Notas iniciais
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Tenham uma ótima leitura!

Esse é um recado para vocês, homens heterossexuais cis. E sim, dessa vez irei generalizar, não usarei “a maioria dos homens”, ou “grande parte dos homens”, não usarei números e não citarei nomes. Irei lhes apresentar uma situação “hipotética”, porém, que ocorre com muita frequência no mundo todo.

Peço-lhes licença, pois assumirei o papel de um homem. E se eu sou capaz de assumir esse papel, quero que vocês, caros futuros prováveis leitores, assumam o papel da outra personagem principal dessa situação.

Contudo, antes, quero deixar claro os meus posicionamentos: sou uma mulher; tenho 18 anos; sou feminista, e antes que venham me dizer milhares de coisas quero que pesquisem à fundo sobre o feminismo para depois virem argumentar algo contra; defendo o direito das mulheres, sim, luto pela igualdade; acredito que mulheres são livres, seres humanos que assim como você, homem, tem direitos. Sim, ela pode transar com quem quiser, quando quiser e somente quando quiser, ela pode ir e vir, ela pode viver como um ser digno de todo o respeito que lhe é direito. Mas agora, vamos à nossa situação.

“Olá, sou um homem. Não lhes importa meu nome, pois tenho muitos, em muitos lugares do mundo. Minha idade? Também não direi, pois não sei ao certo, também tenho muitas.

Sou muito bem resolvido. Eu transo com quem eu quero, quando eu quero... Se ela quer? Não sei, eu não pergunto, para ser sincero, eu não me importo. Eu só quero comer ela e sumir, foda-se. Se ela sai satisfeita? Não sei... Acho que sim. Eu faço o que eu quero e ninguém reclama, afinal, sou homem.

Esses dias, conheci uma moça... Gata e tal. Comecei a conversar, ela parecia ser fácil, porque para mim não existe mulher , interessada ou não no cara, existe mulher fácil e difícil, a santa e a puta. O papo foi fluindo, não achei que ela fosse muito inteligente, mas foda-se, não quero compromisso. Esse tipo de menina não serve para relacionamento sério, só para comer e jogar fora, sabe?! Ela marcou um encontro e claro que eu fui, eu não sou louco, eu sou homem!

Cheguei lá e claro que dei uma volta com ela, conversei, todo o momento olhava para ela demonstrando meu interesse e claro que ela também demonstrava o dela, dava para ver pela roupa que ela foi que ela queria alguma coisa. Um tempo depois de tanta enrolação, chamei ela para um lugar mais calmo, onde só ficássemos nós dois... Sei lá, o banco do carro, um motel, a casa dela, ou a minha, qualquer lugar. Chegamos lá e partí para o abraço ou seria para o abate?

Começamos a nos pegar e quando vi... Eu não tinha camisinha, eu tinha esquecido de comprar, ela havia estourado, não sei. Ela ficou um pouco assustada, queria parar, eu disse “relaxa, confia em mim”. Ela confiou.

No fim de tudo, no caminho para a casa dela, passei na farmácia, comprei um remédio qualquer para ela e disse que ela tinha que tomar aquilo. Não expliquei mais nada. Não me importa se vai ter efeitos colaterais, foda-se.

Cheguei em casa, fui tomar um banho, fui assistir TV, fui fazer qualquer coisa... Em seguida, ao checar o celular; o Facebook; qualquer rede social ou meio de comunicação; tinha uma mensagem dela. Dizendo que tinha gostado de ter me conhecido e que queria me ver de novo. Sequer respondi, desliguei o celular e fui dormir. Foda-se... Comigo não tem replay. Não tem segunda vez. É uma vez, depois, foda-se. Tchau e benção.

Os dias se passaram, fui trabalhando, saindo com outras mulheres e ela ainda me mandava mensagens, me cobrava, me enchia o saco. Eu só ignorava, não quero saber de puta que dá no primeiro encontro.

Mais dias e ela disse que estava com medo de alguma coisa acontecer, que quando ela tomou teve tontura e enjoo e agora estava com um pouco de enjoo... Tinha medo de engravidar, afinal ela tem 16, 18, 35 anos e não quer ser mãe. Ela tem um pai que irá cobrar muito dela, irá julgá-la, dizer mil coisas à ela, irá bater nela, talvez expulsá-la de casa; ela tem muitas pessoas que a cobram, que vão jogar na cara dela que ela é uma puta, uma mãe solteira que não sabe nem quem é o pai da criança... Na verdade ela sabe, mas nesse caso, o pai não quis saber do filho.

Eu respondi uns “relaxa, vai dar certo”. Ela acreditou, ou fingia acreditar, não sei, não me importo. Mais dias, mais mensagens, mais medo, mais insegurança e eu pouco me importava, só queria sumir. Ela que arrume um babaca para criar o filho dela, afinal, é só ela dar para alguém que logo arruma um otário.

Chegou a semana que ela mais temia, ainda não havia nenhum “sintoma” de que sua menstruação iria descer. Confesso que tive medo, mas mesmo assim ainda estava confiante, nada aconteceria e se acontecesse eu sumiria, ou pagaria uma pensão merda e fingiria que me importo com a criança. Dois dias depois ela veio toda alegre dizendo que tinha descido. Agradeci aos céus, excluí e menina e bloqueei. Foda-se, não é mais minha responsabilidade. Foda-se, sou homem... Não me importo com puta, não nasci para cuidar de puta, mina que não presta.”

Já posso ver as pessoas dizendo que eu não deveria ter generalizado, caso este seja seu argumento contra qualquer fato aqui apresentado, peço que releia o início do texto, se não for muito incomodo. Espero que eu tenha sido clara. Se você é o personagem no qual interpretei nessa situação e se reconhece com todos os fatos apresentados, espero que tenha entendido e que mude imediatamente, que reconheça o quão nojento e desprezível você é. Mulher não é o seu depósito de esperma, nem o seu brinquedo sexual no qual você apenas masturba o seu pênis. Espero que aprenda o que é respeitar seres vivos e não porque é filha de Fulano, irmã do seu amigo, ou sei lá o que, mas porque são seres humanos.

Se você é o outro personagem no qual relatei, eu lhe peço perdão por todos esses imbecis e lhes digo mais, você não está sozinha. Você tem irmãs, pessoas que reconhecem e respeitam sua dor, pessoas que têm o mínimo de empatia. Não se sinta assim, como eu sei exatamente como você se sente, pois você não é. Eu estou com você, milhares de mulheres estão ao seu lado. A culpa jamais será sua, não foi sua roupa, não foi sua atitude, seu jeito de ser, sua liberdade, seu desejo, sua vontade. A culpa é sempre do outro personagem.

Notas finais
Agradeço a visita e espero que tenha gostado!

Comentários?
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