Uma Chance para Duas

12 Capítulo 12


Notas iniciais
Vamos ver o que esse capítulo nos reserva. Tenham uma boa leitura e perdoem os erros que passam despercebidos.

Emma

Três dias após a audiência pedi que a minha secretária ligasse para Regina e marcasse um horário para que ela pudesse vir ao escritório, mas como da outra vez, ela alegou estar demasiadamente ocupada com testes no laboratório, então pedi que perguntasse o horário que ela teria algum intervalo, eu iria até ela.

No final da manhã eu tinha recebido a lista de testemunhas que seriam convocadas por Gaston, na verdade a "lista" se tratava apenas de uma única pessoa, logo eu também teria que apresentar a minha, e para isso precisava que Regina me dissesse nomes.

Regina pediu que eu a encontrasse na praça do hospital. O local era uma espécie de área verde toda gramada, com muitas árvores e bancos sob as mesmas onde me sentei em um, haviam também mesas de concreto dessas que são presas ao chão. O clima estava agradável e espalhados por o local tinham alguns pacientes acompanhados de enfermeiros.

Perto de uma das entradas do hospital tinha um grupo de pessoas vestidas com jalecos conversando, provavelmente eram médicos, percebi quando alguém saiu do hospital e passou por eles cumprimentando-os com um aceno, precisei aguçar a minha visão para reconhecer quem era. Regina estava vestida de uma forma que eu nunca vira antes.

Usava uma camisa jeans com um botão aberto deixando o colo a amostra e com os punhos dobrados, uma calça jeans justa, um tênis branco desses que adolescentes costumam usar hoje em dia, no rosto usava um óculos retangular com a armação preta, não sabia que ela usava óculos, e tinha os cabelos amarrados em um meio rabo de cavalo devido ao cabelo curto. Ela estava casual, mas ainda sim linda.

Durante esses três dias me mantive focada nos meus outros casos, tive reuniões com os meus outros clientes e reuniões administrativas com a Lilith, mas agora parecia que nada disso tinha adiantado.

— Acorda Swan.

— Oi, desculpa. — Falei despertando do meu transe, nem percebi que ela estava parada na minha frente. — É só que... Eu nunca tinha visto você vestida desse jeito. — Falei sem pensar muito no que dizia.

— Bom Emma, aqui eu trabalho em um laboratório cheio de vírus e bactérias patológicas em placas de petri, você esperava que eu estivesse de que? Vestido e salto? — Com um sorriso esboçado no rosto se sentou ao meu lado. — Então, o que você tem para mim?

— Hoje eu recebi a lista de testemunhas da Marcela para a próxima audiência.

— E...?

— Ela só chamou uma pessoa, e eu acho que vai lhe interessar.

— Quem é, Emma?

— Cora Mills.— Vi o queixo dela cair.

— Minha mãe?

— É o que parece. Então, você acha que a sua mãe vai realmente dificultar as coisas para você?

— Com toda certeza, segundo ela eu devo perdoar e esquecer tudo o que aconteceu.

— Mas ela é a sua mãe, Regina!— Vi ela fechar os olhos e respirar fundo.

— Emma, a minha mãe não segue o padrão materno tradicional, pelo menos não comigo. — Tive a leve impressão de sentir mágoa em sua voz.

— Bom, você também tem que escolher as suas testemunhas.

— Eu vou pensar em alguém, depois eu mando o nome para você.

— Espero o seu parecer amanhã.

— Ok, mas agora eu preciso conversar com alguém. — Disse se pondo de pé.

Regina

Entrei na casa dos meus pais como um raio pegando de surpresa a minha mãe que estava na cozinha dando ordens para empregada.

— Qual é o seu problema?

— Isso são modos, Regina? Do que é que você está falando?

— Do que é que eu estou falando? Estou falando de você servir de testemunha para Marcela. Eu sou a sua filha e não ela, você é a minha mãe e deveria estar do meu lado.

— Já falei para você que você está se precipitando, casamentos não acabam assim de uma hora para outra. Você ainda tem muito que aprender garota boba.

— Da minha vida cuido eu. Você nunca se importou comigo e agora vem com essa de prezar pelo meu casamento.

— Eu quero evitar que você faça uma besteira e se arrependa depois, porque você é assim desde criança, saía por aí se achando a dona do próprio nariz, mas quando caía voltava com o rabo entre as pernas.

— Voltava, mas que eu me lembre não era você que me acolhia. Tenho dó do que teria sido de mim se não fossem as empregadas quando meu pai não estava.

— Que gritaria é essa? — Meu pai tinha escutado a nossa discussão.

— Não ver Henrique que é a Regina, como sempre aliás.

— Não me culpe por estar surpresa de você a essa altura da vida estar querendo zelar por mim. — Falei ironicamente. — Eu que estou nesse casamento, logo eu decido se permaneço ou não, você está me entendendo?

— Se eu tivesse deixado o seu pai na primeira crise que tivemos, nem a Zelena estaria aqui.

— Isso tudo é interesse no dinheiro da Marcela? Você não acha que tem o suficiente para uma vida, não?

— Não diga besteira Regina.

— Você nunca aceitou quem eu realmente era, vivia me empurrando para os filhos dos amigos do papai. Não aceitava nem a possibilidade que eu pudesse gostar de mulheres, até conhecer a Marcela, ou melhor, até conhecer o patrimônio da família dela.

— Chega vocês duas! — Meu pai falou na vã tentativa de dissipar a discussão

— Não seja ingrata. — Ela vociferou.

— Ingrata? E eu tenho que te agradecer pelo o que? Pelas dezenas de babás que passaram na minha vida? Ou pela enxurrada de brinquedos que você sempre me dava para tentar me compensar por alguma coisa? — A empregada e o meu pai estavam estáticos, apesar das frases de ordem, ele não se atrevia a mais do que isso. — Eu nunca fui o que você queria, e é isso que te frustra, não é? Não fui para faculdade de medicina como o papai ou como a Zelena, não me casei com um homem, não tive filhos e nem terei, não segui nenhum dos passos que você queria. E não importa o quanto eu conquiste, o quanto eu seja reconhecida por o que eu faço, nada disso vai suficiente para você, não é mesmo?!

— Você se lamenta por eu não aceitar as suas escolhas, mas você sempre soube o que eu queria para você, você não as seguiu por opção sua, agora aguente as consequências.

— Mesmo não fazendo o que você queria, eu sempre tentei fazer tudo para agradar você, tentei ser a melhor em que me propus a fazer, mas nada estava bom. Se a Zelena cliníca para alguém, você diz: "Minha filha pôde salvar uma vida", mas eu desenvolvi uma vacina para imunizar milhares de crianças e fui condecorada por o governador do estado, e o que foi que eu ganhei de você? Nada!

— Essa sua busca por atenção é ridícula, Regina. Ponha-se no seu lugar, olhe a sua idade. Isso aqui não é uma competição entre você e a sua irmã.

— Mas foi justamente o que pareceu para mim durante toda a minha vida. E era uma competição injusta, pois sobre a sua avaliação, a Zelena sempre ganhava.

— Isso é birra de irmã mais nova. Olhe só o papel que você está fazendo! Você acha mesmo que tem capacidade de opinar sobre alguma coisa? — Suas palavras saiam com a mesma força da vazão de uma mangueira de incêndio.

— Então é isso que você pretende dizer ao juiz, que eu não tenho capacidade de opinar sobre se eu quero ou não permanecer nesse casamento de merda? Eu não vou continuar nisso, não vou tolerar nada por o "bem da relação" como você e a Zelena fazem. Eu não sou como ...

— Dona Cora, ajuda! — A empregada chamou.

Ao olhar para o lado a visão que tive foi a do meu pai curvado para frente hiperventilando com a mão no peito e a empregada o segurando para que ele não caísse, e automaticamente veio a minha mente a memória de quando ele sofreu o primeiro infarto enquanto eu e Zelena discutíamos.

— Pai, tenta respirar devagar. — Falei substituindo o lugar da empregada e segurando-o. — Liguem para uma ambulância agora, e liguem para Zelena também para ela agilizar a coisas. — A empregada correu para fazer a ligação

— Isso tudo é sua culpa, você é a responsável por o que está acontecendo com o seu pai. — Cora disse me ajudando a sentá-lo.

— Não...não... — Ele tentou dizer enquanto puxada cada vez mais ar.

— Não se esforce, por favor. — Falei segurando a sua mão.

Acho que foi uma forma de passar mais força para mim do que para ele.

A ambulância chegou em minutos, e como Cora era sua esposa o acompanhou, eu segui atrás no meu carro.

No hospital Zelena e Hades já nos aguardavam na entrada das ambulâncias.

— O que aconteceu com ele?

— Infarto. — Foi tudo que consegui dizer.

Acompanhamos a maca que o levava até onde foi permitido.

— Aqui vocês não podem entrar. — Fomos informados por um dos paramédicos que o levavam. O único que pôde passar foi Hades, pois além de ser médico na área, há pouco tempo tinha sido promovido a Diretor Geral do hospital.

— Não nos deixe sem notícias, por favor. — Pediu Zelena chorosa ao marido.

Fomos as três para sala de espera. Zelena e Cora se sentaram no sofá e eu em uma poltrona de frente para elas.

— O que foi que aconteceu para ele ficar assim? — Zelena perguntou encostando a cabeça no ombro da nossa mãe.

— Regina. — Foi tudo que Cora respondeu.

—É Zelena, eu! — Falei passando as mãos nos cabelos mal amarrados.

— Não me digam que vocês estavam discutindo, não na frente dele. Por acaso vocês esqueceram que foi exatamente assim que aconteceu da outra vez?

— A culpa é da descontrolada da sua irmã.

Eu não ia ficar ali ouvindo isso. Saí da sala e fui em direção ao corredor por onde meu pai tinha sido levado e me sentei sozinha em uma das cadeiras que e ficavam no corredor.

Eu queria não dar ouvidos para o que a minha mãe dizia, mas eu não consegui sentir que a culpa não fosse minha, eu me sentia responsável por ele estar ali, por mais uma vez colocá-lo nessa situação. Na primeira vez que isso aconteceu, eu e Zelena fizemos por onde não brigarmos mais e nem aborrece-lo com os nossos problemas.

Perde-lo sempre foi um dos meus maiores medos.

Eu fitava a parede branca à minha frente quando fui desperta por Hades.

— Regina?

— Como está o meu pai? — Perguntei me levantando abruptamente.

— Ele está estável, foi medicado e está sendo levado para o quarto. Eu vou chamar a Zelena e sua mãe para vocês irem vê-lo.

— Oi pai. — Falei me aproximando da sua cama. Ele estava no soro e tinha uma cânula no nariz para auxiliar na sua respiração. Em resposta ele sorriu como pôde.

— Você está se sentindo bem? — Zelena perguntou se posicionando ao meu lado.

Ele balançou a cabeça em afirmativo.

— Por quanto tempo ele vai precisar ficar aqui, Hades? — Perguntou a minha mãe, que estava do outro lado da cama segurando a mão dele.

— Bom Cora, isso eu só posso dizer amanhã. No momento ele está estável e esperamos que ele continue assim, ele ficará aqui em observação e amanhã pela manhã iremos fazer alguns exames.

— E quanto a sequelas, Hades? — Perguntei.

— Só saberemos amanhã com os exames. — Eu o sentia hesitante, por certo ele estava deixando de nos contar algo. — Vou deixar vocês sozinhas com ele, não deixem que ele faça esforço.

Ficamos nós três zelando por o sono dele, nossa mãe estava em uma poltrona ao lado da cama e eu e Zelena estávamos sentadas na cama do acompanhante com as pernas para o lado de fora. Nós nunca fomos mulheres fáceis, mas ele sempre procurava lidar da melhor forma com cada uma de nós. Ele sempre fora o nosso intermediador, eu sempre achei que sem ele tudo viraria caos, mas eu não estava disposta a descobrir.

Fomos tiradas do nosso torpor com a entrada de Hades acompanhado pela enfermeira.

— Vocês já decidiram quem vai passar a noite com ele?

— Eu vou ficar. — Falei prontamente.

— Eu não saio daqui por nada. — Disse Zelena indicando a sua resistência.

— Sei que todas querem ficar aqui, mas não pode ficar mais de uma acompanhante. — Sua fala era compreensiva.

— Eu vou ficar com ele e vocês duas vão para casa. — Nossa mãe falou em um tom autoritário que era só dela.

Nos demos por vencidas.

Ficamos todos em silêncio enquanto observávamos a enfermeira trocar o soro por algo de aparência leitosa, alimentação dele naquela noite seria intravenosa.

— Agora que eu percebi que nenhuma de vocês três comeu nada desde que chegaram aqui. Vocês pelo menos tem ideia de que horas são? — Hades perguntou. Negamos com a cabeça. — São 21hrs. Vocês precisam comer algo, principalmente você Zelena. — Dito isso se aproximou da esposa e passou a não em seu ventre.

Talvez tenha sido egoísmo meu, mas pensar que eu passaria a noite sozinha enquanto a minha mãe estaria com o meu pai e a minha irmã com o seu esposo me afligiu.

Descemos eu e Zelena para cafeteria do hospital, o lugar era mais frequentado por os acompanhantes dos pacientes e pôr os funcionários do mesmo. Zelena pediu um chocolate quente e donuts, e eu um café, eu sentia muitas coisas, mas fome não era uma delas, também pedimos um café e croissant para levar para Cora.

— Porque vocês estavam brigando? — Ela perguntou enquanto comia.

— Ela vai ser testemunha da Marcela no nosso divórcio.

— Isso quer dizer que...

— Que vai dificultar as coisas ainda mais para mim. — Zelena só assentiu.

Quando voltamos para a ala dos quartos vimos Hades do lado de fora do quarto conversando com a enfermeira.

— Comeram? — Ele perguntou ao nos ver.

— Eu sim, já a Regina... — Zelena respondeu.

— Eu não estava com fome, Zelena. — A repreendi. — Mas Hades, já que nós estamos aqui fora eu queria te perguntar uma coisa.

— Pode perguntar.

— Sobre o que aconteceu com o meu pai, qual é o real estado de saúde dele?

— E não venha me dizer que só vai saber amanhã. — Zelena completou.

— Vocês são fogo. — Falou passando a mão no rosto. — O estado do pai de vocês é delicado devido à idade e pôr o infarto já ser reincidente. — Vendo preocupação em nossos rostos ele completou: — Mas eu só poderei ter qualquer certeza amanhã com o resultado dos exames.

Quando entramos no quarto Zelena entregou o café e o croissant a nossa mãe, Hades nos disse que poderíamos ficar no quarto até umas 22:30, era o horário máximo que o hospital poderia permitir. Ficamos vendo ela conversar baixo com o papai, na verdade só ela realmente falava, ele emitia alguns múrmuros que com dificuldade conseguíamos entender.

Hoje mais cedo eu sentia muita raiva e indignação, mas agora tudo que eu conseguia sentir era medo e temor.

Quando chegou a hora de irmos Zelena se despediu dos dois e eu só do meu pai, independente de toda a situação eu ainda estava ressentida.

Notas finais
Mamis Cora não parece ser flor que se cheire né Bjus e até o próximo capítulo.