Um novo trilhar

12 Capítulo 11 - Definhando


Notas iniciais
Olá leitoras, como vão? Estou um pouco triste e decepcionada, pois o n°de reviews caiu bastante e está bem longe do quantidade de acompanhamentos que tenho. Por favor, comentem. Só assim saberei o que estão achando e onde posso melhorar na história. Bem, aqui vai mais um capítulo. Espero que gostem.

Se pedissem para que descrevesse o pior dia da sua vida, sem sombra de dúvidas Carlos citaria aquele dia. O enterro de sua filha.

A imagem de um pequeno caixão branco não saia de sua mente. Estava arrasado, mas precisava manter uma imagem forte pela esposa. Diferente dele Suzana não conseguia manter uma postura firme. Parecia ter envelhecido anos em poucas semanas.

Várias vezes durante a noite Carlos acordou ouvindo o choro dela. Não sabia mais o que fazer.

Ela não saia mais do quarto, não saia mais de casa, não queria ver ninguém, sequer ia ao ateliê. Mal se alimentava.

– Suzana, você precisa reagir.

– Me deixa em paz Carlos.

– Não vou deixar você se matar aos poucos.

– Então me faça um favor. Mate-me de uma vez e acabe logo com isso.

O rosto da mulher apresentava olheiras escuras e fundas. Cada vez que a olhava, Carlos sentia uma parte sua morrer aos poucos a cada dia.
– Não vou desistir de você Suzana, não vou!

– Devia. Eu já desisti de mim.

Carlos não chorava desde o enterro da filha, Isabela, nome que ele havia escolhido, mas aquele dia ele não conseguiu mais manter a pose de homem forte. Chorou diante da esposa.

– Você tem noção do que está fazendo comigo Suzana? — disse entre lágrimas — Você não está apenas se matando aos poucos, você está matando a mim também.

Ela o olha, mas os olhos continuam sem vida.

– Você não sorri mais, mal abre a boca pra falar comigo e quando faz é pra amaldiçoar a própria vida.

– Eu não tenho mais vida Carlos, será que não entende isso? Eu queria mesmo ter sangrado até a morte naquela mesa de cirurgia, porque se isso tivesse acontecido hoje você estaria livre, feliz.

Ele segura o rosto da mulher entre as mãos e a força a olhar pra ele.

– Será que você está tão cega que não consegue enxergar o que está diante dos seus olhos Suzana? Eu não quero ficar livre de você, eu te amo. Quem estou vendo agora, aqui na minha frente não é a mulher pela qual me apaixonei, mas sei que ela está presa, perdida aqui dentro — diz tocando o lado esquerdo do peito dela — E não importa o que eu tenha que fazer, como eu tenha que fazer, mas eu vou trazê-la de volta.

Ainda olhando fixamente nos olhos do marido, ela sente lágrimas se formando em seus olhos.

– Eu quero ficar sozinha.

Devagar ele solta o rosto dela e dá um leve manear de cabeça.

– Estarei do escritório caso precise de alguma coisa.

Ele levanta da cama e sai. Ao ouvir os passos do marido na escada Suzana deita na cama abraçada aos joelhos e começa a chorar.

Meses depois

Carlos passava horas trancado no escritório. No inicio trabalhava apenas em casa, mas aquela atmosfera já o estava sufocando, o que fez com que voltasse para seu escritório em definitivo. Estava exausto, física e psicologicamente. Por mais que tentasse não sabia o que fazer para trazer a esposa de volta a realidade e pela primeira vez em todo aquele tempo, passou a se perguntar por quanto tempo aguentaria aquilo tudo.

Não dividiam mais o mesmo quarto já havia um tempo considerável, o que passou a pesar muito para ele. Suzana que antes era sua mulher, amiga e amante agora era vista apenas como uma desconhecida.

Certa ocasião Carlos ficou no escritório até mais tarde. Dispensou Lia antes do seu horário de contrato e ficou lá, trancado em sua sala, apenas ele e seus pensamentos.

Lembrou dos anos felizes que havia passado com Suzana e se deu conta que agora mais do que nunca eram apenas lembranças.

Pegou o telefone e discou. Foi atendido ao terceiro toque.

– Carlos? Como você está?

– Tentei enfrentar isso tudo sozinho, mas não sou tão forte como imaginei.

– Quer me ver?

– Estou no escritório. Sozinho. Pode vir agora?

– Estou indo agora mesmo.

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Menos de meia hora depois o porteiro do prédio avisa Carlos que alguém queria vê-lo. Carlos autorizou sua subida. Ficou aguardando na porta principal do escritório.
O horário comercial já havia se encerrado há algum tempo, por isso Carlos era um dos poucos que ainda permanecia no prédio.

Estava com as mãos dentro dos bolsos da calça do terno que vestia. Parecia nervoso. Pouco depois o elevador para em seu andar e abre a porta. Carlos olha dentro dele.

– Obrigado por ter vindo. Acho que nunca precisei tanto de você como estou precisando agora.

– Sempre que precisar de mim largarei o que estiver fazendo pra te ver.

Ambos dão um passo a frente, ficando a poucos centímetros de distancia um do outro. Carlos avança mais um passo e ignora a diferença de altura entre ambos.

Dá-lhe um abraço apertado passando a impressão de que poderia quebrar os ossos frágeis da mulher a sua frente. Assim que o homem a solta, ela pode perceber que havia lágrimas em seus olhos.

– Acho que cheguei ao meu limite. Por favor, preciso de ajuda.

– É pra isso que estou aqui, pra ajudar você no que precisar.

Ele segura as mãos da mulher e as beija.

– Obrigado mais uma vez.

– Não tem pelo o que me agradecer Carlos. Faço o que estiver ao meu alcance e até fora dele porque quero te ver feliz. Faço e sempre farei isso, porque por mais que digam o contrário, sempre serei sua mãe.

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Suzana estava sentada sobre os joelhos diante de uma lápide. Colocou sobre a mesma um pequeno buquê de margaridas. O olhou por algum tempo até tomar impulso para se levantar e ir embora. Ao olhar para trás leva um susto. Uma garotinha que batia na altura de seus joelhos e com sorriso meigo estava a olhando.

– Porque você está triste moça bonita?

– Pela minha filhinha. E nunca mais vou poder vê-la de novo.

– Eu conheço a sua filha. Ela pediu pra te falar que não gosta de ver você triste, porque quando você fica triste ela e o pai dela ficam tristes também.

Suzana sente lágrimas se formarem em seus olhos.

– O pai dela... Carlos... E ela te disse mais alguma coisa?

A garotinha faz um maneio de cabeça forçado.

– Sim. Ela disse que pra você não ficar mais triste, ela vai mandar um menininho pra você tomar conta.

– Menininho? Que menininho?

A garotinha começa a rir e sai correndo.

Suzana levanta da cama em um salto, ofegante. Olha para os lados e não encontra ninguém.

– Um sonho. Foi só um sonho.

Notas finais
**LEMBRETE** Essa semana postarei a One com os personagens Miguel e Gabriela da fic "CHANCE". Fiquem de olho no perfil e não percam! Beijos!