Um pedido, um tempo e um casamento
15 Não tão fácil quanto parece
Notas iniciais
[Dia trinta de junho. Casa.]
Era meia noite e dez quando Zoe dormiu de novo. Ela era um amor, mas não podia ficar com fome que desatava a chorar. Havia acabado de dar de mamar para ela e estava indo me deitar já. Percy, que estava dormindo, acordou quando a cama se mexeu ao seu lado.
– Ela tá bem? – ele perguntou sonolento.
– Sim, só estava com fome e precisando trocar a frauda. Boa noite.
E nós voltamos a dormir. Para acordarmos algumas horas depois com um chorinho de bebê.
Cutuquei Percy nas costelas.
– Percy, sua vez.
– Annie ...
– Por favor.
Ele resmungou e se levantou.
– Obrigada.
E eu voltei a dormir. Senti Percy se deitar na cama de novo alguns minutos depois e me aproximei dele.
– E então?
– Manha. Ela só queria um pouco de colo.
– Nossos pais, Thalia e Nico estão deixando ela mal acostumada.
– É ...
Apagamos de novo e fomos acordados pelo despertador de Percy.
– Hora de trabalhar – ele disse.
– Você não pode ficar em casa hoje?
– Não. Na verdade, não posso ficar em casa nenhum dia além de sexta, sábado e domingo – o bom do emprego de Percy era que, além de sábado e domingo, ele tinha sexta de dia livre.
– Ok – me sentei. – Eu vou lá fazer o seu café.
– Não precisa, Annie.
– Eu faço questão. Vai se trocar.
Ele se levantou e foi em direção ao banheiro. Olhei dentro do quarto de Zoe e ela estava dormindo tranquilamente. Desci as escadas e fui para a cozinha. Coloquei a água do café para esquentar e coloquei as torradas e a manteiga na mesa.
Alguns minutos depois, enquanto eu colocava o café na mesa, Percy desceu as escadas terminando de vestir sua blusa.
– Então, o que vai fazer hoje o dia inteiro? – ele perguntou enquanto bebia seu café.
– Eu não sei. Não tem nenhum projeto precisando de revisão na empresa e nenhum pedido especial ou coisa do tipo então acho que eu e Zoe vamos ficar de bobeira.
– Bom, divirtam-se vocês duas – ele me deu um beijo. – Até mais tarde.
– Até.
Ele saiu e eu coloquei as coisas na máquina de lavar. Subi as escadas e fui até meu quarto. O problema era que eram dez para as oito da manhã e eu estava meio desperta. Até tentei voltar a dormir, mas foi em vão. Arrumei a cama e fui até o quarto de Zoe. Quando cheguei em seu quarto e fui até seu berço, ela já estava acordada olhando para o teto, para seu bibelô.
– O que você está olhando, Zoe?
Ela olhou pra mim e piscou. Sorri e tirei-a do berço.
– Vem, vamos lá pra baixo achar alguma coisa pra fazer.
Desci as escadas com ela e levei-a para a sala. Liguei e TV e peguei meu telefone. Liguei para Thalia e ficamos conversando até que ela precisou dar uma saída para o trabalho e desligamos. Olhei para Zoe.
– O que acha de irmos ver seus parentes divinos, Zoe? Faz tempo que seus avós não veem você. Que tal?
Ela continuou a me encarar com seus olhinhos cinzas. Peguei novamente meu celular e liguei para Percy.
– Percy, está ocupado amor?
– Não, o Luca foi buscar umas coisas pra mim e eu estou livre. Por que?
– Estou pensando em levar a Zoe pra visitar seus avós e tios divinos.
– Boa ideia, já que eles não veem Zoe faz tempo. Precisa de alguma coisa pro almoço?
– Não, se precisar eu busco quando sair do Empire States. Tchau, Percy. Zoe mandou um beijo.
– Tchau, Annie. Mande outro pra ela.
Desliguei o telefone e fui arrumar a bolsa de Zoe. Coloquei-a no berço e peguei tudo o que ia precisar pelas próximas horas. Desci as escadas e coloquei-a na cadeirinha do carro. Alguns minutos depois, estávamos em frente ao Empire States Building. Desci do carro, peguei a bolsa de Zoe e depois ela.
– Bom, Zoe. Chegamos.
Entrei, conversei com John, que também se encantou com Zoe, e entrei no elevador. O primeiro lugar para o qual fui, foi à casa de minha mãe. Bati na porta várias vezes e ela não estava. Decidida a voltar lá mais tarde, fui até a casa de Poseidon mas ele também não estava lá.
– É, Zoe. Parece que nenhum deles está em casa — olhei em volta. — Pensando bem, parece que ninguém está por aqui e isso só pode significar uma coisa ...
Fui em direção ao “salão principal”. Parei na porta e escutei vozes ali. Estava saindo de perto da porta para me sentar e esperar quando escutei ela se abrindo. Olhei para trás e vi Zeus e Hera sendo os primeiros a saírem. Devo admitir que a cara de Hera não era muito boa, até que ela viu Zoe.
– Annabeth? O que você ... Athena, filha, Annabeth está aqui — Zeus disse,mas sem sequer olhar para trás e veio em minha direção.
– Na verdade, senhor Zeus, Zoe e eu viemos visitar todos vocês.
Ele veio em nossa direção e depois todos os outros olimpianos (mais Hades e Héstia) vieram também. Todos, é claro, deram espaço para minha mãe e Poseidon virem primeiro. Entreguei Zoe para minha mãe e Afrodite, Héstia, Deméter e Ártemis se aproximaram. Devo dizer que Ártemis se emocionou quando soube o nome de Zoe, mas ela soube disfarçar. Hera havia se retirado (acho que o fato de ela não gostar de mim recaia no fato de ela não gostar de minha filha). Depois ela passou Zoe para o colo de Poseidon e ele parecia prestes a explodir. Ele estava encantado com o simples fato de ela estar no colo dele. Depois de ele brincar (ou o quanto é possível se brincar com uma bebe de três meses) com Zoe, minha mãe, eu e as outras deusas que estavam ali fomos para a casa de minha mãe. Prometi a Poseidon que levaria Zoe em sua casa antes de irmos embora.
Chegando na casa de minha mãe, nós ficamos conversando até que vi que horas eram e precisava ir embora. A única coisa que elas não me ofereceram, mas queriam, foi ir embora e deixar Zoe ali pra elas. Sai de lá, passei rapidamente na casa de Poseidon e fui para casa (com Zoe). Chegamos lá e eram onze horas e eu tinha que começar a fazer o almoço. Zoe havia dormido no carro, então tirei-a da cadeirinha e coloquei-a no berço, levando o aparelho da babá eletrônica comigo. Ela dormiu até o exato momento em que Percy soltou sua primeira frase dentro de casa, como sempre. Era impressionante, mas Zoe sempre acordava quando escutava a voz de Percy.
– Annie?
– Na cozinha.
Ele veio e depositou um beijo na minha testa.
– E então? Como foi o passeio?
– Foi ótimo. E cada vez mais eu crio a teoria de que alguém vai roubar nossa filha.
– Por que? – ele perguntou rindo.
– Porque quase me fizera ir embora e deixa-la lá em cima! Ela é muito adorável e isso é perigoso.
– É, muito perigoso. Então, onde ela está?
Coloquei a babá eletrônica perto de seu ouvido e ele escutou os murmurinhos dela. Um sorriso bobo surgiu em seu rosto.
– Ela acorda toda vez que escuta sua voz, é impressionante.
– Eu vou lá buscar ela pra gente almoçar. Já volto.
Ele subiu as escadas e eu coloquei a comida na mesa. Estava com preguiça de fazer uma comida mais elaborada, então fiz macarrão que é só basicamente por na água fervendo e esquentar o molho com carne. Pronto, uma comida deliciosa e fácil.
{A.N.: dica da tia pra quem não sabe cozinhar, assim como eu mesma.}
Percy desceu quando eu havia acabado de pôr a mesa e colocou Zoe no chiqueirinho ali do lado. Almoçamos e fomos ver TV. Percy só entraria no trabalho ás duas, então ele aproveitava esse tempinho pra brincar com Zoe.
– Então, Zoe. Como foi visitar o vovô e a vovó? Gostou? Nós podemos ir lá de novo se você quiser.
Ela sorriu pra ele e ele pra ela. Já tenho pena de quem for tentar chegar perto de Zoe, seja para fazer mal ou só para observa-la. Percy tem muito ciúmes dela, mas muito mesmo.
Depois de brincar mais um pouco com Zoe, ele subiu para tomar banho e eu fui dar um banho em Zoe.
Teria sido mais um banho tranquilo como todos os outros que eu havia dado nela nesses últimos três meses, mas então aconteceu. Além do fato de ela estar se negando a querer tomar banho hoje, depois de colocá-la na água esbarrei no shampoo e ele caiu no chão. Me abaixei para pegar e, quando me levantei Zoe estava seca.
– Deuses, não – murmurei. – Percy! – gritei.
– Annie? O que foi? – ele apareceu no banheiro de calça e com a camisa na mão.
– Você não vai acreditar no que eu descobri.
– Tá, você me chamou desse jeito como se um minotauro estivesse te atacando pra dizer que descobriu uma coisa?
– Ah, então eu acho que o fato de sua filha conseguir ficar seca se ela quiser assim como você não merece minha exclamação, pode ir trabalhar e só esqueça o que eu fiz.
– Ela o que? – ele veio em minha direção e quase me derrubou ao passar por mim e pegar Zoe, ainda seca. – Quer dizer que você pegou minha habilidade, princesa?
Ela sorriu pra ele e seu olhar abobalhado voltou. Não pude resistir e sorri também.
– Bom, devolva ela pra eu tentar dar banho nela, senhor Perseu.
Ele me devolveu Zoe e voltou para o quarto.
– Bom, Zoe, você podia colaborar com sua mamãe e se molhar um pouquinho, né?
Acho que ela entendeu o recado e eu consegui dar banho nela. Troquei-a e fui para meu quarto, onde Percy estava tentado pentear seu cabelo. Coloquei Zoe na nossa cama, com travesseiros do lado, claro, e fui em direção a ele.
– Ajoelha, Cabeça de Alga. Você é mais alto do que eu, lembra?
– Não seria mais fácil eu me sentar na cama?
– É, pode ser. Senta lá.
Ele se sentou na cama e colocou a mão em cima de Zoe. Eu tentei pentear o cabelo dele, mas ele não assentava de jeito nenhum, então passei a mão e baguncei mais. Ele se levantou, foi até o espelho e se virou pra mim e sorriu.
– Obrigada, eu acho.
Me aproximei dele e o beijei. Teríamos continuado, mas Zoe nos atrapalhou. Ela deu um pequeno gritinho de bebê e eu me virei.
– Ok, Zoe. Estamos indo.
Me voltei para Percy.
– Desculpa. Ela faz as regras por aqui, ao que parece.
– É, e eu preciso ir trabalhar ainda – ele me deu um outro beijo, deu um em Zoe e pegou seu casaco. – Até mais tarde, meninas.
Ele saiu e eu olhei brava pra Zoe.
– Não acha que é novinha demais pra ter que interromper seu pai e eu?
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