Notas iniciais
Acho que vão ser no máximo três capítulos. Bom, vamos ver!~

Umi estava no meio de uma aula de matemática, mas parecia que o assunto que a professora escrevia no quadro-negro era um rabisco muito distante e incompreensível. Isso porque sua mente estava em outro lugar, bem longe. Enquanto muitos copiavam algumas fórmulas escritas pela professora, Umi estava com seu caderno aberto numa página completamente em branco. A ponta do lápis que ela segurava quase tocava o papel, como se ela estivesse pronta para escrever, mas nada saía.

Bloqueio. Já fazia um tempo que Umi tinha um bloqueio tão grande assim. A garota estava tentando escrever uma música nova para ela e suas amigas apresentarem. Havia tentado durante o final de semana, em casa, chegando até a recusar uma ida ao cinema com suas amigas de infância Honoka e Kotori. Umi era bastante esforçada e ela só conseguiria relaxar quando aquela música estivesse pronta. A jovem de cabelos azulados e escuros só foi arrancada de seus pensamentos quando o sinal para o fim da aula tocou. Ela olhou ao redor como alguém que acabava de sair de um sonho e suspirou longamente. Nenhum progresso.

Em seguida ela foi até o Clube de Arqueirismo do qual fazia parte. Talvez fosse uma boa idéia praticar um pouco e tentar não pensar tanto sobre isso. Mas quem disse que ela conseguia? Umi era muito boa com o arco e flecha, mas sua mente estava na criação daquela nova música e por isso a garota acabou errando alvos que normalmente ela jamais erraria.

- Está tudo bem, Umi-senpai? – Uma garota mais nova perguntou com um olhar preocupado. Ela claramente observava muito Umi e admirava a mais velha para notar que ela não erraria aquilo se estivesse realmente se concentrando no que fazia.

- Hm? Ah, s-sim. Só estou um pouco preocupada porque as provas estão chegando. – Ela forçou um sorriso, ficando um pouco ruborizada por ter feito a outra se preocupar com ela.

Ela continuou praticando com as outras, mas acabou saindo mais cedo com a desculpa de que tinha que estudar. Ela tinha planos de ir direto para casa e terminar a bendita música. Umi sentiu um vento frio balançar seus cabelos, mas não deu muita importância pra isso, apenas continuou. Ao chegar em casa, ela fez sua refeição com sua família, tomou um bom banho, colocou uma roupa confortável, e sentou-se em frente a sua escrivaninha. A garota abriu seu caderno e começou a escrever palavras soltas, esperando que algo em algum momento se conectasse e lhe desse a inspiração necessária.

Ela tentou por horas e horas. No entanto, a garota acabou caindo no sono antes que algo do tipo acontecesse. Umi nem percebeu que havia dormido com a janela aberta e estava tão exausta que o vento frio que entrava não a incomodou o bastante para fazê-la abrir os olhos castanhos claros. E assim, o dia se passou sem novos progressos em relação à música nova.

No dia seguinte, Umi acordou em sua cama, mas quase não conseguiu abrir os olhos. Seu corpo parecia estar pegando fogo. Ela sentiu uma toalha umedecida sobre sua testa. Sua respiração estava um tanto ofegante. Sua mãe logo batia a porta de seu quarto antes de entrar.

- Ah, você acordou! – Ela exclamou.

- Mãe, eu... – Umi tentou se mover, mas sentia-se muito fraca.

- Fique quietinha. – A mãe correu para o lado dela, sentando-se num espaço livre na cama. – Você esqueceu de enxugar os cabelos antes de dormir. E a janela estava aberta, Umi! Você sabe como está esfriando esses dias.

A mãe de Umi tirou a toalha da testa da filha para sentir sua temperatura.

- Ainda está com muita febre. Vamos, tome isso. – Ela levou um pequeno comprimido até os lábios de Umi que aceitou sem reclamar. Depois levou um copo d’água até a boca da garota, segurando-o para ela enquanto Umi bebia para ajudar a engolir o remédio.

- Mãe... a escola...

- Eu já liguei avisando que você iria faltar. Você precisa descansar, minha filha. Qualquer coisa é só chamar, está bem? – A mãe voltou a puxar as cobertas para proteger a filha do frio que a febre trazia. Ela então se levantou e saiu do quarto, deixando Umi sozinha para descansar.

Ela ainda se esforçou para ficar com os olhos abertos, pelo menos um pouco, mas logo os fechou, caindo no sono de novo, esgotada.

Ao entardecer, uma visita tocava a campainha. A mãe de Umi foi atender. Era aquela linda garota loira que fazia parte do mesmo grupo de idols de sua filha.

- Ah, Ayase-san, olá. – Ela a cumprimentou com um sorriso.

- Olá, senhora Sonoda. Eu vim ver a Umi. Soube que ela está doente. Como ela está? Espero que tenha melhorado ao menos um pouco... – Eli disse, educadamente.

- Ela está descansando em seu quarto. A coitadinha estava com uma febre forte hoje de manhã. – A mãe de Umi suspirou e então ela lembrou de algo. – Ah! Ayase-san, você chegou em boa hora. Você pode ficar olhando a Umi para mim? Meu marido ligou dizendo que recebemos muitos alunos novos e ele precisa de ajuda no dojo da família.

- Claro. Pode ir tranquila, senhora Sonoda. – A loira sorriu.

- Muito obrigada, querida. – A mulher disse, voltando rapidamente para dentro da casa apenas para pegar um casaco e sua bolsa. – Fique a vontade, sim? Até mais tarde.

- Até mais, vá com cuidado! – Eli acenou para a mãe de Umi e ficou observando-a se afastar da casa antes de finalmente entrar e fechar a porta.

A loira tirou o casaco branco que vestia e o colocou no cabideiro presente logo na entrada da casa. Também tirou as botas, como já havia aprendido que era costume fazer em casas japonesas antes de entrar. Eli então foi até o quarto de Umi, que ela já conhecia, para ver como a mesma estava, esperando sinceramente que a garota estivesse ao menos um pouco melhor.

Notas finais
E aí, gostaram? Espero que sim! Tentarei escrever o próximo capítulo o mais rápido possível.