Uma Aventura de Amor
4 Capítulo 4
Quando eles finalmente saíram do bosque, logo avistaram a cidade...
– Oh, meu Deus – falou Verônica, aliviada – oh, meu Deus! A gente finalmente chegou! Que maravilha!
– É – falou Jonas – bem vinda à cidade, princesa. Demoramos, mas chegamos.
– Achei que nunca fôssemos chegar – falou ela, olhando em volta.
– Pois, é, alteza – falou Brian, se aproximando – e agora que você tá sã e salva, o que acha de nos pagar as vintes pratas restantes?
– Ah, claro – concordou ela, pegando o dinheiro na bolsa – muito obrigada... aqui estão as vinte pratas combinadas.
Brian pegou as moedas das mãos dela e as contou, enquanto Jonas e Verônica se entreolhavam.
– Bom – falou Jonas – então boa sorte, Verônica. Espero que você encontre tudo o que veio procurar aqui.
– Obrigada, Jonas – respondeu ela, sem mais aquele entusiamo de antes – bom... então, é melhor eu ir. Com licença.
– Adeus, alteza – falou Brian – boa sorte!
– Adeus – respondeu ela, virando-se para trás. Em seguida, ela seguiu o seu caminho, sem mesmo saber para onde iria. Jonas a observava, até que o amigo o cutucou – Vamos, man. Ela vai ficar bem. A gente precisa ir agora.
Os dois amigos, então, seguiram em outra direção.
***************
Verônica se aproximou de um armazém para pedir informação. Um senhor idoso e gordo estava falando com alguém ali perto. O velho parecia bastante estressado.
– Olá – falou Verônica, com delicadeza – será que o senhor pode me ajudar?
– O que você quer?
– Eu preciso de uma informação...
– Isso aqui é uma venda, minha filha – respondeu o velho, irritado – não um balcão de informação. Chispa daqui.
– Nossa – respondeu ela, chocada – não precisa ser grosso – e se afastou. Até que se aproximou de um outro armazém. Uma senhora a observou.
– Por gentileza, a senhora sabe me dizer onde fica a avenida Bom... só um segundo – pediu Verônica, consultando um papel – bom ar?
– Sim – respondeu a dona – é essa aqui mesmo, minha flor. É só você seguir em frente.
– Obrigada.
– Não tem de quê.
Verônica, então, procurou a numeração nas construções antigas, até que encontrou um bar e entrou nele. Ao se aproximar do balcão, ela fitou o atendente – um homem magrelo, que estava secando um copo com um pano de prato.
– Por gentileza – indagou ela, abaixando a voz – sabe me dizer como faço para encontrar o príncipe Jerome da França?
O homem fitou-a, desconfiado.
– Príncipe Jerome? Bom, o que a senhorita deseja com ele?
– Na verdade – respondeu ela, sussurrando – é um assunto particular, sabe?
O homem a observou outra vez, ainda desconfiado.
– Bom, passe aqui mais tarde. Talvez você tenha sorte e consiga encontrar o príncipe hoje por aqui.
Verônica ficou desanimada. Como assim encontrar Jerome só mais tarde? E o que ela iria fazer naquele intervalo de tempo? Olhar a cidade? Nem dinheiro o suficiente tinha. Sem falar que acabaria ficando tarde e ela teria que passar mais uma noite fora do castelo. Teria que procurar uma pensão para dormir... enquanto ela pensava, algo lhe chamou a atenção. Um homem a observava de longe. Ela o encarou e ele sustentou o olhar. E ela não conseguiu dizer, mas algo naquele olhar não pareceu nada bom. Intrigada, Verônica desviou o olhar e procurou sair do lugar discretamente. O atendente atrás do balcão não falou nada. Só ficou a observando. Do mesmo jeito que ele estava, ele ficou. O outro homem, então, a seguiu. Assustada, Verônica começou a correr. Sem olhar para trás para ver se o homem corria atrás dela, ela continuou correndo, até que esbarrou em alguém. Ele era grande e gordo. Verônica precisou olhar para cima para poder olhá-lo melhor. Ela não soube explicar, mas quando o perseguidor deu de cara com o homem gordo, ele também parou e pensou no que fazer – Algum problema aqui, moça? – perguntou o gorducho a ela, mas fitando o rapaz que a perseguia.
– Desculpe – falou o perseguidor. E agora, sim, Verônica pôde olhar melhor para ele. Era um rapaz jovem. Não muito alto. Bonito. Tinha belos olhos e usava um capuz, que lhe dava uma aparência mais sombria do que parecia ser – eu me confundi – continuou o rapaz do capuz – essa não é a mulher que eu procurava.
– Acho bom então você dar o fora daqui, idiota – respondeu o homem gordo – dá o fora!
Sem relutar, o rapaz se afastou e logo sumiu da vista deles...
– Nossa – falou Verônica, fitando o homem grande – eu nem sei como te agradecer... obrigada.
– Não tem de quê – respondeu ele, simpático, tirando uma maçã do bolso para comer – esses ratinhos de esgoto sempre aparecem quando avistam uma moça bonita assim sozinha na cidade. Toma cuidado... quer uma?
– Não, obrigada – respondeu ela, sem fome – na verdade, eu preciso de uma informação sua, se for possível.
– Claro – respondeu ele, devorando a fruta – às ordens.
– Onde encontro um lugar aqui para passar a noite? Uma hospedaria. É que eu vim de longe e não conheço quase nada aqui da cidade...
– Deixa comigo – respondeu ele, tirando alguns pedaços de maçã presos nos dentes – sei de um lugar muito bacana para a senhorita. Mas eles só abrem à noite... oh, mas me desculpe, eu nem me apresentei... sou Haroldo. Haroldo Barata, o maior comerciante da região, à sua disposição. Mas pode me chamar de Barata – completou ele, esticando a mão grande e pesada para ela.
– Prazer, Barata – respondeu ela, apertando a mão dele – Verônica.
– Verônica – repetiu ele – que nome lindo. Assim como você também.
– Obrigada.
– Bom, então, Verônica, eu posso te levar nesse tal lugar agora mesmo, se você preferir... aí você já fica conhecendo o lugar e quando chegar a noitinha, você volta lá sem dificuldade. O que você acha?
– Acho uma ótima ideia. Obrigada.
**************
Verônica teve uma certa dificuldade para subir na charrete do comerciante e Barata teve que dar uma forcinha – Tá difícil aí? – perguntou ele, sem elegância nenhuma – calma aí, Veroquinha. Posso te chamar de Veroquinha? que eu te ajudo...
Barata, então, puxou Verônica sem muita delicadeza. Ao sentar-se ao lado dele, ela se ajeitou. E então, eles partiram.
****************
Num barzinho de beira de estrada, Jonas e Brian almoçavam...
– Que foi, man? – perguntou Brian, após mastigar um pão, enquanto tomava sopa – tô te achando meio calado hoje... não me diga que é por causa da...
– Estou pensando, Brian – respondeu Jonas, com uma das mãos na boca – estou pensando aqui no nosso plano... em como vamos fazer para achar esse tesouro...
– Fala baixo, Djonas – sussurrou o amigo, em tom de repreensão – vai que alguém escuta você falar isso aqui? Aí que a gente nunca encontra nada mesmo.
– Relaxa, ninguém vai escutar... mas não é isso que me preocupa... a gente precisa decifrar logo aquele mapa, dude. O mais rápido o possível.
– Vamos conseguir isso, Djonas. Calma, man. Enquanto isso, aquieta-te e coma. Tua sopa tá esfriando – falou Brian, antes de um sujeito mal encarado aparecer na mesa deles.
– Você não é o Brian Benson? – perguntou o desconhecido.
– Quem quer saber...? – perguntou Brian, desconfiado, encarando o estranho.
– Já ouvi falar de suas mágicas de araque — respondeu o desconhecido — minha mulher gastou dez bronzes com você e ficou muito insatisfeita com os seus serviços.
– Oh, desculpe, senhor, eu acho que você deve estar me confundindo com alguém... — respondeu Brian, intimidado.
– Não tô não, é você mesmo o pilantra – falou o homem, antes de segurar-lhe pela gola da camisa – a gente precisa conversar...
– Ei, amigo – falou Jonas – o que pensa que está fazendo?
– Não se meta, idiota — respondeu o homem — isso é comigo e esse trouxa aqui...
O sangue de Jonas subiu. Quem aquele cara pensava que era para chamá-lo de idiota? Ele não era idiota. E também não levava desaforo para casa. O cara era grande, mas não era dois. Ele, Jonas, poderia até apanhar, mas não ia ficar calado e ser esculachado por ninguém não.
– Quem é idiota aqui? – perguntou ele, levantando-se e encarando o estranho.
– Será que podemos conversar civilizadamente, please? – pediu Brian, morrendo de medo do homem que o segurava.
– Calma aí, seu charlatão – falou o homem, soltando o guru – eu vou cuidar desse seu amigo idiota primeiro e depois eu cuido de você.
Brian, então, endireitou a gola da camisa, enquanto Jonas e o desconhecido gritavam um com o outro. De repente, eles começaram a rolar pelo chão e a trocar socos. Brian aproveitou para afanar alguns pertences do desconhecido. De repente, o homem tirou uma espada da cintura. Jonas fez o mesmo. Eles, então, começaram a travar uma luta com espadas, até que, num dado momento, com rapidez e habilidade, Jonas tomou a espada do outro e ficou segurando uma em cada mão. O homem, por sua vez, levantou os braços, como em redenção, mais piscou para alguém atrás de Jonas. Nessa confusão, mais dois homens se aproximaram.
– Djonas, cuidado! – gritou Brian, derrubando mesas em cima dos outros dois que surgiram – vamos dar o fora daqui, man!
Enquanto os dois outros homens tentavam levantar-se, desajeitados, Brian correu. Jonas, então, arrancou a roupa do estranho que estava à sua frente com as duas espadas e, em seguida, saiu correndo atrás do amigo. Confusos, os três homens tentaram, mas não conseguiram correr atrás deles. Passando por ali na hora, Verônica reconheceu os dois amigos.
– Espere – pediu ela a Barata – eu conheço aqueles dois! Eles parecem em apuros.
– Ai, ai, ai – resmungou Barata – tô vendo que vai sobrar pra mim...
– Ei – gritou Verônica e os dois amigos avistaram-na – subam! Rápido!
Sem pestanejar, eles subiram facilmente na charrete e Verônica os fitou logo assim que ficou de frente com eles – Vocês dois de novo... – falou ela – o que aprontaram dessa vez?
– Pergunta pra ele – respondeu Jonas, apontando para o amigo, que fez a cara mais sem graça do mundo, antes de responder – Nada, oras.
– Olha só – falou Barata, virando-se pra trás e não avistando uma ladeira bem à frente no caminho – não sei se a charrete vai aguentar esse peso...
– Barata, olha pra frente! – gritou Verônica, desesperada. E todos os quatro gritaram, apavorados.
Quando, enfim, chegaram lá embaixo, deram-se conta de que a charrete estava com uma das rodas soltas e os cavalos estavam mortos de cansaço – Eu avisei que eles não iam aguentar... — lamentou Barata, observando sua humilde charrete.
– Pois é, amigo – comentou Jonas, naturalmente – só você pesa o quê... uns 100 kg, né? Estava complicado mesmo.
– Como é? – indagou Barata, ofendido – repete o que você disse.
– Que você pesa uns 100 kg? – falou Jonas – por quê? Não gostou? Vai bater? Então vem.
– Ei, parem – gritou Verônica, e virando-se para Jonas – me diz uma coisa: você arranja confusão assim o tempo todo mesmo ou é só impressão minha?
– O que foi que eu fiz? – defendeu-se ele – só disse que ele...
– Chega – pediu ela.
– Vou ter que voltar para consertar a charrete... – comentou Barata, preocupado – infelizmente, não vou poder te levar à hospedaria, Veroquinha.
– Ah, claro – respondeu ela – tudo bem. Você já me ajudou muito, Barata. Obrigada.
– O prazer foi todo meu – falou o comerciante, tentando parecer galanteador, pegando na mão dela. Jonas se segurou para não rir da cena. Assim que Barata se afastou, os três se entreolharam...
– Bom, princesa – falou Jonas – então quer dizer que você tá procurando um lugar para passar a noite?
– Estou – respondeu ela – por que, senhor Robbin Wood? Além de arranjar confusão, você também entende de hospedarias?
– Bom – respondeu Jonas – a gente conhece um lugar perfeito. Seguro, discreto... você iria gostar. Aliás, estamos indo mesmo pra lá. Não é, dude?
– Estamos? – perguntou Brian, distraído – ah, sim, estamos. Claro que estamos. Quer vir com a gente, alteza?
– Eu não sei se posso confiar em vocês... – comentou ela, insegura.
– Que isso, Verônica? – falou Jonas, rindo – a gente já salvou a sua vida antes. Lembra?
– E eu a de vocês – respondeu ela – portanto, estamos quites agora, espertinho.
– Tá certo – falou Jonas, levantando as mãos, como se estivesse se rendendo – você que sabe. Mas se quiser vir conosco, será bem vinda.
– Obrigada pelo convite, mas preciso pensar...
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