Uma Carta aleatória para um Cara aleatório
4 Um Carta, das varias da Quarentena, para um Cara aleatório
Do que você tem medo?
Por que a pergunta? Não sei. Mas a comunicação pode deixar a vida caótica. Quando não te ouvem, não falar torna-se habito. E quando querem que fale, talvez já tenha se passado a oportunidade. Relações humanas são delicadas e quando um abismo se forma a tanto tempo é ainda mais complicado.
Mas não é como se eu não quisesse falar, só não sei como, não sei o que. Quando você cresce e aprende a esconder o que sente, seja por proteção ou autoproteção, fica difícil falar sobre. Para mim vai mais além. É difícil entender sobre. Sei sentir, mas não sei o que. Talvez seja apenas medo do que sinto, medo de enfrentar.
O que fazer quando você aprendeu a estrangular um grito, a esconder as lagrimas e a empurrar os sentimentos bem lá no fundo? O que eu deveria fazer se já tem coisa além do que se pode aguentar? Claro que notariam e mesmo assim é mais fácil mentir e se forçar a sorrir. Será que eles entenderiam? Sinto que não... Como poderiam se nem eu sei entender.
Hoje foi meio turbulento. E ela veio me perguntar se a causa era por me apaixonar. Claro que não, não é por conta da paixão. Embora tenha tido meus dias de questionamentos – por conta dela na maior parte das vezes – devo dizer que era o momento. Mas não ficaria assim – E o que seria “assim”? – por me apaixonar. Mas não sei explicar. Provavelmente é o meu medo do futuro e toda a incerteza. Talvez seja a pressão e quem sabe o passado, meu mau resolvido passado. Mas não acho que seja ao fato de ter me apaixonado.
Talvez seja a ausência. O não saber, o medo do que não se vê, medo do vazio. Não sei. Me falta auto conhecimento. Eu sinto e sinto mais do que sei. Mas não sei como entender e não quero pensar. Pensar dói. Acho que tem algo que eu tenho medo. Do que você tem medo?
O silencio pode ser do que tenho medo. É no silencio que nos descobrimos, ou é no silencio que minha mente se movimenta. E o seu movimento é um caos, um emaranhado de linhas, curvas, ondas, um oceano, meu turbilhão, é barulhento e complicado. Talvez eu tema ouvi-la – minha mente – e me perder. Tentar replicar num mundo de tinta e papel e afogar nas letras, nas lagrimas.
Talvez tenha medo do silencio, do escuro, do oceano e da noite, mas ao mesmo tempo talvez acabe por gostar. Nunca fiz muito sentido onde quer que eu fosse. Na minha luta eterna com o futuro e com o tempo. Mas talvez tenha muito medo do silencio – parece cômico se pensar em mim, sempre calada – isso explicaria o horror que tenho tido dessa quarentena, em parte. Medo do vazio e do silencio. Do que você tem medo?
Mas nada é culpa do fato de me apaixonar. Sabe, ela sabia e também sabia que era por você, talvez até antes de mim, mas me disse para “deletar”. Foi cruel. Já escrevi sobre desistir e desisti de desistir. Falar é mais fácil do que fazer. Por isso foi cruel, mas mais... Não quero “deletar” você. As pessoas estão percebendo, não quero contar a você. Não sei onde quero chegar, mas não quero “deletar”.
De quem teme o silencio... O vazio,
— Eu.
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