— Ué, o que aconteceu? — Elise perguntou quando entrei na casa.

— Peter vai sozinho. Ou sei lá. Não se preocupe com a moto. — Falei subindo as escadas furiosa. — E já sei. Nós saímos antes do meio dia. — Gritei já no corredor para os quartos.

Segui para o banheiro. Tomei um banho quente.

Estava muito furiosa que Peter pensasse realmente que eu era uma vadia. Vesti uma calça jeans rasgada nas coxas, regata roxa, camisa xadrez de lilás, branco e roxo.

No quarto eu calcei meu coturno preto desbotado. Tudo o que eu mais queria era sumir daqui. Pegar minha ducati e voltar para cidade.

Arrumei a mochila com algumas roupas e fiquei no quarto até quase 11 e meia foi então que desci com a mochila e encontrei todos se arrumando. Peter estendeu a chave da moto para mim que a peguei e guardei dentro da mochila.

Fui com Ian e Sandra até a competição que era em outra cidade. Ian dirigia o caminhão dos cavalos enquanto Henry, Elise, Raissa e Peter iam no ônibus que era uma casa.

Deixei Sandra ir entre Ian e eu e me concentrei em mexer no celular durante toda a viagem.

Chegamos no local da competição e já era de noite. Arrumamos nossas coisas e dormimos em barracas, já que o ônibus não abrigaria todos nós. Puxamos uma lona do caminhão até o ônibus fazendo um teto por cima das barracas.

Apesar da companhia de Raissa ser insuportável e o clima nada agradável entre Peter e eu, o lugar era diferente. Ian me mostrou a pista de provas.

— Você e Peter estão brigados?

— Ele acha que estou dando em cima de você. — Falei e ele arregalou os olhos.

— Peter não pensaria algo assim de você.

— Aparentemente ele pensa. — Respondi e ele pressionou os lábios.

— Dúvido que isso seja coisa da cabeça dele. Com certeza é coisa da Raissa. Ela deve ter destilado o veneno dela.

— Se é verdade ou não isso sobre a Raissa. Ele não tem o direito de acreditar nela e não em mim.

— Não se preocupe. Pela cara de cachorrinho que caiu da mudança ele deve estar arrependido. — Dei de ombros e Ian riu. — Vou falar com ele depois.

— Não precisa. Deixe ele pensar o que quiser.

Voltamos para o acampamento.

— São 3 dias de competição.

— Fala sério. — Falei.

— Por que você acha que viemos na quinta? — Ele debochou e eu balancei a cabeça o empurrando.

Na sexta observei a competição deles. Não era chato, até que era bem interessante.

Mas a maioria daqui era uns riquinhos mauricinhos. A noite nos reunimos no nosso acampamento.

— Começamos bem. — Henry falou abraçando Elise que sorriu.

Observei Peter com aquele roupa apertada e não pude resistir em morder o lábio. Apesar de estar brava com ele. Ainda o achava gostoso.

Todos começaram a ir andar pelo local. Já estava noite e eu precisava de um banho. Entrei no ônibus e fui até o banheiro, mas esbarrei em Peter.

— Ian veio conversar comigo. — Ele falou e eu fiquei em silêncio enquanto pegava a minha toalha. — Ele tem razão, acabei escutando Raissa.

— Bom para você.

— Estou tentando me desculpar. — Ele falou segurando meu braço e o encarei.

— Sim. Mas ainda estou magoada. — Larguei a toalha em cima da cama. — Ok. Você me conhece há o que? Duas semanas? Três? Mas achei que fosse o suficiente para saber como eu sou.

— Você de certa forma da em cima de mim.

— Por que estou a fim de você. E é reciproco. — Falei o óbvio. — Mas agora, achar que eu estou brincando com isso. Dando em cima de Ian já é demais para mim.

— Me desculpe.

— Vai correr atrás da Raissa! É isso o que ela quer. Me deixa em paz.

— Não é o que eu quero! — Ele puxou meu corpo para ele. — Quero você. — Seus lábios pressionaram os meus e me rendi.

Empurrei ele para sentar na cama e sentei no seu colo o beijando com vontade. Segurei a barra da sua camiseta polo começando a puxar para cima, mas ele segurou as minhas mãos.

— Rápido demais? — Perguntei e ele riu.

— Só um pouquinho. — Beijou minha bochecha. — Quero isso tanto quanto você. Mas não aqui na cama da minha mãe.

— Será que eles vão aceitar?

— Nós dois? — Assenti e ele riu.

— Acho que todos já notaram que está acontecendo alguma coisa entre nós. Minha mãe nunca tinha mandado eu buscar pão na cidade com alguém. — Ele riu antes de beijar meu pescoço.

— Mas eles vão aceitar isso?

— Não temos nenhum laço sanguíneo, Sofia. Pode relaxar. — Me beijou e eu sorri.

Os três dias de competição foram até que rápidos. Peter e eu estávamos juntos. SÓ que tínhamos resolvido não assumir por enquanto, apesar que todos já tinham notado nossa proximidade. Ele estava sempre segurando minha cintura ou com as mãos entrelaçadas a minha.

Quando voltamos para casa eles estavam felizes por ter o troféu e o prêmio. Peter e eu voltamos com Ian.

Parecia que eu tinha encontrado um lugar para mim. Com pessoas que gostavam de mim. E tinham tempo para mim. Estava distraída conversando com algumas amigas pelo notebook que não vi Peter bater na porta do quarto.

— Vamos dar uma volta? — Ele perguntou depois de entrar.

— Dar uma volta?

— Com quem está conversando? — Perguntou observando meu notebook onde duas garotas estavam sorrindo. – Ah, oi. — Ficou vermelho.

— Oi. — Camila falou sorrindo maliciosa.

— É ele? — Caren perguntou.

— É. Agora eu tenho que ir. — Desliguei a vídeo chamada e me virei para Peter. — Dar uma volta?

— São suas amigas?

— Sim. São loucas, mas não da bola. — Sorriu e segurou minha mão me forçando a ficar em pé.

— Andou falando de mim? — Perguntou sorrindo e beijando minha bochecha.

— Sim. Normalmente não escondemos nada umas das outras. São minhas amigas desde o primário. — Falei. — Agora pode me responder onde vamos dar uma volta?

— No campo. Quer conhecer melhor a fazenda?

— Se você liberar o Noturno para mim.

— Posso fazer esse sacrifício para você. — Beijou meus lábios.

— Eu sabia! — Nos afastamos para encarar Sandra parada na porta. — Eu sabia!

— Sandra. — Peter resmungou.

— Você sabe que não tenho nada contra. Na verdade ninguém tem nada contra vocês dois juntos. Mas poderiam ter contado antes. Pelo menos para mim.

— Ok. Agora você já sabe. — Ele falou. — Nós vamos dar uma volta. — Peter segurou minha mão me forçando a caminhar junto dele. — E não! Você não pode ir junto.

— Você é um estraga prazer.

— E você um castiçal.

— Você que sempre segurou vela.

— Sim. Agora trocamos. — Ele saiu da casa praticamente me arrastando.

Ele celou Noturno para mim e pegou outro cavalo para ele. Saímos cavalgando para o campo. Eu tinha razão sobre cavalgar. Era sentir liberdade também. Só que não tão veloz quanto minha moto.

— O que suas amigas queriam? — Perguntou.

— Está começando a chegar as cartas das faculdades. As delas já chegaram então elas queriam saber se eu já recebi as minhas. Mas não sei se vão entregar aqui.

— Então você se escreveu... Para a faculdade?

— Sim. — Respondi. — Minha mãe já deixou o dinheiro separado. Só estou esperando as respostas... — Me calei. — Peter você... Não se inscreveu para alguma?

— Não. Meu destino é a fazenda.

— Você não quer fazer isso para sempre ou quer?

— Gosto daqui. Gosto do trabalho daqui. E tem as competições.

— E quando eu tiver que ir daqui algumas semanas?

— Temos duas opções. Terminarmos e fingir que nunca nos conhecemos. Ou... A opção que eu prefiro. Você ir e eu te esperar aqui.

— Vai conseguir conviver com isso?

— Sim. — Ele falou sorrindo. — Você não?

— Nunca namorei a distância. — Falei.

— Eu também não. Mas você tem que seguir seus sonhos. E ao mesmo tempo não quero terminar isso.

— Vamos conseguir. — Ele assentiu.

Cavalgamos mais um pouco e depois voltamos para a fazenda. Sandra estava na frente nos esperando com o celular na mão.

— O que aconteceu? — Peter perguntou.

— Um tal de Harry ligou para Sofia.

— Harry? O que ele queria?

— Só disse que era assunto com você. — Ela respondeu e eu saltei de Noturno facilmente antes de seguir até ela.

Peguei o celular e retornei a chamada. No segundo toque ele atendeu.

— Sofia?

— Sim, Harry. Tudo bem?

— As cartas das faculdades chegaram no meu endereço. Tomei a liberdade de abrir.

— E ai?

— Você foi aceita em todas, Sofia.

— Eu não acredito. Ótimo! Maravilhoso! — Praticamente gritei me virando para Peter. — Passei.

Ele sorriu. Mas claro que não era um sorriso completamente feliz.

— Passou? — Sandra perguntou.

— Na faculdade. — Falei animada e ela me abraçou.

— Parabéns! — Ela falou.

— Que presente. — Murmurei. — Harry você pode arrumar as coisas para mim?

— É claro. Feliz aniversário, Sofia. Você merece. — Ele desligou.

— Aniversário? — Sandra perguntou. — Por que não nos contou?

— Não era importante. E não queria que vocês pensassem que eu vou embora.

— Mas você vai para a faculdade.

— Mas eu vou voltar nas férias, Sandra. Vocês são minha família agora. — Ela sorriu e me abraçou.

É claro que Sandra contou aos outros que era meu aniversário, então Elise fez um bolo elaborado e eles cantaram "parabéns" para mim. Estava perfeito.

Menos Peter. Ele foi se deitar antes de todos.

— Vai falar com ele. — Elise falou.

— Vocês se importam?

— Que você esteja namorando o Peter? — Ela perguntou e fiquei vermelha. — Claro que não. Fico muito feliz. — Lancei um olhar ao Henry que sorriu.

— Não poderíamos desejar coisa melhor aos nossos filhos. — Ele falou e eu sorri.

— Obrigada.

Entrei no quarto e Peter estava sem camisa somente com uma calça de pijama. Ele me encarou enquanto arrumava a cama.

— Você ficou triste. — Falei.

— Não. Eu estou feliz que você passou.

— Mas está triste que eu vá embora.

— É claro que estou. Mas não se preocupe eu me acostumo.

— Você pode ir me ver. — Ele riu sem humor algum.

— Você sabe que isso é meio impossível.

— Não é não. Uma das faculdades fica a meia hora daqui. — Respondi. — Mesmo que eu vá morar lá você ainda pode me visitar.

Ele ficou me encarando então sorriu e abraçou meu corpo fortemente.

— Não quero ficar longe de você.

— Não vai. E mesmo que fique é por pouco tempo.

— Eu te amo. Parece irreal que seja tão forte assim com tão pouco tempo de convivência. Mas eu te amo.

— Eu sei. — Murmurei. — Também me sinto assim. — O encarei nos olhos. — Se isso for capaz de suportar a distância pode saber que é forte. — Ele sorriu antes de me beijar.

O empurrei para a cama e subi em cima dele já o beijando.

— Os outros. — Peter falou.

— Relaxa. Eu tranquei a porta. Só temos que tentar não fazer muito barulho. — Ele sorriu antes de me beijar.

Ele nos virou na cama ficando por cima.

— Vai ser um pouco difícil. — Ele murmurou antes de me beijar.

E de fato foi difícil não fazer barulho.

Peter era o tipo de garoto que eu gostava. Aquele tipo envergonhado, mas que na hora H toma a iniciativa e faz tudo gostoso.

Perfeito.

Os dias que passaram foram de alegria. Nunca pensei que pudesse ser tão feliz na vida.

Mas aquela família mostrou isso a mim.