Um pouco de Minhas Lagrimas
6 Eu vou me curar, acredito nisso!
"Ecoa em mim o silêncio dessa solidão
Pudera eu viver sem coração
Viver sem você"
Os dias se passaram, estava me sentindo cada vez pior e a cada vez que ia para a aula e via Thomas quieto, triste, me sentia mais morta que viva. Me sentia sozinha, não tinha ninguém para me acalmar a não ser minha mãe, estava solitária. Resolvi começar meu tratamento, mas antes disso deveria contar as minha amigas o que me aconteceu, pelo que estava passando.
As chamei em minha casa após a aula, Jess estava muito preocupada e Nathy se mostrava mais serena. Ambas me olhavam com cara de quem sabia que eu estava muito doente. Chegando na minha casa colocamos uma pizza no forno e fomos conversar um pouco, precisava me preparar para a bomba que tinha que passar a elas, e precisava fazer isso com a barriga cheia.
Logo após o almoço, Jess olhou para mim com cara preocupada e disse baixo.
— Ammy... O que você tem pra nos contar?
— É bem difícil isso... — Respirei fundo e olhei para o chão, não podia olhar para elas se não iria começar a chorar — Não queria que ninguém soubesse o que estou passando, não queria que Thomas sofresse comigo e terminei com ele por isso, e não quero que vocês sintam tudo o que eu sinto. Eu estou sofrendo tanto por isso...
— É sobre seus desmaios e enjôos não é? — Disse Nathy com voz chorosa.
— Sim! Eu tenho... Não sei bem como falar a vocês... — Naquele momento não me aguentei mais e comecei a chorar, as amava como minhas irmãs, não suportaria deixar elas tristes. Nathy começou a chorar e Jess não se conteve também, estavam muito preocupadas e achei melhor falar logo, respirei fundo e contei. — Minhas manas, eu tenho leucemia!
Por fim levantei o rosto para encara-las, Nathy chorava cada vez mais e Jess também. Acho que foi um choque muito grande para elas, mas era necessário contar.
— Por favor, não contem a ninguém... Eu vou me curar, acredito nisso! Fiquem calmas...
Me aproximei delas e as abracei, choramos todas juntas. Quando já estávamos calmas consegui lhes contar tudo e elas passaram a entender tudo.
Estavam com tanto medo de tudo que viria a acontecer como eu, mas quando minha mãe chegou ela nos acalmou, disse que havia encontrado um bom medico para cuidar de meu caso, e resolveu fazer pipoca para nós comermos enquanto assistimos filme.
Quando o cheiro do óleo começou a invadir a sala sai em disparada para o banheiro, continuava a ficar enjoada, mas sabia o motivo daquilo, minha doença e claro.
Aquele dia foi o mais calmo que tive desde que descobrira minha doença, e depois desse dia, minha vida começara a mudar.
Resolvi começar a me tratar mesmo, gostaria de viver o Maximo que pudesse.
Fui ao medico, e ele fez vários exames comigo, e marcou mais exames de sangue, inclusive de HIV e Gravidez, não sei pra que, mas vou fazer do mesmo modo.
Continuava a ir a escola e a cada vez que via Thomas me dava um aperto no peito, um nó na garganta. Tinha vontade de ir falar com ele, dizer o quanto lhe amava, mas que não podíamos ficar juntos pois eu estava muito doente e não queria vê-lo sofrendo junto comigo, qua já bastava ver minha mãe e minhas melhores amigas olhando pra eu com pena... Mas eu não tinha coragem de lhe falar isso, eu era uma grande covarde.
Passavam-se os dias, meus enjôos aumentavam, tonturas e sono também, sempre pensava que aquilo era normal, por causa do estagio da doença, não estava muito preocupada com isso, só o que eu queria era viver, para ter Thomas novamente ao meu lado, sem medo.
Estava me sentindo sozinha, solitária, viver sem ele, é como viver sem comer, é insuportável. Nem minhas amigas, nem o carinho de minha mãe me fazia passar a impressão de solidão. Queria poder toca-lo novamente.
Estava tudo igual quando Thomas havia ido embora, só estava pior por um motivo, não foi ele quem me abandonou, ele estava lá, eu só, não podia ficar com ele, eu não queria vê-lo sofrer, mas podia ver o quanto ele também sofria com aquilo.
Por fim, chegou o dia dos tais exames de sangue, não gostava nada de ter que fazer aquilo, era impossível eu estar grávida pelo simples fato de que só me relacionei com Thomas, e nem foram tantas vezes, e também nenhuma delas foi sem proteção. Eu estava segura que não era necessário aquilo, mas como minha mãe disse, "Ordens do médico"!
Fiz os tais exames e fui para a aula, era para ir buscar o exame após a aula, mas passei mau no colégio. Thomas ficou todo preocupado e foi me acudir, eu havia desmaiado no meio da aula de educação física. A Diretora do colégio chamou minha mãe e ela me levou para casa, dormi um pouco e acordei com minhas amigas ao meu lado. Jess estava pálida, e Nathy cabisbaixa. Sorri para elas e disse:
— Estou bem, juro! Isso é normal... Vocês sabem!
Jess olhou para mim como se tivesse visto um fantasma e falou quase inaudivel:
— Thomas praticamente nos obrigou a contar a ele o que você tem...
Levantei muito rapido da cama e fiquei tonta, cai sentada nela novamente, falei furiosa.
— Vocês não contaram né?
— Claro que não! — Disse Nathy depressa — Mas ele quer falar com você amanhã... Nós vamos embora agora, só passamos para ver como estava e trazer seu caderno, anotamos a matéria da prova de Física para você...
— Ai, vocês são uns amores. Ah! Não se preocupem, amanhã eu invento uma ótima mentira! Me liguem...
Elas foram embora e eu fiquei lá em minha cama deitada olhando para o této e pensando sobre o que as meninas me contaram. Ele realmente ainda se preocupa comigo... Fiquei pensando isso até adormecer novamente.
Notas finais
Aqui onde o sol não me vê,
Aqui onde eu não moro,
Não existo sem você"
Aqui - Capital Inicial
Fale com o autor