Uma Chance para Duas
7 Capítulo 7
Notas iniciais
Emma
A não ser o meu, Henry nunca havia chorado dessa forma para ir para colo de alguém como havia chorado quando Regina foi embora com os seus pais.
O que essa mulher tinha feito com meu garoto?
Regina
Parecia que eu estava vivendo uma fase da minha vida chamada “Surpresas”, e daqueles bem desagradáveis, diga-se de passagem.
— Quem está me esperando? — Perguntei a empregada.
— Acho melhor a Sra. ver com os seus próprios olhos. Ela está lhe esperando na sua sala de leitura. — Ela não precisava dizer mais nada. Então respirei fundo e fui para o cômodo.
— O que você está fazendo aqui? — Perguntei assustando a Marcela, que olhava melancólica um porta retrato com uma foto nossa. Praguejei em silêncio por não ter o quebrado também.
— Precisamos conversar. — Falou colocando o porta retrato no lugar. — Não te procurei durante esse tempo pois sabia que você estava de cabeça quente e precisava se acalmar.
— Eu não tenho nada para conversar com você. — Rosnei. — Quer dizer, na verdade eu tenho. Quando que você vai me dar o divórcio?
— Meu amor, você está se precipitando. Eu te amo e não vou deixar que você acabe com o nosso casamento. — Aí estava o motivo pelo qual Marcela tinha se dado tão bem com a minha mãe, além do seu dinheiro, Marcela também presava pôr as aparências.
— Eu vou acabar o nosso casamento? Sinto muito lhe informar, mas você já fez isso. — Eu tremia de tanta mágoa, raiva e ressentimento, mas eu não poderia ceder. Mesmo nos amando, eu e a Marcela sempre jogávamos de igual para igual. — Você fez isso quando se ajoelhou e fodeu a sua secretária.
— Aquilo não foi nada Regina, aquilo nunca significou nada. Ela foi só um passatempo, uma fodida barata
— Um nada que durou muito tempo, não é mesmo?!
— As coisas estavam difíceis entre nós naquele tempo e você sabe muito bem disso.
— Sim, na verdade ninguém sabe melhor que eu.
Flashback ON— Consultório Médico
— Sente-se melhor Regina? — Fiz que sim com a cabeça. — Sei que você passou por um momento difícil recentemente.
— Então Dr. Wale, os resultados dos nossos enxames chegaram? — Marcela perguntou apreensiva.
— Sim, os resultados dos enxames de fertilidade de vocês chagaram.
— Pode começar pelos meus. — Falei e senti a mão de Marcela apertar a minha.
— Bom, primeiro de tudo, os resultados mostraram que ambas têm problemas quanto a fertilidade. Você Regina, tem óvulos saudáveis, mas a anatomia do seu útero impede que qualquer gestação sua possa ir a diante, o seu útero é atrofiado, não há espaço suficiente para que uma criança possa se desenvolver por completo, e isso explica o seu aborto. — Senti o chão faltar sob os meus pés. — Ao contrário da Regina, você Marcela, tem um útero condizente com o padrão, mas já seus óvulos não conseguem alcançar o ponto de maturação para que a fecundação ocorra com sucesso, isso acontece devido à falta de células foliculares, essas células ajudam na maturação do óvulo.
— Então isso quer dizer que não podemos ter filhos? Nenhuma de nós? — Marcela perguntou, enquanto eu tentava assimilar tudo que tinha ouvido.
— Bom, para você Marcela, há um tratamento de fertilidade, ele dura em média de dois anos e com ele pode-se obter 98% de chances de uma fecundação bem-sucedida. Mas para a atrofia do seu útero não há nada que possa ser feito, Regina, eu sinto muito.
— Quero começar esse tratamento o quanto antes. — E tomando meu rosto em suas mãos ela me disse. — Eu vou gestar o nosso filho. — E selou nossos lábios com um beijo.
Flashback OFF
— Você passou tanto tempo frustrada por não poder engravidar, que as vezes não me queria nem na cama ao seu lado.
— Não acredito que você vai jogar a culpa de você ter me traído para cima de mim, você não percebe o quão absurdo isso soa. — Dias atrás Marcela me dava náuseas por ter me traído, hoje me dava ânsia por ser tão fdp quanto eu mesma poderia ser se quisesse.
— Durante meses você preferiu passar as noites aqui embaixo trabalhando, do que dormir ao meu lado. Eu precisei... eu precisei buscar o que você não me dava em outra pessoa.
Eu sentia que meu corpo inteiro pegava fogo, e que poderia causar um incêndio ao abrir uma das mãos.
— Você é um lixo! — Meus olhos queimavam, e não, eu não derramaria uma lágrima sequer na frente dela. — Eu estava acabada, você sabia o quanto eu queria ser mãe e como aquele aborto e o laudo médico acabaram comigo. Eu achava que você estava ao meu lado e que estava tão triste quanto eu, mas não, você estava transando com a secretária.
— E eu estava Regina! — Ela ergueu a mão para me tocar, mas eu saí do seu campo de contato. — Eu queria tanto quanto você ser mãe, por isso fiz o tratamento, aumentar a nossa família era tudo que eu queria. Mas você se fechou para mim.
— E você se abriu para outra pessoa, literalmente. O nojo que eu sinto por você só aumenta cada vez que você abre a boca.
— Chega! Você diz que tem nojo de mim e que eu sou um lixo, mas você é igualzinha a mim, por isso que nós nos apaixonamos, e é por isso que você ama. — Falou me pegando pelos ombros. Gemi baixo quando ela apertou o ombro do braço que havia sido deslocado na noite anterior. — Esqueça o que aconteceu. — Falou próximo ao meu rosto. — Sei que ainda podemos ser muito felizes. — Disse roçando seu nariz no meu.
— Talvez sejamos parecidas, mas a diferença é que eu não sou uma cretina em tempo integral. Tire as suas mãos de mim ou você irá se arrepender profundamente. — Falei entre os dentes.
— Essa é aminha Regina. — Disse se afastando a uma distância segura.
— Porque você não volta a comer a sua secretária e me deixa livre? — Eu já havia perdido o controle, e poderia matar um com as minha as próprias mãos caso tivesse oportunidade.
— Sabe quando eu vou te dar esse divórcio? Nunca! Nós nos pertencemos. Aquela sua advogadazinha não vai conseguir nada. — A maneira como a qual ela se referiu a Emma fez com que meu sangue fervesse em minhas veias.
— Se esse vai ser o seu jogo, Marcela, eu aceito jogar, saiba que eu não jogo para perder.
— Nem eu meu amor, e você sabe disso. Você só está magoada comigo, mas vai passar, eu sei. Vamos voltar com o nosso amor mais forte que nunca, nós nos amamos, você me a ama e a prova disso é que a nossa foto continua aqui, e posso apostar que ainda há muitas espalhadas pela casa.
— Engano o seu, eu só esqueci de jogar essa fora assim como fiz com as outras. Agora pegue o restante de suas coisas que estão em uma mala lá em cima e vá embora da minha casa.
— Nossa casa você quer dizer.
— Saia agora!
Marcela não mentiu quando disse que éramos iguais, também não mentiu quando disse que foi por isso que me apaixonei por ela, mas eu sabia quando era hora de parar de jogar, ela não. Desde quando a conheci ela sempre foi forte e decidida, e era de alguém assim que eu precisava ao meu lado, e entre dois grandes egos, construímos nossa vida juntas. Eu amei essa mulher, Deus como eu amei essa mulher. Era como se houvesse um pacto entre nós, fomos o apoio uma da outra para alcançarmos os nossos objetivos, mas esse pacto foi quebrado, Marcela tinha quebrado.
Dia Seguinte.
— Bom dia Sra Mills, veio ver a Sra. Page?
—Não, eu gostaria de falar com Swan, Emma Swan.
Emma
Não acreditei quando a secretária disse Regina Mills estava no escritório e que queria conversar comigo. O que ela queria? Seria algo referente ao final de semana?
— Boa tarde, Regina, sente-se por favor. — Regina sentou cruzando as pernas. — A que devo a honra de sua visita?
— Você é minha advogada, o que mais eu estaria fazendo aqui?! — Alguém havia levantado com o pé esquerdo. — Emma eu preciso desse divórcio. — Falou se aproximando da mesa.
— Regina, eu não posso fazer nada até que a Marcela assine os papeis.
— Mas será que não há nada, absolutamente nada que possa ser feito? — Tinha me encontrado poucas vezes com Regina, mas é certo que vi algo em seus olhos que ainda não tinha visto antes. Regina estava possessa.
— O que você quer dizer com isso? — Perguntei cautelosa.
— Eu não sei Swan, eu só quero que esse divórcio saia o quanto antes. — Regina parecia ... Parecia quente, em chamas na verdade, tinha a impressão de que eu poderia me queimar só por respirar o mesmo ar que ela. — Emma, a Lilith me recomendou você dizendo que você era muito boa no que fazia, não me mostre que ela estava engada.
— Regina, eu estou fazendo o eu posso, o que a lei me permite.
— Mas eu preciso de mais, preciso que você faça mais.
— Alguma coisa aconteceu Regina? Algo que você precise me contar?
— Se o que eu lhe contei na primeira vez que nos encontramos não for suficiente para querer um divórcio, eu não sei o que estou fazendo aqui. — Algo havia acontecido, eu podia apostar que sim.
— Talvez seja melhor eu me afastar e a Lilith pegar o seu caso, Regina.
— Não. — Falou exasperada. —A Lilith também é amiga da Marcela, ela começaria a tomar partido e só pioraria as coisas. Eu não quero mudar de advogada, eu só quero que você faça o seu trabalho. — Falou soltando o ar.
— É exatamente o que eu estou fazendo.
Depois que eu disse isso, a sala caiu em um silêncio mortal que só foi quebrado quando Regina me entregou uma sacola que deveria estar ao seu lado na cadeira, e que eu não tinha visto antes.
— Aqui estão as roupas que vocês me emprestaram. Obrigada mais uma vez, Emma.
— Não foi nada, só se mantenha em lugares quentes da próxima vez, e será suficiente. — Um sorriso de lado surgiu nos lábios de Regina. Hoje notei algo que não havia notado antes, Regina tinha uma cicatriz no lado esquerdo do lábio superior. Nada muito visível, nem chegava a ser um defeito estético, era uma pequena depressão na vertical, que naqueles lábios carnudos pintados de vermelho, deixavam-na terrivelmente sexy.
— Bom, preciso ir. Tenho uma reunião com alguns orientandos do doutorado. — Disse me tirando dos meus pensamentos.
— Tenha uma boa tarde, Sra. Mills.
— Igualmente, Srta. Swan.
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