Um único copo
1 Prólogo
Notas iniciais
Uma boa leitura!
A música está alta. As empregadas falam por sinais. Os homens limitam-se a admiram e a beber cerveja. As mulheres... ou melhor... meninas dançam. Dançam pelos varões, dançam pelo colo dos homens, dançam umas com as outras. Elas dançam sensualmente por todo o bar. Algumas entraram pela aquela porta de livre vontade, mas outras nem por isso. É quase impossível distinguir os dois tipos de meninas, pois qualquer uma delas já se conformou com o caminho que tem pela frente. Qualquer uma delas sobe pelo menos uma vez por dia para o andar de cima, grande parte das vezes com um homem, mas existem exceções, e às vezes soube também um rapaz novo que ainda nem acabou a escola, ou uma mulher que tem mais interesse por outras mulheres, ou às vezes sobem várias colegas para o mesmo quarto. A partir do momento que fecham a porta, é fora dos olhos lei. Por vezes, quando se abre a porta de novo encontra-se alguém estendido no chão inconsciente, outras vezes ficam agulhas de baixo da cama, ainda outras vezes ficam pequenos saquinhos com ainda um resto de pó branco no chão. Mas há algo que acontece sempre depois de se fechar as portas do bar, há mais dinheiro na caixa e há mais dinheiro nos sutiãs das raparigas, há menos bebidas, há menos camas feitas e há menos dignidade, em todo o bar entranha-se um cheiro de vergonha, medo, arrependimento e lágrimas, um cheiro que tem de desaparecer para quando se voltar a abrir a porta principal.
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