Um xogum e seu ninja
2 Amizade sobre circunstancias duvidosas
Notas iniciais
Leyaso estava furioso com o que Karin lhe contou. Ele queria tirar satisfação com seu pai. Simplesmente entrou de volta na sala de visitas, muito zangado.
“Como assim eu vou me casar?”
Os presentes ficaram assutados com a chegada súbita. O xogun o repreendeu. Ele se desculpou com os seus convidados e levou o filho para uma sala, usada como escritório.
“O que deu em você?” falou seu pai.
“Não, o que deu em você? Como assim eu vou me casar e não sabia?”
“Por que estar tão supresso?”
“Mas…”
“Sem mas!”
Leyaso levou um baque. Seu pai era assustador. Grande forte velho, além da ausência de um dos olhos, tornavam ele alguém muito rígido. Ele era poderoso. Durante a era sengoku, lutou inúmeras batalhas, e tudo que conquistou, conquistou com sue estratégia e poder.
Leyaso tinha medo dele, porém sua fúria falou um pouco mais alto. Aquele homem era muito assustador, entretanto. Tinha que ter cuidado.
“Eu, eu entendo o que acontece. Vai ser meu casamento com o a filha deles que vai unificar nossas famílias.”
“E assim, o Japão. Isso mesmo. Agora, por que fez aquilo? Quer que eles pensem que estou incomodado com a princesa?”
“Mas estar, digo, eu estou. Como você pode dizer que vou me casar com alguém sem perguntar antes? Ou, pelo menos, me dizer que pretende fazer isso?”
“Estou dizendo agora não estou?”
“Mas por quê? Vocês não podem fazer um tratado ou coisa do gênero.”
“Não, eles não querem nada disso. Ofereci absolutamente tudo. Terra, eles têm tanto quanto. Riqueza, eles têm coisas de todo o mundo. Só podia oferecer relações diplomáticas com o novo mundo, mas quando a menina apareceu, eles lembraram que eu mencionei ter um filho.”
“Quer dizer que eles exigiram meu casamento para assim unificar o país, só para eu fazer companhia para filha?”
“Na verdade Karain já tinha te visto antes, e disse que acho você fofo, como seu cabelo azul, seja lá o que ela quis disser.”
“Eu não sou fofo.” falou irritado. “Tá, então… eles estão unificando o país, através do meu casamento, para meio que me darem para filha dele?”
“Sim, isso mesmo.”
“O que é isso. Não, não pode ser verdade. Eu… aquela garota estar me tratando como um objeto, igual as joias que ela usa.”
“Isso mesmo. É o que somos, um objeto.”
“Como?”
“Somos lideres Leyaso, e nesses momentos, nos tornamos objetos. Símbolos, para ser mais específicos. Transcendemos na mente das pessoas, e para cumprir com o povo, fazemos coisas desse jeito. Não tinha nada mais a oferecer aos Harazakis. Mesmo se eu tivesse consultado você antes, ou tudo isso tivesse acontecido na sua frente, você concordaria que essa é a única opção. Não têm mais nada que eu possa fazer para unificar nossas famílias e nosso país, ou então só resta uma guerra sangrenta. A era sengoku passou há pouco tempo.”
“Eu entendo pai. É que… eu não gosto dela.”
“Você é jovem. Além disso, todos nós temos nossos casos fora do casamento.”
“Não quero isso. Pai, não é só ela. Casamento, mesmo que politico, é uma responsabilidade muito grande.”
“Relaxe filho, você não vai se casar com ela manhã ou coisa do gênero. Se tivessem idade para isso, eu mesmo me casava com ela desde o começo. Vocês só estão prometidos.”
“Então, meu destino é se casar com com ela.”
“Sim. Sinto muito. Você entende o porquê disso, certo?”
“Nenhum de nós teve escolha. Tudo bem. Eu sempre soube que seria assim que eu ia terminar.”
Se retirou do escritório com educação. Mas poder dentro, estava chorando. Sei pai não demonstrava reação, mas sabia a situação que os mais novos passavam.
–//-
Leyaso passou o que sobrou da tarde chorando. Karas tentou consolá-lo.
“Vamos, pensava que quem chorava de emoção era a noiva.”
“Não é emoção, é tristeza mesmo.”
“Vamos. Sua mãe também se casou arranjado com seu pai.”
“Mas minha mãe amava meu pai, e ele respeitava os sentimentos dela. Aquela garota, Karin… é tudo que há de pior em uma garota.”
“Não acha que exagero?”
“Você estava conosco na visita dos Harazakis. Estar duvidando?”
“Não. Mestre, por favor, seja forte. Vocês ainda têm alguns anos. Pode ser que se habitue a senhorita Karin e até veja outro lado dela.”
“Karas… eu nem tive coragem de beijar ela quando ela me pediu. Que homem nega um beijo a uma mulher?”
“um que nunca beijou?”
“Então não deveria ficar animando pela chance?”
“Bem não beijo outra mulher desde que passei a trabalhar aqui, então não posso pensar em muita coisa relaxe, talvez ela logo se canse, e depois de casados, nem queira da atenção a você.”
“Isso não muda as minhas obrigações como marido. Karas, o que eu faço agora?”
“Não sei mestre. Peça aos deuses que eles iluminem seu caminho. Tenho de ir.”
Karas colocava Leyaso para dormir todas as noites. Naquela noite em especial, ele tinha alguns bons motivos para não conseguir dormir direito. Ele se sentia muito mal.
“Tenho de me comportar como mandam, me vestir como mandam, dizer o que mandam dizer… e agora, casar com quem eles mandam. Isso é muito injusto. Eu entendo as circunstancias porém… na verdade, eu não dou a miníma para a unificação. Eu simplesmente não posso ter uma vida comum e pacata?”
Com as luzes apagadas, seu quarto parecia uma grande câmara negra. Queria manter velas acessas de noite, porém tentava combater seu medo do escuro. A vantagem, porém, era ter luz da lua forte entrando, do ângulo certo.
Pensou em que Karas tinha falado, de pedir aos deuses. Bem, não custava tentar. Os deuses Xintos geralmente não atendiam questões do gênero. Seu pai dizia que era besteira esperar pelos deuses, e que eles deviam mover o mundo, mas Leyaso não tinha essa opção.
“Se têm deuses ai, só posso pedir uma coisa. Mandem-me um sinal de que eu tenho opção. Mandem-me alguém, alguém que me mostre como sair dessa vida. Sei que este não é o caminho certo.”
–//-
Hanzo tinha invadido o arsenal, porém se sumisse muita coisa, perceberiam. Ele pegou só o essencial, algumas shurikens, kunais, bombas de fumaça e uma adaga tanto. Ele conseguiu também uma corda com gancho na ponta, ganho que usa molas, e assim teria maior mobilidade.
A parte mais difícil de sua aventura era ir ao castelo e voltar. A vila era longe do palácio, e ele não tinha meios rápidos de chegar lá. Felizmente, alguns viajantes ainda transitavam de um lado pelo outro, foi de penetra na primeira carroça que viu.
Da vila até o palácio era uma subida de montanha, mas nada que irritasse. Já nos portões principais, longe do alcança dos guardas, ele iniciaria seu plano.
“Só que eu não tenho plano. Tudo bem, se lembre do treinamento.”
A missão era bem simples. Entra, matar o príncipe, e sair, tudo sem ninguém perceber. Ele pulou os muros altos do palácio com ajuda do seu gancho, e enganou os guardas. Ele tinha entrado no lugar.
Desde o fim da era sengoku, os soberanos estavam bem pouco preocupados com ataques de ninjas. Os guardas estavam mal posicionados, e o próprio quarto do alvo, ficava no térreo, cuja a entrada estava acessível pela frente.
“Foi fácil demais.”
Dentro do quarto escuro, viu o futon da vítima. Se aproximou lentamente. Retirou a faca e se preparou.
“Okay, é isso…” ofegava enquanto falava para ganhar coragem.
Quando olhou melhor o futon, e comparou, viu que o tamanho do mesmo era igual ao seu. Hanzo ficou assustado.
“O príncipe… ele deve ter minha idade. Isso, isso não pode, ou pode? Eu, eu não.”
Hanzo percebeu que não ia conseguir matá-lo. Ele teria muitos problemas em conseguir só fosse adulto, ainda mais uma criança.
Hanzo ficou um tanto zangado.
“Queriam que eu matasse uma criança, por quê? Até onde eu sei, isso é contra a honra ninja. Talvez, talvez fosse por isso que, é claro, foi por isso que o sensei não aceitou a missão, ele jamais mataria uma criança, ou mataria? Eu já não sei o que pensar.”
Hanzo guardou sua faca. Sua missão fracassou. Pelo menos ninguém sabia que ele estava lá, então o sensei não brigaria com ele. Ele se sentia mais calmo e controlado. Observou o príncipe.
Ele devia ter 10 anos, só um ano mais velho. Tinha cabelos azulados e pele clara. Estava dormindo tranquilamente. Os olhos estavam vermelhos, ele parecia ter chorado muito a tarde.
Hanzo ficou com pena dele. Matar crianças não era algo permitido em clãs de ninjas honrados. Até onde saiba, o seu ainda tinha honra.
Decidiu ir embora. Antes de sair, porém, observou a katana no hake. Ela parecia ser cerimonial. Não resistiu em dar uma olhada nela.
A um primeiro momento, não parecia ser nada demais, porém, quando a tirou um pouco da bainha, viu que ela era muita coisa. A Lâmina tinha um brilho forte como um espelho, refletindo a luz da lua. Era uma arma grande, porém, linda.
“Que espada incrível. Esse metal, não o ferro-gusa que nós usamos. O que será?”
“É uma liga de metal de alta resistência, fundido com cromo e bem menos oxigênio que o ferro-gusa que a gente usa. Ela teve que passar por três mundos para ser feita.”
Hanzo ficou assutado quando olhou para trás. O príncipe estava acordado. Estava olhando para ele, de forma simpática.
“Mas, mas…”
“Ouvir seus passos. Além disso, você falou tudo que falou em voz alta. Estava fingindo que dormia. Obrigado por não me matar.”
Hanzo tentou fugir, mais foi impedido por Leyaso quando ele segurou sua corda, que estava enrolada e presa na cintura, e o impediu de correr, fazendo-o tropeçar.
“Relaxe, eu não vou te denunciar ou coisa do tipo. Só preciso que me responda umas coisas.”
“Você tá de brincadeira? Eu sou um ninja, um ninja. Eu sou um assassino vil e sanguinário.”
“Vil e sanguinário, que não consegue matar uma criança. Além disso não acho que um ninja seja tão atrapalhado em falar alto, ou não ter tentado me golpear até esse ponto.”
Hanzo viu que ele estava certo. Ele estava sendo puxado pelo próprio cabo. Ficou bem envergonhado mesmo escuro, Leyaso percebeu que ele tinha ficado vermelho.
“Vergonha não é? Sei como se sente. Eu passava por umas coisas assim. Estar bem obvio que você não quer fazer nada comigo.”
“Estar ciente que eu posso te machucar e fugir, não é? A qualquer momento.”
“Por quê? São tempos tão pacíficos.”
Hanzo viu que sua missão não-oficial foi arruinada, da pior maneira possível. E agora, a vítima que devia tentar matá-lo, ou ficar muito assutada, queria conversar com ele.
–//-
Leyaso deu uma escapada até a cozinha, e assaltou as dispensas. Pegou doces, ferveu água, pegou uns pãezinhos, tudo para recepcionar seu hóspede surpreendente. Ele já tinha feito lanches noturnos assim várias vezes, porém sozinho.
Hanzo tinha ficado no quarto, sentado. Ele ainda sentia vergonha de si mesmo quem olhasse para ele, veria aquela cara de reprovação completa. Ele estava considerando seriamente o Hara Kiri.
“Como foi que eu cheguei a esse ponto. Eu estou aqui, esperando ele, por quê? Eu tinha que aproveitar o tempo para fugir, E porque eu não golpei ele e fui embora? Eu podia ter usado uma bomba de fumaça. Mas porque eu não o fiz, por quê? Porque eu não fui embora, por quê?”
Leyaso chegou com os lanches. Hanzo ficou envergonhado. Leyaso não parecia ter fúria, ou medo. Ele parecia pacífico, e, até mesmo, fofo.
Leyaso serviu chá para ele. Tinha acendido uma velha, mais ainda estava bem escuro.
“Sirva-se. Parece com fome?”
“Por que acha isso?” seu estômago roncou. Realmente, não tinha comido nada além do café.
“Bem… qual o seu nome?”
“Hattori Hanzo.”
“Leyaso Togukawa, príncipe desse xogunato. Você é ninja não é?”
“Quase isso. Sou discípulo do clã que os Tokugawa eram suseranos, porém agora somos independentes. Eu não fui condecorado oficialmente. Escuto, porque, porque não tentou revidar meu ataque… por que estar me servindo?”
“Bem… eu tinha pedido aos deuses que me mandassem um sinal do que deveria ser meu verdadeiro objetivo. E aqui estar você, um ninja que não conseguiu me matar. Além disso, você é apenas uma criança, deve ter minha idade. Têm 10 anos?”
“9.”
“Viu, temos a mesma idade. Hanzo, estar bem claro que você não quer fugir daqui, nem fazer nada comigo. Então relaxe e coma uns doces.”
“Escuta, temos coisas mais séria aqui. Alguém foi no clã querendo contratar um ninja para te matar. O sensei recusou, dando uma desculpa, mas é muito provável que outro assassino seja contratado.”
Leyaso tomou um gole de chá, e comeu uns doces. Sua expressão era calma e controlada. Hanzo ficou irritado. Ele o segurou pelos ombros com raiva.
“Qual o seu problema. Acabei de dizer que querem te matar, e você fica tomando chá.”
“Homens como eu enfrentam a morte todos os dias. Não há muito o que fazer agora.”
“Você não é homem. É um menino e ainda vai se tornar xogun.”
“O mesmo vale para você. Não é ninja, ainda estar para se tornar um.”
“Isso magoa sabia? Acha que eu não sei que eu to indo de mal a pior, e que sou o pior do meu clã?”
“Sério? Eu não quis dizer isso.”
De fato, Leyaso não tinha como saber disso. Hanzo falou demais. Ele ficou ainda mais irritado.
“Droga. Eu, eu devo ser um fracasso como ninja. É melhor eu desistir.”
“Não acha exagero? Talvez não tenha me matado, porque viu que é desnecessário. Assim como estar aqui, lanchando comigo, porque não acha necessário fugir. Você deve ter instintos.”
“Talvez você esteja certo. Não entendo, porque você não me parece uma ameaça, mesmo você tendo me encontrado e feito isso comigo.”
“Bem, talvez eu também não veja necessidade de fazer com você as coisas que eu disse. Hanzo, desculpa minha calma de antes. Agora, me diga o que sabe.”
“Tudo bem. Alguém apareceu no dojo, um nobre. Ele disse que estava pagando bem para te matar. Como nosso clã é independente de vocês agora, podemos fazer isso, em teoria. O mestre disse que seria difícil convencer alguém do clã a fazer isso. O nobre disse que podia levar o tempo que quiser.”
“Se ninguém foi mandado, por que você veio?”
“Eu… eu estou a um fio de ser impedido de continuar a treinar. Achei que se fosse bem-sucedido, ia poder continuar. O sensei deu a entender dar conversa que só não mandava ninguém porque iria ter de convencê-lo.”
“Certo. E como era a pessoa que fez o pedido?”
“Não vir direito, não memorizei seu rosto.”
“Qualquer coisa serve. Pense, e se concentre.”
Hanzo fechou os olhos. Ele quase não viu a pessoa. Tinha que se lembrar dos seus instintos. Ninjas são trinas para ver sem ver.
“Não vi direito o rosto, não posso descrevê-lo, porém… era um homem não japonês. Os olhos não são como os nossos. O kimono que usava era todo amarrotado e colorido. Devia ser um turista ou coisa do tipo. A voz… ele falava um japonês excepcional, mas tinha sotaque. Só consigo lembrar disso.”
“Certo. Obrigado.” Tomou um gole de chá. “Eu vou me certificar de ficar seguro. Meu pai vai saber da conversa, em forma de boato.”
“Acha que isso é o suficiente?”
“Não, mas é o que estar ao meu alcance. De qualquer maneira, obrigado. Não vai comer?”
“Não acho que seja uma boa ideia. Tipo, isso é muito estranho.”
“Olha, eu já me expliquei sobre o porque deu fazer isso.”
Hanzo olhou desconfiado. Leyaso realmente não parecia quer fazer alguma coisa.
“Você me desculpa? Eu estou desesperado. E já me disseram que talvez eu não deve ser ninja, porém… se eu fizer isso, a memória da minha mãe já era. Dizem que com esforço e trabalho duro, qualquer um consegue, porém…”
“Quer ajuda?”
“Como?”
“Quer ajuda? Eu sei como é pensar que seu esforço não tá rendendo. Posso te ajudar. Além disso, preciso de você lá fora, escutando.”
“Não, não sei.”
“Não sou um príncipe mimado Hanzo. Tenho minhas habilidades. Quer ajuda ou não?”
“bem… eu já estou de fora mesmo. O que eu tenho que fazer?”
“É tarde. Volte para sua vila, descanse, volte de manha, cedo, daqui a um dia.”
“Tudo bem.”
“Amigos?”
“Amigos.”
Os dois se abraçaram. Na noite fria, aquele foi um calor gostos. O estômago de Hanzo roncou de novo. Leyaso pegou um tecido do seu armário, e embrulhou os doces nele. Hanzo o prendeu nas contas, como uma mochila.
“Outra coisa, a vigilância do seu palácio estar horrível.”
“Darei um jeito nisso. Vou eixar um pedaço de tecido azul no muro de trás, para saber que estou te esperando. Até depois de amanhã.”
“Até, obrigado.”
Hanzo saiu correndo do quarto, mas seus passos eram bem leves. Era rápido, estranho seria se não fosse.
“Espero que ele seja o sinal que eu pedir. Sei que devia ficar louco, porém… ele tinha uma aura calma e bondosa. E, por algum motivo, eu achei ele…”
–//-
“… Fofo. Eu cedi a ele porque ele era fofo.”
Hanzo estava correndo de volta para vila. Tossia para ter uma caronha rápida para sua vila. No caminho, pegou um dos doces que Leyaso ofereceu. Tinha um gosto muito bom, e por algum motivo, a imagem do principie lhe vinha a cabeça.
“Ainda bem que eu não conseguir fazê-lo. E ia fazer a maior besteira da minha vida.”
Fale com o autor