Um sonho estranho
6 O verdadeiro adeus
Notas iniciais
O que eu estou fazendo da vida?
O mundo acabou e eu estou querendo saber da vida de um cara que eu nem sei como conheci.
Quem é ele afinal?
Por que eu estou aqui?
O que eu estou dizendo?
Eu não sei mais o que estou fazendo da minha vida, estou de pé a beira de um penhasco
A leve brisa bate na grama criando um som tão insignificante, porém calmo, libertador talvez.
Eu me sinto preso
Preso a meus amigos?!
Eu me sinto preso aos meus amigos!!!
Mas eu mesmo escolhi estar aqui, cada decisão que tomei me traria um destino, e foi esse que escolhi, o destino onde viajo com um cara que não sei como conheci, um garota muda que não sei o nome, e chegamos aos estados unidos caminhando ou de barco, eu nem lembro mais!
Começo a caminhar para frente, o sol está nascendo diante de meus olhos, eu sigo a luz sem saber o que procuro, um sentimento de dúvida em meu coração, o que eu mesmo quero é algo que apenas eu poderia saber, mas eu não tenho objetivos na vida, ou eu não sei que os tenho, afinal, nunca damos valor ao que temos até o perder.
Continuo caminhando até a borda, as ondas batem fortemente nas pedras, gaivotas passam voando com suas canções trazidas de longas viagens, eu sentia como se o mundo ainda estivesse completo.
Andando quase hipnotizado, eu dei um passo em falso, a terra que estava me sustentando foi forçada, uma rachadura se formou em volta do chão, e um pedaço, onde eu estava, foi levado para baixo, enquanto caía, eu acordei e percebi o que ocorria, prendi a respiração, não para não me afogar, mas eu estava com medo, medo do futuro.
Minha visão estava esbranquiçada, o choque de meu corpo com o mar causou um enorme estrondo, tudo se agitava, eu via até alguns peixes fugindo assustados.
Meu braço esquerdo começou a brilhar, minha visão ao invés de continuar branca, agora estava escura, mas aquele brilho, não era nenhum milagre, era algo que poderia causar minha morte.
Meu braço esquerdo feito do misterioso minério (ou joia) começou a gerar eletricidade, dentro da água, uma dor enorme percorreu meu corpo, paralisando-o completamente, as águas eram limpas e puras, então em meus últimos momentos, pude ver o céu com o brilho do sol.
Mas aquele não era meu fim, eletricidade com água podia não dar certo, porém eu já havia estado dentro de um dragão!!!
Eu podia enfrentar isso, mas meu corpo não respondia, meus músculos estavam praticamente mortos, não pude mais evitar a água, e tive que suspirar, senti meu corpo queimar inteiro por dentro, mais dor do que eu já sentia, minha consciência ainda não havia sido perdida por completo, eu podia ouvir tudo ao meu redor, mas meus olhos já haviam se fechado, era praticamente um sonho.
Tudo estava escuro, eu ouvia uma voz... Essa voz... ERA A VOZ DO BRADD!!!
Mas esta voz.... não dizia coisas normais, talvez como "ele vai ficar bem" ela dizia apenas...
"adeus".
Por um momento eu não pude mais nem ouvir, estava inconsciente, mas, não demorou para que eu acordasse, levantei com um salto, eu estava muito assustado, estava de noite, e eu só via o mar batendo levemente na beira da areia, eu estava em choque, porque ouvia uma respiração pesada perto de mim, foi quando eu tremulamente movi meu pescoço para a direita, era o Bradd.
Ele estava deitado ao meu lado, e estava ensanguentado, eu não conseguia me mover, minha cabeça e meus batimentos estavam a mil, ele estava me encarando, foi quando eu percebi que ele não duraria muito.
Sua camisa estava rasgada, e seu pulmão direito havia sido perfurado por uma rocha, ele tentava se manter vivo, mas poderia morrer perdendo tanto sangue, ou sem ar.
Eu estava perdendo ele pela segunda vez, mas agora, não havia como nos reencontrarmos, meu corpo não podia se mexer, mas eu estava chorando muito sem nem perceber, eu mesmo havia desejado estar livre de outras pessoas, e obviamente, este amigo que eu não dei valor, deu sua vida para me salvar, algo que eu jamais poderia fazer.
Ele teve apenas forças para dar um sorriso.
Logo após isso, seus olhos começaram a se fechar, eu o considerava um irmão, meu irmão estava partindo, e eu desejei não ter que estar mais com ele, nem com aquela menina esquisita sem nome, que agora devia estar morta sem alguém para protegê-la.
Enfim, eu vi o Bradd morrer, tentei não olhar para ele, e me levantei com muita dificuldade, saí mancando, talvez estivesse em uma ilha, onde eu via apenas mar e floresta, comecei a andar para a mata, mas deixei uma trilha de lágrimas para trás, agora eu estava sozinho.
Eu tinha uma nova vida agora?
Só Deus sabe...
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