Um tempo de qualidade entre pai e filha
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Um tempo de qualidade entre pai e filha
Sei que ninguém vai acreditar, às vezes nem eu acredito, mas é a mais pura verdade: eu já fui uma atleta. Sério mesmo, de verdade, a pessoa que vos fala agora e que muitas vezes tem preguiça de se levantar até para ir ao banheiro já praticou esportes, e para provar no final deste texto tem alguns anexos bem interessantes deste período da minha vida. Mas antes acho melhor contar toda a história.
Meu pai era militar e um dos esportes mais tradicionais desta profissão é a Orientação como sei que quase ninguém sabe o que é isso aí vai uma breve explicação: é uma corrida, no mato, onde você tem um mapa e uma bússola e precisa encontrar a determinados lugares (chamados de pontos) para então poder passar a linha de chegada. Se quiserem mais informações acessem o Google. Enfim, eu era apenas uma criança e essa era a nossa atividade “pai e filha”. Antes dos 14 anos, crianças não podem fazer o percurso sozinhas, o motivo é óbvio: é um esporte que exige muita atenção e ninguém espera isso de uma criança. Ninguém, exceto meu pai.
Apesar de todos os seus esforços pra me fazer entender como se orienta o mapa (“Norte do mapa com o norte da bússola!!! É pra girar o mapa!!! Para de girar essa bússola!!!) eu continuava indo na direção errada,mas ele não desistiu de mim. Um dia ele resolveu que eu deveria ter mais condicionamento físico pra melhorar meu tempo e me fez subir e descer correndo a lombada que tinha na esquina de casa. Depois disso e todos os percursos que eu fiz chorando depois de mais uma vez enfiar meu pé num formigueiro ou num buraco ou tropeçar em alguma raiz de árvore, ou de sair literalmente do mapa, eu cheguei ao ápice da minha carreira como orientista: fiz 14 anos e mudei de categoria.
Saí da categoria DN1 (Damas novatas crianças) e passei para D14N (Damas de 14 anos novatas) e passei a competir de verdade, sem a tortura companhia do meu pai. Inscrevi-me no II Campeonato Municipal de Orientação e em todas as etapas fiquei em segundo lugar, claro que além de mim só havia mais uma competidora, mas o que importa era que eu estava em segundo lugar. Até que finalmente chega a última etapa da competição e acabo vencendo o campeonato por WO. E esse foi o ápice e o fim da minha carreira de atleta, afinal sabem o que dizem “É melhor parar enquanto ainda se está por cima”.
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