Uma Aventura de Amor
9 Capítulo 9
Quando o rapaz de capuz entrou no salão principal do castelo do reino, encontrou o príncipe Herval sentado no trono, encarando-o, com uma das caras mais insatisfeitas do mundo. O rapaz, então, curvou-se, naturalmente, como forma de respeito e, antes de dirigir a palavra ao príncipe, aproximou um pouco. Não tanto.
– Cadê a princesa? – perguntou o príncipe, indo direto ao assunto.
– Está na cidade, alteza – respondeu o rapaz de capuz – infelizmente não foi dessa vez que eu consegui pegá-la...
O príncipe Herval, então, levantou-se, tentando controlar a irritação.
– Ela não viaja sozinha, meu senhor – continuou o rapaz do capuz – está sendo acompanhada por três sujeitos espertos e valentes. Eu sou apenas um.
– Estou cansado de suas desculpas, Zac – falou Herval – sabe o que eu estou achando? Estou achando que você está me saindo um incompetente, assim como o tolo do seu pai foi.
Silêncio.
– Mas, sabe de uma coisa? – continuou o príncipe – cansei de ser paciente e piedoso com você. Portanto, te darei uma última chance para me trazer essa princesa aqui. E acho bom você fazer esse serviço direito ou não terá uma próxima vez. Será que eu fui claro?
– Sim, senhor – respondeu o rapaz do capuz, humilde, sem esboçar qualquer reação.
– Agora some da minha frente – ordenou o príncipe, irritado.
O capataz, então, curvou-se outra vez, como forma de respeito, antes de sair da presença do príncipe.
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Na manhã seguinte.
Deitados na cama, ainda abraçados, o falso mercador e a falsa princesa conversavam, entre beijos e carícias.
– Você é a coisa mais linda que eu já vi nesse mundo... – declarou ele, tocando-lhe o rosto – parece uma joia.
Fitando-o, ela sorriu.
– Você deve dizer isso pra todas as mulheres que aparecem no seu caminho...
– Engano seu – retrucou ele – nunca fiquei tão encantado por uma mulher assim antes. Verdade.
– Sei...
– Eu não sou assim tão mulherengo como você imagina...
– É mesmo? – falou ela – vou fingir que acredito... nem vou citar as mulheres do bordel.
– As mulheres do bordel? – falou ele, pensando no que dizer – bom, as mulheres do bordel são só um... um rolo... nada sério.
– Eu vi como uma delas te olhava...
– A Sandra – falou ele, rindo – e você morreu de ciúmes, né?
– Nem tanto, seu convencido.
Eles, então, se beijaram. Em seguida, ela o abraçou mais forte.
– Mas e então – quis saber ele, de repente, sussurrando em seu ouvido – o que você achou da noite passada? Foi tudo bem? Foi bom?
– Quer mesmo que eu fale? – sussurrou ela, de volta.
– Quero... se eu tô perguntando...
– Bom, Jonas Marra – sussurrou ela, fitando-o – foi tudo ótimo... tudo incrível.
Ele sorriu, com o ego inflamado.
– Melhor que a primeira? – quis saber ele.
– Melhor que a primeira – respondeu ela, beijando-lhe o peito.
– Bom saber...
Silêncio.
– Mas e agora? – quis saber ela, de repente – como vai ser?
– Como vai ser?
– A gente – continuou ela – como vai ser a gente agora? Eu quero saber.
– Agora – respondeu ele – vai ser tudo muito sério, princesa. Sabe por quê?
– Hmm?
– Porque agora você é minha... só minha.
Ela riu.
– Sou, é?
– É.
Ele, então, virou-se, ficando sobre ela, e beijou-a. Um beijo longo e apaixonado.
– Eu te amo... – murmurou ela, envolvendo o pescoço dele.
Eles, então, voltaram a se amar.
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Depois de se amarem pela segunda vez, ela voltou a deitar no peito dele.
– Jonas, a gente ainda precisa conversar, sabia?
– O que foi?
– Eu tenho que te contar uma coisa... a verdade sobre Jerome.
Jonas, então, voltou a fitá-la. Já havia até se esquecido do príncipe francês dela.
– O que tem ele?
– Você entendeu tudo errado sobre a gente... sobre eu e Jerome.
– Como assim eu entendi tudo errado?
– É que – suspirou ela – Jerome, na verdade, não é meu noivo, Jonas... aliás, eu e ele nunca tivemos nada. Eu mal o conheço e... a verdade é que... eu não sou uma princesa.
Confuso, Jonas, limitou-se a fitá-la.
– Eu não sou uma princesa de verdade – continuou ela – isso foi tudo uma mentira que eu inventei... e Jerome não é meu noivo.
Silêncio.
Jonas continuou fitando-a, perturbado.
– Como assim você não é uma princesa? Quer dizer então que...
– Eu menti – falou ela – eu menti porque quando a gente se conheceu, vocês logo me perguntaram se eu era do castelo... aí então, com medo de vocês não me deixarem acompanhá-los, eu inventei toda essa história, pra ver se vocês me davam importância e me ajudavam. Mas a verdade é que eu não sou uma princesa. Eu sou mesmo uma dama de companhia. Dama de companhia da verdadeira princesa. E é ela que está noiva do príncipe Jerome.
Jonas continuou confuso com toda aquela história. Precisou de um tempo para digerir a informação.
– Está chateado? – quis saber ela, fitando-o – me desculpe.
– Então – falou ele, finalmente – quer dizer que todo esse tempo eu fiquei bancando o bocó, o estúpido... morrendo de ciúmes de você com o tal do francês...?
– Jonas...
– Eu fui um idiota então...
– Eu juro que não fiz de má fé – continuou ela – me diz que não tá chateado.
Jonas, então, encarou-a.
– Verônica, eu... eu também preciso te contar uma coisa...
Mas ele foi interrompido por alguém que bateu na porta do quarto em que eles estavam.
– Djonas! – gritou a pessoa. Era Brian – Djonas, está aí, man?
– Que foi, Brian? – perguntou Jonas.
– Precisamos ir, man – falou Brian do outro lado – você perdeu a hora, é?
– Como assim perdi a hora? Que horas são?
Quando Jonas e Verônica olharam a hora, levaram um susto, pois já havia passado das 10 das manhã. Apressados, eles pularam da cama e começaram a se vestir.
– Anda, man – continuou Brian – temos que ir enquanto é dia...
– Já vamos, Brian – gritou o amigo, vestindo as calças – só um segundo...
Enquanto Jonas vestia a camisa, Verônica vestia o vestido.
– A princesa tá aí? – quis saber Brian – ela já tá de pé?
– Já, Brian – respondeu Jonas, que já abotoava a camisa – espera só um pouco...
– O que vocês dois estão fazendo aí até uma hora dessa? – continuou o guru.
– Não é da sua conta – respondeu Jonas, antes de tropeçar em algum objeto e xingar um monte de palavrões.
– Ok, man, mas já estão saindo, né?
– Brian, quer parar de amolar? – gritou Jonas, procurando pelas botas.
– Tá certo – falou o amigo – vou esperar vocês então lá fora. O tal do Barata é um chato de galochas, mas vou tentar suportá-lo até vocês aparecerem. Pelo jeito, a noite foi boa, hein.
Jonas calçou as botas, enquanto Verônica ajeitava os cabelos.
– Está pronta? – perguntou ele, indo em direção da porta.
– Estou...
– Vamos então, antes que o Brian volte a perturbar.
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– Achei que vocês nunca fossem sair daquele quarto – resmungou Brian, assim que avistou o casal – o que houve pra perderem a hora? Você nunca perde a hora, man – e virando-se pra Verônica – bom dia, princesa.
– Oh, sim – respondeu ela – bom dia.
– Cadê o grandão? – quis saber Jonas.
– Foi tomar café de novo... man, esse sujeito não para de comer... ah, olhe, ele vem vindo aí...
– E então, pessoal – falou Barata, assim que se aproximou do grupo, com dois pedaços de pão numa das mãos e uma maçã na outra – vamos?
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Zac observou o quarteto caminhar pelo bosque, e foi atrás. Pelo caminho, ele matutava como iria abocanhar aquela princesa para Herval. Ele era apenas um contra três. Precisava aproveitar a distração deles, mas seria difícil, pois o grupo não parecia se separar. Ele, então, teve uma ideia.
Verônica andava atrás dos rapazes, quando, de repente, foi agarrada por alguém. Com o grito dela, os três olharam para trás. Verônica estava sendo agarrada por um estranho de capuz preto. O mesmo do bar. Havia uma faca apontada na direção do pescoço dela.
– Eu quero que os três joguem as armas aí no chão – falou o rapaz do capuz – agora!
Barata e Brian olharam para Jonas, que permaneceu imóvel, fitando o desconhecido.
– Eu não estou brincando – continuou o rapaz do capuz, com ar sério – joguem essas malditas armas no chão agora! E se tentarem alguma gracinha, ela morre.
Jonas, então, tirou a espada da cintura e a jogou no chão. O rapaz do capuz observava todos os movimentos. Os outros dois fizeram o mesmo com suas facas, punhais e pedras.
– Certo – continuou o rapaz do capuz – agora podemos negociar... eu tenho uma proposta pra fazer a vocês.
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