Um rabisco
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Notas iniciais

Eu não poderia ser diferente. Me deixaram sangrando ao vento sozinha, me viram errar por mais de uma vez e nunca estenderam a mão para mim. Tenho em mim todo o amor possível capaz de curar até o câncer, mas ninguém parece que pode ver isso. Sinto tanta saudade daquele sorriso que ás vezes me perco em pensamentos perdidos que não me levam a nenhum lugar. Só de imaginar que não poderei mais sentir o cheiro das nuvens, ver o sol encostar sua mão sobre o meu ombro, eu que sempre gostei de ver algumas borboletas tocando a ponta das árvores, agora nada disso mais me é permitido totalmente. Eu só me lembro de ver algumas garras negras pingando sangue morno pela rua quente e suas palavras vieram em minha direção. Presa e amarrada de ponta cabeça numa janela que dava para mim ver a lua manchada eu pude sentir alguns de seus passos. A escuridão fúnebre me agarrou completamente retirando todo o ar dos meus pulmões e eu de repente caí e bati a cabeça no chão áspero daquela rua sem nome. Ao acordar-me e olhar-me ao espelho, percebi duas marcas entalhadas em meu pescoço e ao abrir a boca percebi que dois dentes de vampiro estavam a me incomodar. Deitada, com o corpo dormente pude ouvir a respiração daquele rapas que dobrava a rua e ele estava á 100 metros de distância de mim. Pareceu insuportável e muito doloroso ouvir e saber de tudo aquilo. Eu poderia sentir seu coração pulsando e sangrando dentro de sua caixa torácica e ouvi o tilintar de seus ossos batendo dentro de sua carne.Aquilo era absolutamente entediante e eu não suportei. Fixei meus olhos bem em cima daquela lua redonda e a ela lhe fiz um pedido. Na escuridão da noite, nada aparecia para mim explicitamente naquela rua sonolenta. De repente uma luz me cegou e minha visão sensível falhou imediatamente e eu me pus ao chão.O carro que vinha com a ata velocidade não viu uma das minhas asas mortas e bateu em mim. A batida arrancou minhas asas que ficaram estendidas na rua, meu coração não batia mais e minhas mãos pareciam frias demais. Naquela noite, eu tive a experiência mais inusitada da minha vida, ao mesmo tempo que experimentei a noite sombria, veio o clarão do dia e me arrastou junto com ele.
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