Uma Boa Mãe
1 Uma grande perda
O relógio na parede da sala marcava uma hora da tarde quando ele entrou em casa. Sentiu o cheiro de comida sendo preparada na cozinha e, sabendo quem encontraria próxima àquela panela, caminhou até lá com um sorriso no rosto. Ela não o percebeu se aproximando, mas logo sentiu seus braços ao redor da cintura dela. Sorrindo, ela voltou o rosto em direção a ele e deu um beijo em seus lábios. Ele logo começou a descer os lábios pelo pescoço dela, provocando arrepios no corpo da esposa, mas ela logo o parou.
“Pierre Bouvier, se comporte.” Ela disse rindo “Eu estou cozinhando.”
“Eu vou procurar por isso de novo mais tarde.”
“Por favor.” Ela pediu rindo “Trouxe o tomate que eu te pedi?”
“Trouxe. Está em cima da mesa.” Ele replicou. Após dar um beijo no rosto dela, entregou-lhe a sacola “Mais alguma coisa, senhora?”
“Não. Pode descansar. Você foi um menino bonzinho.” Ela disse rindo
“E o que temos para o almoço?” ele perguntou.
“Macarrão e peixe. O prato favorito do Ethan.”
“É.” Ele replicou “Falando nele… Eu trouxe um caminhãozinho de brinquedo para ele brincar. Onde ele está?”
“Eu não o vi descer do quarto. Acho que ainda está dormindo.” Ela respondeu “O médico ligou depois de fazer o exame da amostra de sangue que ele pegou do Ethan ontem. Disse que ele parece estar melhorando.” Ela disse sorrindo “Disse que ele logo vai estar pulando na cama e pintando nossas paredes com giz de cera de novo.”
“Mal posso esperar por isso.” Ele replicou sorrindo “Bom, eu… vou levar o caminhãozinho para ele.”
Rapidamente, ele subiu as escadas com o pacote em mãos. Correu às pressas para o quarto do menino, mas, ao entrar… Não havia ninguém lá dentro. Preocupado, desceu as escadas rapidamente, deixando o presente sobre a cama do garoto.
“Crystal…” ele chamou, entrando apressadamente na cozinha “Tem certeza de que não o viu descer?”
“Tenho, por quê?”
“Ele não está no quarto.” Ele replicou “Eu vou procurar por ele lá fora. Dá uma olhada aqui dentro.”
“Certo.” Ela disse, apressadamente desligando o fogo e correndo para o andar de cima da casa, à procura do filho.
Pierre saiu da casa. Suas mãos tremiam conforme ele começou a correr por aquela rua gritando o nome da criança. Ethan! Ethan! os vizinhos o escutavam gritar, mas nenhum deles se preocupou em tentar descobrir qual era o problema. Em tentar ajudar o casal desesperado em busca da criança. Um dos vizinhos, aliás, chamou a polícia devido aos gritos de Pierre no meio da rua. Não demorou para que batessem à porta da casa do casal. Crystal deixou o lugar com seu rosto totalmente marcado por lágrimas.
“Sra. Bouvier?” perguntou o delegado.
“Sim?”
“Recebemos denúncias de que o seu marido está incomodando o descanso dos vizinhos gritando no meio da rua.”
“São duas horas da tarde.” Ela replicou.
“É domingo. A lei do silêncio vale para o dia todo.” Ele respondeu “Pode explicar o motivo dos gritos?”
“O nosso filho, Ethan, sumiu. Ele tem cinco anos e está doente. Ele estava começando a melhorar, mas já fazia um tempo que o médico não deixava ele sair. Agora que ele consegue, ele escapou e nós estamos preocupados.”
“Então… a criança de vocês está desaparecida?”
“Isso.”
“Se quiser, podemos ajudá-los a procurar…”
“Seria ótimo.”
E, em pouco tempo, havia outra viatura junto com eles. Não demoraram para encontrar Pierre e permanecerem procurando pelo menino em todos os lugares que ele conhecia. Após esgotarem aqueles lugares, começaram a buscar sem rumo. Procuravam pela criança sem ter idéia de onde encontrá-lo e, a cada minuto que se passava, perceberam os pais ficando cada vez mais desesperados.
Era por volta da meia-noite que a polícia abandonou os carros e resolveu procurar a pé com os pais. Obviamente, em qualquer outro caso eles já teriam desistido e arquivado o acontecimento, mas o desespero nos rostos de Pierre e Crystal tornava difícil para eles simplesmente desistirem do caso.
Caminhando pelas proximidades da casa, logo alcançaram um lago que ficava a pelo menos quinze minutos andando dali.
“Ele costumava vir nesse lugar?” Perguntou o delegado.
“Eu sempre brincava com ele aqui.” Disse Pierre “Ele adorava fazer barquinhos de papel junto comigo e apostar qual deles chegava em um local que a gente marcava primeiro.”
“Vocês tiravam o barquinho da água depois?”
“Sim.”
“Então… eu acho que não é uma boa notícia se eu disser que tem um barquinho de papel na água e… está escrito o nome dele e o dia de hoje…” Disse o delegado, tirando o barquinho da água.
“Talvez ele tenha esquecido de tirar.” Disse Crystal, tentando se convencer de que estava tudo bem.
“Ou talvez tenha acontecido alguma coisa.” Ele replicou, deixando a ponte de madeira que ligava um lado ao outro do lago e caminhando até os pais “Isso aqui era dele?” perguntou, mostrando um pedaço de pano branco cheio de bichinhos de pelúcia desenhados.
“Onde encontrou isso?” perguntou Crystal.
“Preso na madeira da ponte.”
“É do pijama dele.” Ela disse.
Imediatamente, ela começou a chorar em desespero, agarrando-se a Pierre. Ele, porém, esperava ainda ter uma chance. Logo, soltou-a e pulou dentro da água, procurando pelo garoto. Crystal se jogou de joelhos no chão, segurando firme naquele pedaço de roupa e chorando como se desejasse que aquilo pudesse trazer o garoto de volta.
“Ethan!” ela gritou mais uma vez, esperando que talvez ele a escutasse.
Logo viu Pierre voltando à superfície com a criança entre os braços. Era Ethan. Ele logo deitou o garoto sobre a ponte de madeira e se sentou ao lado dele, tentando de tudo conseguir acordá-lo, mas era tarde e todos podiam perceber isso. Seu corpo estava roxo, frio como gelo, duro… Estava morto.
“Não! Não!” gritou Pierre, batendo com força na madeira ao lado do garoto “Não deixa a gente. Não faz isso, por favor.” Ele pediu chorando “A gente te ama tanto…”
“Ethan…” chamou Crystal enquanto chorava, ajoelhando-se ao lado de Pierre e permitindo que ele a abraçasse firme “A culpa é nossa…”
“Crystal…”
“Não, não é nossa, é minha. Eu descuidei da minha chave, aí ele abriu a porta e saiu. Ele estava doente…” ela disse, desesperando-se “Eu não cuidei dele, eu não protegi o meu filho.”
“Vai ficar tudo bem.” Ele disse, dando um beijo na testa dela.
“Não, não vai!” ela exclamou “Não vai ficar nada bem. O meu filho… Ele nunca mais vai voltar. Eu não protegi o meu filho dele mesmo. Eu fui irresponsável. Eu deveria ter sido uma boa mãe…”
Ele não respondeu mais nada. Simplesmente abraçou a esposa com força contra seu corpo e chorou junto com ela em frente ao corpo daquele garoto que, por cinco anos, havia sido o maior motivo de alegria daquela família. Em pouco tempo, lembrou-se de cada segundo que viveu com a criança e, a cada lembrança, mais persistentes eram as lágrimas. Ethan havia morrido, o único filho que tiveram nos oito anos de casamento, havia morrido. Não era nada fácil para eles simplesmente aceitar que haviam perdido o filho único.
“Eu quero o meu filho de volta…”
“Crystal, infelizmente…”
“Meu bebê…”
“Vai ficar… tudo bem.” Disse Pierre, logo dando um beijo na testa dela. Tentava convencer a si mesmo do que dizia.
Notas finais
Comentem o que acharam da história.
Bjus
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