Uma Carta aleatória para um Cara aleatório

6 Das cartas aleatórias, a Última


Hey,

Olá você novamente. Não adianta dizer que a última, não adianta dizer que vou desistir, não adianta me forçar a esquecer. Porque apesar de tudo, ainda estou apaixonada e por mais que tente, há sempre uma coisa que me lembra.

Parece que já não é como antes, parece diferente, mas ainda é real. As vezes tenho tantas outras coisas na cabeça que você quase desaparece. Embora você volte aos meus pensamentos, por uma memória, por te ver ou ouvir falarem de você. Então me lembro e vejo que não passou. Mas é diferente. Talvez pelo tempo, talvez pela distância, talvez pela falta de contato. Mas as vezes ainda me pego pensando no reencontro, ainda te fantasio em minha mente.

Pensei em desistir, fingir queria o que eu queria. Te esquecer. Mas não era. Nunca foi minha vontade, embora quisesse que fosse uma decisão que pudesse seguir em frente. Mas no fundo eu gosto de você e gosto de gostar de você. No fundo é um sentimento que não queria me foçar a esquecer.

Depois de anos, enfim voltei a me apaixonar e foi por você. Nunca soube explicar ao certo como e porquê. Mas agora acho que me apaixonei por seu olhar. Um olhar repleto de amor, gentileza... Seu olha refletia a sua alma. Foi a primeira vez que pude entender o sentido de “seus olhos chega brilham”, porque os seus brilhavam com um brilho próprio. Era quase como se pudesse sorrir com os olhos. E me apaixonei pela maneira que você se relacionava com a musica, quase como se fosse vital para respirar.

A cada dia senti vontade de desvendar seus mistérios e de te abraçar nas suas dores. Passei a ouvir e sentir falta das piadas ruins e das brincadeiras infantis que me arrancavam risadas. Queria te ouvir nos momentos difíceis e estar com você. Parecia que mesmo sem dizer nada você estava ali pronto para me apoiar.

Era divertido dividir os dias e as coisas rotineiras com você, te ouvir defender seus animais preferidos com unhas e dentes. Até mesmo observar seu lado infantil e birrento parecia ser divertido mesmo que viesse na minha mente o quão complicado era o garoto que fazia bico.

Descobri que gostava de observar seu bico de quando estava com raiva ou de quando comia, gostava das suas caretas únicas de quando tocava algo. Sempre quis perguntar se escrevia canções, porque pensava que sim. E quis ouvi-las. Guardei os sorrisos cumplices que dividimos quando algo engraçado acontecia ou quando você me provocava.

Guardei memorias e memorias, poesias e fotos, guardei cartas, porque me apaixonei. Porque gosto de você, porque gosto da pessoa gentil e integra que fui conhecendo aos poucos e ainda conhecerei. Porque gosto do cara que quero ter a amizade por muitos anos. Porque gosto de você e gosto de gostar de você. E porque senti e ainda sinto uma falta tão imensa sua.

Recentemente lembrei da ultima vez que te vi. Estávamos conversando algo tão aleatório sentados no chão e nesse dia te contei a recordação que tinha como a sendo a primeira vez que havia te visto, “a primeira vez que associei o rosto à pessoa”. Você com aquela fantasia tosca numa atuação divertidíssima, e com aquele dia foi divertido. Um lindo dia de “outono”, “Lembranças do outono”. Você ouviu a lembrança e quando fomos embora você abriu o portão e se despediu com um sorriso.

Estava tão estressada naquele dia e acho que era palpável, não era? Queria ter estado mais tempo com vocês naquele dia. Depois disso começou a quarentena. Ás vezes me pergunto se você não estava por perto disparando piadas para melhorar o meu humor naquele dia.

Sabe, achei uma foto daquele dia de “outono”. Meu irmão e eu havíamos sido puxados para uma foto de “família”, com o casal que eu estava mais habituada, ainda era novata e não tinha ideia de que aqueles dois seriam minha família 2.0. Mas adivinha quem é o penetra da foto, com sua fantasia? Você. Tenho o registro do dia em que te conheci. Não faz tanto tempo né? Mas agora no meio da pandemia você comentou que aquele dia a exatos dois anos atrás, o dia do “outono”, foi um dos mais especiais para você. Foi um dos mais divertidos para mim e com certeza um dos mais memoráveis.

As vezes isso tudo me deixa louca, porque sempre acho que acabo buscando coisas onde não existem para que eu possa ter uma mínima esperança. Eu não gosto muito dessa sensação em especial, e menos ainda das raras vezes em que sinto ciúmes, eu nem sabia que eu tinha esse sentimento, mas detesto ele.

Tem vezes que eu fico tão confusa e é complicado por isso quis desistir tantas vezes. Eu não sei se posso insistir porque você não parece deixar claro ou talvez esteja. Eu estou, eu ainda estou apaixonada por você mesmo com a distância, mesmo com a saudade. Mas parece que é um sentimento puramente unilateral.

Estou cansada de tantas coisas. Já desisti tanto, mas parece que só faz doer mais. Eu ainda sou apaixonada por você. Eu não vou mais me forçar a te esquecer, também não vou mais dizer que desisti. Eu ainda gosto de você e ainda sinto sua falta. Ainda tenho esse sentimento unilateral que embaralha minha mente e faz minhas ultimas cartas nunca serem ultimas.

Eu provavelmente ainda vou escrever para você. Até não escrever mais. Eu provavelmente ainda vou gostar de você. Eu provavelmente ainda vou estar apaixonada por você. Até não estar mais. E quando isso acontecer tudo pode ter mudado, mas também pode não ter. Eu não sei nada do futuro e tenho problemas com o tempo, mas o tempo ainda segue em frente, ainda muda coisas e ainda ensina. Então um dia tudo isso pode mudar. Agora, ainda estou apaixonada por você. Mas não preciso me forçar a nada, não vou mais porque o tempo vai por tudo no seu lugar.

Ainda sinto sua falta imensamente e quero muito te reencontrar. Quero poder te abraçar , ouvir sua voz, conversar, dividir um dia divertido e te ouvir tocar. Ainda quero muito a sua amizade, porque é muito provável que te ame, não necessariamente no sentido romântico. Não. Mas que te ame como alguém precioso em minha vida. Então ainda sinto uma saudade imensa, querido P. Espero que o tempo continue em frente e que possamos nos reencontrar. Mas enquanto ele vai lento, te escrevo essa carta numa folha que vai amarelar escondida num canto do quarto.

Quem sabe ela chegue até você mesmo que seja mais uma das cartas que nunca entreguei e que não pretendo entregar... Mas se chegar, que fique registrado nessa última carta... Sinto tanto a sua falta.

Que o tempo possa passar, transformar e ensinar... E como nada nunca chega a um final eterno, então...

Um até logo,

Da garota aleatória.

— Da sua amiga.

Notas finais
Olá pessoas que vieram até aqui, Pensei muito no que diria a vocês, meus poucos, mas especiais, primeiros leitores. Não sei o que vocês acham das cartas aleatórias e sinceramente nãos sei o que os fez ficar, mas fico grata. Grata por terem me dado um pouquinho do seu tempo. Espero que possa ter escrito algo que tenha os tocado de alguma maneira. De certa maneira fiquei muito feliz por poder escrever e por conseguir postar as cartas. E como as cartas são tão aleatórias como as ideias em minha mente, fiquei feliz que alguém pudesse ler e pudesse gostar das loucuras que escrevo e do pequeno caos que transpasso muitas vezes para o papel. Essa é a ultima das cartas. Sem aviso prévio do fim, apenas decidi que ela seria a ultima das cartas. Claro que ela não vai ser a ultima carta escrita pela “Garota aleatória”, imagino que nem perto disso, mas acredito que está na hora do fim. Talvez um dia vocês possam ler mais cartas, talvez um dia a “Garota aleatória” receba uma resposta do “Cara aleatório”, mas por enquanto esse é o final. Para quem chegou até aqui – e para quem lê essas notas – espero que tenham gostado. Aos meus queridos leitores, obrigada por ter me acompanhado até aqui. É aqui que anuncio o “fim” das cartas e me despeço... Com carinho, Akira.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!