Era apenas mais um dia normal na mansão Kido, os tempos estavam tranqüilos na vida dos cavaleiros... Shun como de costume estava cuidando de seu pequeno jardim de ervas e flores, ele adorava tomar chás e cultivava com muito carinho suas plantas.


Seiya estava entediado, não fazia idéia do que poderia fazer então resolveu por ir passear no bosque da mansão... Passando por entre as arvores e aproveitando o ar puro avistou Shun e o cumprimentou alegremente como de costume:


-Oi Shun!O que é isso na sua mão!?


-Isso é só uma Pheretimas californica.


Ele pensa um pouco:


-Desculpa, mais ainda não entendi.


-É uma minhoca, seu bobo!


Ele sorri. Seiya gostava do sorriso dele, era sincero, meigo e inocente. Ele o olhou profundamente nos olhos, e se sentou a seu lado. Ele já sabia o que fazer, iria ficar conversando com Shun.


O tempo passava a conversa se estendeu por horas a fio, eles começaram a relembrar o passado:


-Lembra aquela vez em que jogamos futebol junto com o Jabu, o Geki, o Nachi, o Ban e lembra como o Ichi era ruim de bola!


-Esse dia foi engraçado, não queriam escolher nem você e nem ele pro time!!Há!Há!Há!Há!


Shun da um sorriso amarelo:


-Acho que ninguém me queria no time porque tinham medo de eu começar a chorar.


Seiya percebe o que acabara de dizer:


-Naquele tempo você era uma criança. Esquece o que eu disse... Hoje já somos homens!


Shun se distrai olhando para frente como se visse o futuro:


-Será mesmo que já somos homens?


-Co... Como assim?


-Pense bem... Nossa infância foi só treinos e batalhas!Com 14 anos eu e você estávamos nos matando para conseguir as armaduras, enquanto outros meninos se divertiam assistindo Tom e Jerry... Mas eu acho que tudo isso valeu a pena não é? Conhecemos lugares incríveis, desde o Olímpo até o Hades!E foi assim que eu encontrei meus melhores amigos!E olha só salvamos varias vezes a própria reencarnação de Atena, ou melhor, a Saori!^.^


Seiya o olha seriamente:


-Shun... Você me considera seu amigo depois das coisas que eu fiz pra você no passado?


-Que coisas?


-Eu implicava com você, te dizia coisas que hoje eu nem quero lembrar...


-O que? De bicha ou de chorão?


-Os dois...


Shun se senta de frente pra ele e o olha nos olhos:


-Eu te considero um grande amigo!


Ele abraça-o carinhosamente e então se levanta:


-Já é quase seis horas, vamos correr senão vamos comer comida fria!!!


Em poucos instantes já estavam sentados à mesa junto com o resto do grupo, Shiryu estava ao lado de Ikki, e Hyoga ao lado de Saori. Seiya e Shun lado a lado.


O jantar estava maravilhoso como de costume, às nove horas todos sobem aos quartos menos o cavaleiro de Pégasus, ele não tinha sono, ele mudava de canais rapidamente, não havia nada na TV que o interessasse.


Já madrugada ouviu alguns gritos, pareciam ser uma discussão, ele subiu para ver o que era. Chegando mais perto viu que era no quarto de Shun:


-Por que você não fica? Não mora com a gente? Parece que você não se importa comigo Ikki!


-Eu me importo com você não com os outros! Não posso ficar aqui nem mais um minuto PORRA!!!


-Não grita comigo... Você sempre me abandona! Quando você voltar eu posso não estar aqui, ou posso estar diferente e você vai se arrepender!


-Duvido muito disso!!! E se você não estiver melhor ainda assim não preciso mais voltar!!! Tchau!!!


Seiya ouvia por trás da porta fechada. Dentro do quarto Shun salta nas malas de Ikki agarrando-as fortemente:


-Larga minhas coisas Shun... Larga agora!!!!


-Não!!!


Ikki perde a paciência e avança com um soco no irmão menor, este o acerta em cheio sua bochecha direita, um filete de sangue escore do canto da boca do garoto. Ikki pega as malas e sai de lá chutando a porta.


Seiya quase é visto pelo cavaleiro de fênix. Ele olha pelo vão da porta e vê Shun chorando com a cabeça encostada na cama:


-O que ele fez com você?


-Nada... Não foi nada... Eu sou um fraco mesmo...


Ele soluçava enquanto falava em um tom baixo quase inaudível.


-você não é fraco... Para suportar um irmão tão instável e impulsivo assim e ainda gostar dele tende — se ter muita força...


Pégasus não sabia ao certo o que dizer, mas sabia o que fazer.


Ele segurou o rosto de Shun entre as mãos e limpou suas lágrimas delicadamente com a ponta do dedo indicador.


Shun estava de joelhos na sua frente, totalmente abalado e indefeso, o garoto de cabelos verdes postou as mãos em cima das dele em um gesto suave. Os olhares se encontram e ambos sentem que um sentimento estranho brotar da amizade.


Pégasus ajuda Shun a se levantar. O cavaleiro de cabelos verdes permanece apoiado no ombro do outro cavaleiro, só se separam quando cada um chega ao seu respectivo quarto. Da porta de seu quarto Shun abana a mão:


-Obrigado Seiya! Boa noite!


-pra você também!


O relógio de Seiya continua a fazer seu tic-tac sem parar, mas infelizmente Orfeu* o abandonara! Rolava na cama de um lado para o outro sem cessar. Ele se levantou, foi até o banheiro lavar o rosto já devia passar das três da manha.


Como não tinha o que fazer, começou a andar pelos corredores, viu a porta do quarto de Shun entreaberta, espiou um pouco e notou que o garoto estava suando, ele rolou para o outro lado da cama, sua face estava levemente corada.


O moreno sentiu a pressão em sua calça aumentar quando viu uma parte descoberta das nádegas do garoto, “minha nossa por que estou sentindo isso?! Ele é meu amigo o que vai pensar se ficar sabendo disso?!?!”.


Ele se afastou, teve que ir ao banheiro novamente, mas dessa vez para tomar um banho frio já que seu membro não parava de pedir um carinho das mãos delicadas de Shun.


As horas se tornaram dias e os dias semanas, todas as noites o cavaleiro de Pégasus sonhava loucuras delirantes parta realizar com “o melhor amigo”. Ele estava ficando sufocado, sua garganta parecia entupida por algo... Eram palavras não ditas, palavras guardadas para si... Como confidenciar seus sentimentos a ele???


Resolveu por pedir a opinião de alguém que entendia do assunto: Tatsume se ele não soubesse ninguém saberia:


-Olha cara, eu to gostando de uma pessoa... É uma pessoa especial, minha amiga... Não sei como contar...


-Por acaso essa pessoa especial é a senhorita Saori? Há! Há! Há!


-Claro que NÃO!!!!!!ò.ó


Tatsume depois de uma gargalhada tenta falar com ar serio:


-Se você não sabe o que dizer eu vou saber?! Há! Há! Há! Há! Há!


Seiya deixa o mordomo rindo sozinho, ele não tinha uma solução ainda... Ele olhou o note-book em cima da mesa, pensou em escrever um e-mail, mas, isso não seria tão romântico... Olhou alguns papeis rabiscados jogados no chão e teve “a idéia!”:


-Uma carta!!! É claro, eu posso usar um papel bonito caprichar na letra e colocar nas coisas dele e só escrever Admirador Secreto... Agora é eu achar um papel de carta e canetas coloridas e é claro um envelope!


Ele subiu as escadas e foi ao escritório da Saori:


-Saori... Minha deusa favorita... Sabe aquela coleção de folhas que você tem?


Ela olha-o desconfiada:


-O que você quer?


Ele com um sorriso, responde:


-Só um simples papel de carta... Só umzinho...


Ela se levanta mexe em algumas gavetas e retira de lá uma pasta. Depois de folheá-la pergunta:


-Pra quem é...?


-Não posso dizer...


-Então nada feito! Olha, eu não te devo nada... Além da minha vida, mas como eu vou achar o papel certo se eu não sei as preferências dela?


Ele solta uma gargalhada, depois de pensar um pouco:


-Bem a pessoa gosta de flores só isso eu posso te contar...


Ele faz um tom de mistério. E Saori estava doida por qualquer pista:


-O que mais? Conta vai!!!


-gosta de ursinhos também...


A garota revira as folhas procurando a que seria perfeita:


-Aqui está! Tenho certeza que ela vai gostar... Só um detalhe quando vocês começarem a namorar eu quero ser a 1° há saber!


Ele debocha:


-Talvez se você deixar de ser inxirida eu te conto!!!


-O QUÊ VOCÊ DISSE?!?!?!EU VOU TE MATAR E TE JOGAR NO MEIO DA RUA!!!


Ele corre com a folha na mão. Era típico de ele brincar com todo mundo de um jeito especial que só ele sabia. Os dois descem as escadas correndo de um lado a outro.


Já mais calmo e livre da deusa estressada começou a escrever a carta, que era simples, e a letra era humilde...




Japão – Tóquio, 08 de agosto de 2009...



Shun Amamiya, meu anjo...




“Desculpe minha falta de coragem, deveria dizer a você pessoalmente, mas eu não quero perder sua amizade...


Não sei por onde começar, mas vou tentar te explicar de um jeito simples: Eu me apaixonei por você!


Deve ter sido há muito tempo, mas eu não sei quando foi... Só sei que precisava que soubesse! Adoro sua companhia, quando você chora, eu fico triste!!!


Não espero que sinta o mesmo, mas tente não se afastar de mim, por que sem você eu não sei mais ficar, me de uma chance pelo menos...


Com amor:


De seu “Admirador Secreto”.


Logo que terminou correu para colocar a carta em um lugar onde só Shun acharia, pensou em colocá-la na gaveta dele... Mas teve uma idéia ainda melhor! Só no dia seguinte Shun a receberia.


Pela manhã Shun corre ao encontro de Seiya:


-Olha o que eu recebi!!


-Nossa... É... É...


-Uma carta!!! Quem será que mandou?


Seiya não sabe o que dizer, o garoto recomeça:


-Eu acho que sei quem me mandou...


-Quem foi?


-É segredo, mas eu já sei quem é...


O garoto sorri, e pergunta:


-Posso mostrar uma coisa?


-Claro...


Ele segura a mão de Seiya e o leva bosque a dentro, as arvores tampavam quase totalmente a luz do sol, até que chegam a uma clareira onde cresciam algumas margaridas. Só então Shun lhe dirigiu a palavra:


-Eu vou te contar quem me mandou...


Ele sorri o outro lhe retribui o sorriso. Em seus pensamentos Pégasus refletia “ele nunca vai saber que eu o amo, e a carta que eu escrevi vai fazer a fama de outro...”:


-Seiya eu vi você colocar a carta no meio do meu jardim...


As reflexões são cortadas por essas palavras que agora ecoam em sua mente:


-Você é muito amigo do Hyoga, foi ele que pediu pra você por lá essa carta?


Ele ficou em silencio:


-O que foi?


-Nada não Shun...


-Fala vai...


-Não foi o loiro.


Shun fixa os olhos em Seiya e repentinamente:


-Não pode ser!!! Seiya...


Tudo se passa em fleches na mente de Pégasus, o que ele diria?:


-Eu sinto o mesmo por você... Mas nunca achei que eu tivesse chance com você...


O rosto dele se ilumina, o mais alto se aproxima fechando os olhos o outro faz o mesmo, e as bocas se encontrar em um inocente 1° beijo...

Notas finais
*Orfeu é o Deus do sono.

3°=Se eu receber 3 boas criticas construtivas eu posto outro capitulo!!!
4°=Obrigada por ler, espero que tenha gostado tanto quanto eu!
5°=É um casal diferente, dêem uma chance pra eles!!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!