Uma Carta aleatória para um Cara aleatório

1 Uma Carta aleatória para um Cara aleatório


O sentimento de gostar simplesmente não existe nele, quando a pessoa em questão sou eu. Mesmo assim eu ainda me sinto encantada por ele. A vida não faz sentido. Se apaixonar por alguém menos ainda. E se essa é a pessoa por quem você disse que não iria se apaixonar, que não fazia seu tipo, que nem queria, alguém que interpõe uma barreira entre vocês dois e traça a linha que limita sua relação.

Nada na vida é fácil. Os corações humanos são tão sensíveis e fáceis de serem feridos. Faz sentido receber uma rejeição antes mesmo de se declarar? Ou sequer se apaixonar? Acho que faz sentido ter raiva de uma situação assim. Mas seria puro vacilo cair apaixonado por essa pessoa depois de tudo, depois do tempo. Como poderia ter levado um bolo sem que eu tenha sentimento algum? Acho que essa é a pergunta que iniciou tudo. Ou não.

Conhecer provavelmente é o que da inicio a tudo. Antes de tudo isso descobrir uma de suas paixões. Aquela que está presente em sua vida desde sempre. A musica. Saber como ela meche sua alma e em como está presente em tudo. Ver seus olhos brilhando e o sorriso infantil iluminar seu rosto, provavelmente foi o que me encantou lá num cantinho bem escondido no coração. E então pude sonhar com você. Foi estranho porque sabia quão raro era sonhar com alguém que nem possuía tanto contato. Foi estranho, nem sequer lembrava como havia sido, mas a sensação era agradável.

Abismada foi a palavra. Um pouco deslumbrada. Os sonhos refletem o que é vivido no dia e fica em seu subconsciente. Talvez tenha sido isso. E então comecei a te notar. Nos dias que se seguiram falei para mim mesma que você não seria a pessoa por quem me apaixonaria. Sabe, antes mesmo que me dissesse, algo em mim me dizia que não era algo que você queria. Talvez quisesse distancia de relacionamentos, não sei. Decidi que não me apaixonaria. Não por você.

Uma rejeição implícita quando não existe nada é duro. Ou talvez tenha sido duro por que existia o começo de algo? Bom, eu não sei. Engraçado é que o tempo passa e muda as coisas. Realmente as “muitas aguas sempre rolam” e tudo muda. Eu convivi mais e mais com você. Alguém absurdamente prestativo, mas infantil. Uma criança que faz birra e fica com bico, era engraçado de ver. Pude estar com você e vi as pessoas te admirarem, as crianças te amarem. Vi sua segunda paixão, àquela pra onde ruma seu futuro. Nunca via alguém mais feliz com o que faz. Conheci alguém sensível e carente. Alguém que tenta trabalhar os próprios erros e busca melhorar a cada dia. Alguém que cuida dos outros com tanto amor, embora muito desligado as vezes.

Ouvi coisas que me fizeram pensar nas cicatrizes em seu coração. Algumas que talvez ainda sejam dolorosas, tão dolorosas que ditam seus passos. Seus medos. Vi alguém que busca a Deus. Vi a teimosia em pessoa. Então passamos dias em uma sala focados em colorir. A coisa que tanto me faz bem, na sua companhia e na de nosso guia, das tintas e pinceis. O cansaço não parecia ter significado ali, porque tudo conspirava para que estivesse bem. Então me vi dependente dessa companhia. Quando as coisas escureceram e a única vontade que tinha era chorar, quis correr para onde vocês estavam. Onde você estaria.

Pensar nessas coisas me deixaram ansiosa. Algo em mim havia mudado. Meu estomago revirava e meus olhos te buscavam. Quis negar a todo custo. A cada dia de convivência eu notava que te admiro, como a pessoa que é. É estranho porque o que diz me inspira a seguir e mudar. O que diz me encoraja a enfrentar certas batalhas. Mesmo que tenha certeza que você nem sabe disso, mas... Percebi como você havia se tornado importante. Cada pequena coisinha me lembra você. Em cada detalhe algo a aprender. Então escrevi. Escrevi e só então notei que foi pra você. Escrevi e percebi o que meu ser queria esconder. O que eu não queria permitir... Simplesmente me apaixonei.

Me apaixonei por alguém irritante, teimoso, gentil, prestativo, desligado, amável, infantil, serio até certo ponto, louco pela musica e o que faz, pronto para seguir a Deus; por um super herói, incansável e imbatível, mas não... Por alguém que é humano, e inimaginavelmente sensível. Então me vi ansiosa. Ele nunca me veria da mesma forma. Eu sou a garota que ele tira gargalhadas com as piadas ruins, sou a menina que não tem nada de independência, aquela pirralha que adora brincar, imatura, absurdamente tímida a um ponto que nem conseguem ouvir a voz. Provavelmente apenas me pareço com uma criança em todos os aspectos, até mais que ele em suas atitudes.

Saber que um relacionamento está longe dos planos dele, não facilita nada. Ou o fato de que uma musica pode não ser apreciada por falar de casamento. Quantas coisas não ficaram tão claras de que se relacionar estava fora de cogitação? Mas saber que ele quis com outra pessoa incomoda um pouco. Logo agora que havia entendido o que sentia. Tem sentido insistir em algo platônico em todas as direções possíveis? Acho que no fim é por isso que estou escrevendo. Minha mente está tão caótica por tantas coisas e agora essa vem me incomodar também. Me sinto enjoada. Quando quero desistir de tantas coisas. No final talvez não tenha sentido seguir apaixonada por alguém que muito provavelmente nem te encara como uma possibilidade.

Acho que no final, pareço apenas uma criança aos olhos dele. Quando enfim decido que sinto algo, é hora de dizer adeus. Então é isso... Uma carta ao meu amor platônico depois de tanto tempo. Uma carta para ele, que nunca vai lê-la, que nunca vai saber sobre isso, nem nunca descobrirá uma poesia sequer. Antes que fique ainda mais complicado. Para você que nunca vai ler... O gentil e teimoso, infantil e encantado pela vida, desligado e amável, e o tão sensível cara por quem me apaixonei. Eu vou parar de gostar de você. Eu não deveria gostar de você desde o principio... Desculpe. Mas quero parar de estar apaixonada. Quero parar de te buscar quando me sinto frágil.

Obrigada. Estou desistindo.