Uma Aventura de Amor
1 Capítulo 1
Século XV. Verônica trabalhava no castelo. Era uma das damas de companhia da princesa Pamela. Inclusive era sua dama favorita e melhor amiga também. A princesa estava noiva do príncipe Jerome e estava muito animada com o casamento, que se realizaria dali a algumas semanas. Herval, princípe do reino rival, tinha planos de casar-se com a princesa Pamela e, assim, poder dominar dois reinos. Mas para isso, ele precisava sequestrá-la. E ele não tinha muito tempo. Mandou, então, seu capataz Zac fazer o serviço.
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Certa manhã, quando Verônica entrou no quarto de Pamela para acordá-la, como sempre fazia nas manhãs, surpreendeu-se ao vê-la já de pé.
– Bom dia! – falou Verônica, sorrindo – olha só... tô vendo que hoje você acordou bem disposta.
– Verônica! – falou Pamela, eufórica – ainda bem que você chegou! Preciso que você vá à cidade pra mim e me faça um favor!
– Como assim ir à cidade? – falou Verônica – você sabe que não é uma boa ideia. Seu casamento está chegando. Temos muito trabalho a fazer aqui no castelo. Preciso ajudar as criadas com o buffet.
– Por favor, Verônica! Eu só confio em você! Você é minha melhor amiga, sabe disso! Hoje eu e Jerome marcamos de nos encontrar.
– Pamela, de novo? Você está se arriscando muito. Se seu pai descobre que vocês estão se encontrando às escondidas, vai ficar furioso. Pra que tanta pressa, se o casamento é logo daqui a algumas semanas?
– Eu sei, Verônica, eu sei. E é por isso que preciso que você leve um recado meu a Jerome. Vou dizer a ele que precisamos nos aquietar um pouco e esperar até o casamento. Por favor, Verô, faça esse favor por mim! Encontre Jerome pessoalmente e dê o meu recado a ele.
– Ai, Pamela – suspirou a amiga – o que eu não faço pela nossa amizade...
Pamela pulou – Verônica! Você é a melhor! A melhor!
– A mais boba, isso sim – respondeu Verônica, contrariada – que sempre se arrisca e se mete nas confusões por causa de você.
– Oh, dear – falou Pamela, abraçando a amiga – eu adoro você! É a minha melhor amiga! Você sabe. A única em quem eu confio.
– Tá, Pam, tá bom, eu vou.
– Oh, great!
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Verônica precisava ir à cidade encontrar Jerome, mas achou melhor cortar caminho e ir pelo bosque. Na verdade, sabia que não era a coisa mais sensata a fazer, pois o bosque estava cheio de animais selvagens e de homens fora da lei, mas era muito ansiosa para esperar o dia clarear, e se fosse à cidade pelo caminho mais seguro, levaria horas e horas para chegar até lá, já que estava indo a pé. “Calma, Verônica, não vai acontecer nada” – pensou ela, tentando manter o pensamento positivo. “Vai ser rápido. Você vai atravessar esse bendito bosque, chegar na cidade, entregar o recado a Jerome e voltar sã e salva para a casa”. Era tardezinha. O sol ainda brilhava no céu. Verônica entrou no bosque e rezou para não encontrar nenhum estranho ou nenhuma besta fera pelo caminho.
ALI PERTO...
Jonas estava deitado, embaixo de uma árvore, descansando, à vontade, enquanto seu amigo Brian não parava de falar, andando de um lado pro outro – A gente não devia ter feito aquilo, man. Agora já era... vão nos caçar até a morte... a gente não tem mais chance... oh, my God, Djonas.
– Brian, calma... me faz um favor, tá? Para de falar um pouco. Senta aí e descansa. Amanhã é outro dia. Amanhã a gente vê o que faz com a grana do cara. Hoje vamos pensar em descansar e depois dar o fora daqui.
Brian sentou-se ao lado do amigo e falou:
– Djonas, eu realmente torço para que você esteja certo. Quer saber de uma coisa? Vou tirar um cochilo. Essa aventura de hoje acabou com as minhas energias.
– Boa ideia – respondeu Jonas – melhor que ficar aí, nervoso, falando e andando de um lado pro outro. Eu também vou dormir.
E quando se deram conta, ambos caíram no sono...
ENQUANTO ISSO...
PERTO DALI...
Já fazia uma hora que Verônica não conseguia sair do bosque. Andava, andava, andava e nada. Andava de um lado para o outro e não conseguia avistar a estrada. Será que havia esquecido o caminho? Não era possível. E agora? O que ela faria, sozinha e indefesa? Verônica tentou manter a calma, não podia se desesperar. Afinal de contas, dali a pouco a noite chegaria e ela precisava sair daquele bosque antes do anoitecer. Ela respirou fundo e continuou andando. Viu dois caminhos contrários e pensou para onde seguir, até que resolveu seguir o caminho da esquerda. Caminhou um pouco, até avistar uma...
– COBRA!!! – gritou ela, desesperada, e o instinto a fez subir na rocha mais alta que pôde.
ENQUANTO ISSO...
PERTO DALI...
Jonas despertou, assustado.
– Ouviu isso ? – perguntou ele, olhando em volta.
– Hã... o quê? – respondeu Brian, acordando.
– Um grito. Eu ouvi um grito – respondeu Jonas, levantando-se – parecia uma mulher.
– Djonas? Aonde você vai? Fica quieto aí, man. Para de procurar confusão.
– Alguém pode estar precisando de ajuda, Brian. Vem. Levanta.
– Djonas, e se for uma armadilha? Você e essa sua maldita curiosidade. O seu mal é esse, man – falou Brian, enquanto o amigo se afastava – Djonas — sussurrou Brian, amedrontado — volte aqui. Djonas...
Jonas andou, andou, até avistar uma mulher. Ela era jovem, bonita, e estava visivelmente assustada... e como ela era bonita.
– Me ajude, por favor... – sussurrou ela, assim que o avistou.
– Calma – falou ele, avistando a cobra – Fique parada aí. Não se mexa.
– Eu tô com medo...
– Eu tô chegando... confia em mim.
A moça, então, fechou os olhos e tentou se acalmar, enquanto ele pegou um pedaço de pau dali de perto mesmo e se aproximou, lentamente, do animal. Jonas, então, sem dó nem piedade, deu uma paulada certeira na cabeça da cobra, que ainda tentou reagir e mordê-lo. Verônica gritava, desesperada, ao assistir a cena. Jonas, então, conseguiu dominar o bicho e matá-lo.
– Oh, meu Deus – gritou ela, aflita – oh, meu Deus!
– E então? – surgiu Brian, de repente, agitado – o que aconteceu? – e olhou para a cobra morta no chão – ah, uma cobra.
Jonas, então, virou-se para a mulher.
– Você tá bem? Pronto. Essa cobra já era.
– Estou – respondeu ela, ainda em choque – eu estou bem... obrigada.
– Me dê a sua mão – falou Jonas, esticando a mão para ajudá-la a descer, já que ela estava em cima de uma rocha alta. Ainda assustada, ela tentou esticar a mão para segurar a dele, mas se desequilibrou e caiu... mas ele a segurou.
– Pronto – falou ele, segurando-a – não sei se você reparou, mas em menos de dez minutos, essa é a segunda vez que eu te salvo.
– O-obrigada – respondeu ela, se desvencilhando dele – bom... – falou ela, ajeitando o vestido – eu já estou bem. Mais uma vez, obrigada.
Os dois amigos a observavam.
– Mas me diz uma coisa – falou Jonas – o que uma moça sozinha faz aqui no meio desse bosque uma hora dessa?
– Bom, eu tô... eu tô perdida – respondeu ela – oh, mas deixe-me apresentar... meu nome é Verônica – falou ela, esticando a mão pra ele.
– Jonas – respondeu ele, apertando a mão dela – e esse aqui é o Brian.
– Brian Benson – corrigiu o amigo, como se sobrenome dele fizesse alguma diferença.
– E o que você faz aqui, Verônica? – quis saber Jonas — não sabe que é perigoso uma moça sozinha passear no meio do mato?
– Estou procurando a estrada – respondeu ela – preciso chegar até à cidade.
– Que coincidência – comentou Jonas – também estamos indo pra cidade.
– Mesmo? – perguntou ela.
– Djonas, o que você tá inventando, man? – confidenciou Brian, com cara amarrada, não gostando nada da ideia do amigo.
– Bom, eu preciso ir agora – respondeu ela – boa viagem pra vocês.
– Boa viagem – respondeu Jonas – e cuidado com as cobras.
Verônica parou na mesma hora.
– C-cobras?
– É, ou você acha que essa que eu acabei de matar foi a única residente nesse lugar? Bom, de qualquer forma, boa sorte pra você. Vamos, Brian – falou ele, virando-se.
Os dois rapazes seguiram seu caminho e Verônica não soube o que fazer.
– Esperem! – gritou ela, indo atrás deles — por favor, esperem!
– Ah – murmurou Brian – pronto... era só o que faltava...
– Relaxa, man – falou Jonas, seguindo em frente.
– Djonas, ela pode atrapalhar os nossos planos. Você parece que não pensa.
– Esperem! – gritou ela, tentando alcançá-los.
Eles pararam e ela os alcançou.
– Pois não? – indagou Jonas, com a cara mais simpática do mundo.
– Bom – falou Verônica, esbaforida por ter corrido – eu estava pensando... será que eu posso ir com vocês? Eu não vou atrapalhar. Juro.
Jonas voltou-se pro amigo.
– O que acha, dude?
– Não é uma boa ideia, Djonas. Não mesmo.
– Eu não sei – falou Jonas para Verônica – a gente tem uma vida agitada, sabe... digamos, bem arriscada, até. Cheia de emoções, aventuras, não sei se você se adaptaria...
– Olha, eu posso pagar a vocês – falou ela, abrindo a bolsa – tenho muito dinheiro aqui comigo.
– Você é do castelo? – perguntou Brian, surpreso.
– Sim, eu sou – respondeu ela – eu sou uma... uma princesa.
Os dois amigos se entreolharam.
– Uma princesa? – perguntou Jonas – e o que uma princesa do castelo faria aqui no meio desse bosque?
– Preciso entregar um... quer dizer... preciso encontrar uma pessoa... na cidade.
– Você fugiu? – perguntou Brian, arregalando os olhos.
– Não – respondeu ela – quer dizer... mais ou menos.
Brian, então, chegou perto do amigo e confidenciou:
– Man, vamos dar o fora... uma princesa no nosso pé só vai atrapalhar... e se acharem que a sequestramos? Vamos ser condenados à forca, Djonas!
– Eu juro que não vou atrapalhar vocês – falou Verônica, sentindo a apreensão deles – nem prejudicar... assim que chegarmos à cidade, eu sigo o meu caminho e vocês seguem o de vocês.
– Não sei... – falou Jonas, pensativo.
– E vocês ainda vão ter a recompensa por me ajudarem — falou ela — o que vocês acham?
Os dois amigos se entreolharam mais uma vez, pensativos. Dinheiro era dinheiro. E eles adoravam dinheiro.
– Sendo assim – respondeu Jonas – tudo bem. A gente te leva até a cidade. Em troca, você nos paga cinquenta pratas.
– Cinquenta pratas? – falou ela, chocada – mas isso é muito dinheiro! (que roubo, ela teve vontade de falar) Eu pago dez pratas a vocês.
– Dez pratas – zombou Brian – isso é pouco demais. Que graça. Ficaria 5 pra cada um. Dinheiro é dinheiro, alteza.
– Vinte pratas – ofereceu ela – vinte pratas então. Não tá bom pra vocês? Dez pra cada um.
– Ainda é pouco – respondeu Jonas – Quarenta pratas e não se fala mais nisso. Vinte pra cada um de nós. É pegar ou largar.
– Isso aí – concordou Brian – pegar ou largar.
Verônica, então, pensou um pouco. Não tinha muita escolha. Ou seguiria com eles ou correria o risco de não voltar mais viva pro castelo.
– Está certo – concordou ela – quarenta pratas. Vinte agora e as outras vinte só quando chegarmos.
– Fechado – respondeu Jonas, esticando a mão pra ela, que apertou.
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