Um romance quase de cinema
5 Capítulo 4
— Uma especial surpresa os aguarda neste momento atrás dessas cortinas. – a apresentadora entusiasmada anunciou no microfone. – Dou um dólar se adivinharem quem está aqui.
Observei os fãs que começaram a ficar agitados. Até mesmo os atores e o diretor também tentavam entender o que estava acontecendo. Todos deliravam com o show e a expectativa. Naquele momento, eu estava a mil, pois no outro salão o grande baile de caridade havia iniciado. Nunca havia desejado tanto um clone de mim para não ficar tão apreensiva. Estava com as minhas férias quase vencidas e depois desta noite, pediria alguns dias para descansar.
— Nick Coooooper! – foi a última coisa que escutei após instantes de brincadeiras de adivinhações.
Ele subiu ao palco acenando a todos com sua postura descontraída e totalmente ciente do quanto era querido e amado. Também estava consciente de como sua beleza contagiava as mulheres. Os jovens se levantaram e gritaram como se estivessem no show dos Beatles. Sua colega de trabalho fez caras e bocas apontando para ele como se ele fosse “o cara”. Ela se levantou e o abraçou carinhosamente falando algo em seu ouvido. Nick retribuiu o abraço e acabou de cumprimentar o resto do elenco sem tirar o sorriso do rosto.
— Todos prestem atenção na segurança dos artistas. Equipe de paramédicos e enfermeiros fique de olho. Não quero ninguém machucado. Cambio. – avisei.
Alguns minutos se passaram até a gritaria diminuir. Era impressionante o amor que eu via em cada um ali presente o que me fez querer dar uma chance ao filme. O ar condicionado estava no máximo, mas o suor por causa da emoção tomava o lugar. Era lindo. Não pude deixar de apreciar e, no fundo, desejar estar sentindo a mesma coisa. Eles estavam vivendo aquele momento como se fosse único. Há quanto tempo que eu não fazia nada além do meu ofício? Larissa era a única pessoa com quem eu mantinha uma relação de amizade mais duradoura, mas fora ela, eu me fechara para o mundo e para as tantas sensações que ele poderia me proporcionar. Uma melancolia se apoderou de mim.
— É um prazer imenso estar com vocês nesta première. Eu sei que muitos estavam ansiosos por me verem e meu coração estava apertado por não poder prestigiar o lançamento deste filme juntamente com os brasileiros. Foi repentina a minha decisão e consegui chegar a tempo. Muito obrigado a todos. – Nick se apresentou e conversou um pouco com os fãs. Ele havia contado um pouco da história, das cenas e como tudo foi mágico. De acordo com ele, as gravações do próximo filme da trilogia começariam em breve.
— E Jennifer, o que você espera do próximo filme? Teremos alguma cena mais quente? – perguntou um repórter. – as meninas gritaram quando Jennifer olhou para Nick sedutoramente.
— Eu só posso dizer que vocês não irão se decepcionar. – ela disse antes de sorrir e bater palmas junto com todos. – Yeah, babies! – gritou.
O show estava indo muito bem. Então, fui até o baile para conversar com o senhor Harry. Ele estava sentado à mesa conversando com algumas senhoras que pareciam ter saído diretamente de algum castelo da antiguidade com seus vestidos e joias caras. Quando me aproximei, elas se foram como se eu estivesse fedendo.
Na festa também havia jovens, talvez fossem filhos ou netos dos convidados e me peguei pensando se seriam tão esnobes quanto àquelas velhas esticadas.
A banda começou a tocar um clássico dos anos 80 de Bryan Adams tirando-me aquele pensamento inútil. Tudo estava calmo, totalmente diferente do outro lado. Procurei por Larissa com o olhar, mas não a vi em nenhum lugar.
— E como está a première? – perguntou-me Harry.
— Nick Cooper apareceu. – falei com o semblante cansado.
— Oh-oh. Não me diga? Essa noite está interessante. Pelo que vejo, seu trabalho duplicou, não foi?
— Um pouco. Os fãs estão alucinados. – conversei.
— Sente-se um pouco, minha querida. – pediu-me com gentileza. – Cinco minutos de paz bastam para que você retorne com energia.
— É uma boa ideia. – ao sentar-me ao seu lado, meus pés gritaram de desespero pedindo clemência. Estava começando a ficar exausta. Não era o cansaço em si, mas a adrenalina que me deixava ligada.
— Tudo ficará bem. Logo os artistas virão para este lado e o contingente de seguranças ficará com a área restrita somente aqui.
— Está tudo tão lindo! – à minha volta, as mesas com toalhas de seda faziam o conjunto com as pessoas ricas. Era tudo tão perfeito, clean, artificial. Somente aquele velho senhor parecia ser de verdade ali.
— Obrigado. Você fez um ótimo trabalho. – ele pegou a minha mão e a apertou de leve.
— Foi um trabalho em equipe e, a empresa agradece pela preferência. – sorri. Harry olhou ironicamente. – Eu sei... Foi muito falso. Mas, agradecemos mesmo. – ri.
— Eu sei, minha querida. – ele riu comigo.
— Misha, Nick resolveu descer do palco e se juntar aos fãs. O que fazemos? Cambio. – merda.
— A entrevista acabou? Cambio. – perguntei.
— A apresentadora está falando as últimas palavras. Cambio.
Olhei para Harry.
— Traga-os para cá e descanse. Estarei aguardando os novos convidados. – esse cara era louco mesmo.
Fale com o autor