Um pedido de socorro

12 Capítulo 12 - Rosas e quadros


Notas iniciais
Hi ^^ Capítulo novo :3

Capítulo 12 – Rosas e quadros

Estávamos os três na sala de estar e Gina parecia incrivelmente chateada.

–O que foi? – perguntei virando a cabeça para o lado.

–Você destruiu tudo Oliver... – choramingou.

–Do que está falando? – me senti confuso.

–Eu queria ter morrido. – ela disse e eu ninguém falou nada. – Era para eu ter morrido. Não vê que eu me sentia culpada?

–Gina... mas você não fez nada daquilo, não pode deixar que te culpem e.. – ela me interrompeu – Eu fiz aquilo. – ela falou com um sorriso sinistro em seu rosto. Arthur não parecia surpreso.

–Fez o que? – perguntei não entendendo mais nada.

–Eu os matei Oliver. – ela disse sorrindo – Eu matei Diana e os meus pais.

–Gina o que.. – tentei falar algo, mas minha voz não saia.

–Isso era tão obvio Oliver... – Arthur disse – Se liga e vê se acorda.

–Que? – eu (não entendo nada, o que está acontecendo?) pensei.

–Acorda. Acorda Oliver, acorda! – ele pedia.

–Ai. – gemi, algo tinha acertado minha bochecha.

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Abri os olhos lentamente e me deparei com essa cena:

–Acorda, acorda cara, não morra assim! – Arthur estava em cima de mim, choramingava e batia de leve no meu rosto. – Deus, salve ele. É um idiota, eu sei, mas é um bom amigo. – pedia olhando para o teto.

–Ei! Eu não morri! Pode parar?! – falei empurrando-o de cima de mim. Ele caiu de costas no chão. (Bom, aquilo foi apenas um pesadelo) pensei me acalmando.

–Au, –grunhiu – por que raios me empurrou?! –Arthur resmungou.

–Por que raios me bateu?! – rebati.

–Oras, você não acordava por mais que eu pedisse. – disse levantando-se – Estava me assustando.

Comecei a rir e ele também não conseguiu ficar sério.

–Desculpa. – pedi ainda rindo.

–Tudo bem. Temos que nos arrumar para a escola. – Arthur falou saindo do quarto – O banheiro é de quem entrar primeiro! – gritou já do lado de fora.

–Ei, isso não vale! – reclamei.

Basicamente o que aconteceu depois que Arthur foi: Lemos a carta que Melissa tinha enviado a Gina. Ele ficou muito revoltado, então o trouxe para a minha casa para “jogarmos video game até ele ficar mais calmo” como pretexto meu para deixar Gina descansar um pouco.

Segunda-feira de tarde na casa do Oliver...

–Man, não acredito que a Melissa pode fazer isso com a Gina, elas eram tão chegadas... – Arthur comentou enquanto escolhia um jogo.

–As pessoas mudam. – falei.

–“Guitar hero encore rocks the 80s?” – perguntou lendo a capa do disco com um inglês engraçado.

–Pode ser. Acha que a Gina vai ficar bem depois disso? – perguntei me referindo a carta. Ele não sabia que ela tinha tentado suicídio, era melhor assim ou ele pensaria em matar a tal da Melissa.

–A Gina aguenta. Ela aguenta muita coisa a muito tempo. Por isso tenho medo. – disse colocando o cd no play. – Tenho medo que uma hora ela desmorone e eu não esteja por perto. – disse triste.

–Isso já aconteceu? Dela tentar... – não consegui terminar a frase.

–Já. Duas vezes antes, mas não a culpo. Ela tem sido verdadeiramente forte, Olive. – fez uma pausa. –Eu a admiro muito, qualquer outra pessoa que eu conheço, no lugar dela já teria desistido.

–Você gosta dela? – perguntei.

–Gosto, amo ela. Papercut? – perguntou sobre a música do jogo.

–Yep. Amo Linkin Park. – sorri.

–Eu sei... seu viciado. – ele disse rindo.

(Arthur gosta da Gina, devo contar a ele? Que também gosto dela) pensava quando a música começou e me tirou de meus pensamentos.

–Devo dizer, você parece um viciado em guitar hero. – falo, ele estava no expert e acertava quase todas as notas.

–Admite, sou ninja. – falou sorrindo.

–Por que não conta a ela? Digo, você a ama e tal... – falei perdendo uma sequencia de notas.

–Atualmente, ela precisa de um amigo, não de um namorado. – falou meio triste – Talvez eu conte a ela, quando tudo se resolver. Vamos achar o culpado, só ainda não como...

Depois disso não tocamos mais no assunto.

Jogamos mais algumas músicas e ele ligou para seu pai se desculpando por ter fugido. Seu pai concordou em ficar uma semana a mais com eles nas férias de julho para compensar e disse que não contaria nada a mãe de Arthur. Ele vai dormir aqui em casa até o fim de semana, afinal não seria legal chegar em casa dias antes dizendo “oi mãe, fugi da casa do meu pai, não fique chateada”.

Tempo atual...

–Beleza, fica com o banheiro. – falei alto – Mas não reclame depois se não tiver mais seu pedaço do pudim de ontem na geladeira.

–Há. Já comi. – gritou do banheiro.

–Que saco. – reclamei.

Aproveitei que ele estava longe e abri minha mochila. Estava lá dentro, o diário.

Encontrei-o e peguei-o. (Não leia) algo dentro de mim me alertava. (Só vou folhar) lembrei-me da promessa que fiz a mim mesmo. Abri e fui virando as folhas rapidamente. Parei em uma página com uma música da banda Bring Me To Horizon:

Drown

What doesn't kill you
Makes you wish you were dead
Got a hole in my soul growing deeper and deeper
And I can't take
One more moment of this silence
The loneliness is haunting me
And the weight of the worlds getting harder to hold up

It comes in waves
I close my eyes
Hold my breath
And let it bury me
I'm not ok
And it's not all right
Won't you drag the lake
And bring me home again

Who will fix me now?
Dive in when I'm down?
Save me from myself
Don't let me drown
Who will make me fine?
Drag me out alive?
Save me from myself
Don't let me drown

What doesn't destroy you
Leaves you broken instead
Got a hole in my soul growing deeper and deeper
And I can't take
One more moment of this silence
The loneliness is haunting me
And the weight of the worlds getting harder to hold up

It comes in waves
I close my eyes
Hold my breath
And let it bury me
I'm not ok
And it's not all right
Won't you drag the lake
And bring me home again

Who will fix me now?
Dive in when I'm down?
Save me from myself
Don't let me drown
Who will make me fight?
Drag me out alive?
Save me from myself
Don't let me drown

You know that I can't do this on my own
Who will fix me now
Who will fix me now

Who will fix me now?
Dive in when I'm down?
Save me from myself
Don't let me drown

Na folha do lado tinha a tradução:

Afogado

O que não te mata
Te faz querer estar morto
Tenho um buraco na minha alma que cresce mais e mais
E eu não posso suportar
Mais um momento deste silêncio
A solidão está me assombrando
E o peso do mundo está cada vez mais difícil de sustentar

Isso vem em ondas
Eu fecho meus olhos
Seguro meu fôlego
E deixo isso me enterrar
Eu não estou ok
E não está tudo bem
Você não terá que arrastar o lago
E me levar para casa novamente?

Quem vai me consertar agora?
Mergulhar quando eu estiver me afogando?
Salvar-me de mim mesmo
Não me deixe afogar
Quem vai me fazer lutar?
Arrastar-me com vida?
Salvar-me de mim mesmo
Não me deixe afogar

O que não te destrói
Te deixa quebrado
Tenho um buraco na minha alma que cresce mais e mais
E eu não posso suportar
Mais um momento deste silêncio
A solidão está me assombrando
E o peso do mundo está cada vez mais difícil de sustentar

Isso vem em ondas
Eu fecho meus olhos
Seguro meu fôlego
E deixo isso me enterrar
Eu não estou ok
E não está tudo bem
Você não terá que arrastar o lago
E me levar para casa novamente?

Quem vai me consertar agora?
Mergulhar quando eu estiver me afogando?
Salvar-me de mim mesmo
Não me deixe afogar
Quem vai me fazer lutar?
Arrastar-me com vida?
Salvar-me de mim mesmo
Não me deixe afogar

Você sabe que eu não posso fazer isso por conta própria
Quem vai me consertar agora
Quem vai me consertar agora

Quem vai me consertar agora?
Mergulhar quando eu estiver me afogando?
Salvar-me de mim mesmo
Não me deixe afogar

–Oliver. – Arthur me chamou batendo na porta. – Já se vestiu? Tá quase na hora.

– Já vou, me espera lá em baixo. – disse guardando o diário na mochila, pegando roupas e indo pro banheiro.

(…)

No colégio foi um dia normal: Ariane fazendo fofoca, pessoas conversando normalmente e Gina sozinha como sempre. Arthur estava impaciente até notar que Melissa não estava lá.

Depois da aula ele disse algo sobre comprar tinta:

–Tinta? Pra que? – perguntei curioso

–Gina quer voltar a pintar. Vamos com ela comprar tintas novas na lojinha de artesanato. – falou.

–E cadê ela? – olhei em volta. Estávamos indo em direção à casa dela e eu nem tinha notado.

–Ela não fica nos períodos de matemática, dã. – falou lembrando-me que do último período.

–Por que mesmo? – indaguei. Ainda tinha dúvidas sobre isso.

–Ela odeia aquele professor chato, é o psicólogo dela e explica a matéria nos dias que ela tem consulta, algo assim. Porque ele acha que “Gina é diferente, deve estudar em casa com professores particulares” e mimimi. És um idiota. – concluiu.

Esperamos um minuto ou dois e ela apareceu na porta com um aparelho de rádio meio grande. Estava usando um vestido que um dia já foi branco, porém atualmente estava completamente “pintado” e manchado com várias cores. Isso o deixava em tanto diferente, mas as cores respingadas até deixam o vestido bonito. Ele era justo até a cintura e depois era bem rodado. Gina notou que eu a observava e sorriu-me envergonhada.

–E ai, vamos? – perguntou animada.

–Yep. – Arthur concordou – Está bonita. – falou deixando-a vermelha. Por um minuto fiquei com ciúme. Queria ter dito aquilo primeiro.

–Obrigado. – ela disse e fomos até a lojinha.

Lojinha mesmo. Tri pequena, tinha umas poucas prateleiras e alguns expositores com tintas, quadros, colas, pinceis e linhas para trico.

Gina escolhia vários potes de cores frias e escuras. Arthur parecia surpreso.

–Não vai pintar as rosas? – indagou levantando uma sobrancelha.

–Não dessa vez. Quero tentar algo diferente. – falou sorrindo.

Eu apenas os observei. Eles pareciam bem juntos e me perguntei se gostar da Gina não seria errado.

Depois que eles compraram fomos até a antiga casa da Gina. Ela era vizinha de frente do Arthur antes do incêndio.

A casa era grande e bonita por fora. Por dentro estava toda empoeirada e escura.

–Oh, As luzes ainda funcionam. – Arthur exclamou ligando-as – Maneiro.

–Oliver, vai ficar? – Gina perguntou me olhando.

–Claro, se não se incomodar. – falei.

–Tudo bem. – ela sorriu –Vamos levar as tintas lá em cima.

–Eu já vou, tá? –Arthur disse – Ainda não terminei aquele polígrafo de matemática.

–Ok. – falei aliviado por finalmente ter um tempo a só com ela.

Subimos um lance de escadas levando as tintas e entramos em uma sala com cheiro de mofo. Ela ligou a luz, lá tinha vários quadros empilhados tapados por lençóis e um piano no fundo do cômodo.

–Sabe tocar piano? – perguntei.

–Diana tocava enquanto eu pintava. –disse ligando o rádio – Sei algumas poucas músicas.

Ela arrumou uma tela em branco em um suporte e começou a pintar com preto. Uma música começou a tocar.

Andei pelo quarto.

–Posso ver? – indaguei apontando para os lençóis, ela assentiu.

Muitas telas com rosas pintadas. Eram incríveis de tão realistas e a assinatura da Gina era bem bonita.

–São lindos. –eu disse – Pinta muito bem.

–Obrigado. – falou sem virar para me olhar.

Sentei em uma cadeira perto de uma janela e fiquei olhando para fora. Observando o movimento na rua. Um silêncio se formou entre nós (exceto pelas músicas que tocavam). Esse silêncio não era um silêncio chato ou constrangedor, era algo confortável, gosto de estar perto dela mesmo que não falássemos nada.

Uma meia hora passou comigo olhando pela janela e decidi ver como a pintura estava indo. Levantei e fui até ela. A música “Drown” que eu tinha lido em seu diário tocava alto.

–Como está? Não devia pintar ouvindo “Lagoa dos Patos” ou algo assim? – perguntei brincando.

–Quer dizer “Lago dos Cisnes”? – perguntou rindo.

–É, lago, cines, isso. – falei rindo também.

–E o quadro? – olhei para ele, inicialmente só vi uma menina de cabeça pra baixo.

–Ela não deveria estar sozinha, ela não deveria estar chorando. – Gina disse e demorei um tempo para perceber que ela se referia a menina no quadro.

Ela tinhas uns 12 anos, estava vestida de preto e estava chorando com as mãos sobre o rosto. Depois vi duas pessoas dos lados da menina, acho que eram seus pais. Eram de um branco meio translúcido, tinham asas e olhavam para ela com tristeza por vê-la assim. Ai caiu a ficha: a menina do quadro era a Gina quando seus pais morreram.

–Ela não vai mais ficar sozinha. – falei olhando no fundo dos olhos. – Ela não vai mais chorar.

–Oliver... Obrigado. – ela me abraçou e eu a abracei também.

–Nunca mais vai ficar sozinha. – eu disse.

Estávamos tão próximos que eu podia sentir a respiração dela. Me aproximei mais ainda, se vou beijá-la tem de ser agora. Ela não se afastou, então é agora. Meu coração a mil.

Aproximei mais e pressionei meus lábios contra os lábios macios dela. Ela não recuou, então continuei. O beijo dela era doce, delicado. Eu queria mais. Beijei-a com urgência, como se eu precisasse disso para viver. Gina me acompanhava, meus braços envolta de sua cintura a trouxeram mais próxima a mim. Ela entrelaçou seus dedos em meus cabelos. Nossas respirações ficam pesadas conforme o beijo fica intenso. Continuamos até ela se afastar para recuperar o ar, depois voltamos ao beijo.

Se eu soubesse que beijá-la era tão bom, já teria feito isso antes muitas outras vezes.

Notas finais
Ohayo minna-san ^^ Faz só uma semana que eu postei o capítulo 11 e já estou com saudade de vocês :3 Então... Muita gente me pediu no privado para o Oliver ficar com a Gina, eu não ia fazer tão cedo, mas alguns de vocês são insistentes kkkk ^^ Uma amiga me disse que shippava Oliver + Arthur o.O Quem vocês shippam? Beijo da Minene ♥