Um pedido, um tempo e um casamento

25 Nada de cereais e nada de virgindade eterna, ok?


Notas iniciais
Oi, amores, voltei

[Dia sete de abril. Empire States Building.]

Subimos de elevador até o 600º andar. Charles não gostava muito de elevadores, mas Percy inventou uma história sobre estar fugindo de Gaia e fez com que ele risse durante o percurso.

A primeira pessoa que vimos ao sairmos do elevador foi lady Deméter. Não que não gostássemos dela, mas ela tinha uma pequena obsessão em saber se estávamos dando a quantidade correta de cereais para Zoe e Charlie.

– Sim, milady, nós estamos dando as porções que a senhora recomendou – eu disse pela quarta vez. A hiperatividade de nós quatro estava atacando com o tedioso papo de lady Deméter, então Percy usou a desculpa de precisar urgentemente usar o banheiro e nós conseguimos fugir dela.

– Deuses, pensei que ela não fosse parar nunca – Zoe disse.

– Zoe, não fale assim de sua – Percy parou para contar nos dedos – o que ela chega a ser de Zoe? Tátara tia avó?

– Não sei, Percy. Uma tia distante, só isso.

Fomos andando em direção ao chalé de Poseidon, mas antes mesmo de entrarmos, avistamos ele sentado ao lado de uma mulher de cabelos pretos, que logo reconheci sendo minha mãe. Fomos até eles e ficamos um bom tempo conversando ali. Minha mãe e Poseidon escutavam totalmente atentos as histórias de Zoe sobre sua escola e em como ela explicava as coisas para Charlie e depois escutaram Charlie dizer algumas coisas sobre Zoe e depois ficaram só observando os dois conversarem. Em determinado momento eles resolveram perguntar como nós estávamos e tudo e pediram licença, que eles tinham alguma coisa divina, literalmente, para fazer. Deixamos Zoe e Charlie ficar discutindo um pouco ali e nos recostamos no banco.

– Então é assim que você quer passar seu final de semana, Percy?

– Exatamente assim, senhorita Annabeth. Com exceção das noites, porque durante a noite a história vai ser diferente – ele se aproximou de meu ouvido e começou a sussurrar ali. Deuses, ele não podia fazer isso comigo. Corei imediatamente.

– Mamãe, por que a senhora está toda vermelha? – Zoe, discreta como um elefante rosa choque numa multidão.

– É o calor, meu amor. Por que nós não vamos indo?

Mas nesse momento os gêmeos apareceram e puxaram papo com meu filhos. Tudo estava indo bem, até que tive que intervir. Digamos que Percy e Ártemis eram a favor de que Zoe fizesse seus votos de castidade com seis anos mesmo.

– Escutem aqui, vocês dois – apontei acusadoramente para os dois – quando minha filha tiver idade o suficiente para decidir por si mesma, eu permitirei que ela faça seus votos, mas até ela ter pelo menos uns dezoito anos, ela vai continuar assim, correndo os riscos. Vocês me entenderam?

Talvez eu não devesse gritar com uma deusa, ainda mais Ártemis, que eu respeitava como respeitava minha mãe, mas era do meu bebê que eles estavam discutindo sobre. Ao invés de me matar ali mesmo, ela só deu de ombros e saiu, sendo seguida por um Apollo rindo histericamente.

– Acho melhor nós irmos embora depois dessa, certo?

– É, antes que ela volte e mude de ideia quanto a me matar.

Saímos de lá e fomos para casa. No percurso até nossa casa, contei a Percy que já havia ligado para nossos pais e tudo mais. Ele assentiu e eu perguntei as crianças se eles queriam ir dormir na casa dos avós. Graças aos deuses, recebi uma resposta positiva.

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[Dia oito de abril. Casa.]

Acordei dez horas totalmente atrasada. Meu despertador não havia tocado e Percy não estava mais na cama quando eu olhei para o lado. Fui amaldiçoando o filho de Poseidon até o quarto de Charles, que era o mais perto e ele estava dormindo. Estranho, nesse horário, sem eu acordar e lhe dar de mamar, era pra ele estar chorando de fome. Sai de lá e fui chamar Zoe, que ia ficar muito chateada por perder um dia de aula, mas minha surpresa ao chegar em seu quarto foi que ela não estava lá. Sua cama estava arrumada e seu uniforme, que eu deixara em cima da cômoda, fora substituído por seu pijama, totalmente dobrado, sinal de que ela havia se levantado e de que estava trocada.

Desci as escadas e chegando na cozinha, vi que estava tudo limpo e arrumado.

“Eu sei que você vai querer me bater por ter te deixado desesperada, mas Annie, volta pra cama e dorme, ok amor? Já alimentei o pequeno ogro dorminhoco (me refiro tanto a Charlie quanto a mim) e deixei Zoe na escola. Seus projetos já estão devidamente entregues na sua querida empresa. Só queria fazer uma surpresinha/favor para você, já que você faz tanto por mim.

Te vejo na hora do almoço, Sabidinha.

Beijos.

Seu Cabeça de Alga.

P.S.: só falta arrumar as malas de Zoe e Charles, porque isso está além da minha capacidade de pai esforçado que sou. Amo você.”

Deuses, Perseu, por que? Ele conseguia me deixar de super irritada para comovida e com saudades em segundos. Eu não estava mais com sono, então fui arrumar as bolsas dos dois.

Deixei-as prontas perto da porta e fui fazer alguma coisa de almoço. Busquei Charlie e deixei-o na cozinha comigo. Percy chegou pouco depois com Zoe e eles foram para a cozinha.

– Bom dia, dorminhoca – Zoe veio me dar um beijo de bom dia.

– Bom dia, Zoe. Como foi ser acordada por seu pai, hoje? – lancei uma tentativa de olhar mortal para Percy. Pareceu funcionar.

– Foi normal, embora ele não saiba como por um uniforme em uma menina de seis anos, mamãe.

Dei um sorriso para ela e mandei ela ir se trocar para almoçar. Percy veio em minha direção, com aquela carinha irresistível.

– Dormiu bem? – ele perguntou abraçando minha cintura. Desliguei o fogo e coloquei minhas mãos sobre as suas.

– Sim, Cabeça de Alga, mas podia ter passado a manhã sem aquela horrível sensação de perder a hora. Da próxima vez deixe o bilhete na cabeceira da cama, perto do despertador, sim?

– Como a senhorita sabe que vai ter uma próxima vez? – ele falou ao meu ouvido. Sorri e me virei de frente para ele.

– Porque você é Percy Jackson, uma pessoa que sempre tenta ser romântico quando possível.

– E funcionou?

– Quase me fazer ter um ataque não é uma coisa muito romântica .... Mas sim, funcionou – beijei-o. Charlie veio e começou a puxar a calça de Percy.

– É, Charlie, valeu – ele disse pegando-o no colo.

– Preciso troca-lo. Fica de olho nas coisas por aqui.

– Sim, senhora.

Depois de almoçarmos e de levarmos Zoe e Charles para a casa de tia Sally, chegamos nós dois em casa.

Passei pela porta e olhei para trás, com um sorriso travesso no rosto. Percy estava retribuindo o mesmo, entrando e fechando a porta com o pé.

– Festa do pijama – eu praticamente gritei. Ele veio em minha direção e me carregou até nosso quarto.

Notas finais
Esse capítulo estava quase me batendo pra ser postado, porque, deuses, eu adorei escreve-lo. Agradeço aos leitores de novo, porque eu ainda acho que não dou os devidos créditos que vocês merecem, seus lindos