Um pedido, um tempo e um casamento
3 Planejando o casamento
Notas iniciais
[Dia onze de julho. Acampamento Meio Sangue.]
Acordei cedo e fui tomar um banho. Quando sai, já pronta para o café da manhã, os outros já estavam acordados. Esperei por Petra e fomos conversando até o refeitório. A questão é que nós havíamos nos tornado amigas, como eu e Malcolm. Mesmo depois de contar todas as minhas histórias, ela não desistiu de mim. Conversávamos sobre coisas que irmãs mais novas e mais velhas conversavam, como livros, escola e garotos. Sim, Annabeth Chase conversava sobre garotos com sua irmã mais nova. Não vi Percy, então presumi que ele estivesse dormindo. Quando já estava pronta para ir dar a primeira aula de grego antigo, senti mãos em meus ombros.
– Bom dia, Sabidinha.
Olhei para cima e ele me beijou.
– Bom dia, Cabeça de Alga. Dormiu bem?
– Podia ter dormido melhor se ...
– Já entendi, Percy – disse olhando para Petra, que não estava, graças aos deuses, nem olhando para nós. – Hoje à noite precisamos conversar.
– Sobre o que?
– O casamento. Precisamos ver os detalhes e depois a decoração tem que passar pela aprovação da senhorita Piper McLean.
– Tá bom. Isso vai levar muito tempo?
– Olha, Percy, nós temos que fazer lista de padrinhos, de convidados, de presentes, decoração, comida, doces ...
– Ok, ok. Já entendi, amor. Será que dá pra nós comermos biscoitos azuis enquanto isso?
– É claro que sim, Percy. Bom, tenho aulas de grego antigo agora. Te vejo de noite.
– Até a noite.
Ele foi se sentar na mesa com Tyson. Me levantei e fui para o chalé de Afrodite, onde cinco crianças me esperavam. Depois dessa aula, fui para o chalé de Ares e em seguida para o de Hipnos. Eram cinco e meia quando fui para meu chalé tomar um banho. Estava uma noite fresquinha, o que significava que Sr. D. iria deixar fazer frio no acampamento hoje, então coloquei uma calça legging e uma blusa de mangas. Ás seis e meia fomos todos jantar no refeitório, mas não vi Percy lá. Ao final do jantar, guardei um pote cheio de biscoitos azuis e fui para o chalé de Poseidon. Bati na porta.
– Quem é? – escutei a voz de Tyson.
– Sou eu, Tyson. A Annie.
– Entra, Annie.
Entrei e vi ele perto da fonte conversando com Ella.
– Boa noite, Tyson. Tudo bem? Oi, Ella.
– Boa noite, Annie. Não tá tudo bem não.
Ele falou aquilo sério. Como ele estava relativamente bem, presumi que o problema fosse com Ella. Me sentei na cama antes de perguntar alguma coisa.
Quando ele terminou a ligação, se sentou ao meu lado. Eu me dava bem com Tyson, sem medo agora. Não que ele fosse assustador antes, você sabe, mas até os meus dezoito, dezenove anos, não tinha muita certeza sobre ele. Eu estava, inacreditavelmente, enganada.
– Ella está bem?
– Não, ela não está bem, Annie.
– O que ela tem?
– Ela teve um surto de falta de livros.
– Mas ela tem muitos livros, Tyson. Ela pode ir a biblioteca quando quiser.
– Eu sei. Mas acontece que a biblioteca ficara fechada por alguns dias para reformas e ela está surtando por causa disso.
Parei par pensar um pouco. Pobre Ella, sabia como era ficar sem livros. Eu não surtava totalmente, mas enfim.
– Tyson, e se eu emprestar alguns livros pra ela?
– Isso seria ótimo, Annie!
– É, mas você vai me fazer um favor: você pode dormir na cabana de Ella hoje?
– Posso, mas por que?
– Percy e eu temos que planejar algumas coisas do casamento. Além de ser uma chatisse, você ainda pode garantir que meus livros fiquem seguros. Trato feito?
– Sim, trato feito.
Ele apertou minha mão com sua mão gigante. Sorri para ele.
– Annie, eu estou muito feliz por vocês dois. E pelo bebê.
– Obrigada, Tyson. Significa muito pra mim e para o Percy. E por falar nele, onde ele está?
– Tomando banho. Quais os livros que eu posso pegar?
– Pegue os três azuis e o vermelho na minha prateleira. Peça pro Malcolm te dizer quais são e diga que eu autorizei.
– Ok. Boa noite, Annie.
– Boa noite, Tyson.
Ele saiu e eu esperei por Percy. Coloquei minha bolsa num canto e de lá tirei meu pijama e o coloquei. Era uma calça de linho azul clara e uma blusa branca. Meias, porque estava meio frio. Não sei o que estava acontecendo com Dionísio, mas ele estava gostando muito do frio ultimamente. Não que eu estivesse reclamando, até porque amava o frio.
Me sentei na cama e peguei meu livro. Mal pude abri-lo e já escutei o som da porta sendo destrancada e aberta. Olhei para cima e vi Percy saindo de lá, com a calça do pijama e nada mais. Ele estava enxugando o cabelo e, depois de por ela estendida na cadeira foi que ele pareceu perceber que eu estava lá.
– Ei.
– Boa noite, Cabeça de Alga.
– Não querendo ser grosso, mas o que você está fazendo aqui?
– Temos que planejar nosso casamento, lembra-se Percy? Lembra que me pediu em casamento?
– Como poderia esquecer, Sabidinha – ele veio em minha direção e me deu um beijo.
– Nesse caso, pegue um caderno, meu amor. A noite vai ser longa.
– Não era assim que eu pretendia passar minha noite, mas vamos lá.
Ele foi em direção a cômoda e voltou de lá com um caderno e uma caneta. Me sentei e coloquei o livro no criado-mudo. Ele pulou por cima de mim e se sentou ao meu lado.
– Por onde começamos?
– A data, Cabeça de Alga. Tem que ser em menos de três ou quatro meses.
– Por que?
Olhei para minha barriga e ele seguiu meu olhar.
– Minha barriga, Percy.
– Entendi. Então, hoje é dia onze de julho ... Setembro?
– Daqui a dois meses? Pode ser. Eu vou estar com dois meses e não vão haver complicações.
– Que tipos de complicações?
– Eu posso passar mal, o bebê pode começar a chutar e eu posso me assustar ou coisa assim.
Ele riu.
– Então podemos marcar num final de semana em setembro. Próximo tópico, futura senhora Jackson.
Sorri pra ele.
– A lista de convidados, senhor Jackson.
– Ok, o básico.
– O básico?
– Grover, Tyson, Jason, Nico, Leo, Chris, nossos amigos em geral.
– Ok, vamos começar anotando o nome dos casais.
Nossa lista de convidados ficou assim: Grover e Júniper, Nico e Thalia (Luke e Bianca), Tyson e Ella, Chris e Clarisse (Silena), Rachel e Octavian (sim, eu sei. Estranho, não?), Malcolm, sua esposa e Michael, Jason e Piper, Frank e Hazel, Leo e Calipso, Reyna, Quíron, Treinador Hedge e Mellie, Travis e Connor, Will Solace, Argos, tia Sally e o padrasto de Percy, meu pai, minha madrasta e meus irmãos (tanto mortais como semideuses). Haviam alguns outros semideuses de outros chalés que, mesmo não tendo tanta intimidade quanto Nico e Thalia por exemplo, mas eram nossos amigos.
Chamamos, para não dar alguma coisa errada, os deuses: Zeus, Hera (embora eu estivesse tentada a negar a entrada daquela deusa no meu casamento), Poseidon, Deméter, Ares, Athena, Apollo, Ártemis, Hefesto, Afrodite, Hermes, Dionísio, Hades e Héstia. Deixamos um “convite geral” para os outros deuses menores que não estavam no Tártaro, pois eram muitos e não daria tempo de chamar todos.
Como madrinhas e padrinhos chamamos: Grover e Júniper, Nico e Thalia, Tyson e Ella, Chris e Clarisse, Octavian e Rachel, Jason e Piper, Frank e Hazel, Leo e Calipso, Malcolm e Reyna. Chamaríamos Luke para ser nosso pajem e Bianca e Silena para serem nossas daminhas.
Essa era basicamente nossa lista de convidados.
– Mas e os campistas que ficam aqui durante todo o ano, Annie?
– Teremos que conversar com Quíron a respeito disso. Vão haver semideuses que não conhecemos e, não que eu me importe de chamar todos, mas os que não estiverem aqui podem ficar com uma impressão errada. Então é só Quíron arranjar uma excursão pro acampamento Júpiter ou coisa do tipo.
Ele ficou em silêncio por um tempo e depois sorriu. Olhei sorrindo para ele, mas com um olhar de interrogação nos olhos.
– O que foi Percy?
– Nada. Só lembrei de uma certa excursão aos doze anos quando tudo começou a dar errado.
Ri baixinho. Ele dera sorte de ter começado essa “vida de semideus” somente aos doze anos. Eu começara aos sete, mas não disse nada a ele porque não queria tirar aquele sorriso de seu rosto.
– Bom, depois desse momento nostalgia do Sr. Jackson, podemos voltar pro nosso casamento?
– Podemos Srta. Chase. O que quer ver agora?
– Decoração. Embora eu vá consultar Piper depois disto aqui, podemos escolher as cores juntos.
Ele me olhou e eu olhei para ele. Nosso olhares se entenderam.
– Azul – dissemos juntos e depois rimos.
– Ok, azul já está praticamente definido, Percy. Mas eu acho que nós deveríamos, sei lá, intercalar com outra cor, além do branco.
Ele ficou quieto por um tempo. Depois, enquanto eu rabiscava o canto do caderno em busca de ideias, ele pegou um cacho de meu cabelo. Olhei para ele e depois pro cacho.
– Dourado?
Ele assentiu.
– Dourado então.
Passamos a noite discutindo outros detalhes como comida e roupas. Ás onze e meia ele disse que ia até o refeitório ver se conseguia alguma comida. Enquanto ele ia, peguei meu livro para ler um pouco. Depois de ler algumas páginas, notei que ele estava demorando, mas relevei considerando que a pessoa em questão era Percy. Só parei minha leitura de novo quando escutei alguém batendo na porta. Estranhei porque era tarde e as duas primeiras opções eram: Tyson, que iria ficar com Ella e Percy, que não iria bater na porta porque aquele era seu quarto.
– Quem é?
Ninguém respondeu. Me levantei e fui até a porta. Chegando perto esperei para ver se escutava algum barulho. Nada.
Me afastei devagar e fui até minha bolsa. Quando estava procurando por minha adaga, escutei outra batida na porta. Cheguei perto, com a adaga na mão direita e abri a porta de uma vez.
–Surpresa! – um coro amistoso gritou.
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