Uma Aposta no Dia dos Namorados
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Sandro Lima e Sandro Costa. Dois amigos diferentes, porém, bem próximos. Se conhecem desde pequenos. São praticamente irmãos.
Mas não são só eles. Tem também o amigo mais próximo dos dois. Leandro Martins. Sempre andou com os dois. Com ele, os três viviam momentos divertidos e animados. Só tem uma coisa que os diferenciavam, alem de suas aparências.
Sandro Lima é um cara humilde, educado, sempre pensando no bem estar do outro, nunca faz as coisas precipitadas, mas também gosta de se divertir, mas da sua maneira.
Sandro Costa já é um rapaz mais solto, descolado, completamente despreocupado com a vida, e gosta muito de sair em uma balada e “ficar com a minas” como ele gosta de dizer.
Leandro também é que nem o Costa. Mas consegue ser pior que ele. Sempre tenta induzir o Lima a “entrar na onda” e fazer coisas que Lima considera contra a sua vontade. Mas mesmo assim, Leandro o respeita como ninguém, mas é por justamente por respeita-lo que ele tenta trazer o Lima para uma vida deferente, já que ele não vai na balada junto de seu colega e chara.
E na véspera do dia dos namorados, eles conversavam sobre o assunto.
- Eae Sandro? Vai passar o dia dos namorados com quem? – Pergunta Lima para o Costa.
- Nhar, sei lá! É só eu chegar numa mina e chamar ela para passar o dia inteiro comigo! – Respondeu Costa.
- Mas e você Sandro? Ainda não encontrou a sua “alma gêmea?” – Pergunta Leandro fazendo aspas com os dedos, de uma maneira debochada.
- Essas coisas não se “acham” não. Tem que ter paciência. Não é você encontrar uma garota e “PÁ” ela é a garota dos seus sonhos. – Respondeu Lima.
- Se continuar assim, o dia dos namorados pra você vai ser o único dia que você vai querer comemorar. Eu não saberia o que fazer se eu estivesse sozinho amanhã! – Indagou Costa.
- A varias coisas a se fazer em casa. Como ver filmes, jogar um pouco, arrumar a casa... – Dizia Lima contando todas as coisas a se fazer.
- Tudo uma chatice. – Falou Leandro. – E outra! Tudo isso que você falou você faz no seu dia a dia!
- Isso só mostra que o dia dos namorados é como qualquer outro. – Falou Lima naturalmente, fazendo os dois amigos rirem caçoado da cara dele.
- Tá falando sério? Você é o único aqui que não pegou nenhuma garota, ainda mais beijou uma! Não sabe o que tá perdendo cara – Falou Leandro tentando parar de rir.
- Oras, vocês são tão roda presas! Nem sei porque eu ando com vocês! – Indagou Lima.
- É porque você sempre fica de olho na gente para que nada saia do controle! E alem do mais, estamos com uma pilha de dividas com você! – Falou o Costa sinceramente.
- Ah, é mesmo. – Falou Lima ao perceber – Mas eu não espero nada de vocês. Até por que se eu esperasse vocês já teriam me pagado aquele lance.
- Ahr – Os dois se lembram e logo pensam em uma desculpa.
- Não precisam inventar desculpa nenhuma. Eu sei que vocês não vão me pagar tão cedo. Então podem esquecer. – Falou Lima por fim.
- Cara... É por isso que eu sou amigo dele! – Falou Leandro. Costa apenas concordou.
Os três estavam a caminho da casa de Costa. E quando chegam lá, já ficam à vontade.
- Ei? Quem é aquela ali? – Pergunta Leandro encostado no portão, forrado de grade, na própria casa.
- Quem? – Costa chega no amigo para verificar – Ah, ela é vizinha daqui do lado.
- Vizinha muito da gatinha ela é! – Afirmou Leandro.
- O que? – Lima ouviu sem querer.
- Aqui ô! Uma gatona!
- Deixar eu ver! – Lima curioso acabou indo conferir também.
A garota estava na porta de casa, conversando com sua amiga no lado de fora, e de vez em quando, dava uma olhadinha na casa onde se encontravam os três.
- Ela é bonita mesmo. – Afirmou Lima com todo o respeito.
- Quê isso meu jovem? Tá inteiriçado nela? – Pergunta Leandro com malicia. Lima solta uma bufada cansado antes de responder
- Não é nada disso ô bestão! É só que... Ela é bonita e eu tenho que admitir.
- Heh já sei com quem eu vou sair no dia dos namorados...! – Falou Leandro focado na garota.
- Olha... Fica esperto...! – Avisou Costa – Fique você sabendo que ela não é daquelas oferecidas que você sai na gandaia à noite.
- É? E como você sabe disso meu caro?
- Por que ela vai pra Igreja!
- IGREJA?! – Disseram Lima e Leandro ao mesmo tempo.
- Suas chances se despencaram véio! – Falou Lima para Leandro.
- Despencaram coisa nenhuma. Aprenda uma coisa meu caro! Dependendo da mulher, você trata ela da maneira que ela queira. Com uma garota de Igreja é o mesmo. No inicio, você a trata como uma princesa. Depois, você usa sua carta, e ela vai te querer todinho, todinho! – Falou Lima.
- Hah! Duvido que você pega ela! – Falou Costa.
- Ah é? E por quê?
- Por que não é só ela, a família toda dela vai pra igreja. E o pai dela também. Eu de vez em quando os acompanho até lá. E ele é um cara gente fina, desde que não mexam com a filhinha dele!
- Xiiiiiiiiii cara. Essa eu voto no Sandro! – Falou Lima.
- Heh! Quer apostar? – Sugere Leandro.
- Oba! Aposta! – Falou Costa animado – Se depender de mim, ela vai ter o que ela merece! Ao contrario de você! – Falou pra Leandro.
- Heh, eu to te falando. Se eu ficar com a mina ela vai se converter logo, logo.
- Ei, mas peraê! – Se pronunciou Lima.
- O que foi? – Perguntaram Costa e Leandro.
- A garota é de igreja, certo?
- Sim.
- Então, para que essa aposta seja mais limpa, eu sugiro que seja ela a escolher um dos dois.
- Ah já vi tudo! – Falou Leandro – Vai ser que nem naqueles filmes. Nós vamos disputa pela garota para que ela escolha o mais dedicado e no final ela não fica com nenhum!
- É ai que tá meu caro. – Falou Lima – Para garantir que isso não aconteça, nós três vamos até a casa dela amanhã e vocês perguntam com qual dos dois ela quer sair, entenderam?
- Mas, e se ela não topa ir com nenhum dos dois?
- Ai a aposta já era. – Falou Lima como se fosse à coisa mais normal do mundo.
E enquanto os rapazes conversavam, a garota que estava conversando com sua amiga agora estava indo até a casa ao lado.
- Ei gente aquela mina tá vindo! – Falou Leandro.
- Com licença – Pediu a moça ao chegar no portão da casa de Costa. – Qual de vocês é o Sandro?
Os três apontam para Costa e Lima, ficando um pouco confuso para a garota.
- Ehr... Vocês dois são Sandro?
- Sim! – Responderam os dois juntos.
- Qual de vocês dois moram aqui?
- Eeeeeeeeeu! – Falou o Costa num tom de comemoração. O rapaz acompanha a garota e os três ficam conversando na frente da casa dela, enquanto Lima e Leandro discutiam sobre algo.
- Tô vendo que já perdi essa aposta. – Falou Leandro inconformado.
- Calma. Ela só tá conversando com ele por que eles são vizinhos. Talvez não influencie nada na aposta não. – Garantiu Lima.
A conversa de Costa com as garotas parecia simpática. Leandro desiste de saber do que eles estava falando, já que não dava para ouvir da casa do colega, e se ele saísse dela, poderia comprometer com a aposta. Então ele resolve entrar na casa e ficar jogado no sofá como ele fica na casa dele.
Mas Lima continua no portão, somente vendo a conversa rola naturalmente entre eles. Mas de repente Costa resolve entrar na sua casa.
- E aí? O que elas queriam? – Pergunta Lima curioso como sempre.
- Hã? Ah não é nada não. É só eu que tenho que pegar um negócio. – Respondeu Costa entrando em sua devida casa.
Como não sabia quando ia embora Lima ainda ficava no portão, encostado a grade. Gostava de olhar para a rua, mesmo que ela esteja deserta. A única movimentação que tem lá mesmo são as duas garotas que ainda conversavam.
Lima não pôde não olhar para elas também, apesar de só olhava por reflexo. Mas teve um momento que quando Lima olha para elas, a garota que mora na casa fica agindo como se estivesse tímida.
Lima estranhou isso. Como elas não tinham reparado muito nele, resolveu ficar olhando para elas se espera ter a mesma reação, ou se foi só impressão dele.
Mas a garota volta a olhar. E ainda deixava escapar um tímido riso. Parecia que ela estava sem jeito. Mas Lima não fazia ideia do que era.
Pensou que Costa avia falado sobre ele e Leandro, mas não tinha certeza disso. Apesar de Lima não ter interesse em nenhuma delas, gostava de deduzir coisas, por mais simples que sejam. E com a atitudes da garota, não era diferente.
A garota acaba a demorar, olhando para a casa de Costa, principalmente para Lima. Os dois ficam se encarando, como se quisessem saber o que o outro queria, apesar de que da parte da moça estava um pouco sem jeito, e não fazia questão de esconder isso. O que levanta mais suspeitas ainda para Lima.
- Chama o Sandro pra mim? – Falou a garota da sua casa. A distância não era tão grande assim, era bem do lado. Não precisavam gritar para falar com o outro.
- Diga! – Falou Lima brincalhão. E aproveita se tenta conseguir alguma resposta a atitudes estranhas dela.
- Você também se chama Sandro? – Pergunta à vizinha. Lima concorda com a cabeça como resposta. Quando a moça olha para a sua amiga ela repete o mesmo gesto que o rapaz.
- Sabrina tá aqui! – Avisa Costa ao chegar no portão com um pertence de Sabrina, o nome da vizinha.
Quando Costa entrega para Sabrina o rapaz volta, mas agora ficava no portão ao lado de Lima.
- Ei chara! Ela disse que te chamou de bonito. – Falou Costa, fazendo Lima corar de leve.
- Quê? Q-q-q-q-q-q-quando isso? — Pergunta Lima surpreendido ao saber disso. Desde que se lembra nunca se considerou bonito. E toda vez que alguém falava isso pra ele parecia que era de uma maneira educada ou que não queriam magoa-lo.
Os dois charas ficam olhando para as garotas, que elas faziam o mesmo enquanto olhavam para eles. E os gestos que Sabrina continuava a fazer ao olhar para Lima só o deixava mais curioso.
- Você quer falar comigo? – Pergunta Lima para saber logo o que ela tem. Sabrina o responde “não” com o dedo indicador, de uma maneira graciosa.
Depois de um tempo as garotas são chamadas pelo pai de Sabrina. As duas entram enquanto os Sandros ficavam lá no portão, esperando que ela saia de lá.
- Ei os irmão gêmeos de nome! Vai passar um jogo daqui a pouco. Vão ficar aí ou vão assistir? – Pergunta Leandro.
- Eu passo. Falou pessoal! Até amanhã! – Despediu Lima abrindo o portão indo embora.
- Ei! Não esquece que você é a nossa testemunha da aposta amanhã! Ouviu? – Lembrava Costa.
- Heh como em todas as apostas. – Recordava Lima se despedindo dos colegas com um aceno de costas enquanto ia embora.
No dia seguinte...
Sandro Costa e Leandro Martins se encontravam na casa de Sabrina. Os dois estavam vestido formalmente, já que não podiam fazer feio para a garota, ou pro pai dela se ele se manifesta-se. Eles também estavam com chocolates, bombons e um ramo de flores para entregar para a moça. Estavam também com o dinheiro da aposta em seus bolsos. E o vencedor o usaria para o encontro para pagar a conta ou o que poderiam comprar para ela no caminho.
Mas antes de tocarem a campainha, aguardavam Sandro Lima que estava atrasado.
- Desculpa pessoal! É que o trânsito tava horrível! – Justificou Lima.
- Ainda bem! Achei que não viria! – Reclamou Costa.
- Falando desse jeito, parece que são vocês que vão para um encontro. – Brincou Leandro. – Chega de pape e vamos que vamos!
Leandro vai até a porta e aperta a campainha. Depois volta a ficar ao lado de Costa até a moça abrir a porta.
- Nossa! O que temos aqui? Três rapazes elegantes na porta de minha casa? – Falou Sabrina mostrando estar impressionada.
- Nós estamos aqui para lhe fazer um convite. – Começou bem Costa.
- Gostaria de sair nesse dia dos namorados com um de nós dois? É só escolher! – Falou Leandro formalmente.
- Já pensou se ela marcou de sair com alguém hoje sem a gente saber? – Pensava Lima.
- Deixa eu ver se entendi? Posso ir ao encontro... No dia dos namorados... Com o Sandro ou o Leandro?
- SIM! – Os dois responderam animados.
- Bem... Então eu vou com ele! – Decidiu indo na direção dos dois, enquanto Lima torcia para que ela escolha Costa. Afinal, avia apostado nele. E combinaram por telefone que se o Costa ganhasse, eles dividiriam o dinheiro que ganhariam do Leandro.
- Vamos Sandro? – Perguntou a garota meigamente enquanto puxava Sandro pelo braço. O porém é que o Sandro que ela escolheu foi o Lima e não o Costa.
Lima estava fora da aposta. Ele não estava incluso para ser escolhido por ela. E é claro, Leandro e Costa ficam chocados com isso.
- MAS O QUÊ?! – Disseram os dois ao mesmo tempo. Não estavam acreditando nisso. Até se vestiram de uma maneira chique para ela, enquanto Lima estava somente usando sua roupa de sempre, porém, não muito chique e não muito fora de moda.
- É sério isso? – Pergunta Lima desconfiado.
- Aham! – Respondeu a garota meigamente.
- Bom! Nesse caso! – Lima vai até os colegas e estende sua mão para eles. – Paguem a aposta.
- O que?! – Indagou Leandro – Você nem tava na aposta! Não! Não valeu!
-Eu to liso agora. Vou precisar do dinheiro para o encontro. E outra! Eu apostei no Sandro! E como eu também sou o Sandro...! – Lembrou Lima.
- Vai! Passa pra cá! – Pediu Costa.
Leandro inconformado por perder seu dinheiro assim, acaba entregando para Lima o dinheiro da aposta.
- Então? Vamos? – Pergunta Sabrina enquanto interlaçava seu braço no de Lima, mostrando compromisso. Lima acaba ficando corado com isso, um pouco nervoso também, mais ele com certeza gostou.
- V-vamos! – Falou Lima quase gaguejando. Sabrina acha fofo o jeito que ele se encontrava. Não pôde deixar escapar um rizinho para Lima.
- Escuta. Não é por nada não... Mas por que você me olhava daquele jeito ontem? – Pergunta Lima. Mesmo fazendo uma ideia do que seja, ele queria confirmar.
- Bem... Por que será? – Falou a moça graciosamente apoiando sua cabeça no ombro de Lima.
E enquanto o casal se distanciava, Costa e Leandro estavam chocados até agora com tudo isso.
- Como ele conseguiu, cara...? – Pergunta Leandro incrédulo.
- Deve ser pela mesma razão que nós existimos. – Respondeu como se isso fosse à única explicação lógica.
FIM
Notas finais
Bom, muito obrigado a você por ter lido até aqui.
Qualquer coisa é só comentar!
Então é isso! Fiquem com Deus e até a próxima!
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