Uma Chance para Duas

15 Capítulo 15


Notas iniciais
Over post? Simm Perdoem os erros que passa despercebidos e boa leitura.

Emma

— Então você levou ela no Prudential Tower, seu lugar preferido em toda a Boston?

— Sim.

— E vocês se beijaram com aquela vista maravilhosa?

— Sim, Ruby. — Tinha ido ao restaurante para almoçar e conversar com a Ruby sobre o que tinha acontecido, mas já estava começando a me arrepender.

— Mas se beijaram como?

— Beijando, Ruby. Deixa de criancice.

— Relaxa Emm’s, tô só brincando com você. Mas para quem já transou no elevador um beijo não é nada.

— Fala um pouco mais alto Ruby, acho que o pessoal da mesa ao lado não escutou. — Falei irônica.

— Eu estou mentindo por acaso? — Perguntou fingindo estar ofendida.

— Não, mas é que...É que foi diferente do que aconteceu no dia do elevador, parecia outra Regina.

— Talvez porque fosse o dia do enterro do pai dela. — Falou cautelosa, mas eu sabia onde ela queria chegar. — Pelo o que você falou foi um dia bem difícil para ela, não quero ser a estraga prazeres, mas você não acha que o que aconteceu pode ter sido só por isso, por que ela estava fragilizada?

— E você acha que eu ainda não pensei nisso? Já pensei que eu posso ter sido um consolo para ela, ou que ela pode ter me beijado por carência, devido a separação, mas mesmo com tantas hipóteses, eu não consigo tirar o que aconteceu da minha cabeça, na verdade eu não consigo tirar Regina da cabeça.

— Você está mesmo apaixonada por ela, não está?

— Eu não disse isso...

— E nem precisa, está marcado à ferro na tua testa.

— Ruby... — Tentei falar mais ela me interrompeu.

— Vai negar para mim, logo para mim, Emma?

— Não, não vou, mas é tão complicado, nós somos tão diferentes e além de tudo ela é minha cliente, não sei nem o que a Lilith pode pensar disso, ela é a sócia majoritária da empresa e acima de tudo é tão amiga de Regina quando da Marcela, fora que o motivo dela querer a separação é a traição, e se a Marcela descobre que ela está se envolvendo ou se envolveu com alguém de alguma forma, pode complicar ainda mais as coisas para Regina.

— A propósito, você não me contou nada sobre a audiência. O que você achou dessa Marcela?

— Ela é uma mulher bonita e altiva, mas não sei se vale de muita coisa.

— Porque você diz isso?

— Ao que me parece Regina já deixou claro o suficiente que não há volta, mas a outra insiste em dizer que isso é só uma fase e que vai passar. Quer que Regina engula ou esqueça a traição a todo custo.

— Teve lavação de roupa suja? — Com a pergunta de Ruby pensei automaticamente na jogada baixa de Marcela ao falar sobre o filho que tinham perdido, mas eu não contaria, aquele era um assunto que pertencia tão somente a Regina.

— O de sempre, ela pediu desculpas por o que tinha feito, disse que não tinha significado nada e falou que a amava.

— Típico. Mas me deixe adivinhar, vocês ainda não conversaram sobre o que aconteceu no observatório.

— Não, e nem sei se que quero tentar tocar no assunto, já me basta o dia o no tribunal. Mas se bem que eu realmente preciso ligar para ela — Quando Ruby me olhou com malícia tratei logo em completar — Para falar sobre o processo.

— Sei. Só toma cuidado Emma.

— Eu estou bem Ruby.

— Você está agora, mas a gente nunca sabe o que vem na próxima curva. — Eu sabia do que ela estava falando e porque estava falando, mas só criamos medo do fogo depois que nos queimamos. —Vai com calma dona Emma.

— Irei, Ruby.

— Alô, Emma?

— Boa Tarde, Regina. Incomodo?

— De maneira alguma.

— Então Regina, imagino que esse seja o último assunto que você queira tratar, mas eu liguei porque precisamos conversar sobre a próxima audiência.

— A questão da testemunha, não é?

— Exato, eu sei que você deve estar ocupa...

— Poderíamos almoçar amanhã, se você também tiver esse tempo livre, é claro.

— Tenho, tenho sim.

— Você se incomodaria em fazer reservas ou escolher o lugar, como você já sabe eu ando meio ocupada.

— Sem problemas, eu mando o endereço para você por mensagem.

— Ok. Mais alguma coisa?

— Não, era só isso mesmo.

— Então tchau, Emma. Até depois.

— Até, Regina.

Regina

— Zelena?

— Fala rápido que o meu próximo paciente entra em cinco minutos.

— Janta comigo hoje?

— O que é que você quer?

— Eu faço lasanha.

— Faço tudo por a minha irmã mais nova.

— Às 20:00 então?

— Às 20:00.

Zelena se atrasou quase uma hora, disse que um paciente antigo do nosso pai apareceu de última hora e exigiu ser atendido por ela.

— Espero que a massa esteja do jeito que eu gosto, porque agora nós temos uma mãe e um bebê famintos. — Zelena já deveria estar se encaminhando para o quinto mês de gestação, mas devido a sua altura e como sempre fora magra, a sua barriga evidenciava apenas três meses.

Admito que que na maior parte do tempo eu nem lembrava que ela estava grávida.

— Vamos para cozinha porque eu preciso esquentar a lasanha, porque diante a sua demora ela esfriou.

— Eu já me expliquei, Regina.

— Não quer dizer que eu tenha aceitado. — Falei mostrando a língua para ela como fazia quando eramos criança. Eu não tinha realmente me irritado.

Zelena se sentou à mesa que já estava posta e eu fui pôr a lasanha novamente no forno.

— Então, Regina, pode começar desembuchando. Qual o motivo de eu estar aqui?

— Lembra da audiência em que a Cora será testemunha da Marcela?

— Lembro.

— Eu preciso que você seja a minha. — Percebi Zelena ficar tensa. — Sei que a nossa mãe vai estar do outro lado, mas eu preciso de você, mas do que você pode imaginar. Eu sei que você nunca gostou de estar contra ela, eu tinha pensado no papai, mas... — Fui interrompida por o apito do forno, a lasanha estava pronta.

— Eu vou, Regina. Depois do que você falou eu não poderia ficar neutra nessa história. — Sorri em agradecimento.

Coloquei a travessa sobre a mesa e servi um pedaço para mim e outro para ela.

— Quer o que para beber?

— Vinho.

— Zelena! — A repreendi logo lembrando de Hades

— Só uma taçazinha, Regina, não mata ninguém. Ah, Hades não precisa saber.

Fui na adega e procurei algo suave para nós.

— Então, Gina, eu não sei bem o que dizer diante do Juiz, não sei o que pode ser relevante ou não.

— Não precisa se preocupar, eu vou almoçar com a Emma e você...

— Espera aí, você vai o que?

—Ai não Zelena, por favor! Eu estou indo almoçar com ela para tratar do meu divórcio, não inventa coisa.

— Se você diz, eu finjo que acredito. — Bufei.

— O que eu estava tentando dizer era que você deveria almoçar conosco e conversar com Emma, ela poderia te orientar melhor.

— Tem certeza que não vou atrapalhar o almoço de vocês? — Falou em um tom muito sugestivo.

— Zelena, cala a boca e come.

O resto do jantar seguiu tranquilo, conversávamos sobre coisas triviais e sobre o seu bebê. A ideia de ser tia ou madrinha já não me era mais estranha. Zelena comeu fácil, fácil dois pedaços da lasanha e já partia para o terceiro quando falou: — Ela é uma mulher muito bonita.

— Ela quem? — Perguntei levando a taça de vinho aos lábios.

— Emma, a sua advogada. Vai dizer que você também não acha?

Antes de responder me engasguei chegando a ficar da cor do meu próprio batom, fazendo Zelena rir abertamente da minha cara.

— Sim, ela é bonita. — Falei tossindo mais um pouco.

— Ela é bem diferente da Marcela, pelo menos fisicamente.

— Não só fisicamente. — Falei um pouco alheia.

— Você quer dizer que...?

— As personalidades também são, Marcela é a tempestade de põem tudo abaixo e Emma me lembra mais uma brisa leve de verão. Há um abismo entre Emma e a Marcela.

— Não sabia que você já conhecia a Emma tão bem.

Corei.

— Não conheço, falo pôr o pouco que já vi dela.

— Sei... Você não me falou para onde vocês foram naquela noite.

— Ela me levou para o observatório do Prudential Tower. — Respondi baixando olhar para o meu prato já vazio.

— Aconteceu alguma coisa lá, Regina?

Não ia mentir, na verdade eu já estava cansada de driblar a verdade.

— Nós nos beijamos. — Falei ainda fitando o prato. — E antes que diga alguma coisa eu já sei o que você está pensando, está pensando que eu não me dou ao respeito porque eu nem me separei da minha esposa e já estou beijando a minha advogada. — Falei tudo de uma vez.

— Engano o seu, eu não estou pensando nada disso. Estou um pouco surpresa, é claro, fiz aquelas insinuações só para te provocar, não imaginava que realmente estivesse acontecendo algo.

— Mas não tem nada “acontecendo” — Fiz aspas com as mãos — Foi só um beijo e...

— E o que?

— E só. — Não contaria a Zelena o que tinha acontecido no elevador.

— Não parece ser só isso. Você está interessada ou gostando dela? — Não respondi. — Regina... Sabe o que é que eu acho, que você está incomodada com o que as pessoas podem achar por o fato de você e Marcela ainda serem casadas, pelo menos perante a lei. Você nunca deu corda para o que as pessoas acham, fazia o que acha certo ou o que era melhor para você, porque isso agora?

— Eu não sei, eu não sei como agir ou o que fazer, as coisas são diferentes, o que eu sinto é diferente. As coisas não foram assim comigo e com a Marcela, nem no início.

— Você está apaixonada por ela?

— Eu não disse isso, só disse que as coisas são diferentes.

— Ok!

Ficamos em silêncio enquanto Zelena terminava de comer.

— Ela peitou a Marcela naquele dia, além de você, ninguém costuma fazer isso. — Me segurei para não sorrir com a lembrança. Mesmo que Marcela só fosse me fazer um carinho, agradeci mentalmente por Emma impedi-la.

— Sou capaz de apostar que a Marcela desejou a morde de Emma naquele momento. — Falei me levantando e levando os pratos para a pia.

Fomos para sala e ficamos vagueando por os canais da TV até encontrar algo que interessasse a nós duas.

Já me sentia sonolenta quando ela me chamou.

— Regina?

— Hum?

— A mamãe não está bem. — Me ajeitei no sofá para encara-la. Eu iria fazer alguma piada sobre isso, mas Zelena me olhava séria.

— O que aconteceu.

— Passei lá há alguns dias porque ela tinha tido uma queda de pressão, e a empregada me chamou de canto para conversar. Ela disse que a mamãe não tem saído do quarto, faz todas as refeições lá em cima, isso é, quando ela come alguma coisa. A empregada falou que as vezes a bandeira está intacta, da mesma forma que foi levada. Me preocupo por ela já ser uma pessoa de idade, manter uma rotina como essa é perigoso. Tenho ido lá todo dia depois que o papai faleceu, mas é a mesma coisa sempre, pergunto se ela está bem, ela diz que sim e o assunto acaba.

Eu não queria me preocupar, queria me manter impassível, afinal eu ainda sentia raiva e mágoa, não só por ela ter aceitado ser testemunha da Marcela, mas por tudo que tinha vindo à tona na nossa discussão, por o que aconteceu com o meu pai e por ela me culpar por isso, mas ela era a minha mãe.

— Eu não sei o que dizer, Zelena.

— Talvez você pudesse ir lá, e ...

— Eu? Logo eu? Se ela não quis conversar com você, não é comigo que ela vai falar.

— Talvez ela esteja assim por sentir falta do papai.

— Quero acreditar que sim.

— Vocês não se falam desde aquele dia?

— Não. Ela me culpa por o que aconteceu, e o pior que eu também.

— As duas estão erradas, ela por te culpar e você por se sentir assim, mas eu acho que você deveria tentar falar com ela.

— Eu vou pensar.

Era por volta de nove da manhã e eu estava em sala de aula quando ouvi o toque de mensagem do meu celular, que estava dentro da bolsa. Esperei a aula acabar para só então poder olhar.

“Sinto muito Regina, mas não poderei almoçar com você hoje. Henry não está muito bem e não quero deixá-lo sozinho com a babá. Espero poder remarcar o nosso almoço para outro dia.

Beijos, Emma.”

Me senti um pouco frustrada por o cancelamento do almoço, mas essa sensação foi substituída por a preocupação para com o garoto. O que será que ele tinha?

Mandei uma mensagem para Zelena avisando que o nosso almoço ficara para outro dia, e uma para Emma perguntando o que o Henry tinha, essa por sua vez foi respondida com um apenas “Reação a vacina”.

Emma

Era por volta de 08:40 pm e eu tinha nos meus braços um Henry estressado, manhoso e que não dormia por nada nesse mundo, quando a campainha do apartamento tocou assustando o garoto e fazendo com que ele chorasse. Me assustei com quem vi parada no assoalho do corredor.

— Regina, o que você está fazendo aqui?

— Boa noite para você também, Emma. — Continuei olhando-a surpresa. — Não vai me convidar para entrar?

— Oh, claro, entra Regina. Desculpa, é que eu estou um pouco surpresa por a sua visita. — Ela entrou e eu fechei a porta

— Como ele está? — Ela perguntou fazendo carinho nas costas de Henry, que estava agarrado ao meu pescoço com toda força que tinha.

— Ele ainda está febril, a reação à vacina foi muito forte. Sem querer ser mal educada, mas o que você faz aqui, por acaso você não recebeu a minha mensagem? Não sabia que você tinha o meu endereço. — Corria o risco de ser rude, mas eu mal podia acreditar no que os meus olhos viam.

— Uma coisa de cada vez Emma. Eu liguei para uma amiga da minha irmã que é pediatra, e expliquei para ela que um garotinho que eu conhecia tinha tido reações depois de tomar a vacina, aliás, muitíssimo obrigado por a mensagem altamente esclarecedora que você me mandou como resposta, não poderia ser mais vaga. — Falou em um tom irônico. — Mas por ser experiente na área, ela me indicou um medicamento e eu passei na farmácia e comprei. — Falou levantando a sacola da farmácia. Precisei de alguns instantes para poder entender o que estava se passando ali. Regina tinha se preocupado com o meu filho a ponto de comprar remédio para ele, era isso mesmo? —E quanto o seu endereço, eu pedi para Lily. — A última parte ela disse mais baixo, parecia estar envergonhada.

— Não precisava ter se incomodado, Regina. — Ela me entregou o remédio. — Sério, você não devia ter se incomodado.

— Não foi nada, na verdade eu deveria ter vindo antes, mas acabei me enrolando com algumas coisas. Ela falou que o remédio vai amenizar a reação e vai ajudá-lo a dormi.

— Obrigado Regina, de verdade. — Eu estava tão impressionada com o que ela tinha feito. Sim, comprar remédio é algo simples, mas ela se importou em ir comprar e em trazer até a minha casa. Ela se preocupou com o meu filho.

— Não foi nada Emma. — Sorriu para mim em resposta.

A essa altura Henry já tinha tirado a cabeça do meu ombro para ver de quem era outra voz que respondia a minha. Ao ver Regina em sua frente o menino despertou como se alguém tivesse dado uma carga a sua bateria, esticou os bracinhos e inclinou seu corpo para frente de encontro ao dela. Se ela não tivesse sido ágil o suficiente, Henry teria caído dos meus braços.

— Olá Henry, você lembra de mim? — E como se respondesse a sua pergunta, ele começou a brincar com o seu cabelo da mesma forma que brincou no dia em que se conheceram.

— Você gostaria de alguma coisa, Regina?

— Não Emma, estou bem, obrigado

— Me acompanhe pelo menos em um café, ou um uísque se preferir.

— O café então. — Disse enquanto sorria entre as mechas de cabelo que o Henry insistia em trazer para frente do seu rosto.

Fomos para cozinha onde preparei o café para mim e Regina enquanto ela brincava com o Henry, não pude deixar de pensar em seu filho, e me perguntava se ela pensava o mesmo. Ver os dois brincando e rindo me aquecia o coração, não tinha ideia de como as coisas iriam se desenvolver entre mim e ela ou se iriam, mas naquele momento eu me sentia feliz, talvez não devesse, afinal tudo que existia ali eram hipóteses e incertezas. A verdade era que eu tinha começado a criar expectativas e isso era suicídio lento, aquela mulher estava imersa até o pescoço de problemas, e eu estava indo junto, e o pior, arrastando o meu filho comigo. Mas e se eu pudesse lhe oferecer a mão e puxa-la daquela areia movediça?

Fui tirada dos meus pensamentos por o sinal da cafeteira indicando que o café estava pronto.

— Aqui o seu café, Regina. — Lhe entreguei a xícara e peguei o Henry para dá a medicação.

— Ele tem sabor de frutas vermelhas, acho que o Henry não vai fazer birrar para tomar. — E ela tinha razão, o garoto tomou sem muita complicação.

— Espero que não demore a fazer efeito, passei o dia inteiro tentando pôr ele para dormir, ele só cochilava alguns minutos e acordava em seguida. — Sentei de frente para ela com garoto sentando na minha perna e bebi o meu café. Não tardou para Henry querer ir novamente para o colo de Regina.

Conversamos sobre coisas triviais e banais. O clima ali me lembrava o do observatório. Regina me contou algumas histórias sobre sua infância e sobre os finais de semana em Storybrooke, sempre adotando um tom saudosista ao falar do pai, e eu falei sobre a minha. Lamentei profundamente por não termos nos conhecido antes. Ali não havia espaço para falar sobre divórcio, sobre a Marcela ou sobre qualquer outro assunto jurídico, naquele momento eu não era sua advogada e nem ela minha cliente, éramos apenas duas pessoas conversando sobre as coisas corriqueiras da vida.

No primeiro momento em que a Lily me falou sobre a sua amiga que eu iria representar, ela definiu Regina em algumas características: “— Mas ela é ótima, inteligente, proativa e é daquelas que quando rir, rir até dar dor na barriga. ”, todas as outras características citas eu encontrei nela, menos o rir até dar dor na barriga, até aquele dia, o máximo que eu via eram alguns sorrisos de lado e um ou outro que ela dava por educação. Mas naquela noite não, ela ria abertamente ao me ouvir contar o que eu aprontava quando criança e quando ela me falava sobre suas “experiências” desastrosas com bicarbonato e vinagre na cozinha de casa.

— Alguém já dava sinais de que seria uma cientista.

— Pois é, precisei quebrar muita coisa para chegar aqui. — Falou rindo. — Emma, eu acho que alguém aqui se deu por vencido. — Henry tinha dormido em seus braços.

Levei o Henry para o seu quarto, vesti o pijama e o coloquei no berço. Quando voltei para cozinha Regina estava lavando as xícaras onde tínhamos tomado café.

— Não precisava Regina.

— Emma, são só xícaras. — Disse secando as mãos.

— Você já fez tanto por mim por o meu filho hoje, obrigado. Me parte o coração vê-lo assim, me sinto incapaz. Espero que não tenha ficado muito irritada por o nosso almoço.

— Não, claro que não. Imagino que poderemos conversar sobre esse assunto depois, ainda temos alguns dias. Ah, antes que eu esqueça, já tenho a minha testemunha.

— Em quem você pensou?

— Zelena, a minha irmã. — Mais em família impossível, pensei, mas não externalizei para Regina. — Eu tinha esquecido de te avisar, mas hoje ela iria almoçar conosco, tirar algumas dúvidas, sabe?

— Sei, mas logo poderemos marcar novamente. Agora medicado, imagino que Henry não tarde a melho... Isso é chuva? — Regina foi até a janela da cozinha para olhar. E mais uma vez caia uma tempestade sobre a cidade.

— É, e bem forte. Acho melhor eu ir, Emma.

— Nem pensar Regina, você já viu a chuva que tá caindo lá? É perigoso sair com esse tempo. — Mais uma vez eu e ela estávamos presas no mesmo lugar enquanto Boston era lavado por a chuva, e isso me causava sensações.

— Emma, já está tarde e eu não quero ficar aqui incomodando você.

— Eu não vou deixar você sair nessa chuva, Rain Queen.

— Rain o que? — Sua boca se abriu em indignação.

— Você já reparou que onde você está sempre começa a chove? — Ri da sua indignação.

— Por acaso você está me xingando Emma Swan? Está me chamando de fria, é isso mesmo?

— Claro que não Regina, acho que se tem uma coisa que eu não posso te chamar é de fria. — Ela me olhava com uma sobrancelha erguida. — Um dia de chuva é tão belo como um dia de sol, a chuva quando caí faz com que do solo brote vida, opera nas coisas inusitadas transformações. Tem coisa mais deliciosa do que o cheiro de terra molhada pela chuva? — Falei me aproximando dela que estava encostada no balcão ao lado da pia.

Sua boca estava entreaberta como se já esperasse por mim, seu peito subia e descia como se tivesse dificuldade para respirar. Eu a queria, e como queria. Entre nós agora, deveria existir algo semelhante a um palmo de distância.

— E é claro que é preciso deixar chover, para que um arco-íris possa nascer ao horizonte. — Aqueles olhos, Deus, aqueles olhos...

Assim como no elevador, Regina avançou o espaço existente entre nós, me pegou pela cintura e me beijou. Seu beijo beirava a selvageria, como se tivesse fome ou pressa, a Regina do elevador estava de volta.

Não, estava errado, estava tudo errado, eu queria ela, queria muito, mas não desse jeito. E com muita força de vontade e pesar, eu afastei meus lábios dos seus.

Regina murmurou em desagrado.

— O que houve? Você não queria? — Falou buscando os meus olhos com os seus.

— Quero, quero muito, mas não assim. — Ela me olhava sem entender. Respirei fundo. — Eu não sei como eram as coisas entre você e sua ex, mas eu não sou assim. Eu não funciono desse jeito, Regina.

Me culpei por citar a Marcela naquele momento. Achei que ela fosse me dar alguma típica resposta sua e ir embora, mas não foi isso que ela fez. Voltou a aproximar nossos rostos, e quase entre os meus lábios disse: — Então por favor me ensine, me ensine a ser mais como você e menos como ela.

Notas finais
Estamos berrando? ESTAMOS BERRANDO!