, abalada e com um olhar perdido, focado em algo que eu não podia ver. Seja lá o que aconteceu, feriu ela profundamente.
—Certo. Primeiro eu gostaria de saber o motivo de você querer o divórcio.
—Eu fui traída, e por esse motivo gostaria de me separar o mais rápido possível.
—Em casos de adultério, Regina, o juiz sempre pergunta se há a possibilidade de reconciliação, e algumas vezes chega até a mandar o casal para uma terapia em casal. Entendo a sua mágoa, mas como sua advogada devo perguntar se poderia haver uma reconciliação, se vocês não poderiam conversar, tentar se entender... —Parecia que eu estava falando para uma parede, Regina não esboçava reação alguma, me observava o tempo inteiro com os olhos vidrados. —Você deve ter certeza que não está se precipitando.
—Eu fui traída, e não foi uma ou duas vezes. — Falou ela pausadamente, como se quisesse ter certeza de que eu estava entendendo. — Eu fui traída durante dois anos, dois anos! Tempo esse que eu fazia planos com a Marcela acreditando que eu era amada. Então Em-ma — A forma a qual ela falou meu nome pausadamente causou perturbações no meu corpo.— eu tenho certeza absoluta de que não estou me precipitando. Me causa náuseas pensar que ainda há qualquer tipo de ligação entre mim e ela.
— Eu sinto mui... — Comecei a me desculpar, mas fui interrompida por o toque do meu celular. — Desculpa, deixei ele ligado porque tenho um bebê em casa, mas vou desligar...
— Tudo bem, pode atender. Eu não me incomodo.
Me levantei e fui atender o telefonema.
Regina
Talvez não devesse ter falado dessa forma sobre o que aconteceu, mas já que ela era minha advogada e queria saber, fiz questão de deixar claro que não quero mais nenhum vínculo com a Marcela. Emma me pareceu uma boa advogada, deve ser feliz, tem um filho pequeno, provavelmente tem uma relação estável com alguém e tem um bom trabalho. Tudo que alguém na nossa idade gostaria de ter.
— Desculpa mais uma vez, Regina, é que está começando a sair o primeiro dentinho dele e ele está um pouco irritado. —Disse ela se justificando.
—Tudo bem. Quantos meses ele tem?
— Fez seis meses recentemente, ele se chama Henry.
Flashback ON – Dois anos e meio atrás
Segundo o meu médico, era normal sentir cólicas no terceiro mês de gestação, mas hoje as minhas estavam insuportáveis, mal me deixando andar, e por esse motivo, decidi trabalhar em casa naquele dia.
Apesar das dores, estava sentada na minha cama com o meu notebook lendo alguns artigos para tomar como referência para minha pesquisa, quando senti algo morno escorrer por as minhas pernas. Imediatamente coloquei o aparelho de lado e levantei para ver o que era.
“Não podia ser o que eu estava pensando, não podia... Isso não poderia estar acontecendo, não comigo”, pensei.
Ao me levantar, de repente tudo o meu redor começou a girar, eu tentei chamar alguém, mas tudo ficou preto.
Quando tornei, eu estava em lugar que cheirava a desinfetante e a álcool, eu não estava mais em casa. Abri um pouco mais os olhos para tentar ver um pouco mais do lugar.
Ouvi uma voz uma que parecia distante chamando alguém, será que estava chamando a mim? Até que surgiu um rosto sobre o meu, Marcela?
—Marcela? — Falei tentando me levantar.
—Ei, devagar. Você não pode fazer esforço.
—Onde eu estou? O que aconteceu? Meu filho? — Fiz a última pergunta levando a mão institivamente a barriga.
—Uma coisa de cada vez, ok? — Falou em um tom carinhoso e passando a mão no meu rosto.
—Você está no hospital. Você teve uma hemorragia e precisou receber uma transfusão de sangue.
—E o meu filho? —Insisti mais uma vez.
Eu sentia que ela estava procurando palavras para me dizer o que tinha acontecido.
—Regina a hemorragia.... —Mesmo com a visão difusa, vi seus olhos ficarem marejados. —A hemorragia foi causada ... foi causada por um aborto espontâneo.
Não tive palavras para descrever o vazio que senti ao ouvir aquilo. Não consegui emitir um som se quer, só conseguia balançar a cabeça em negativa enquanto as lágrimas rolavam por o meu rosto.
Flashback OFF
—É um lindo nome. —Foi tudo que consegui falar para Emma.
—Bom Regina, acredito que por hoje seja só. Entrarei em contato com a sua... Com a Marcela ou com o advogado dela. Lhe manterei informada de tudo. —Disse ela estendendo a mão para mim.
—Obrigada. —Falei apertando a sua mão.
Fale com o autor