Mary se aproximou da porta, entrou lentamente olhando para todos os lados, não sabia exatamente o que procurava, mas na verdade não queria encontrar nada. Arrepios subiam a cada passo dado. Raquel estava logo atrás, um pensamento de leve passou em sua cabeça: “Não deveria ter vindo!”. Mary olhou para o lado direito onde havia um guarda-chuva grande, de madeira, de boa qualidade. Ela o pegou para caso aparecesse algo ou alguém, fecharam a porta e subiram para olhar os quartos. Conferiram cada espaço possível.

– Ufa, ainda bem que não tem nada aqui – Disse Raquel, aliviada. Mary deu um sorriso demonstrando alivio também, porém na verdade não estava nem um pouco.

– Vamos descer e pegar suas coisas no carro. – Disse Mary. Raquel balançou a cabeça dizendo que sim.

Conforme Mary ia em direção a escada, Raquel a seguiu. Quando de repente ela parou do nada no meio da escada. Olhando para frente, ficou completamente congelada, não acreditou no que via.

– Ai meu Deus – disse Raquel, com as mãos cobrindo sua boca. A porta estava completamente arreganhada. “Será que alguém entrou ou saiu?”, “Será que tem alguém aqui?”, “O que querem?”, esses foram os pensamentos que passaram na cabeça de Mary naquele momento.

– Mary, temos que pegar minhas coisas, vamos sair e então aproveitamos para olhar em volta da casa – disse descendo da escada.

– Tudo bem. – respondeu preocupada.

Saindo da casa as duas vasculharam o quintal todo, e então pegaram os pertences de Raquel, trancaram o carro e voltaram para a casa. O que era para ser uma noite feliz e agradável acabou sendo silenciosa e preocupante. No segundo andar, no final do corredor era o quarto que ela iria ficar, lá havia uma cama no meio do cômodo e um guarda roupa ao lado direito rente a uma janela com cortina marrom clara. Lá era o quarto da irmã de Mary, Kristin, ela se casou e acabou indo morar com o marido, deixando aquele quarto com os moveis já pensando em Mary não morar sozinha.

– Se quiser, podemos ver uma tevê para você amanhã. – disse Mary tirando algumas roupas da mala e colocando no cabide.

– Pode ser, se não for incômodo pretendo voltar para a minha antiga casa amanhã para pegar uma cômoda, lá eu deixava meus livros de estudo.

– Sem problemas, amanhã faremos isso. Você faz faculdade? – perguntou.

– Faço direito, aí já viu né? Muitos livros. – riu, ajudando a guardar as roupas.

– Puxa, que legal, você estuda a noite né?

– Sim, trabalho de dia em Jonson Park e estudo a noite lá perto mesmo – Jonson Park ficava à uns vinte e três quilômetros de lá, era uns do bairros mais nobres. – E você, trabalha e estuda?

– Trabalho no centro. Fiz faculdade de administração no centro também. – respondeu, esticando os lençóis na cama.

– Ah, entendi. Acho melhor irmos dormir né? Já está ficando tarde. – disse bocejando. Mary fez que sim com a cabeça, colocou o travesseiro na cama e disse: – Verdade, vou deitar também, boa noite.

– Boa noite e até amanhã.

Ela fechou a porta, apagou as luzes do corredor e foi para o quarto, fechou a porta e deitou na cama. – Hoje foi um longo dia. – pensou alto. Tirou suas botas, estava tão cansada que nem ao menos trocou de roupa, deitou assim mesmo e minutos depois dormiu.

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