– Paz, é uma coisa que eu não tenho mais – Disse Mary escondendo seu rosto com o cardápio.

– O que houve peloamordeDeus? – Respondeu Loren que já estava se irritando.

– Olha para o seu lado esquerdo disfarçadamente, tem um cara com uma camisa preta Gola V – Sussurrou. Pena que Loren não entendeu a parte de olhar disfarçadamente e começou a encarar o cara. – Ele é o Ian, que eu havia falado.

– Ele é um gato, mas acho melhor você parar de se esconder atrás desse livro porque ele está vindo para cá.

– 1) Isso é um cardápio. 2) O QUE??

Nem deu tempo para Mary raciocinar o que sua amiga havia dito que Ian já estava ao seu lado. Ele lhe deu um tapinha no ombro, deu um daqueles sorrisos encantadores e disse – Você está me seguindo é? – Mas é claro que não – Respondeu grossa. – Nossa que ignorante, posso me sentar, ou estão esperando alguém? – Loren ficou tão encantada com o seu jeito e com a aparência que se intrometeu e disse – Mas é claro que sim, sente-se.

Depois de uma longa conversa normal, Loren disse que precisava ir embora, pois estava ficando tarde e Ian sugeriu leva-las para a casa. Todos entraram no carro, Mary no banco da frente com Ian e Loren atrás por escolha própria, pois queria deixar os dois sozinhos. Chegaram em Stivil Park, onde Loren morava. Pararam em frente a uma casa lilás, não muito grande, mas também não muito pequena, Ela saiu do carro e se debruçou na janela do motorista e o agradeceu. Ele engatou a primeira marcha e saiu, seguiu o caminho que Mary ia falando que levava até a sua casa. “Vire a direita”, “Agora vire à esquerda”, “Isso, agora continue reto”, essas foram as únicas palavras trocadas naquele momento.

– Começou a trabalhar quando na Socsse? – Perguntou Mary querendo quebrar o silencio.

– Haan, faz três semanas – Respondeu.

– Ah, suspeitei, pois trabalho lá a mais de seis anos e nunca tinha visto você lá.

– Sou sortudo né? Comecei há pouco tempo e já encontrei alguém como você. – Disse com a intenção de envergonha-la.

Mary fingiu que não tinha escutado e apenas sorriu – Pode parar ali – Apontou para uma casa grande e cinza. Ao parar o carro, Ian virou-se e disse:

– Está entregue – Sorriu.

– Obrigado – E saiu do carro.

Enquanto Mary se direcionava até a porta, percebeu que o carro ainda estava lá, Ian estava esperando ela entrar em casa. Assim que entrou ouviu o barulho do motor do carro, e enfim, ele se foi.

Enquanto subia as escadas o celular tocou.

– Alô? – Disse Mary. Esperou um tempo – Escuta aqui, quem for que seja pare de ligar para o meu celular se não vou rastrear, ok? – E desligou. Foi para o seu quarto furiosa, pois não aguenta mais essas ligações em que ninguém respondia.

Jogou suas coisas na estante, e foi olhar a janela. Estava com tanto medo de ficar sozinha naquela casa que começou a olhar cômodo por cômodo para ver se não tinha algo de errado.

Mary começou a pensar em ir atrás de alguém para dividir a casa, assim se sentiria mais segura e dividiria as despesas também. Deitou-se na cama e colocou seu notebook no colo, abriu a página do Facebook e pensou em começar por lá. Fez uma página com fotos da casa e dizendo que está querendo um(a) companheiro(a) para dividi-la, colocou os preços e desligou pois já estava ficando tarde.

O colocou na cabeceira da cama e dormiu.

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