Uma Batalha sem Vencedores
6 Capítulo VI – A Outra Face do Espelho
Notas iniciais
Qual o lado de Bastian, como foi que ele ficou depois de tudo o que aconteceu, somente Atreyu sofreu? Não, Bastian também sofreu, um pouco mais diferente do que seu amigo, mas a tal ponto que vez ele pensar muito na besteira que tinha feito, pois a mesma ainda trouxer um fato crucial, deencadeou uma... algo de grande proporções.
Capítulo VI – A Outra Face do Espelho
Ainda com certa raiva, a primeira coisa que vez quando voltou foi fechar o portal, ele tinha total certeza de que não voltaria mais para aquele lugar, não queria ver mais ninguém daquele mundo na sua frente, outra coisa que fez foi jogar em qualquer armário o Aurin, para que nem a princesa e nem Atreyu pudesse tentar contactá-lo, mas para quem ele estava mentindo, eles podiam muito bem chegar a momento por ali, com certeza existia algum caminho para se chegar à fantasia e vice-versa. Não contou nada para o pai, e quando o mesmo perguntou como tinha sido e Bastian respondeu que tinha sido boa, mas por causa de um imprevisto foi melhor ele voltar para casa, o pai também não perguntou mais nada, por achou que o filho não queria falar sobre o assunto e os dias foram se passando e novamente estava ele ali parado, em pé na sala, olhando um álbum de fotografia. Por quê? Qual o motivo de querer relembrar algo que ele mesmo já havia dito para si mesmo que queria esquecer? Porque acordar fantasmas do passado? Porque se irritar ou sofrer com isso novamente? O fato é que agora ali onde estava, nem ele mesmo sabia o porquê, o que o levou para ali, ele não iria fazer outra coisa? Entretanto isso desapareceu, evaporou em sua cabeça quando escutou seu pai chamando da cozinha:
- Bastian venha terminar de tomar o seu café.
- Obrigado pai, mas pedir o apetite – disse da porta da cozinha. – Vou para o meu quarto.
- Está tudo bem com você filho?
- Sim, é só que perdi a fome, mas depois eu termino de comer.
- Está bem, eu quero ver o seu prato limpo quando voltar do trabalho, mais tarde.
- Certo pai, estará.
- Ótimo, mas se não estiver acho que terei de comer o resto, não podemos estragar comida não é? – e tentou demonstrar mais alegria, para que aquilo não parecesse uma bronca ou coisa do tipo, e realmente não era. Era somente um momento de descontração.
Bastian então foi para seu quarto, sentou-se em sua cama e começou a ver a paisagem, porque sempre tem que ser assim, quando estamos tristes, infelizes sempre queremos um ponto para observar, mesmo que nossos olhos estejam grudados naquele ponto, nem sempre estamos olhando fixamente para ele, pois nossa cabeça está em outro lugar, em outro mundo ou outra dimensão, estamos refletindo, pensando, tentando colocar as idéias, os pensamentos em ordem, por isso que aquele ponto, aquela paisagem parece ser tão importante para nós. Depois de passado alguns minutos o pai dele já estava pronto para sair e foi se despedir do filho, mas ele não estava satisfeito de ver o filho parado ali na janela, ele estava de férias, não ia querer sair, tudo bem que estava naquele momento chovendo e muito, ele mesmo já estava com uma capa de chuva e munido de seu enorme guarda-chuva, por isso falou com ele:
- Não me interessa o que aconteceu naquele mundo e com quem foi, eu só não quero ver meu filho desse jeito – disse vendo no rosto do filho uma mistura de raiva e tristeza. – Eu só quero dizer que isso não vai dar em nada, ficar ai se lamentando ou chorando, veja, eu vou lhe deixar algum dinheiro e pode fazer o que quiser com ele, ir a um cinema, ir a uma livraria e comprar um livro em que demore muito tempo para ler, faça o que quiser, tire o dia para você, vá viver, não deixo que o tempo tome conta de você, que lhe destrua e o leve junto com você – deixou o dinheiro encima do armário de roupas, deu um beijo na cabeça do filho e foi-se para o seu trabalho.
As palavras do pai caíram como uma bomba, como um tiro certeiro nos pensamentos de Bastian, seu pai tinha razão, na verdade os pais sempre têm razão, eles não diriam nada se não fosse para o nosso bem, o que acontece é que ás vezes não queremos ouvir essas vozes, elas parecem ser piores que as lembranças que temos e que doem em nossas almas, em nossos corações. O que ele realmente devia fazer é esquecer tudo isso, se levantar, se trocar e sair, o dia poderia está sendo o mais ensolarado ou mais chuvoso possível, mas isso não o impediria de sair. E sobre o cinema e a livraria ele tinha toda razão, que tal ir às duas? Mas qual a livraria? Ele já tinha uma idéia. Tomou um banho rápido, se aprontou, colocou uma roupa para se esquentar, e ainda um casaco, caso necessita-se, foi levando na mão, junto com o guarda-chuva, para sua sorte a parada de ônibus era próxima e o mesmo já vinha vindo, isso tudo depois de fechar a porta e colocar a chave de casa no bolso da calça. A viagem foi tranqüila e logo estaria chegando à livraria do Sr. Koreander, entrou pela porta, fazendo a pequena sineta tocar e qual não foi à alegria do dono da livraria ao vê-lo.
- O que trás o jovem Bastian Baltasar Bux a minha humilde livraria?
- Humilde? Aqui é maravilhoso, nunca vi lugar melhor. Mas o fato é que eu queria lhe perguntar uma coisa Sr. Koreander.
- Então vá meu garoto, pode perguntar. O que deseja saber?
- Quando se fechar o caminho para Fantasia, existe um modo de reabri-lo?
- Reabrir um mundo para Fantasia? Meu jovem Bastian existe vários caminhos até Fantasia, e não somente o livro ou qualquer outro que você venha a abrir por força do Aurin, por sinal onde está o seu? – disse olhando para o seu pescoço e não o vendo.
- Ele está guardado em um local seguro.
- Tudo bem, como se eu tivesse nascido ontem, aconteceu alguma coisa que lhe irritou em fantasia não foi? E por isso jogou-o em algum lugar que não o veja com certa freqüência? Estou certo?
- Sim, pode dizer que não estou conseguindo me lembrar onde o coloquei.
- Não se preocupe, se você quiser, no fundo do seu coração, você conseguirá encontrá-lo, na verdade será como se ele estivesse vindo até você. Pois como diz o velho ditado, um bom filho a sua casa sempre retorna. E sobre o desentendimento, é melhor você consertá-lo, não vale à pena remoer assunto, e certamente você nem a outra ou outras pessoas se sentem bem com isso. Então resolva isso o quanto antes.
- Eu só estava falando hipoteticamente, não estou brigado com ninguém.
- Tem certeza? Não pense que pode enganar um velho Protetor e Guardião do Aurin. E se isso lhe interessar, sabe por que eu deixei de fazer essa tarefa?
- Nem posso imaginar.
- Qualquer um diria por que estou velho e cansado, bem, pode até ser, mas o fato não é só esse, é que também a imperatriz me passou outra tarefa.
- E que tarefa seria essa Sr. Koreander?
- Servir de guia para próximas pessoas e nomear um sucessor, dois já passaram por mim e da última vez, uma terceira, bem estou diante da pessoa que aceitou essa missão.
- Mas eu não... tem haver com o livro não é?
- Sim, quando aceita lê-lo e porque aceitou o convite para ser até quando quiser o portador do Aurin.
- E porque simplesmente não diz paras pessoas o que está fazendo? Qual sua tarefa.
O Sr. Koreander deu uma boa gargalhada, como não havia feito faz tempo e depois falou ainda sorrindo:
- E que acreditaria em mim garoto, um velho dono de livraria dizendo que se ele pegar aquele livro será levado para um mundo mágico, com seres mágicos, mas que na verdade e o livro é simplesmente um portal para outro mundo? O que as pessoas pensariam quando eu dissesse isso, certamente que eu estava louco, as crianças e os adolescentes se não achassem que eu estava ficando gaga, com certeza achariam que eu estava só usando a imaginação e com certeza poucos ficariam tentados a ver se isso era verdade.
- Mas isso, como o senhor acabou de dizer, não seria uma boa forma de selecionar as pessoas?
- E compete a mim selecionar pessoas? Não, eu tenho certeza que não, o que preciso meu rapaz e levá-los até fantasia, dar energia a esse mundo mágico, como você mesmo disse uma vez, fantasia é alimentada pela crença das pessoas nela.
- Não havia pensado nisso, então, sendo assim, isso muda tudo. Bem, preciso ir agora Sr. Koreander, obrigado pelas explicações.
- De nada, disponha sempre, mas Bastian, você não anda lendo o que lhe dei, anda?
- Me desculpe Sr. Koreander, ando lendo, estou gostando, mas até que parei de ler a algum tempo, se quiser eu devolvo.
- Não precisa, pode ficar com ele até quando terminar, não tem pressa em me devolver.
- Muito obrigado pela gentileza Sr. Koreander.
- Disponha sempre.
Ele saiu da livraria, uma dúvida pairava sobre si, será que deveria ir naquele momento resolver de uma vez o desentendimento que ele mesmo causará ou isso podia esperar mais um pouco, como seu pai tinha sugerido podia ir a um cinema. Ele resolveu ficar com a segunda opção e no meio do caminho encontrou um amigo ou quem sabe mais que isso.
- Bastian, que coincidência vê-lo aqui. Para onde está indo?
- Estava pensando em ir ao cinema, se não estiver ocupado ou fazendo alguma outra coisa poderia me acompanhar?
- Adoraria, estava sem fazer nada mesmo, só passeando.
Foi quando ele ouviu alguém pedido socorro, e parecia ser uma voz conhecida.
- Você ouviu alguma coisa Paul?
- Ouvi? Ouvir o que?
- Não é nada, tive a impressão de algum ter pedido socorro.
- É você deve está imaginando.
Mas não era nem engano e muito menos uma impressão ou ilusão de alguma coisa e que seus ouvidos estavam captando, pois ele escutou novamente alguém pedindo socorro e parecia ser, agora com uma melhor nitidez, uma voz feminina. Por impulso ou de alguma forma como se alguém ou alguma o atrai-se para a vitrine, finalmente ele conseguiu ver no vidro a figura de uma menina, com coroa de flores na testa e uma coroa em sua cabeça, não havia como não ser a...
- Imperatriz, o que está fazendo aqui? Algum problema?
- Bastian, precisamos de sua ajuda... Atreyu...
Entretanto ela não conseguiu concluir o que ia falar, por o amigo de Bastian vinha se aproximando, vendo que enquanto ele andava e falava, Bastian tinha parado em uma vitrine e parecia falar com o vidro.
- Algum problema? Tive a impressão de que você estava falando com a vitrine.
- Não, não é nada, pensei ter imaginado alguma coisa.
- Ótimo, então vamos? O filme está nos esperando – mas Bastian não saiu do lugar e uma ponta de tristeza brotou nos lábios dele.
- Desculpe Paul, mas eu preciso ir, é urgente, não se preocupe, é coisa minha – e saiu correndo pelas ruas.
È uma pena, pois deixou um garoto para trás que não teve tempo de demonstrar, de mostrar seus sentimentos por ele, dizer que o amava e que ficaria para o resto ou o suficiente perto dele, que tentaria não iniciar uma briga e mesmo que acontecesse que cessasse logo, que o agradaria das melhores formas possíveis e que faria tudo que ele queria, seria como um servo, como um empregado, que faz tudo o que seu mestre, seu dono pede e pediria em troca sou um pouco dessa retribuição toda, que fizesse o mesmo que ele, só um pouco. Talvez ele tivesse uma oportunidade num futuro próximo, quem sabe. Ele estava o mais apressado possível, queria chegar o quanto antes em casa, se comunicar com a imperatriz, saber realmente a necessidade de tanto socorro, o tempo parecia estar contra ele, atrasando ainda mais sua chegada em casa e isso o atormentava o consumia por dentro, ante que finalmente chegou, depois de muito tempo, e que pareceu demorar quase uma eternidade. Seu pai não estava, devia ter saído para algum lugar, ótimo pois não faria nenhum tipo de pergunta, onde ele tinha ido, nada e correu direto para o seu quarto, diante do espelho tentou contato com a imperatriz.
- Imperatriz, ainda está ai? Imperatriz?
- Sim Bastian, ainda estou aqui, na verdade nunca o deixei, sempre estive com você, o caminho todo.
- O que aconteceu? O que houve com Atreyu afinal de contas? Porque tanta aflição?
- Sinto dizer que, depois que você partiu, ele ficou arrasado, tanto quanto você, e por isso mesmo tentou desafiar o Conselho dos Anciões, mas o pior aconteceu e o que eu temia.
- O que? O que aconteceu? – e a voz de Bastian parecia de preocupação.
- O Conselho não aceitou suas alegações, o puniu pelas quebras de algumas regras e por desrespeito e desobediência diante daquele conselho e do resto da tribo. Ele também foi acusado de ser um mau exemplo para a tribo.
- Mas será que ele não pode demonstrar nem os próprios sentimentos? Que tipo de tribo é essa?
- Eu sei que as coisas parecem fácil para você, Bastian, mas não são para todo mundo, esse foi o erro de Atreyu, também acreditar que as pessoas vão concordar com tudo o que elas dizem, pedem ou fazem.
- E você o que fez em relação a isso?
- O máximo que pude, que estava ao meu alcance, mas não foi muita coisa. Simplesmente um salvo conduto, já que ele é meu Ministro de Defesa e Paz, talvez dando permissão dele vim a Torre de Marfim sempre que for convocado, mas só isso, essa é a única liberdade que ele tem, nada mais, não pode mais caçar, ou andar com Artax, correr pelos campos, isso tudo lhe foi retirado, por tempo indeterminado, até que ele realmente aprenda a respeitar sua tribo.
- Mais isso é muita crueldade, eles não podem fazer isso com ele.
- Eu sei, também concordo com você, por isso tenho uma missão especial para você? Ir lá falar com eles, tentar persuadi-los a mudar de idéia. Está disposto?
- Por Atreyu eu faria qualquer coisa.
- Onde está o Aurin, Bastian? Não o vejo em seu pescoço.
- E que eu o tirei por um tempo, para esfriar a cabeça, deve está em algum lugar por aqui – disse olhando ao redor do seu quarto, tentando ver algum local em potencial que o poderia ter colocado.
- Eu escutei sua conversa com o Sr. Koreander, e ele tem toda razão. Se desejar do fundo do coração encontrar o Aurin, você vai conseguir o que quer.
- Imperatriz, eu preciso lhe dizer uma coisa, teria tempo para ouvi-la?
- È claro, tenho todo o tempo do mundo, apesar de que tenho plena convicção do que você pretende falar, mas pode dizer assim mesmo.
- Acho que tem mesmo. Durante o dia de hoje e os dias que se passaram desde que retornei de Fantasia, pensei muito sobre o que aconteceu, acho que agir de forma idiota, como uma criançada mimada que sabe que estava fazendo uma coisa errada, mas acha que tem toda certeza do mundo. Quero perdi desculpas se agi de forma impulsiva, sem pensar nas conseqüências que aquilo poderia trazer nas vidas das pessoas.
- Desculpas aceitas, Bastian Baltazar Bux, mas tem certeza que elas tem a finalidade de ser endereçadas somente a mim?
- È realmente existe outra pessoa – disse pensando com toda convicção em Atreyu.
- Venha o mais rápido que puder, ele está muito triste, abatido, não sei por quanto tempo ainda pode suportar. Sentimos a sua falta – e fez questão de dar ênfase nessa palavra.
- Eu também, sinto muito a falta de vocês.
E ali se encerrou a transmissão. Rapidamente ele correu pelo quarto, pegando sua mochila de viagem ali, suas roupas no armário, alguns objetos de limpeza no banheiro do seu quarto e tudo mais o que precisasse. Depois sentou-se na cama, ainda estava sem o Aurin, precisava procurando, mas não queria e nem precisava perder tempo procurando, abrindo cada gaveta ou vasculhando embaixo de cada objeto, de cada cômodo do quarto. Ele vez o que Koreander havia instruído a fazer e que a imperatriz só havia reforçado, fechou os olhos, se concentrou, ficou pensando somente no Aurin, com toda sua vontade, foi quando algo começou a se mexer em seu quarto, parecia uma gaveta, e era realmente uma gaveta, não parava de balançar de forma descontrolada. Havia encontrado, o Aurin só poderia está ali, como realmente estava, colocou em volta do seu pescoço novamente, como isso era bom, sentir uma paz interior, uma alegria, como se tudo na vida se resumisse a uma vida excelente, sem problemas, pessoas ruins, nada que pudesse brotar, nascer do mal, o Aurin parecia ter força e magia suficiente para repelir tudo isso. Não podia mais perder tempo ali, com certa facilidade conseguiu reabrir o portal, pronto, finalmente, depois de um bom tempo, estava retornando para Fantasia.
O portal, é obvio, ainda continuava num que seria um armário, localizado em um dos andares da Torre de Marfim, para ser mais exato, não mais no alto, onde realmente fica o atual quarto da imperatriz, mas no primeiro andar, para onde foi transferido a Sala do Trono, que de alguma forma a mesma já o esperava lá, sentada em seu trono, atendendo um de seus súditos, cabeça-flamejante para ser mais exato, onde Bastian ficou quieto no canto, esperando ela terminar a conversa e fim falar com ele.
- È uma alegria vê-lo novamente Bastian, desculpe se não lhe informei da situação antes, mas pensei que com o tempo tudo iria se resolver, e além do mais eu não sabia como você estava? – indo a sua direção abraçando com toda sua força, ainda usava seus ornamentos favoritos e um vestido longo, com mangas longas e de um amarelo vibrante, como o sol.
- Nem mesmo com ajuda do Aurin?
- Eu não fico bisbilhotando as pessoas a todo instante Bastian, o Aurin eu realmente uso em caso de necessidade ou emergência, para conseguir algumas informações, mas não descobrir segredos muito íntimos ou saber o que a pessoa sente, isso não é possível.
- Desculpe se a fiz pensar que estava bisbilhotando a minha vida, não era minha intenção.
- Não, tudo bem, eu não ligo para essas coisas, mesmo que elas não estejam boas por aqui.
- Ainda o mantêm preso naquele lugar?
- Sim, as restrições diminuíram, mas parece que ele ainda é o cão de estimação dele, que faz... desculpe isso não é coisa que uma imperatriz.
- Não você tem todo o direito de falar, muito mais do que ser a imperatriz desse mundo, você é amiga dele, e se preocupa com ele, por isso sua reação com o que está acontecendo e o que estão fazendo com ele.
Nisso chega um rapaz, com roupas parecidas com a de Atreyu, quase do mesmo tamanho, sendo que de cabelo curto e espetado e a cor dos olhos diferentes da do amigo. Pelo jeito vinha trazendo uma mensagem:
- Venho em nome da Tribo das Terras dos Búfalos venho pedir que se conceda alguns minutos com a senhorita, imperatriz.
- Concessão permitida. Que informações trás da sua tribo? Receberam minha carta de Convocação Urgente? Onde está o jovem Atreyu?
- Infelizmente ele não pode vir imperatriz, ele parece que não está muito bem de saúde, mas não é nada grave, esta sendo medicado pelo curandeiro da tribo e está descansando. Por enquanto o Conselho dos Anciões acha que não é bom chamá-lo, eles pedem que indique um novo ministro para ficar no lugar de Atreyu até que ele retorne.
- O que ele tem?
- Não sabemos ao certo, mas quando soubermos mandaremos essa informação para vossa majestade – e já ia saindo.
- Espere um pouco – disse Bastian segurando-o pelo ombro. – A imperatriz lhe vez uma pergunta e você deve respondê-la.
- Me desculpe, senhor, mas eu já a respondi, se não ouviu. Seja lá você quem for.
- Eu sou Bastian Baltazar Bux, se isso lhe interessar.
- Então é você que vem causando tantos problemas para a nossa tribo?
- Não me venha com sermões agora. E então? O que Atreyu tem? Vocês não andam alimentando ele direito? Torturaram até não querer mais?
- O que faz o senhor pensar que estamos negligenciando a saúde de um dos nossos?
- Simples, você disse que o curandeiro já estava tratando dele, mas ao responder a imperatriz você disse que não sabe o que ele tem. Como então um curandeiro vai tratar de algo que ele não sabe o que é?
- Isso é verdade? Mensageiro Jolie?
- Não imperatriz, esse garoto só pode está mentindo. Não enganaríamos vossa majestade.
- Já estou de saco cheio de vocês? Então já que você é mensageiro, pode mandar uma mensagem – disse pegando pela gola da camisa. – Diga que Bastian Baltazar Bux está indo falar com eles – disse dando um soco direto no lado direito do queixo do rapaz.
- Calma Bastian, não precisa fazer isso.
- Você não podem ir, Não possuem permissão para ir até lá. Estão permanentemente proibidos de porém os pés naquele lugar, foi as informações que recebi.
- Já chega, eu sou a imperatriz aqui, e independente do pacto que minha sucessora tenha feito com sua tribo, aquelas terras ainda estão sobre meu domínio, por isso estou dando a permissão necessária para Bastian ir até lá. Avise isso ao Conselho e saia da minha frente imediatamente – nunca nem Bastian tinha visto a imperatriz tão irritada. — E caso alguém desobedeça a minha ordem será preso imediatamente, por esse rapaz aqui — disse indicando Bastian — Já que estou dando esses poderes para ele.
- Sim vossa majestade – vez uma reverência desengonçada e foi-se.
- Você pretende ir até lá mesmo?
- E porque não iria? Não é para isso que vim para cá? Eu vou resgatá-lo se for necessário.
- Você gostaria que eu mandasse junto com você alguns dos meus soldados?
- Não precisa, isso será resolvido entre mim e eles, não quero a interferência ou intromissão de mais ninguém.
- Está bem, acho que devo preparar uma carruagem imediatamente.
- Não será necessário, para que uma carruagem, se ele pode usar um dragão da sorte – disse Falcon, como sempre sorridente. – Quando partimos?
- Nesse exato momento, não agüento mais ficar esperando aqui.
- Então suba e minha corcunda – disse se deitando no chão e Bastian subiu nele.
Realmente a coisa era séria, ele está furioso, ao chegar pretende descobrir tudo o que for possível e fará de tudo para resgatá-lo, trazer de volta, como ele vai fazer isso? Nem ele mesmo sabe, mas que alguma coisa precisa ser feita, isso sim. Enquanto isso a imperatriz estava recebendo uma carta do Conselho de Anciões, que esta redigida como:
Cara Imperatriz
Pelo acordo realizado com a sua sucessora, há algum tempo atrás, não permite que nenhum reinado que exista intervirá em assunto internos de nossa tribo, por isso mesmo nós do Conselho de Anciões não iremos permitir nenhuma intromissão que parta da Torre de Marfim, e pedimos que trate melhor nossos mensageiros.
Atenciosamente Conselheira-Chefe.
- Guarda, venha até aqui – disse apontando para um que estava perto.
- Chamou-me imperatriz?
- Sim, reúna todos os guarda, quero uma escolta, pois partirei imediatamente e avise para o Chefe do Estábulo preparar a carruagem.
- Sim Imperatriz, mas me desculpe à pergunta, para onde partiremos? Preciso avisar os guardas e o cocheiro.
- Ah sim, perfeitamente. Iremos para as colinas onde se caça os búfalos roxos.
- Onde o jovem guerreiro Atreyu mora?
- Sim, é para esse lugar mesmo.
- Partirei agora – vez uma continência e foi-se.
Logo depois estavam partindo, a imperatriz preferiu deixar a carruagem para trás, pois iria atrasar muito a sua partida e chegada, cavalgar seria mais rápido, queria alcançar o quanto antes Bastian. Correram a toda força, ela e mais uma comitiva de 20 soldados, ficando outros mais ainda na Torre de Marfim, o Conselheiro Real ficou no cargo de Imperador Interino até o retorno da verdadeira e a guerra de poder, em que vence aquele que mostrar mais poder, parece que está prestes a começar.
Notas finais
-> Próximo Capítulo - Diante do Conselho...
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