Creio não ser uma pessoa muito social e interativa, como muitas por ai, e por isso sinto-me um tanto incapacitada de me apresentar formalmente de modo que faça transparecer que sou conhecedora de muitos assuntos ou que possuo poder aquisitivo alto, por que não possuo. Por tanto, acredito que será melhor fazer isso da forma convencional.

Meu nome é Aeryn McCann, tenho estatura mediana, com cabelo castanho escuro pouco ondulado até o ombro, tenho olhos castanhos mel e não me considero nem muito branca e nem muito parda, tenho 16 anos e vivo com os meus pais, Bryan e Alison, em um bairro exageradamente silencioso na cidade de Waterford. Tenho um Border Colie chamado Douglas e um peixe, da qual não sei a raça, chamado William.

Estudo em uma escola a duas quadras da minha casa, entao vou a pé todos os dias acompanhada dos meus melhores amigos Sarah e Brendon.

Vou poupá-los de todos os detalhes sobre a minha vida até agora, mas o que posso dizer é que estamos nos mudando para a Inglaterra em três semanas, por que a minha mãe recebeu uma proposta inegável de seu antigo emprego, o que a alegrou bastante, já que ela é natural de lá, então assim poderá ver a família de novo. Confesso não estar animada com essa situação,afinal tenho uma vida aqui e amigos também, mas como é perceptível, minha voz não tem vez sobre esse assunto.

Quinta-feira por volta das 08:00 da manhã, eu, Brendon e Sarah já estavamos quase no portão da escola, dispostos a mais um dia de aula, já que aqueles eram os meus últimos naquela escola. A aula passou assustadoramente rápida e logo nos vimos voltando para casa. Durante todo o percurso, o único som que ouvíamos era o das folhas secas sendo estralhaçados por nossos pés, até que Brendon interrompeu:

—Você não pode se mudar para a Inglaterra!

—Eu não tenho escolha...

—Claro que tem! Você pode tentar conversar com seus pais sobre a possibilidade de você ficar aqui. E caso não tenha onde ficar, será muito bem-vinda na minha casa, sabe que os meus pais amam você.

—Na minha casa também! –Disse Sarah.

—Ai gente! Não viaja. Meus pais nunca aceitariam isso...

—E se meus pais conversassem com eles?

—Isso já muda a história. Vou falar com eles e te mando uma mensagem.

Chegamos em casa e nos despedimos. Enquanto Brendon e Sarah iam se afastando da minha casa, eu os observava e pensava sobre a possibilidade de ter uma vida sem eles, e cheguei à conclusão de que não seria possível.

Entrei em casa e joguei minha mochila no sofá, meu pai estava no outro sofá lendo um livro sobre ficção e minha mãe estava na cozinha preparando o jantar, quando lhes chamei a atenção:

—Oi gente.

—Oi filha.- Disse meu pai.

—Oi querida, — Disse minha mãe- como foi na escola?

— Nada de mais...- Respondi- Eu preciso perguntar uma coisa à vocês, e é muito importante para mim que pensem sobre isso com muito carinho...

Ambos se viraram em direção à mim, mostrando-se dispostos a ouvir o que eu tinha a dizer.

—Gostaria de saber se eu posso ficar aqui na Irlanda ao invés de ir com vocês para a Inglaterra...

—E onde você ficaria? Sabe que seus avós não podem cuidar de você por tanto tempo, eles têm suas próprias responsabilidades. –Disse meu pai.

—Sim, eu sei disso. Mas conversei com Brendon e Sarah e eles disseram que eu posso ficar na casa dele o tempo que precisar.

—Filha,-Disse minha mãe- não conseguiria ficar todo esse tempo longe de você, muito menos estando em outro país.

—Mas mãe...!Eu tenho uma vida aqui Tenho amigos! Não posso abandoná-los.

—Você não vai ficar aqui! Vai se mudar para a Inglaterra conosco, e fim de papo.

Naquele momento era como se o mundo tivesse desmoronado completamente sobre meus pés. Eu só conseguia chorar. Chamei Douglas para o quarto comigo e “conversei” com ele sobre tudo isso, é claro que ele não entendeu nada, mas foi como ter conversado com um velho amigo.

—Aeryn, desça para jantar! E lave as mãos!- Ordenou minha mãe.

Desci e encontrei meu pai já sentado na mesa, e minha mãe terminando de colocar o jantar. Jantamos como se fossemos três estranhos em uma mesa qualquer, totalmente silenciados pela conversa anterior.

Após o jantar, ajudei minha mãe a organizar a cozinha, disse um “boa noite” coletivo e fui direto para a minha cama tentar dormir.

Ao acordar tive a sensação de que a noite tinha passado mais rápida que um segundo. Tomei um banho para ver se isso me ajudaria a despertar, vesti uma roupa confortável para a escola, e desci as escadas para tomar café da manhã.

—Bom dia, filha.- Disse meu pai.

—Oi meu amor, bom dia.- Disse minha mãe.

—Bom dia gente.

Ficamos em silêncio por alguns curtos segundos, quando o meu pai interrompeu:

—Filha, isso com certeza não vai te agradar mas, vamos nos mudar ainda nessa segunda-feira. Os planos mudaram.

—O que? Mas por quê?

—Teremos uma reunião muito importante no meu trabalho, e eu não posso faltar- Disse minha mãe – Você não vai à escola hoje,arrume suas coisas.- Completou.

—Não! Eu preciso ir! E quanto à Brendon e Sarah? Preciso me despedir deles.

—Eles ja sabem. Virão hoje à noite aqui em casa para se despedir.- Disse meu pai.

Eu estava horrorizada, me sentindo traída por meus próprios pais.

À noite nos despedimos como se nunca mais fossemos nos ver novamente, Sarah me prometeu que iria me vistar um dia, e Brendon cochichou em meu ouvido que queria me encontrar próximo ao parque para me dizer uma coisa, enquanto me abraçava.

Quando eu já estava na minha cama, Brendon me enviou umamenagem dizendo o local exato e o horário, perguntei o que ele queria falar comigo, mas ele nada disse.

Acordei bem cedo no sábado pois estava anciosa para saber o que Brendon queria me dizer, tomei meu café e fui levar o Douglas para caminhar. Depois do almoço disse aos meus pais que iria passear no parque para me despedir dele. Subi para o meu quarto, escolhi meu vestido amarelo de manga curta, coloquei um cinto de couro, tênis all-star branco e meu cardgan azul-marinho para completar.

Cheguei ao parque, porém não conseguia encontrá-lo, até que avistei um garoto alto de cabelos pretos e blusa dos The Beatles andando de um lado para o outro impacientemente, e pude ver na hora que era Brendon. Fui me aproximando devagar afim de assustá-lo, mas por algum motivo ele se virou em minha direção enquanto eu ainda estava na metade do caminho, e deixou escapar um sorriso enorme e lindo, e veio ao meu encontro.

—Oi –Disse Brendon.

—Oi –Respondi.

—Pensei que você não fosse vir.

—Não podia te deixar na mão...- Completei com um sorrisinho, e ele devolveu com um sorriso de canto na boca.

Caminhamos por alguns minutos e rimos bastante, até pararmos em um banco no centro do parque para conversar. Até que no meio da conversa Brendon fez uma pausa considerável, e depois disse:

—Não posso viver sem você!

—Como assim? Você precisa.

—Eu sei que devia ter te falado antes, mas eu sempre fui apaixonado por você...Aeryn, eu te amo!

Eu fiquei totalmente sem palavras, não podia acreditar no que ele estava me falando. Por que só agora ele me falou isso?

—Acho que também te amo, Brendon...

Ele me olhou com tanto amor e carinho, que era impossível não olhar do mesmo jeito para ele, até que ele me beijou, carinhosamente e apaixonantemente, como que se nossos sentimentos nunca tivessem sido ocultados por nossas mentes tímidas.

Quando voltei para casa, já era tarde e eu ainda estava meio anestesiada pelo ocorrido no parque, e por isso fui direto para o meu quarto. Deitei na minha cama e fiquei lembrando do que ele me disse e do beijo...Sentia uma mistura de sentimentos naquela hora, sentia raiva dele por ter me falado isso só agora, e também sentia amor, acho que realmente o amava.

Amanheceu, e o dia da viagem chegou. Logo pela manhã o taxi já estava na porta de casa, ou melhor de minha antiga casa, para nos levar ao aeroporto.

—Eu sei que você ama esse lugar, filha, ma pense em todas as experiências que viverá na Inglaterra! Talvez lá esteja o seu grande amor...-Disse minha mãe comum certo tom malicioso na voz.

—O meu grande amor está aqui na Irlanda, disso eu tenho certeza.

—E como pode ter tanta certeza? –Minhas mãe me questionou.

—Modo de falar.-Respondi- Quem sabe assim você sentiria algum remorso por tirar sua própria filha do país que ela tanto ama para satisfazer a si mesma.

Minha mãe nada disse, apenas ficou me encarando com um olhar abatido, descrente do que eu acabará de dizer.

Pedi desculpas, e expliquei que não havia falado por mal, que isso era fruto da minha tristeza...

Chegando ao aeroporto, descobrimos que nosso voa havia atrasado aproximadamente duas horas, e que por conta disso só chegaríamos na Inglaterra quando já estivesse noite. Era incrível...parecia mentira.

De repente, meu celular vibra. Tiro do meu bolso, desbloqueio a tela e vejo que Brendon me enviou uma mensagem.

Notas finais
Espero que tenham gostado. Postarei o próximo capítulo assim que finalizado.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.