Um sonho diferente.
1 O início do fim
O vento batia violentamente em meu rosto, mas a sensação era de liberdade e puro êxtase. Eu sabia que não tinha mais volta, mas eu realmente não me arrependia. Posso não ter sido o herói que deveria, mas eu ainda me sentia bem. E antes de ir, eu senti como era voar, mesmo que uma única vez por poucos segundos. Senti a mão dela na minha e sabia que apesar de eu não ter chegado a tempo e de não tê-la salvo, ela se orgulhava de mim. Eu não me rendi como os outros e lutei até o final. Me sinto vitorioso.
Vislumbres de momentos da minha vida passaram diante dos meus olhos, seu sorriso, o toque dos seus dedos na minha pele, nosso primeiro beijo, seus olhos, seu cheiro, nossos amigos, família, lugares que costumávamos ir.... e por fim, aqueles mesmos olhos que tanto amei me observando sem expressão. Aqueles mesmos olhos que me faziam sonhar, agora sem vida, sérios. Vi também quando ela foi tomada, quando ela já não era mais ela e quando seu corpo não passava de uma casca. Vi quando finalmente ela foi deixada, vi quando seu corpo caiu inerte no chão, seus cabelos castanhos espalhados em volta do seu rosto. Um último suspiro.
Lembrei da loucura que me invadiu, do olhar da criatura que saiu de seu corpo. O puro ódio me consumiu e naquele momento eu decidi que não ia me deixar ser útil para eles. Eu ia fugir, e eles nunca iriam me alcançar.
Corri como se nada mais importasse, e bom... realmente não importava. Ela se foi, acabou.
Aquela coisa vinha atrás de mim com um sorriso sinistro. Aquilo parecia uma lacraia, porém era enorme e tinha roubado a fisionomia do rosto dela, porém era a face da maldade pura. Era nojento.
A cidade já tinha sido conquistada por aqueles monstros. Não tenho certeza se eu era o último, mas acho que sim. Para todos os lados que eu olhava, só havia destruição e morte.
Corri para uma floricultura e encontrei, ironicamente perto das flores que ela mais amava, uma tesoura enorme de jardineiro.
Uma gargalhada bizarra passou por meus lábios. Saí da loja e vi, ao longe, o início de uma mata fechada. Bom, seria divertido. O que eu tinha a perder?
Corri o mais rápido que pude entre as árvores e me deparei com um precipício. A queda era de uns 20 metros, e lá em baixo havia um rio. Perfeito.
O bicho estava logo atrás de mim, e com ele haviam outros. Covarde.
Me lancei contra ele e enfiei a tesoura naquele rosto.
"COMO OUSA TENTAR USAR O ROSTO DELA?" — Gritei
O sangue, ou o que quer que fosse aquilo, escorria entre meus dedos. A loucura me consimia cada vez mais, e eu ria.
A coisa conseguiu se soltar e eu vi a fúria por trás do seu verdadeiro rosto. A máscara havia finalmente caído, e agora ela não mais era parte daquilo.
Sorri e, correndo, me joguei do precipício.
Eu nunca seria usado como os outros.
Eu finalmente estaria com ela.
Notas finais
Espero que tenham gostado.
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