Verônica andava atrás dos rapazes, quando, de repente, foi agarrada por alguém. Com o grito dela, os três rapazes olharam para trás. Verônica estava sendo agarrada por um rapaz de capuz preto. O mesmo do bar. Havia uma faca apontada para o pescoço dela.

– Eu quero que os três joguem as armas aí no chão – falou o rapaz do capuz – agora!

– Eu não estou brincando – continuou o rapaz do capuz, sério – joguem essas malditas armas no chão agora! E se tentarem alguma gracinha, ela morre.

Jonas, então, tirou a espada da cintura e a jogou no chão. Os outros dois fizeram o mesmo com suas facas, punhais e pedras.

– Certo – continuou o rapaz do capuz – agora podemos negociar... eu tenho uma proposta pra fazer a vocês.

Silêncio.

– Que tipo de proposta? – quis saber Jonas, fitando o desconhecido.

– Bom – falou o rapaz do capuz – eu sei que vocês estão em busca do tesouro nunca encontrado. Eu posso ajudar...

– Se a gente te deixar levar a princesa – concluiu Jonas.

– É uma proposta justa, não acha? – continuou o rapaz – lamento, mas eu preciso desta princesa.

– Nada feito – respondeu Jonas, fitando o desconhecido – como assim você precisa dela? Ela não é nunhuma mercadoria ou coisa do tipo.

– O príncipe Herval me encubiu de pegá-la – explicou o rapaz – não posso voltar sem ela. Senão é a minha cabeça que vai rolar.

– Azar o seu – respondeu Jonas – ela fica com a gente. Você, que dê o jeito de se acertar com esse príncipe aí.

– Não está facilitando as coisas pra mim – falou o rapaz – estou tentando ser flexível. E justo.

– E como vamos saber mesmo que você tá falando a verdade e não tá blefando? – falou Brian, fitando o rapaz de capuz – não somos idiotas, como você pensa.

– Eu sei onde fica essa torre que vocês procuram... onde o tesouro está escondido – respondeu o rapaz – e tenho a outra parte do mapa também. Como podem ver, posso realmente ajudar.

– Não precisamos da outra parte do mapa – respondeu Jonas – já temos o mapa decifrado e isso já basta. Por que não larga a princesa de uma vez e some da nossa frente?

– Eu vou – respondeu o rapaz, dando passos para trás – mas ela vai comigo.

Por um momento, Jonas ficou sem saber o que fazer. Só olhava o desconhecido se afastar com Verônica. Arisco, ele olhou para a espada, que estava no chão.

– Nem pense nisso – avisou o rapaz de capuz, com a faca apontada para o pescoço da suposta princesa. Até que, de repente, um barulho vindo de uma árvore fez com que o desconhecido se assustasse por um momento e olhasse para cima. Verônica, então, num impulso, deu-lhe uma cotovelada forte no peito do rapaz e desvencilhou-se dos braços dele. Gemendo de dor no chão, o rapaz de capuz se viu na mira de Jonas e de sua espada.

– Levante-se – falou Jonas para o desconhecido.

Levantando-se devagar, o rapaz também levantou os braços, como forma de redenção.

– Agora quem dita as regras aqui sou eu – anunciou Jonas para o rapaz, e virando-se pra Brian – amarre-o.

– Eu não queria confusão – falou o rapaz de capuz, enquanto era amarrado por Brian – tentei ser justo com vocês.

– Justo? – zombou Jonas – com uma faca apontada para o pescoço de uma mulher? Você é um covarde. Isso sim.

– Como eu disse – defendeu-se o rapaz – eu fui obrigado. Se eu voltar sem ela, vou ser um homem morto.

– Vai ser um homem morto de qualquer jeito – respondeu Jonas, ainda com a espada apontada para o estranho – lá, aqui, tanto faz.

– Jonas... – murmurou Verônica – tem necessidade de matá-lo? Acho que podemos só prendê-lo...

– Bela cotovelada, princesa – comentou Jonas, fitando-a rapidamente, com a espada apontada para o desconhecido – onde aprendeu isso?

– Não aprendi – respondeu ela – só cansei de bancar a donzela indefesa.

– Deu certo – respondeu ele, voltando a fitar o desconhecido.

– O que vamos fazer com ele, então, Djonas? – quis saber Brian.

– Ele vai com a gente – respondeu Jonas – e vai nos mostrar o caminho do tesouro.

– Como assim ir com a gente? – quis saber Brian – tem certeza, man?

– Claro que tenho – respondeu Jonas, abaixando a espada e guardando-a novamente na cintura – vamos usá-lo como guia.

– Agora estou me lembrando de você – falou Verônica fitando o rapaz, que já estava amarrado – você é o rapaz misterioso que correu atrás de mim no bar.

– Olha só – falou Barata – é mesmo... o ratinho de esgoto, né?

– Qual é o seu nome? – perguntou Jonas ao desconhecido.

– Zac – respondeu o rapaz do capuz – meu nome é Zac.

– Então, Zac, bem vindo ao bando – zombou Jonas – agora ande na frente, para que eu possa vê-lo melhor. E como eu já disse, você vai nos levar até o caminho do tesouro.

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À noite.

O grupo resolveu parar para descansar.

– Não vai dar tempo de chegarmos hoje – comentou Jonas – vamos ter que fazer uma fogueira e ficar por aqui mesmo.

– Por mim, a gente continua a caminhada – comentou Zac.

– Ninguém te perguntou nada – respondeu Brian, fitando o prisioneiro, e depois fitou Jonas – man, tem certeza que foi uma boa ideia trazer esse cara com a gente?

– Claro que tenho, Brian – respondeu Jonas – agora, vamos, me ajude a procurar madeiras pra fogueira – e virando-se pra Verônica – fica de olho no chapeuzinho preto pra gente, ok? Qualquer coisa, é só gritar.

– Ok – respondeu ela, fitando Zac, que estava amarrado.

E enquanto os três preparavam a fogueira, Verônica vigiava o prisioneiro.

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Mais tarde.

Enquanto eles se aqueciam diante da fogueira, Barata teve uma brilhante ideia.

– Quem quer ouvir histórias? – perguntou ele.

– Depende de quem vai contar – respondeu Brian, emburrado.

– Cada um conta uma, ora – falou Barata, entusiasmado.

– Lamento – falou Verônica – mas eu não sei bem contar histórias...

– Então só escuta – respondeu Barata – ok... eu vou ser o primeiro.

Zac, então, fez uma careta, como quem já estava de saco cheio. Todos ficaram calados, atentos ao que Barata ia falar.

– Era uma vez um cavalo sem cabeça – começou Barata, falando alto e gesticulando.

– Não é mula, não? – perguntou Jonas, interrompendo – eu conheço mula sem cabeça.

– Não, essa é cavalo mesmo – respondeu Barata, antes de continuar – e então, um dia, ele encontrou uma moça na floresta...

– Cavalos na floresta? – resmungou Zac, fazendo muxoxo – tá brincando...

– Posso terminar de contar? – perguntou Barata, ficando impaciente.

– Sim, mas você nem começou ainda – resmungou outra vez Zac, fechando os olhos, indiferente.

– Se você me deixar... – falou Barata, e continuou – ele encontrou a menina...

– Não era moça? – perguntou Brian, também virando os olhos, de saco cheio.

– Isso – respondeu Barata – moça, menina... tudo a mesma coisa... e então a menina viu a mula sem cabeça...

– Achei que fosse cavalo – comentou Jonas, jogando mais pedaços de madeira na fogueira.

– Mas meu Deus do céu! – explodiu Barata – vocês não me deixam contar!

Jonas e Brian caíram na gargalhada.

– Ah, parem com isso – falou Verônica para os dois – deixem ele continuar... vai, Barata, continue.

– Esquece, Veroquinha – falou Barata, com uma cara de criança contrariada – já até perdi a vontade... então, quem é o próximo? Vai você, ratinho de esgoto.

– Meu nome é Zac – respondeu o rapaz de capuz, com a cara fechada, sem querer muito papo.

– Ui – zombou Barata – o nome dele é Zac, é Zac... brincadeirinha... vai, Zac, conta a história então.

– Não vou contar história nenhuma – respondeu Zac – eu passo a minha vez.

– Ok – falou Barata – Zac passou a vez... quem vai agora?

– Eu vou – falou Jonas, ainda perto da fogueira – e se preparem porque essa história é de terror – falou ele, fazendo voz assustadora.

– Oh, man – falou Brian, mexendo-se, de repente – não acha que é muito tarde pra esse tipo de história, não?

Zac, então, encarou Brian.

– Que foi? Tá com medo? – perguntou o rapaz do capuz.

– Não, claro que não – respondeu Brian, inseguro – mas não acho que seja o momento oportuno pra isso...

– Fiquem quietos – falou Jonas – vou começar... era uma vez um tesouro escondido num castelo mal assombrado... e muitos bravos guerreiros se arriscavam tentando invadir o castelo e pegar o tesouro... mas era difícil porque no castelo assombrado também havia um enorme e perigoso dragão...

– Oh, minha nossa – sussurrou Barata, tapando a boca com a mão.

– E nenhum guerreiro conseguia voltar vivo de lá – continuou Jonas, fazendo voz de suspense.

– Bobagem – resmungou Zac, com os olhos fechados.

Brian e Barata permaneciam com os olhos atentos. Veronica achou graça dos dois e orgulho de Jonas.

– E então – continuou Jonas – os bravos guerreiros tiveram uma grande ideia...

– Que ideia? – perguntaram Brian e Barata, ao mesmo tempo.

Jonas calou-se, fazendo ar de suspense.

– Que ideia, Djonas? – perguntou Brian – fala, man.

– É, que ideia? – quis saber Barata.

– Querem saber?

– Quero – responderam os dois outra vez juntos.

– Vocês vão saber no próximo capítulo – respondeu Jonas – que agora eu vou dormir...

– Ahhhh – responderam Brian, Barata e Verônica, decepcionados. Zac permaneceu indiferente a eles.

– Ah, man, assim não tem graça – resmungou Brian.

– Estou com sono agora – falou Jonas, deitando-se – o dia foi intenso – e puxou Verônica para perto de si.

– Me diz uma coisa – falou ela, se aconchegando no peito dele – nessa sua história não vai aparecer nenhuma bela donzela indefesa, não?

– Claro que vai – respondeu ele, beijando-a – aguarde.

E enquanto Jonas e Verônica namoravam, os outros deitavam, pensando em dormir. E depois de um tempo, todos adormeceram.

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