Uma Chance para Duas

17 Capítulo 17


Notas iniciais
Tentei postar o capítulo ontem mais infelizmente não consegui. Perdoem os erros que passam despercebidos e boa leitura.

Emma

A semana foi corrida, além do caso de Regina, Lilith passou para mim outros dois casos, e me colocou como sua segunda advogada em um terceiro, mas ainda sim fiz o possível para encontrar um tempo para almoçar com ela e sua irmã. Fazia pouco mais de uma semana que eu e ela havíamos dormido juntas, mas quanto a nos falarmos, só tínhamos falado para acertar o almoço, e ainda sim foi por mensagens, mas guardava comigo a promessa de que aquela noite não tinha sido só mais uma em sua vida. A noite que passamos juntas foi de tanta importância para mim, tê-la em meus braços me fez perceber que o que eu mais queria era tirá-la daquela areia movediça a qual ela estava imergindo.

Quando cheguei no restaurante Zelena e Regina já me aguardavam uma mesa um pouco mais distante e reservada, cumprimentei Zelena primeiro e quando me aproximei para cumprimentar Regina também, fui surpreendida com um beijo, rápido, mas um beijo. E pelo visto não fui a única a ficar surpresa, pois Zelena ficou boquiaberta, de certo sua irmã ainda não havia lhe contado o que tinha acontecido entre nós.

Fizemos os nossos pedidos e enquanto aguardávamos conversamos sobre coisas triviais que acabou culminando na gravidez de Zelena. No dia em que conversamos na recepção após o enterro do pai delas, Regina não participou ativamente da conversa, cheguei a pensar que o assunto a incomodava devido ao que tinha acontecido ao seu filho, mas diferente daquela noite, hoje ela parecia engajada na conversa.

— Você e o seu esposo continuam sem querer saber qual o sexo do bebê, Zelena? — Perguntei.

— Sim, e cada mês fica mais difícil levar isso adiante.

— Olha Zelena, já te dei vários motivos pelo qual você deveria saber o sexo do bebê, e o principal deles é que eu como madrinha preciso saber o que dar de presente a essa criança. — Regina disse.

— Espera, você vai ser a madrinha? — Perguntei demonstrando mais incredulidade do que deveria.

— Sim, Emma Swan, algum problema quanto a isso?

— Não Regina, nenhum, é que...

— Você não esperava, é difícil de imaginar, eu sei! — Zelena disse correndo ao meu socorro. — Porém foi mais difícil ainda convencê-la a aceitar.

— A conversa está ótima, mas acho que deveríamos ir ao ponto em questão agora. — Regina disse quando a comida chegou.

— Certo, Zelena você já está ciente de que o seu papel é atestar que não há formas ou meio da sua irmã permanecer nesse casamento?

—Sim, eu estou. Mas o que exatamente pode ser relevante?

— Discussões, desentendimentos... Coisas que além da traição pudessem motivar a sua irmã a querer o divórcio.

— Bom Emma, eu particularmente nunca presenciei discussões entre elas, e nem fiquei sabendo na verdade. — Disse olhando para irmã.

— Eu já falei isso para você Emma, nós não tínhamos discussões, no máximo algumas opiniões controversas quanto ao trabalho de uma ou da outra. — Regina disse.

— Me parece que vocês eram o casal perfeito, sem discussões, ambas bem sucedidas no trabalho...

— Era mais ou menos isso. — Regina falou suspirando.

— Mas pensa bem Zelena, não havia nada, absolutamente nada de estranho nessa relação. — Vi Regina me olhar de canto de olho. — Algo que depois do casamento tenha mudado na sua irmã? — Talvez eu estivesse indo um pouco longe, e Regina percebia isso, percebia o que eu queria obter com aquilo. — Algo que talvez não devesse ter mudado.

A ruiva olhou para irmã como se de alguma forma pedisse permissão, ser fechada era algo que pertencia a Regina.

— Antes mesmo delas irem morar juntas, durante o namoro, a Regina se afastou muito de nós todos, não que fossemos a família perfeita ou realmente muito próximos, como você já deve ter percebido isso, mas até do nosso pai que ela sempre fora mais apegada, ela se afastou. — Zelena disse.

— E você acha que isso tem relação com a Marcela, você acha que a presença dela influenciou a sua irmã a isso? — Perguntei

Zelena abriu a boca para falar, mas a fechou assim que decidiu olhar para irmã.

— Vai em frente, Zel. —Regina disse.

— Talvez tenha, mas eu não sei de certeza, porque apesar da Regina ter se afastado, a Marcela se tornou cada vez mais intima da casa e de nós, por esse motivo que eu não esperava que ela... Que pudesse trair a minha irmã, mas todos nós estávamos enganados. — Zelena confessou.

— Na sua opinião, você acha que a sua irmã deveria levar o divórcio adiante, ou que ela deveria dar mais uma chance a Marcela. —Perguntei.

— De todo o meu coração, eu acho que a Regina deve fazer o que for melhor para ela, se a Marcela já não tem mais espaço em sua vida, não há porque insistir nisso.

—Acredito que isso possa ser o suficiente, na audiência passada comprovamos a veracidade da traição, na próxima será mais um apelo emocional.

— E você acha que isso é o suficiente perante o que a minha mãe pode dizer? — Regina perguntou.

— Por o que eu percebi agora, ela vai dizer que vocês eram felizes, que você está magoada e que não está pensando direito. Mas me responda você Regina, você estava realmente feliz e plena de si, ou só estava existindo?

— Emma! — Disse inclinando levemente a cabeça indicando a irmã.

— Essa é uma pergunta que o próprio juiz pode fazer, Regina. — Ou talvez só eu quisesse saber.

— Felicidade em seu amplo sentido não era o que resumia o meu casamento. — Falou em um tom mais baixo.

— Porque você nunca me contou nada disso, Regina? — Zelena perguntou talvez ofendida por não ter sido uma das opções de confidência da irmã.

— Eu vou dar licença a vocês, e vou aproveitar para ligar para casa e saber como o meu filho está. — Falei.

Sinto que cutuquei um pouco demais essa história toda, e o pior, não foi por motivos advocaciais, foi por curiosidade, eu queria saber mais, saber mais do que Regina já havia me dito.

Quando voltei para mesa Zelena já se preparava para ir embora.

— Foi um prazer rever você Emma. — Zelena disse. — Espero que possamos nos ver mais vezes sem que seja por os mesmos motivos de hoje.

— Claro, Zelena. — Disse nos despedindo. — Desculpa Regina, eu não queria inflamar nada entre vocês. — Disse depois que ela já tinha saído.

— Está tudo bem, Emma.

— Foi por isso que ela foi embora?

— Não, ela realmente precisava voltar ao hospital. — Regina disse.

— Certo então.

— Como vai o Henry?

— Ele está bem, ah, e está quase andando.

— Que bom, fico feliz por ele se desenvolver tão bem. — Sorri em resposta.

— Não quero me meter Regina, mas a Zelena pareceu bem chateada ao sair daqui.

— Apesar de irmãs, eu e ela nunca fomos confidentes, mas não foi por causa do meu relacionamento que ela ficou daquele jeito. Era por causa da nossa mãe.

— Ah! — Admito que eu queria saber do que se tratava, mas não iria perguntar. Regina que deveria se sentir confortável para me contar.

— Você conheceu a peça no dia do enterro do meu pai.

— Bom, ela me pareceu uma mulher de personalidade forte, mas as filhas dela também são, não é mesmo? — Falei dando um sorriso de lado.

— Não posso negar isso. — Falou me dando um sorriso cansado de volta. — Mas a questão não é exatamente essa. Há alguns dias a minha irmã me falou que a minha mãe não estava muito bem e pediu que eu fosse visitá-la e que tentasse conversar com ela, mas eu não fui, e hoje, antes de você voltar, a Zelena estava me cobrando isso. — A priori achei um pouco desumano não visitar uma mãe doente, pois eu particularmente sempre que podia, viajava para visitar meus pais, e perante a minha falta de resposta ela continuou. — Você deve estar me achando uma pessoa terrível, eu sei, qualquer um pensaria, negar uma visita a própria mãe... Mas eu tenho meus motivos para evitar vê-la.

— Isso é porque ela vai ser testemunha da Marcela?

— Também, eu ainda estou chateada com isso, mas vai além de querer manter as aparências. No Prudential Tower eu falei para você que me sentia culpada por a morte do meu pai, mas não falei o porquê. Ela me culpa Emma, nós duas estávamos discutindo, mas ela diz que a culpa dele ter infartado foi minha, e as palavras da minha mãe sempre tiveram muito peso sobre mim. Se trata de uma vida inteira se sentindo descartada. — Eu já podia sentir um leve tremor em sua voz.

— Sinto muito por a relação de vocês ser assim, mas independentemente do que ela diz, não é sua culpa.

— É isso que eu tenho tentado internalizar nas últimas semanas, mas é difícil. — Afaguei sua mão por cima da mesa. — O que você acha que eu deveria fazer? — Ela perguntou.

— Eu particularmente a visitaria, mas isso é o que eu faria, e eu não estou na mesma situação que você. Mas ao menos pense a respeito.

— Vou pensar.

A semana pareceu passar voando, eu e Regina quase não nos vimos devido às nossas rotinas, mas conversamos algumas poucas vezes por ligações. A medida que o dia da audiência se aproximava eu a sentia cada vez mais tensa, e eu podia sentir que não era apenas por causa por a audiência propriamente dita, mas para ela havia muito mais envolvido. Por ela acabar tocando no assunto, conversamos algumas vezes sobre a situação dela com a mãe, Regina usava como justificava o fato de que mesmo indo visitá-la, se sua mãe não quis conversar com Zelena, não era com ela que Cora iria querer.

Me ressentia de sua situação, mas ficava feliz toda vez que ela compartilhava algo comigo, era sinal de que sua confiança em mim aumentava. Não tínhamos nada, mas esperava que quando tudo isso passasse pudéssemos entender melhor tudo isso.

Não falei para Regina, mas precisar ver a Marcela novamente não me agradava por muitos motivos, mas além do óbvio, para mim aquela mulher não passava de uma hipócrita capaz de fazer tudo para não perder o controle sobre aquilo que acha que lhe pertence.

Eu organizava minhas anotações para o caso quando Regina me ligou.

— Oi Regina.

— Oi Emma, atrapalho?

— Não, eu só estava conferindo as coisas para amanhã.

— Ah! Você poderia passar aqui em casa quando sair do escritório?

— Você acha que ainda temos alguma coisa para acertar para amanhã?

— Não, eu acho que não, mas gostaria que você passasse aqui, caso desse, é claro.

— Tudo bem, eu passo. Você está bem?

— Estou tão bem quanto deveria estar. A propósito, se acabar ficando muito tarde para babá do Henry, não me incomodo que você traga ele.

— Tem certeza?

— Tenho sim

— Ok, irei aí e o levarei comigo.

— Até mais tarde então.

— Até.

No fim de tarde daquele mesmo dia eu tinha tido uma reunião com a Lilith e os outros associados, e quando voltei para minha sala fui parada pela minha secretária antes mesmo de alcançar a porta.

— Srt. Swan, tem alguém lhe aguardando na sua sala.

— Mas eu não estou esperando ninguém.

— Ela fez questão de esperar por você. Acho melhor você mesma entrar e ver quem é.

Quando entrei no meu escritório a cena que vi fez o meu estômago embrulhar. Marcela estava encostada em minha mesa com um porta retrato no qual tinha uma foto do Henry em mãos.

— Ele é lindo, mas não parece muito com você. — Ela disse colocando-o sobre a mesa.

— A que devo a sua visita?

— Emma, Emma, Emma. — Disse enquanto se aproximava de mim. — Você tem defendido a Regina muito bem.

— Eu estou sendo paga para isso. — Disse demonstrando convicção no que dizia.

— Paga de maneiras que vão além do dinheiro, eu diria.

— Do que você está falando?

— Não se faça de tola, eu sei que você e a minha esposa estão tendo um caso. — Eu e Regina não tínhamos um caso propriamente dito, mas como ela descobriu? — Isso mesmo, não se dê ao trabalho de negar, eu sei de tudo.

— Você fala como se tivesse sido a mais fiel das esposas.

— Eu não estou aqui para discutir, e nem levarei isso ao tribunal, estou mais para te dar um aviso.

— Que aviso?

— Você vai sofrer, é só o tempo da Regina alcançar o objetivo dela e te descartar, cansar de você. Ela vai te deixar como se você fosse um nada, porque é exatamente isso que você é.

— Isso é despeito, Marcela?

— Não Emma Swan, é a verdade. Você não passa de um joguete nas mãos dela.

— Já deu o seu aviso?

— Quem avisa amiga é, Emma.

— Ok, obrigado. Agora se você puder se retirar eu agradeço.

Marcela saiu da minha sala, mas em seu lugar ficou plantado um fio de dúvida.

Marcela havia vivido anos com Regina, mas cegamente eu insistia em dizer que a conhecia, que a via como realmente era, mas com que propriedade eu poderia realmente afirmar aquilo? Não acreditava que tudo poderia ser um jogo da Regina apenas para castigar a Marcela, não depois de tudo que eu já tinha visto. Quem em sã consciência chegaria um passo de anular o próprio casamento e ainda envolver terceiros? Me envolver?

E por essa dúvida eu desmarquei com a Regina, inventei uma desculpa qualquer sobre o fato de que precisava analisar mais alguns papeis. Eu queria vê-la, queria senti-la, eu não deveria dar ouvidos à Marcela, mas talvez eu já tivesse engolido uma parte do veneno.

Regina

No geral os dias se arrastaram para mim, nem mais o trabalho mantinha a minha cabeça ocupada, quando não era Emma que ocupava os meus pensamentos, era a audiência. Depois do almoço com Zelena nos falamos algumas vezes por telefone, Emma me disse que com sorte aquela seria a última audiência. Lembro que quando ela me trouxe a opção do litigioso me falou que era cansativo e desgastante emocionalmente falando, só não esperava que fosse tanto, ter a vida exposta em um tribunal nunca foi uma meta pessoal. Antes a minha motivação era apenas a traição, depois passou a ser o fato de eu não querer mais alguém como a Marcela na minha vida e agora é tudo isso, mas com a Emma no meio, não definimos nada, não rotulamos nada, não queria envolve-la nessa bagunça, pelo menos não de modo pessoal.

Zelena mais uma vez havia me intimado ir ver a nossa mãe, não fui, mas liguei para saber como ela estava, não falei diretamente com ela, e talvez eu tenha agradecido por isso. A empregada me disse que no momento ela estava no banho, disse que Cora estava “pacífica”, saía do quarto pouquíssimas vezes, comia o que a empregada levava, não montava mais os cardápios das refeições e estava pálida. Das raras vezes em que saia do quarto e perguntavam se ela estava bem, murmurava um sim.

Sempre que Zelena perguntava o que estava acontecendo, ela apenas se limitava a dizer “Não é nada, minha criança”.

Eu estava preocupada sim, afinal ela é a minha mãe, quando eu penso no que vai acontecer amanhã, e em que lado ela escolheu ficar, atinge o meu âmago.

No dia que antecedeu a audiência tudo me irritava, eu queria deixar transparecer calma e confiança, mas eu estava cansada. Saí mais cedo da universidade e fui direto para casa, pensei em beber algo mais precisava estar o mais disposta possível no dia seguinte. Eu não queria ficar sozinha, mas também não queria ligar para minha irmã, não quando tudo que ela iria fazer era me cobrar, então antes que eu pudesse me conter, liguei para Emma, até sugeri que ela trouxesse o Henry, de alguma forma a presença deles me trazia certa tranquilidade, e para minha sorte ela aceitou.

Pedi para empregada fazer algo para o jantar e subi para o meu quarto, depois do banho fiquei vagueando pelos canais da TV procurando algo para me distrair e cabei deixando em um live-action da Maleficent. Talvez a temática do filme tenha me inspirado, porque sonhava com um dragão cuspidor de fogo quando fui desperta pelo toque do meu celular.

— Regina?

— Oi, Emma.

— Estou ligando para avisa que não poderei ir, apareceram mais alguns papeis para eu analisar.

— Sobre amanhã?

— Em partes sim.

— É algum problema?

— Não, nada de mais, mas mesmo assim não poderei ir.

— Tudo bem, então. Nos vemos amanhã.

— Tchau, Regina, até amanhã. Durma bem e fique tranquila.

— Tentarei. Tchau.

Notas finais
Nós estamos no meio da história e eu estou muito feliz com o retorno que tenho tido de vocês ❤️ No próximo capítulo será a audiência, vamos ver se é desse vez que Regina se livrará da marcela. Bjus e até o próximo.