– Annie on -

Não acho justo eu ter que sofrer tanto, eu sei me iludir fácil e isso não me ajuda em nada. Você compartilha tudo comigo, de felicidades a tristezas, E me fala tudo sobre vocês dois.
Se apaixonar pelo melhor amigo, quem já se viu? Sou ótima nisso, sou ótima em te ouvir, sou a melhor pra dar os conselhos que você precisa, só não sou a ótima pra você. Posso te amar bem mais do que ela te ama, Acho até que posso te fazer bem mais feliz. Conheço-te desde sempre e percebo que não passo de mais uma amiga sua, Isso dói bastante, e como dói. Fico debruçada na varanda de casa ao som de músicas que me lembram de você, fico a voar no tempo imaginando como seriamos juntos... Como será que seriamos sem ser apenas bons amigos?

– Annie of. –

Parecia que Annie Werneck estava presa em um daqueles pesadelos apavorantes em que você precisa correr, correr até os pulmões explodirem, mas não consegue fazer com que seu corpo se mexa com rapidez suficiente. Ela não se conseguia ver-se apaixonada pelo melhor amigo, o mundo desabaria se ele soubesse de seus sentimentos. Ela teve medo, muito medo de perder o amigo de infância e acabar destruindo sua vida. Mas isso não era um sonho, e, ao contrário do pesadelo, ela não estava correndo para salvar sua vida; corria para salvar algo infinitamente mais precioso. Depois que perdeu os pais em um acidente de carro e teve que morar com seus tios, nada nesta cidade é mais importante para ela do que Edward Meyer, que lhe fez bem daquele dia em diante.

– Edward on –

Caminhei até a casa dos tios da Annie e como me consideram da família, subi até o quarto da mesma e a encontrei em prantos. Ela estava segurando consigo seu caderno de versos, onde ela expressava o que não conseguia contar pra ninguém, nem pra mim. Sentei na cama deixando que ela colocasse a cabeça em meu colo, Beijei seu rosto e disse:

– Não chore Annie, vamos tomar um sorvete? Virei o triste rosto da garota secando uma de suas lágrimas e ouvi atentamente a sua resposta:

– Estou sem animo, mas, como é você que está pedindo irei sim. Ela perguntou se eu poderia espera-la sair do banho... Assenti e a esperei lá em baixo.

Quando Annie desceu as escadas vi que ela estava deslumbrante, usava um belo vestido creme de rena, uma rasteirinha de flores quase da mesma cor e os cabelos voavam espontaneamente contra o vento. Enquanto tomávamos nosso sorvete (eu de morango e ela de chocolate que era seu favorito), deixei que caísse um pouco de sorvete na minha blusa branca. Ela sorriu ao me chamar de tonto e demente. Amo quando consigo a ver sorrindo depois de rios e rios de choro. Ela é apenas uma garota apaixonada, que já foi magoada muitas vezes. Tenho certeza que ela vai encontrar alguém que a faça bem!

– Edward of. –

Os dois Riram a tarde toda, depois de tomarem um ótimo sorvete aproveitaram para assistir um filme de terror que tinha acabado de lançar. Edward levou Annie para casa de seus tios, onde se despediu e disse que a viria no dia seguinte. Ao sair de lá recebe uma ligação estranha de um anônimo que dizia ter visto Fernanda e seu amigo Henrique aos beijos na praça da estação. Não acreditou muito ao ver que ela estava beijando outro cara desconhecido logo na esquina dos tios de Annie, e, foi lá ver o que estava acontecendo. Fernanda estava vestida igualmente a uma garota de programa e usava uma maquiagem muito escura:

– Não, não é isso que você está pensando Edward.

– Sim, é isso mesmo Fernanda. Você começou a se drogar e se vender pelas esquinas e praças. O que você acha? Que vai ficar ai se doando o quanto quiser gastando seu corpo com homens imundos que deixam suas mulheres e seus quatro filhos em casa? Acha que vai ser nomeada minha namorada desse jeito?

– Eddie, por favor... Desculpe-me! Gaguejando ela continuou: E-eu est.. Estava precisando de dinheiro pra comprar remédios para minha avó que mora na cidade ao lado!

– Não me venha com mentiras, não me venha com desculpas. Espero que você quebre a cara sozinha! Você não está mais comigo, você me decepcionou Fê... Agora nosso amor não vale nada.

Edward saiu da esquina e foi de cabeça quente pra casa, tomou um banho de cabeça e chorou como uma criança de quatro anos quando leva umas surras do pai ao desobedecer. Era pior que isso, ele olhou fixamente para a janela do vigésimo primeiro andar onde morava, sem respirar, através das lindas luzes da cidade, pensando apenas em se atirar dali.

– Edward on –

Nunca pensei muito em como morreria, embora nas últimas horas se jogar de janela a fora seria uma boa opção. Penso muito em Annie e não quero que ela fique sozinha nesse mundo, seus tios não dão uma boa atenção e ela não tem com quem desabafar... Sou a única pessoa que ela tem, tenho que cuidar da minha princesa.

Notas finais
Espero que tenham gostado do primeiro capitulo, e como eu disse lá em cima...
*flash back on* * Reviews me dão motivação para continuar a história. *flash back of*

- beijos.