No dia seguinte.

Enquanto caminhavam, eles encontraram um rio.

– Alguém conhece esse atalho? – indagou Zac – esse rio pode nos deixar mais perto da torre, sabiam?

– Eu não vou entrar aí, Jonas – falou Verônica – chega de rios em bosques.

– Mas talvez seja melhor atravessarmos – respondeu ele, fitando-a – para ganharmos tempo.

– Pelo rio podemos cortar caminho – comentou Zac – sem dúvida, é melhor.

– E quanto tempo mais ou menos de caminho podemos cortar? – indagou Barata, tirando uma maçã do bolso pra comer.

– Uma hora, mais ou menos – respondeu Jonas.

– Ah, então vamos pelo rio, man – falou Brian, decidido, tirando os sapatos – a gente ainda pode aproveitar pra se refrescar um pouco... é ou não é?

– Brian, cuidado! – gritou Jonas, de repente, tirando a espada da cintura.

Virando-se, Brian avistou um crocodilo se aproximando dele. Mas quando o animal, com a boca aberta, pulou para atacá-lo, Jonas cortou-lhe a cabeça com a espada. Assustada, Verônica gritou ao avistar outros crocodilos. Barata também gritou, enquanto pulava.

– Djonas! – gritou Brian, apontando para outro crocodilo. Desesperada, Verônica gritava, atrás de Jonas, que com a espada na mão, olhava em volta, procurando os animais.

– Estão vindo mais – gritou Zac – me soltem aqui!

– Suba na árvore! – gritou Jonas, largando a espada por um momento para auxiliar Verônica a subir.

Verônica, então, subiu, a princípio, com a ajuda do amado, e depois sozinha. Atrapalhado, Barata tentava subir, mas em vão, porque gritava mais que subia, até que, for fim, conseguiu subir.

– Vou precisar de ajuda aqui embaixo – gritou Jonas.

– Eu posso ajudar! – gritou Zac – mas me soltem primeiro!

No chão, Jonas matou um outro crocodilo que apareceu.

– Jonas, cuidado! – gritou Verônica, em cima da árvore, orientando-o.

– Brian, me ajude! – gritou Jonas, jogando uma das espadas ao amigo. Em seguida, Jonas desamarrou Zac, que a essa altura, já não era mais visto como um prisioneiro.

– Sou bom em flechas – comentou Zac, procurando suas armas. Enquanto isso, Jonas e Brian matavam os crocodilos que surgiam. Zac, então, pegou o arco e flecha e começou a ajudar também. Quando eles finalmente conseguiram matar todos os crocodilos que apareceram, Barata desceu da árvore, aliviado. Verônica também desceu.

– É melhor sairmos daqui – falou Jonas – nada de atalhos. Vamos atravessar o mar dando a volta mesmo.

– Tem razão – concordou Zac – e só há essa forma da gente conseguir chegar até a torre.

– Pelo mar das sereias? – indagou Brian, com os olhos arregalados – vocês estão malucos? Nem morto eu atravesso aquilo lá!

– Você não lembra do que o decifrador de mapas disse, Brian? Ou sua memória tá fraca? Ele disse que teríamos que enfrentar crocodilos, sereias encantadas e dragão. Tudo certo?

– Oh, Djonas – murmurou o amigo – deve haver uma outra forma. Você não vai acreditar no que um decifrador de mapas disse, né? E se ele estiver errado?

– Mas como vamos atravessar o mar? – indagou Verônica – não temos barco. Sequer uma canoa.

– Eu sei como – falou Barata – eu sei onde conseguir um barco!

Todos fitaram-no, surpresos.

***************

Depois...

O bando chegou no porto e lá encontraram um velho, amigo de Barata.

– Capitão Jack! – falou Barata – esses são meus amigos: Jonas, Brian, Verônica e Zac. Estamos numa missão e precisamos de um barco. Você tem como nos arranjar alguma coisa? É urgente.

Jack fitou-os, intrigado. Em seguida, fitou Barata e deu um sorriso fraterno.

– Claro – respondeu o velho – venham comigo. Vou mostrar-lhes um dos melhores que eu tenho aqui no porto.

Barata, sorrindo, fez um sinal de “ok” para Jonas e os outros, e eles seguiram o velho, que levou-os até um grande barco.

– Pois então – comentou Jack – esse aqui é o Vitória. Foi construido nesse século e é uma grande preciosidade. Barco forte, aguenta qualquer ventania e mar revolto. Pra vocês, que são precipiantes, é perfeito.

Jonas e Zac observaram o barco e se entreolharam.

– Muito bom – falou Jonas – então, podemos ficar com este?

– Sim, claro – respondeu Jack – só tomem cuidado com meu barco – recomendou ele – Vitória é como uma filha pra mim.

– O senhor pode ficar sossegado – respondeu Zac – tem a nossa palavra.

– Boa sorte então – falou Jack, sorrindo.

– Obrigado, capitão – falou Barata – em breve estaremos de volta!

– E com a Vitória! – completou Brian.

****************

Mais tarde...

No mar.

Enquanto Barata conduzia o barco e Jonas o auxiliava, Zac, Brian e Verônica conversavam, sentados, no centro do navio.

– Então, quer dizer que existe mesmo essa história de tesouro – comentou Verônica.

– Não é história, princesa – respondeu Brian – existe sim.

– Brian – falou ela – eu não sou princesa. Isso tudo, na verdade, foi um grande mal entendido.

– Como assim? – indagou ele, chocado – como assim você não é princesa?

– Eu menti – confessou ela – sei que devo desculpas a vocês, mas eu não queria causar tanta confusão.

Brian fitou-a, perplexo.

– E o Djonas? Ele já sabe disso?

– Já – respondeu ela – ele já tá sabendo sim. Foi o primeiro, aliás.

Zac suspirou.

– Cada dia uma emoção nova... – zombou ele – quer dizer, então, que eu ia me dar mal de qualquer forma com o Herval?

– Existe, sim, uma princesa – explicou Verônica – mas não sou eu. Mas eu convivo com ela no castelo.

De repente, apareceu Jonas.

– E então? – quis saber ele – sobre o que estão falando?

– Tá sabendo, Djonas? – indagou Brian – ela não é mais princesa. E só agora que eu tô sabendo disso.

Jonas fitou Verônica. Em seguida, fitou Brian.

– Aconteceram muitas coisas – comentou ele com o amigo – a gente esqueceu de contar.

Brian fitou Jonas.

– E você não acha, então, que deve também contar a verdade pra ela, man?

– Que verdade? – indagou Verônica, fitando-os – do que vocês estão falando?

Jonas não respondeu. Apenas fitou o amigo.

– Não somos mercadores, princesa – falou Brian – digo, Verônica. Na verdade, somos ladrões. Isso mesmo. Roubamos as coisas dos outros.

Verônica ficou pasma.

– O que? – indagou ela, fitando o namorado.

– Verônica, eu posso explicar... – murmurou Jonas.

– Ladrões? – indagou ela, chocada, levantando-se.

– Eu te avisei, Djonas – comentou Brian.

– Cala a boca – mandou o amigo, enquanto ia atrás da namorada, que a essa altura já havia se afastado, chateada – Verônica, eu posso explicar...

– Fique longe de mim! – gritou ela.

– Será que podemos conversar? – insistiu ele.

– Não quero mais ouvir nada. Já entendi tudo.

– Eu posso te explicar, ok? Você não tá me dando nem esse direito...

– Explicar o que? Que você se diverte roubando os outros? É isso?

– Ah – resmungou ele, procurando as palavras certas – não é bem assim... eu não faço isso por querer. Quer dizer, não é que eu goste ou desgoste... é que eu acostumei com isso, sabe? A viver assim.

– Sei... e deve achar muito legal. Muito digno.

– Acho, não... quer dizer, não, claro que não acho. É por isso que eu quero mudar de vida, sabe? Quero parar de roubar, de fugir dos outros, de arranjar confusão por aí afora... e eu vou conseguir aquele tesouro e vou mudar de vida. Você vai ver. Mas poxa, tenta me entender também.

– Entender um ladrão? – zombou ela – ah, faça-me o favor.

– Ah, mas e você? – indagou ele – você também não é nenhuma santa não. Você mentiu pra mim o tempo todo dizendo que era princesa. Quer se fazer de ingênua agora por quê?

– Mas eu... eu, pelo menos, não sou nenhuma fora da lei!

– Mas é uma mentirosa! Uma pecadora de qualquer forma!

– Ah, me deixe em paz!

– Deixo! Te deixo em paz! E quer saber? Acho melhor mesmo. Se tá com raiva, que fique! Não tô nem aí então!

– Que bom mesmo! E você esqueça que eu existo!

– Eu vou esquecer! – gritou ele, antes de se afastar.

– Estúpido!

***************

À noite.

Enquanto o barco navegava sozinho, através do leme de vento, Brian, Verônica e Barata conversavam sentados, distraídos. Jonas estava em pé, encostado num dos mastros, olhando a noite, pensativo. Zac estava debruçado no barco, enquanto olhava o mar.

– Vamos em breve nos aproximar das sereias – comentou Zac, fitando Jonas – precisamos nos preparar. Tem alguma ideia?

– Isso de sereia não é um mito não? – indagou Barata, de repente, enquanto comia alguma coisa.

– Mito? – retrucou Brian – homens já foram encantados por elas e nunca mais voltaram para suas casas. Todos morreram afogados.

Barata arregalou os olhos.

– É sério? – indagou o grandão – e o que vamos fazer?

Zac fitou Jonas, que continuava calado e pensativo.

– Tenho uma ideia – respondeu Jonas, de repente – precisamos de cordas. Muitas cordas – e fitando Barata e Brian – procurem as cordas pra gente. Precisamos de todas que encontrarem.

– Certo – respondeu Brian, levantando-se rapidamente. Barata levantou-se em seguida e foi atrás do guru.

– Qual é o plano? – indagou Zac.

– Vamos ter que ficar amarrados aqui no mastro – respondeu ele – e quando passarmos pelas sereias, elas vão cantar, mas nós não vamos conseguir nos jogar no mar, pois vamos estar presos.

– Certo – concordou Zac – ótima ideia... vou procurar cera também.

– Pra que? – indagou Jonas.

– Pra pôr nos ouvidos – respondeu Zac – assim a gente escuta menos o canto delas.

– Sério?

– Pois é – respondeu Zac – aprendi com meu pai – e se afastou.

Jonas, então, se viu sozinho com Verônica.

– E eu, o que faço, capitão? – indagou ela, com ironia.

– Senta aí e assista ao show – zombou ele, se afastando.

– Engraçadinho – respondeu ela, com os braços cruzados.

***************

Depois...

Enquanto Jonas dava voltas e voltas para amarrar Brian com firmeza, Barata fazia o mesmo com Zac.

– E vocês acham que isso vai dar mesmo certo? – indagou Verônica, fitando-os.

– É nossa única chance – respondeu Jonas, dando nós em volta do amigo – só precisamos estar bem amarrados, e quando as sereias aparecerem, não vamos conseguir nos soltar do mastro e pular no mar.

– Jonas tem razão – falou Zac – como não vamos impedi-las de nos encantarem, vamos ter que ficar bem firmes aqui nos mastros. E as cordas vão, pelo menos, nos manter presos, em segurança, e amarrados não vamos conseguir pular no mar e morrer.

– Me amarrem agora – gritou Barata, ficando aflito – me amarrem, pelo amor de Deus!

Barata sentou-se, encostado em outro mastro, e Jonas, então, passou a amarrá-lo. Verônica apenas observava. Zac e Brian já estavam devidamente amarrados e seguros, mas mesmo assim, estavam receosos. Brian principalmente. Suava sem parar.

– E você, Jonas? – indagou Verônica, preocupada – quem é que vai te amarrar?

Os outros se entreolharam. Jonas virou-se, e fitando-a.

– Você – respondeu ele.

– E-eu? – balbuciou ela – tá maluco? Eu não sei se é uma boa ideia... eu não sei amarrar tão forte assim. Você tem certeza disso?

– Você consegue – respondeu ele, enquanto dava os nós em volta de Barata.

– Não tem um outro jeito? – indagou Verônica – eu posso não conseguir amarrar direito...

– Não tem outro jeito – respondeu ele, sentando-se – vem e me amarre.

Insegura, Verônica pegou a corda que ele ofereceu e começou a rodeá-lo, seguindo as instruções dele.

– Tente usar mais força – pediu Jonas, enquanto ela o amarrava.

– Eu não consigo – respondeu ela, nervosa – tá vendo? Eu disse que não ia conseguir, que não era uma boa ideia... eu não consigo amarrar tão forte assim.

– Você consegue – respondeu ele – só tente usar mais força... toda a força que puder.

Esforçando-se mais, ela apertou a corda em volta dele.

– Isso – continuou ele – tá indo bem. Continue assim.

– Tem certeza que tá bom? – indagou ela.

No fundo, ele sabia que não era o bastante, mas não podia exigir mais dela. Afinal, ela já havia dado tudo o que podia.

– Tá ótimo – continuou ele – agora dê o nó.

Suspirando, muito receosa, Verônica deu alguns nós em volta dele.

– Assim? – indagou ela.

– Isso – respondeu ele, antes que ela terminasse, e suspirando, preocupado – agora seja o que Deus quiser.

– Tem mais alguma coisa que eu possa fazer? – indagou ela, fitando-os, amarrados.

– Eu gostaria de um lanchinho – comentou Barata, nervoso, fazendo Zac e Brian gargalharem – nada grande, Veroquinha. Apenas uma maçã ou um pão.

Verônica riu, ainda nervosa. Em seguida, fitou Jonas.

– Tudo bem?

– Tudo bem – respondeu ele – não se preocupe. Vai dar tudo certo.

– Ok.

– Não se assuste quando as sereias aparecerem, ok? – continuou Jonas – fique calma. Elas não vão te fazer nada. Só vão rodear o barco e cantar.

Ela balançou a cabeça, concordando, mas um pouco nervosa. Aliás, um pouco não. Ela estava muito nervosa.

– Certo.

– Nos deseje boa sorte, princesa – pediu Brian, tenso.

– Boa sorte.