Um novo mundo
5 Capítulo 5
Notas iniciais
Aquele pequeno caderno, estava sujo e além disso com uma marca de uma mordida, não conseguia nem ao menos abri-lo para verificar o que tem dentro, tremia de uma forma incomum.
Nunca havia me sentido assim, tão nervoso ao ponto de não controlar meus próprios movimentos.
O que será que estava... Escrito ali.
Poderia ser algo sem a mínima importância.
Poderia ser a resposta a tudo que eu precisava.
Poderia ser que eu nem entendesse ao menos uma palavra do que estava escrito ali, mas ansiava por abri-lo.
Até que assumi o controle de meu corpo novamente, avaliei a capa dos seus dois lados — Não havia nada — então abri-o , em uma grande fonte e totalmente legível estava escrito a data — DIA- 17 DE MAIO DE 2009 (segunda-feira) — aquela data me chocou muito, mas sabia que deveria continuar a ler.
Primeiro dia
Estou meio confuso, com várias perdas de memória e além de tudo gradativamente sinto que perco o apetite.
Sinto que periodicamente minha temperatura sobe a ponto de me fazer suar (neste frio).
Sinto meu corpo enfraquecer a cada minuto que passa.
Comecei a desenvolver uma espécie de sonambulismo, o que me preocupou um pouco, acordo várias vezes durante a noite, porém em nenhuma destas vezes eu estou em minha cama, sempre estou em pé ao lado da cama segurando o braço direito de minha esposa. Via-me segurando o braço de minha esposa em minhas mãos, o que era aquilo? Sentia-me estranho deveria estar sonhando, virava-me para o lado, logo amanheceria e eu iria acordar.
Como pode uma pessoa passar de um estado dito como ''normal'', passa a delirar desta maneira, ''se eu tivesse a oportunidade de continuar a minha pesquisa, talvez conseguisse descobrir mais sobre o caso, mas... ''
Estava completamente espantado, como pode uma pessoa próxima a morte se preocupar em deixar tudo por escrito seus últimos momentos, nem poderia imaginar que ele havia sofrido tanto. Ele era o que me sobrava de família.
Agora não me restava nada.
O que eu havia feito de tão errado para merecer uma vida como essa, onde não havia ninguém que realmente se preocupasse comigo. ''Focar, deveria continuar a ler''.
Segundo dia (18)
A minha febre aumentava muito, não conseguia comer nada.
Sentia meu corpo dolorido, provavelmente por ficar deitado o dia todo, não sentia diferença alguma referente aos problemas do dia anterior, porém sinto que estão todos se agravando, me preocupa o fato de eu sentir sono mesmo dormindo o dia todo.
Sempre imagino como deve estar minha esposa com isso, em como ela deve sofrer sabendo que não pode fazer nada para me ajudar, além de tudo sem filhos, não deixei nada a ela. Apenas a dor insaciável.
Aquele arranhão em minha perna — sentia-o fisgar — estava cada vez se agravando, ao invés de se recuperar, não conseguia sentir meu pé esquerdo, sentia que o sangue não circulava, consequentemente em algumas horas não poderia mais andar.
A cada linha que eu lia sentia um aperto enorme em meu coração, como... como... como... sentia que não conseguiria ler nem ao menos uma palavra. Era de mais pra mim. Neste momento senti uma fraqueza e eu vi alguém, tentava manter meus olhos abertos para ver quem era aquele homem, mas não consegui apaguei instantaneamente.
Sonhei com ele.
Dr. Tiberium, porém pra mim seria sempre Drak.
Ele caminhou em minha direção, sua perna estava melhor do que nunca, pegou em minha mão — Levante-se já dai, não posso acreditar que você se deixaria abater assim tão facilmente — bateu em meu ombro e me entregou meu óculos. Sentia sua presença se afastando quando o vi partir.
– Não! — Gritava desesperadamente, pedindo que voltasse, havia sido um sonho, mas de alguma maneira sabia que teria que terminar de ler, eu devia isso ao Drak.
Terceiro dia (19)
Estou cada vez piorando, tenho vários movimentos involuntários.
Sinto muito medo quando chega a hora de dormir, assim que eu fecho meus olhos vejo uma imagem desfocada de uma pessoa gritando e rosnando, não sei bem o significado, mas a cada dia que passa sinto que estou perdendo o controle de meu corpo e isto me preocupa, já que minha esposa está sempre tão perto.
Aquilo serviu para mim como um gatilho, me entusiasmou de uma forma, deveria encontrar respostas, devia aquilo a meu amigo Drak.
Coragem...
Diferente de Drak, não sabia de onde ele tirava tanta força de vontade, ele tinha tudo o que faltava em mim.
Depressão... Depressão... Depressão...
Ecoava em minha cabeça lembrando-me do que havia ocorrido, na realidade não parava de pensar naquela cena – ainda era muito recente – seus olhos sem vida, haviam perdido o brilho. Eu tinha consciência de que aquela cena jamais sairia da minha cabeça.
Uma semana...
Estava sentado no chão ao lado de minha cama, cabelos desgrenhados e sujos, da mesma forma que minhas roupas, fazia uma semana que nem ao menos tomava banho, ainda usava as mesmas roupas do dia em que fui visitar Drak. Sentia-me o pior ser humano que existe. Ouvia La no fundo de minha mente ‘’toc-toc’’, mas minha imaginação estava completamente desligada, lembro-me perfeitamente deste dia, só havia ficado deprimido desta maneira com a morte de minha esposa e da minha filha devido a minha imprudência no volante, desta vez de certa forma foi novamente imprudência minha, ‘’Se eu não tivesse...’’. O ‘’toc-toc’’ continuava, quando ouvi pela quarta vez cogitei a hipótese de não ser sonho meu e sim, havia alguém na porta, levei alguns segundos para acreditar mesmo naquilo, para só então dirigir-me até a porta.
Após abrir a porta, não consigo lembrar-me com clareza de minhas expressões neste momento, mas lembro-me com perfeição do que havia feito-me levantar de minha antiga posição, os cientistas do laboratório, haviam ido me buscar, eles diziam algo sobre preocupação e trabalho, porém não consegui prestar atenção no que diziam, estava com minha atenção totalmente focada em outra coisa, ou melhor outra pessoa. Era ele eu tinha certeza, não poderia confundi-lo com ninguém.
Estava parado não ali na porta com os outros, mas no jardim sentado no balanço que costumávamos brincar quando crianças, parecia um filme via-me balançando e rindo ao seu lado. Como aquilo era possível? As noites mau dormidas estavam tendo um efeito ou então estava sonhando.
Ouvia meu nome... – estralo –
– O que está fazendo encarando o jardim? Isso são lágrimas? – Dizia Dra° Clarice Timpson.
– Oi? – Não conseguia entender o que falavam, sentia-me totalmente confuso.
– O que houve com você? – Fala assustada Dra. Andry.
– Estávamos todos preocupados – Fala eufórico Dr. Marlon.
– Nunca mais fuja assim, quer nos matar de susto? Gritava Dra. Kler.
– Seu maluco, quase nos fez morrer de preocupação. Dizia Dr. Charlie, tentando transparecer que estava calmo, sem sucesso.
– Podemos saber o que tem feito durante uma semana? Dizia Dr. Galeno Fritzka, como funcionário mais antigo do laboratório, ele era bem respeitado e alem disso cuidava de todos nós como se fossemos seus filhos.
– Que cheiro é esse? – Dizia Dr. Klerk, irmão de Kler e o nosso cientista mais jovem.
– E essas olheiras, você esta um trapo – Dra. Tryhan como sempre muito sincera.
Não conseguia processar respostas para inúmeras perguntas de uma só vez, precisa de tempo.
Tempo...
Precisa antes de tudo parar de desperdiçá-lo, se antes havia dois motivos para minha evolução, agora, havia quatro. Precisava usar aquele pouquinho de coragem para algo realmente útil.
Deixei a porta aberta e corri para o banheiro, ‘’lembro-me de sentir o olhar em mim’’, mas não poderia perder mais tempo, cada minuto, cada minuto era precioso, tomei um banho e me vesti em menos de dez minutos, passei por eles deixando a chave na porta, dirigindo-me em direção ao meu carro:
– Obrigado, espero vocês no laboratório! Se não houver problema, por favor tranquem minha casa, que não pretendo voltar tão cedo – Nem aguardei resposta já estava com o carro ligado, no mesmo instante disparei em alta velocidade, a cena do acidente surgiu instantaneamente, tinha que enfrentá-la devia isso ao Drak, iria descobrir uma forma de reverter aquilo.
Havia no laboratório uma nova cápsula ‘’como aquelas para exame neurológico’’, cheguei mais perto e lá estava George, ao me aproximar pude ver como seu corpo estava se desmaterializando, os vidros com uma espessura de uns três centímetros. Para que aquele vidro tão resistente? Neste momento pude ver seus olhos se abrirem, me assustei de inicio, depois veio a conclusão ele fora atingido pelo mesmo vírus do camundongo. Agora tudo havia se esclarecido, a espessura do vidro, a mordaça na boca e o fato de uma de suas mãos estarem amarradas.
Agora iria descobrir tudo sobre aquela substância, pela minha família.
Estava arrastando um túmulo para a sala de vidro, quando os cientistas chegaram.
– Não concluímos nossas pesquisas, você não pode...
– Posso sim. Elas estão mortas!
– É da sua filha que estamos falando, não de qualquer pessoa!
Fiquei totalmente congelado – Minha filha – desabei-me em lágrimas.
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