Uma Aposta Para Dois

4 Capítulo IV - Bárbara Fernandez


Assim que a aula acabou fui para casa, não queria pegar carona com o Guilherme antes de saber o que eu iria fazer e ao chegar, me deparei com Lucas deitado no sofá da sala.

– O que você está fazendo ai? – eu disse.

– Só estou pensando – disse Lucas olhando para o teto.

– Sei. E onde está o Bruno? – eu disse enquanto empurrava os pés dele para sentar.

– Ele saiu para comprar roupa.

– Ah é? — eu estranhei – Por quê?

– Acho que ele tem uma festa para ir... – ele disse se levantando – Mas não importa.

– Hum... então tá. Vou subir.

– Não! Pera aí! – ele disse segurando uma de minhas mãos.

– O que é?

– Nós vamos sair né?

Eu olhei fixamente em seus olhos enquanto suspirava e disse:

– Eu provavelmente vou me arrepender disso.

– Isso é um sim? – ele disse sorridente

– É. Mas não me faça dizer isso.

Antes que ele saísse, virei-me e subi para o quarto. O que havia dito lá em baixo era verdade, eu provavelmente me arrependeria disso, mas uma hora ou outra nós teríamos que conversar, afinal, ele estava meio que morando lá em casa agora.

– Eu espero, realmente, que isso dê certo. – eu disse para Carol no telefone.

– Eu também. Reze para o Guilherme não descobrir.

– Não vai. Ele estará em uma festa dos ex-alunos.

– Ah é verdade, eu o ouvi falando com um amigo dele.

– Tudo bem, eu não me importo. Estarei no cinema com o Lucas, é um lugar mais discreto, o que acha?

– Sinceramente?

– Claro!

– Eu acho que você deveria ir com o Guilherme, algo está me dizendo que isso não vai dar certo!

– Ai! Eu não te entendo, uma hora você me diz que é para ouvir meu coração – disse irônica. – Outra hora me diz que é pra sair com o Guilherme?

– Está bem, você é quem sabe, eu tenho que ir.

– Ok, beijos. – disse desanimada.

Assim que desliguei o telefone, Lucas bateu na porta.

– Posso entrar? – ele disse entrando em meu quarto.

– Já entrou! O que você quer?

– Saber a sua opinião, você prefere essa camisa xadrez ou essa social?

– A xadrez, é só um cinema Lucas...

– Assim, tão friamente?

– Qual é o problema? – eu arqueei a sobrancelha.

– Nada, é que geralmente você analisa os fatos. – ele disse saindo do quarto.

– Fatos? Mas que fatos Lucas?

– Nada.

– Devo preocupar-me? – disse gritando

– De jeito algum. – ele gritou de volta.

Fechei a porta e comecei a pensar no que poderia acontecer, esperar o pior do Lucas é uma coisa que geralmente passa na minha cabeça. De qualquer forma decidi ir me arrumar, escolhi um pretinho básico que é sem erro.

Eu já estava quase pronta, quando meu telefone tocou, e adivinha? Era o Guilherme.

– Oi Gui. — eu disse

– Oi amor! O que você está fazendo?

– Estudando para Álgebra, – menti – e você?

– Me arrumando para ir te buscar, você vai não é?

– Não vai dar Guilherme, a gente já conversou sobre isso.

– Ah, para Bárbara, eu preciso que esteja comigo esta noite.

– Não posso Guilherme. Sinto muito.

– Então tá, você é quem sabe. – disse Guilherme desligando o telefone.

Ótimo, eu estava mesmo precisando arrumar mais problemas! Como se eu não tivesse o bastante!

– Está tudo bem? – disse Lucas entrando no quarto.

– Quer saber? Está sim!

– Então vamos?

– Vamos, deixa só eu pegar a minha bolsa.

– Eu estou te esperando no carro.

Virei-me para pegar a bolsa que estava na mesa, e acabei vendo uma foto minha com o Guilherme, logo veio uma sensação ruim, como se eu estivesse o traindo ou o abandonando, talvez o correto fosse estar nessa festa com ele, por que pelo visto, era importante. Tentei respirar fundo, e desci para encontrar Lucas que aguardava no carro.

Ainda pensativa, entrei no carro sem dizer nada, nem ao menos olhei para Lucas.

– Parece que você está sendo forçada a fazer isso. – ele disse antes de ligar o carro.

– Não, eu só estou pensando no Guilherme.

– Está falando sério? Nós só estamos indo ao cinema...

– Eu sei, mas é que...

– Você vai sair comigo, pensando em outro cara? – ele disse me interrompendo.

– Esse “cara” é meu namorado! – eu virei para ele arqueando a sobrancelha.

– Então não devia ter aceitado sair comigo.

– Nossa você é um arrogante! Nós estamos saindo como amigos! Aliás, o que está me fazendo pensar nele, é uma tal festa que ele queria muito que eu fosse.

– A festa dos ex-alunos?

– É, como você sabe?

– Porque eu já estudei lá, esqueceu? Eu também fui convidado para esta festa, e seu irmão também.

– Espere aí, então foi por isso que ele foi comprar roupa mais cedo?

– É.

– E porque nós não vamos à festa?

– Porque eu queria ficar com você, nós temos que conversar, principalmente agora que eu vou passar um tempo na sua casa. Mas quer saber, você nunca se interessou sair comigo de verdade né? Não importa o que eu faça, sempre terá um em primeiro lugar. Você se lembra do Caio?


Flashback:

– Ok, ok. Que tal fazermos um acordo de paz? E não te perturbo mais e você não me irrita. O que você acha? – disse Lucas.

– Isso jamais vai dar certo, fala sério, vocês se odeiam. – disse Bruno.

Estávamos os três sentados na grama do bosque do colégio, neste momento cada um olhava nos olhos um do outro. Até que eu resolvi falar algo.

– Sim.

– Sim o que? – disse Lucas.

– Sim, eu aceito.

– Aceita mesmo? – disse Bruno.

– Aceito, afinal já são anos juntos, e sabe lá mais quantos anos nós vamos nos aturar, não é?

– Concordo. E o que você acha de sairmos para comemorar? Aos novos tempos! – Lucas empolgou-se.

– Aos novos tempos? Acho que está querendo ir rápido demais.

– É, e o que tem? Seremos amigos agora não é?

Suspirei e olhei para Bruno, que disse:

– Não olhe pra mim, é com vocês aí.

– Tudo bem, vamos sair. Hoje, às sete.

Então me levantei para voltar à sala. Quando encontrei Caio no corredor.

– Ei amor, eu estava mesmo querendo falar com você. – disse Caio me dando um beijo.

– O que foi?

– Hoje é o jogo da minha estreia. Você vai não é?

Caio acabara de entrar para o time do colégio, e hoje seria sua grande estreia. Como eu poderia ter esquecido?

– Claro que vou, nada me faria não estar lá hoje com você.

Bem na hora, Lucas passou do meu lado balançando a cabeça.

– Nada? Muito obrigado!

– Ah, qual é Lucas? Eu tinha, sei lá, 14 anos?

– Quer saber, tudo bem, você pode desistir agora, já fez isso uma vez mesmo.

– Mas é claro que não.

– Você não faz ideia como foi pra mim.

– Como foi pra você Lucas? Eu sofri muito com isso, depois daquele dia, você foi um arrogante, um babaca comigo.

– Não era pra menos.

– Eu pedi desculpas um milhão de vezes, você deveria entender, ele era meu namorado. E por falar nisso, logo depois você começou a sair com a Brenda, eu tentei te chamar pra sair algumas vezes, para a gente conversar, mas você nem olhava na minha cara.

– Ué, eu estava saindo com ela, você queria o que? – ele disse com um tom sarcástico.

– Está vendo.

– Não importa mais. – Lucas virou e deu a partida no carro.

– O que? ­

Ele ficou em silêncio o tempo todo, nem ao menos virou o rosto.

– Ei, onde estamos indo? – eu disse preocupada.

– Aonde você quer estar.