Um toque aveludado
3 Como nos velhos tempos
Notas iniciais
Acordei com Rita gritando nos meus ouvidos. Aquela menina já tava lá?! Numa tentativa falha de virar para o lado e tentar dormir de novo, minha formosa sobrinha – para não dizer outra coisa – subiu em cima de mim e começou a falar: “Upa, cavalinho!” levantei na mesma hora, o que fez com que ela caísse para o outro lado da cama.
— Obrigada, Ritinha, por me ajudar a acordar essa dorminhoca! – Minha mãe apareceu na porta – Agora vai tomar banho!
— Me deixa dormir mais alguns minutinhos... – Após eu falar isso, ela tacou um pano em mim. – Ai! Tá bom, tá bom... Eu já tô indo. Calma.
Levantei lentamente. Esfreguei meus olhos, e fui até o banheiro, onde dei de cara com o espelho. “Caraca, você ta precisando de um reboco, hein?” Pensei, olhando para as minhas olheiras, de dias sem dormir, preocupada com a faculdade e com o meu ex. Depois de tomar um banho, até que rápido, procurei uma roupa qualquer e coloquei-a com rapidez.
Liguei para a minha amiga Giovanna. Ela é muito animada e ama animais, principalmente cachorros. Ela vai ser veterinária, a não ser que tenha mudado de ideia. Ela estava namorando há um tempo o meu irmão, e só digo que tenho pena dela... Brincadeiras a parte. Conversa via, conversa vem... Até que ela me pergunta o porquê de eu não estar mais morando no meu apartamento.
— Ah... Bom... É por causa do meu ex que tá me ameaçando...
— Maldito! Você já fez um B.O.?
— Sim... Vamos mudar de assunto?
— Ah, é! Bianca, eu tava aqui pensando... E se a gente convidasse todas as nossas amigas para um tipo de “noite do pijama” na casa de alguém? Seria legal, não? Convidar a Cecília, Pietra, Aline... Ficar assistindo maratonas de séries, filmes, comer sorvete até não agüentar, pizza...
— Mas, espera. Alguém teria que bancar isso tudo né? Porque eu não tenho grana... Isso é não é meio 12 anos demais? Nós já somos adultas... Mulheres indo para a facu... Ah, deixa pra lá! Se tem pizza, eu tô dentro!
— Bom, eu já falei com a Ceci e a Aline, mas com a Pie não. O telefone dela não atende, o jeito é falar pelo facebook mesmo.
— Nunca atende... Mas enfim, quando tiver tudo certo já me fala, tá?
— Ok! Tchau, Bia.
— Tchau, gata.
Como não tinha nada há mais pra fazer, além de dormir ou estudar, resolvi olhar meu facebook. Havia uma nova solicitação de amizade, e, para a minha surpresa, era o cara da Igreja. Ok, isso é meio estranho, como ele conseguiu meu facebook?
Aceitei, apenas para perguntar como que ele havia conseguido meu facebook. Incrível, nós tínhamos vários amigos em comum, a maioria da Igreja. E a Pietra... Espera, a Pietra?
Tentei ligar pra ela, mas não atendia. Assim, na mesma hora que aceitei, já corri para o chat e perguntei. Ele me respondeu na hora:
[Gabriel] >— Foi uma amiga tua que me passou
[Bianca] >— Tá, mas o que vc quer?
[Gabriel] >— Calma, por que tá tão na defensiva? N posso te adicionar?
[Bianca] >— N é isso, é que... Deixa.
[Gabriel] >> ?????
Terminei a conversa por ali mesmo. Eu nem conhecia ele, não vou ficar explicando minha vida. Ele posta umas fotos legais, então procurei o instagram dele. Descobri que ele tem namorada, mas faz um tempo que ele não posta foto junto dela.
A gente até que ta conversando um pouco, ele parece ser gente boa, mas tem alergia a gatos... Fiquei olhando mais algumas coisas e aproveitei para ir ao Tumblr, já que estamos falando sobre coisas de 12 anos, criei meu tumblr – óbvio que não é só pra quem tem 15 anos, mas eu entrava quase todo dia lá quando eu tinha por volta dessa idade. Maus tempos...
O pior de tudo é que acabei encontrando uma antiga história minha com o Justin Bieber, com direito a self-inserction e tudo mais. Até mesmo uns pegas! Eu era apaixonada nele, isso é verdade... Nossa como as coisas mudam. Principalmente minha escrita! Tem uns 27 capítulos isso.
Deitei, e fui dormir. Minha cabeça só girava em torno dessa “festa do pijama”.
. . .
Alguns dias se passaram, até que meu telefone voltou a tocar. Quando vi, ele estava dentro do meu sapato. Meu quarto estava uma bagunça. Mas, enfim, atendi.
— Hey, Bia das zanca! – Reconheci rapidamente aquela voz, era Pietra.
— Ah, Pietra... E aí?
— Moça, faz tanto tempo que não converso contigo!
— Pensei que você tinha morrido.
— Que nada, “tava” só lavando o cabelo!
— Mas enfim, o que a senhora quer? – Perguntei, desconfiada.
— Ah, a JoJo pediu pra você vir na minha casa, sabe, pra tal “festa do pijama”... Já tá todo mundo aqui.
— Vocês me vêm avisar essa hora?! Não podiam me avisar com antecedência? – Reclamei, quase gritando. Já eram 19h00min, tinha que tomar banho, sabe? Não sou porca como outras pessoas...
— Você sabe como a JoJo é, né... Super irresponsável! Não sabe arranjar nada com ant... – Ela foi interrompida, e outra voz tomou o telefone.
— Oi, Bia! Então, a cachorra da Pietra aqui veio bater na minha porta com a Aline e a Ceci. Como elas vieram aqui sem me avisar porra nenhuma, decidi fazer logo a porcaria da festa pra você não ficar brava. Então, vem ou não?
— O problema é minha mãe, cara... Ela ta louca com meu ex, não vai me deixar sair, se eu falar que vou à festa ela não vai acreditar, já que aviso tudo com antecedência.
— Porra, tu é adulta ou não é?! – Pietra invadiu o telefone.
— O problema é que eu tô na casa dela, idiota. Eu tenho que seguir as regras dela.
— Se ela não deixar, “nois te busca” aí! Não se preocupa!
— Eu vou perguntar. Qualquer coisa eu dou um jeito, eu me viro. – Desliguei.
Fui correndo até a minha mãe e pedi. Ela me respondeu rapidamente e com um ríspido “não”, que doeu até minha alma. Parecia que eu estava voltando aos meus 14 anos... “Ok, vou ter que fugir?”. No entanto, quando já estava passando minha perna pela janela, decidi pegar meu celular e ligar pra lá, e pedir pra que elas implorassem para a minha mãe.
— Por favorrrrrrrrr! Você não sabe o quão ela é importante pra nossa festa, sem ela, não vai ser legal, sabe? Vai faltar alguém... – Pietra disse.
— Isso! Ela vai ficar bem melhor com suas amigas por perto. – Completou Aline.
— Nós fazemos o dia dela! – Cecília saiu gritando.
— Então... Eu posso ir? – Perguntei, com carinha de cachorro pidão.
— Ai, filha... É que eu me importo com você... Tá bom, então vai... Mas toma cuidado.
Fiz uma grande cara de felicidade. Agradeci as minhas amigas pela ajuda e desliguei o telefone. Tomei um banho rápido e corri para a casa da Giovanna, que por sorte era perto da casa da minha mãe.
Toquei a campainha e todas vieram me abraçar, o que fez com que eu quase caísse no chão. Isso tudo no meio da rua. Às 20h00min da noite.
— Aê! Os Jovens Titãs estão juntos outra vez! – Exclamou Pietra, para o mundo inteiro ouvir.
Entramos e vi que elas já estavam colocando um filme. O meu favorito de ação.
— Ai meu Deus! Divergente! Vocês pensaram em tudo mesmo, né?
— Na verdade, foi ideia da Cecília... – Apontou Aline.
— Agradeça a mim, mera mortal. – Falou, dando a língua em tom debochado.
Pietra colocou o filme e depois se jogou na cama, desligamos as luzes e ficamos todas juntas comendo pipoca.
. . .
Acordei com uma luz cegante e o barulho de flash, além de algumas risadas. Abri rapidamente os olhos e vi Cecília com um celular em mãos com uma cara traquina.
— O que vocês fizeram?! – Fiquei preocupada.
— Calma aí, bela adormecida. Só tiramos uma foto de você dormindo.
— Na verdade, duas, só que a segunda estragou porque alguma imbecil colocou o flash, né, Aline? – Disse Cecília, em resposta, Aline mostrou o dedo do meio.
— Deixa eu ver... – Falei, pegando o celular da mão da Cecília, que estava preocupada demais com a Aline. – Poxa, até que não fiquei tão feia. Vou colocar como foto de perfil no facebook, já faz muito tempo que tô com aquela do meu ex... É melhor que nada.
Mudei a foto e voltamos a assistir ao filme que já estava no final. Peguei meu celular para escrever algumas cosias no Twitter, e acabei olhando o Facebook por pura curiosidade. E lá estava: um comentário do Gabriel. Ironizando minha foto, como sempre. Respondi na mesma altura.

— Pietra, você conhece esse cara? – Mostrei a foto do Gabriel.
— Não, só sei que ele é primo do primo do meu primo de 2º. Sabe como é família, né.
— Putz, Pietra. Você deu meu perfil pra ele?
— Poxa, eu dei na maior inocência. Por quê?
— Ele é aquele cara que eu gostava! O da Igreja quando a gente tinha uns 14 anos!
— Cacete, é o cara do violão? Parece que ele ta interessado em você, hein?
Fiz uma careta e continuamos assistindo o filme. Quando ele acabou, Giovanna veio com a ideia de madrugarmos fazendo algumas brincadeiras. Claro, por que não?
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