Uma Chance para Duas

19 Capítulo 19


Notas iniciais
Vamos ver agora como será o clima pós libertação, quero dizer, pós divórcio. Perdoem os erros que passam despercebidos e boa leitura.

Regina

Depois da audiência as coisas pareceram dar um giro de 180º, tanta coisa se passava na minha cabeça, tanta coisa havia dentro de mim. Com a promessa de Emma de que nos veríamos no final de semana, fui para casa da minha mãe com Zelena e ela. Estávamos todas ainda sobre o efeito do topor e da dormência.

Quando chegamos na casa dos meus pais não trocamos muitas palavras, era como se houvesse algo frágil sobre nós, e qualquer passo em falso ou uma palavra mal dita pudesse quebra-lo.

— O que você vai fazer agora, Regina? — Minha mãe perguntou quebrando o silêncio enquanto jantávamos.

— Eu não sei... eu...Obrigado mãe. — Falei segurando fortemente as lágrimas que queriam descer.

— Você não tem que me agradecer. Na verdade, sou eu que tenho que pedir desculpas para você. Desculpa por não ter apoiado as suas escolhas, desculpa por ter feito você se sentir como se não fosse amada...Eu sei que é impossível corrigir todos esses anos de erro, mas eu quero tentar, quero ser a sua mãe. Nós não temos mais o pai de vocês, nós três só temos à nós, e devemos estar juntas, agora eu percebo que deveria ter sido assim desde o início

Passamos o resto da noite juntas, não fazendo um programa de família propriamente dito, da sua forma, cada uma ainda estava abalada.

Naquela noite por consenso, eu e Zelena dormimos lá, também não conversamos muito, porque primeiro, eu ainda não sabia o que dizer, ainda estava digerindo tudo, e segundo, devido a gravidez, Zelena estava com os nervos à flor da pele e tudo lhe arrancava lágrimas.

Com o passar da semana eu pude digerir tudo.

Eu não estava mais casada, eu havia me livrado da Marcela, e se eu quisesse ficar com Emma, nada mais me prendia. Mais do que nunca eu pensava nela. Lá bem no início, tudo que ela me fazia sentir me assustava, as correntes que percorriam o meu corpo quando ela me tocava, a forma como ela me olhava que parecia que enxergava através de mim, aqueles olhos...Era tudo novo para porque em minha relação com a Marcela não havia nada daquilo, e mesmo não existindo, eu ainda achava ser amor.

Eu não me divorciei só pela traição ou pelo seu carácter, eu não a amava mais, se é que eu tivesse amado algum dia, e depois de ter provado do sentimento real, eu jamais poderia aceitar nada menos que isso.

Independentemente do que aconteceria daqui para frente, em alguns meses, Emma Swan já havia operado mais mudanças na minha vida do que eu jamais poderia imaginar.

A minha relação com a minha mãe tinha se tornado mais sólida, ela passou a me ligar com a mesma frequência que ligava para Zelena, ela sempre nos convidava para almoçarmos com ela em nossos horários de almoço.

Apesar de toda mágoa, ressentimento e decepção, eu resolvi tentar. Eu quis aquela relação durante a minha vida inteira, eu ansiei por carinho e atenção da minha mãe, e agora eu tinha. Nada vai apagar tudo que aconteceu, mas eu não precisava me martirizar.

As feridas só saram quando deixamos de cutuca-las e reabri-las.

Emma

Longe de escritórios, laboratórios e tribunais, Regina parecia mais leve, talvez eu também estivesse mais leve, certos pesos, na consciência e no coração, tinham me deixado. Então o final de semana tinha finalmente chegado, fomos ao parque próximo ao meu apartamento, ali nós éramos apenas duas pessoas com uma criança, assim como tantos que faziam o mesmo que nós, aproveitavam o dia. Não éramos mais a advogada e a cliente, e eu finalmente já não nos via mais dessa forma, apesar de ter deixado que Regina Mills enchesse os meus pensamentos muito antes, eu ainda tinha certo receio, como eu pudera me apaixonar por uma cliente? Mas aquilo já não me preocupava mais, não mais, assim como o veneno da Marcela também tinha ficado para trás.

O dia estava agradável, a temperatura era quente o suficiente para nos manter confortáveis, sem nos deixar queimar ou congelar. Através das vastas copas das árvores alguns tímidos raios solares nos presenteavam com a sua presença, trazendo um “Q” celestial. Os risos das crianças se misturavam com o cantar dos pássaros, através das folhagens podíamos ver alguns bandos migrando, formando padrões no céu que encantavam a todos. A brisa leve fustigava as folhas das árvores e trazia consigo sutis aromas.

A minha vida tinha deixado de ser A Persistência da Memória, desordenada e surreal de Salvador Dalí, e passado a ser o tranquilo Jardim de Montgeron de Claude Monet.

—Vem para mamãe, Henry. — O chamei quando percebi que vinha caminhando na minha direção, desde a fase de engatinhar o seu lugar preferido se tornara o chão, mas agora ele começa a dar os seus primeiros passinhos. Eu estava sentada na grama enquanto Regina brincava um pouco mais a frente com ele.

— Para ela não, para mim Henry. Vem cá, vem. — Como se não tivesse me escutado ele deu meia volta e seguiu trôpego de encontro a ela.

— Como assim, essa criança começou a andar praticamente ontem e não é de encontro a mãe dele que ele vai? Eu não aceito isso! — Protestei.

— Você vai superar. —Regina disse se sentando ao meu lado com Henry no colo. —Agora vem cá Emma, a pilha desse aqui não acaba nunca não?

— Quem mandou você dar corda, eu avisei. Vem cá Henry. — Disse me inclinando para pegá-lo, mas ele se agarrou a Regina como se dissesse “ninguém me tira daqui”. —Ok, e agora eu perdi o meu filho. — Disse arrancando uma risada de Regina.

— Você também vai superar isso. — Ela disse se inclinando e me dando um beijo, beijo esse que só foi interrompido por causa dos protestos de Henry por estar sendo esmagado entre nós. — Desculpa pequeno. — Ela disse dando um beijo em sua testa.

— Como está a sua família, Regina?

— Estão todos bem. A Zelena reclama todos os dias por estar inchada, disse que vai explodir se essa criança não nascer logo, parece realmente que ela aumenta de tamanho da noite para o dia. Mas é claro que não digo isso a ela. — Regina se apressou em dizer. — Ela está radiante, ela e o Hades estão muito felizes, ah, e a minha mãe também, ela disse que uma criança pode mudar os ares, e que vai fazer bem a todos nós.

— Você também não está feliz? Não vai me dizer que você não está ansiosa com a chegada do seu sobrinho ou sobrinha barra afilhado ou afilhada?

— Eu estou, e ainda acho que a Zelena não deveria ter optado por não saber o sexo do bebê. Sabia que eu ainda não comprei nada para ele ou ela?

— Porque não? Só porque você não sabe o sexo?

— Exatamente!

— Mas você poderia ter comprado coisas neutras, que possam servir aos dois sexos.

— Zelena falou a mesma coisa, mas este é o meu protesto.

— E como a sua mãe está?

— Ela está bem, voltou a se alimentar como deveria. A minha mãe está de volta, mas ela parecer ser uma versão 2.0, sabe? Com alguns aprimoramentos. Eu só espero que não dê tilt.

— Mas vocês estão bem? Quero dizer, a relação de vocês...

— Sim, estamos. Ainda é um pouco difícil para mim, sabe? —Ela falou mexendo distraidamente nos cabelos do Henry, que brincava de amassar uma folha. — Foram anos esperando uma ação assim dela, mas eu não quero ficar girando em torno de mágoas ou ressentimentos, pelo menos não com ela. Apesar de tudo, eu cresci por causa dela, a minha independência se deu pela forma a qual eu fui criada, sei que os fins não justificam os meios, mas estou disposta a procurar um lado bom no meio disso tudo. E eu só tenho tentado porque eu tenho visto mudanças. A minha mãe estava sucumbindo a culpa e ao remorso, Emma, estava em luto pela a morte do meu pai e não conseguia fazer valer as últimas palavras dele.

— Ei, eu acho que as suas costas já devem estar doendo, você está sentada com Henry no colo e sem apoio nenhum. Você não quer deitar e pôr a cabeça no meu colo? — Usei uma desculpa esfarrapada, quando o que eu queria na verdade era mais contato com ela. Então ela deitou a cabeça no colo, com Henry sentado em seu abdômen e brincando com os detalhes da camisa que ela usava. — Mas como você se sentiu com essas últimas palavras do seu pai? Quando a sua mãe falou aquilo no tribunal todos nós ficamos sem reação, incluindo o juiz.

— Foi como se eu tivesse entrado em estado de dormência, era como se a minha mente estivesse tentando processar algo, mas quando chegava no meio do processo voltava em marcha ré. Foi muita coisa junta. —Ela falou olhando para cima, para algo além das copas árvores, algo que eu não podia ver.

— Realmente muita coisa aconteceu em pouco tempo. — Falei mexendo em seus cabelos. Era impressionante, mesmo depois de tudo, toca-la ainda me provocava êxtase.

— Sim, e você estava lá sempre que acontecia alguma coisa, isso é, quando você não era a coisa, propriamente dita. —Ela disse me olhando e sorrindo. Eu simplesmente não aguentei e a beijei. Seu toque em meu rosto fazia a minha pele formigar de uma forma gostosa, achava que essas sensações eram resultantes de toda a adrenalina causada por toda aquela situação, mas eu estava enganada, enquanto houvesse Regina, essas sensações existiriam.

— Ai, Henry! — Ela disse interrompendo o beijo. Henry havia começado a pular sobre sua barriga, assim como fazia comigo quando brincávamos de cavalgar.

— Acho que temos aqui um mocinho que irá adorar cortar o clima dos outros. — Falei rindo.

— Isso é ciúmes, é? — Regina perguntou apertando no Henry num abraço.

— De mim, é claro.

— Claro que não!

— Eu sou a mãe dele!

— Mas não foi para você que ele saiu caminhando. Aceita, Emma!

— O que? Eu me recuso! — E essa foi a me deixa, surpreendi Regina com um ataque de cócegas.

— Para Emma. — Ela se debatia em meio as cócegas. —Eu vou derrubar o Henry, para!

—Seu argumento foi ótimo, me convenceu. Vou parar, por ora.

—Isso é jogo baixo. Não vale! —Ela protestou.

—Ataco com o que posso.

Próximo ao horário do almoço voltamos para o meu apartamento, já estava na hora do Henry comer e eu não queria dar a ele algo da rua.

—Eu vou fazer o almoço do Henry e depois preparo algo para gente. —Falei quando entramos no meu apartamento.

—Na verdade eu preciso de um banho. Estou cheia de grama.

—Você pode tomar banho, e vestir algo meu se quiser.

—Eu tenho pensado uma outra ideia, Emma.

—E qual seria?

—Porque nós não vamos para minha casa. —Em sua fala não havia tom de malicia.

—Mas e a comida do Henry? Não gosto de quebrar a rotina dele.

—Pode ser preparada lá, posso pedir para empregada fazer.

—Eu não quero incomodar, e afinal, nós já estamos aqui.

—Você vai declinar de outro convite meu?

—Regina...

—Eu posso dispensar a empregada, e se você quiser, você mesma faz a comidinha dele, e eu posso fazer o nosso almoço.

—Como se você soubesse cozinhar.

—Claro que eu sei, Swan, e vou provar, isto é, se você aceitar.

—E o que você pretende fazer se eu aceitar?

—Massa, a minha especialidade.

Então dei banho no Henry e organizei as suas coisas, como fraldas, madeira, roupas para troca e o carrinho, e fomos para casa de Regina, pensei em ir no meu carro com Henry e ela no dela, afinal a cadeirinha já estava nele, mas ela fez questão de irmos no dela.

Quando chegamos a primeira coisa que Regina fez foi dar o dia de folga a empregada.

Quando peguei seu caso fiz um levantamento breve e pessoal sobre os bens de Regina, precisava ter uma base caso os bens precisassem ser divididos. A casa era uns dos bens que estavam na lista, procurei fotos através do maps e passei em frente apenas para dar uma checada, apesar de uma bela fachada, o que se via por fora não entregava o que havia por dentro. Toda a decoração oscilava entre o branco e o preto, havia uma sobriedade no local, tudo parecia estar em seu devido lugar, nem um grão de poeira parecia se atrever a aparecer.

—Bom, Emma, essa é a cozinha e ela é toda sua, acredito que tudo que você precisar vai ter aqui. — Ela disse me mostrando o lugar. —Agora eu vou subir para tomar banho.

—Tá certo.

—Ah, e sinta-se à vontade.

Certo, eu estava sozinha na cozinha e Regina. Pensei na possibilidade de esperar que ela terminasse o banho para que eu pudesse começa a preparar o almoço do Henry, que estava brincando com um mordedor no carrinho, mas eu não sabia se ela iria demorar e daqui a pouco o henry reclamaria de fome, então comecei abrindo os armários com certa relutância e pouco a pouco fui encontrando tudo que eu precisava.

—Vejo que você encontrou tudo que precisava. — Ela me assustando ao entrar na cozinha. Ela vestia uma camiseta vinho e um short jeans.

—Tive que procurar, já que você me deixou aqui sozinha. Eu estou quase terminando a comida do Henry, quero saber se essa sua massa sai ou não.

—Você vai comer rezando, Swan.

E então ela começou a abrir os armários e a geladeira tirando todos os ingredientes que iria precisar. Não que eu fosse uma chefe de cozinha, longe disso, mas Regina não tinha cara de quem cozinhasse. Porém mais uma vez ela me surpreendia.

Quando terminei a comida do Henry e dei a ele, Regina ainda terminava o nosso almoço.

—Emma, porque você não sobe e também toma banho. —Ela sugeriu. —Meu quarto é subindo a escada na primeira porta a direita.

—Acho melhor não, eu não trouxe roupa.

—Tem algumas peças em cima da minha cama, acredito que darão em você. Eu fico olhando o Henry. Quando descer eu já terei terminado aqui.

—Eu vou depois, você ainda está cozinhando, olhar o Henry vai acabar atrapalhando você.

—Ah, por favor, Emma! Pode ir, eu dou conta.

Assim como Regina tinha dito, sobre sua cama haviam roupas, uma calça de moletom, um short jeans e uma regata branca.

De frente para cama dela haviam portas de vidro de correr que davam acesso a sacada. As cortinas estavam abertas dando visão para o seu lindo jardim.

Quando desci, a mesa já estava posta. Regina estava sentada e tinha o carrinho com Henry próximo de si.

—Sabia que você optaria pela calça de moletom, você costuma ficar assim em casa. —Enrubesci, achei que a minha calça de moletom tinha passado despercebido naquela noite, mas me enganei. —Não precisa ficar com vergonha, Emma. Eu quero que você se sinta bem aqui.

—É que eu acho mais confortável. — Falei me sentando de frente para ela. —Ele deu trabalho? —Perguntei me referindo ao Henry, que brincava com a mamadeira.

—Nenhum pouco. Ah, eu dei um pouco de água a ele. Então Swan, está pronta para começar a rezar? Fiz espaguete à carbonara —Ela disse me servindo.

—Vamos ver se é bom. — Falei dando a primeira garfada. —Hum, sal.. é, tá faltando sal aqui, Regina. —Falei para provoca-la.

—Não, não está. — Ela disse levando rapidamente uma garfada à boca para provar. —Mentira sua, Emma

—Estou brincando. —Falei em meio a risadas. —Está ótimo, Regina.

—Me lembre de nunca te pedir para provar nada que eu fizer. — Ela falou carrancuda.

Comemos em meio a conversas leves e risos. Vê-la com riso frouxo era uma quebra tão grande diante da Regina que eu conheci há meses. Falamos sobre besteira e rimos até a barriga doer, e mesmo sem entender coisa alguma, Henry ria com a gente, ou da gente.

Durante a tarde ela colocou uma animação para Henry assistir com o intuito de distrair ele. Achei que depois da manhã no parque ele logo dormiria depois do almoço, mas ele parecia ainda mais ligado, acho que assim como eu, ele queria aproveitar tudo que aquele dia podia nos proporcionar. Enquanto ele assistia e batia palmas, nós duas nos distraíamos entre olhares, toques e beijos

—Acho melhor eu ir. — Falei quando percebi que já havia escurecido.

—Porque você não fica? Não passa a noite aqui.

—Mas e o Henry...

—Não tem problema, nós não precisamos fazer nada, Emma.

—Ele vai acordar no meio da noite, e vai chorar como ele fez da outra vez. Vai atrapalhar o seu sono.

—Eu não me incomodo, Emma. De verdade. Mas se você não quiser, tudo bem também.

—Na verdade eu quero, quero muito.

Quando fomos deitar, Regina tomou banho primeiro, depois dei banho no Henry e por fim tomei o meu. Quando sai do banheiro Henry estava deitado no meio da cama de costas para colchão e Regina estava deitada de lado ao lado dele, brincando com ele. Ela dizia, “ dedo mindinho, seu vizinho, pai de todos, mata pilho”, enquanto pegava no dedo de sua mãozinha que era indicada pela cantiga, ele prestava atenção e sorria. Fiquei os observando da porta. O que eu via era algo que qualquer uma gostaria que acontecesse. Durante todo o dia os vi brincar, o Henry tinha um apego pela Regina que eu nunca vi antes, e ela tinha um carinho pelo meu filho que me enchia o coração. O que tinha me levado a entrar nessa empreitada de ser mãe sozinha, foi o fato não ter encontrado ninguém assim, como ela.

—Você está linda com essa camisola. — Ela falou me tirando dos meus devaneios.

—Obrigado. —Podia apostar que eu estava corada.

—Vem deitar. —Ela me chamou.

Então me deitei do outro lado do Henry, estávamos viradas uma para outra, apenas ele nos separando.

—Ele adora você. — Outra coisa que havia mudado em Regina era o seu brilho no olhar

—Ele é uma criança maravilhosa. — Ela falou tocando na ponta do nariz dele, fazendo com que ele fizesse o mesmo. — E muito inteligente também, daqui a pouco vai estar correndo por todo canto e deixando você louca.

—Olha, louca ele já deixa. Mas ele é a melhor coisa que eu já fiz em toda a minha vida.

—Eu imagino que sim, Emma. Mesmo depois de tanto tempo, as vezes ainda me pego me perguntando sobre como seria a minha vida se eu tivesse tido o meu Henry.

—Desculpa, eu não queria levar você a tocar nesse assunto.

—Está tudo bem, por incrível que pareça, você é a única pessoa que faz com que esse assunto não seja tão pesado para mim.

—Eu fico feliz por de alguma forma te fazer bem.

—Você tem me feito mais do que bem, Emma. Você salvou a minha vida, no sentindo literal e figurado da palavra. Eu devo tanto a você. Tanta coisa já aconteceu entre nós e conosco... — Ela falou soltando o ar pela boca. —No restaurante você me perguntou se eu era feliz na minha na antiga relação, eu não fui, não realmente, mas agora eu sou, eu estou feliz. Eu estou bem com a minha família, ou pelo menos com a parte que eu tenho dela. — Falou se referindo a falta do pai. —E eu estou feliz com quem eu sou. Eu acho que nada disso teria acontecido se você não tivesse entrado na minha vida, e acredite em mim quando eu digo que vou fazer o possível para manter você nela.

Eu ouvi todas as suas palavras com atenção, não queria deixar escapar nenhum detalhe. Toda e qualquer sombra de dúvida que pudesse existir tinha se esvaído

—Seja lá o que tenha mudado Regina, foi você que fez, partiu de você. Eu não sei onde isso vai dar, mas eu vou cultivar.

—Iremos. — Ela falou passando o braço por cima do Henry e afagando os meus cabelos.

O meu menino dormiu enquanto conversávamos, e eu, cai no sono sem que percebesse, um sono profundo e acolhedor.

Regina

Estar com Henry e Emma foi o ponto alto da minha semana, eu queria provar estar com ela sem ter que me preocupar com a minha situação. Há anos eu não me sentia tão serena, tão em paz.

O garoto despertava em mim o mais puro dos sentimentos, havia uma ligação entre nós que chegava a ser engraçada. As poucas vezes em que nos vimos foram suficientes para despertar um afeto mútuo.

A bagunça que era a minha vida tinha começado a se organizar, eu estava tirando a poeira de algumas coisas e colocando outras em seus devidos lugares, e eu já sabia qual seria o lugar de Emma.

Naquela noite eu dormi com a visão mais linda que eu poderia ter, naquela noite eu dormi cercada de amor.

Naquele momento eu tinha ao meu lado as duas pessoas pelas quais eu seria capaz de fazer qualquer coisa.

Notas finais
O que acharam?