Um novo lar

2 Chegamos!


Depois de longas horas de viagem, finalmente chegamos. Minha irmã ainda conseguiu dormir depois de tudo isso. Queria ter esse dom.

O portão da casa se abriu sozinho, diria que era automático se ele não fosse tão velho. Assim que entramos o carro passou por cima de alguma coisa, provavelmente um galho, o barulho conseguiu acordar a Julie, acho que o sono não abandonando-a completamente, já que ela apenas me olhou com cara de sono.

De repente percebi que nas árvores tinham placas penduradas e uma delas dizia "Cuidado, aqui é a loja de doces do Duda". Mas espera, quem iria ter medo de uma loja de doces? Da casa tudo bem, se um dia me falassem que esse seria o lugar onde eu ia morar, eu não acreditaria e ainda diria que a pessoa estava louca. Mas a situação mudou.

– Carlos? — chamou minha irmã com voz de sono

– Oi, chegamos — sussurrei

O carro parou e nós descemos. Segurei na mão da Julie e segui Celeste. As vezes parece que a Julie tem 8 anos, mas talvez isso seja normal, ela não sabe suportar as coisas da mesma forma que eu.

Assim que entramos na casa um mordomo apareceu, ele aparentava ter uns 40 anos e ser uma pessoa dedicada ao trabalho.

– Os quartos de vocês ficam no segundo andar no fim do corredor, o Sr. K os levará até lá, enquanto isso eu e Daniel preparamos um jantar especial para vocês. Até logo!-e lá se foi a Celeste e o Daniel para a cozinha. Acho que depois terei que chama-los por outro nome.

Eu espero que ela saiba cozinhar e que não seja frango cozido, depois de anos no orfanato comendo quase a mesma coisa todo dia não aguento mais nem olhar pra frango, a não ser que ele esteja vivo.

– Sigam-me.

Seguimos o Sr. K até o fim do corredor. Nossos quartos eram um do lado do outro e aparentemente bem grandes. A maçaneta da minha porta parecia ser nova e a pintura do quarto também era nova. Ao que tudo indica eles prepararam tudo para nós.

Quando olhei para trás o Sr. K já tinha sumido, o cara era bem estranho, mas isso já era de se esperar.

– Carlos! Carlos!

– O que foi Julie?

– Olha pra isso Carlos! Quem colocaria um quadro desses no quarto dos filhos, eu é que não vou dormir olhando pra uma coisa dessas, preferia quando tinha que olhar pras fotos da Rafaela.

Eu comecei a rir, Julie nunca se deu bem com a Rafa, ela sempre achou que a garota dava em cima de mim no almoço.

– Carlos deixa de rir e olha pra essa coisa.

Assim que olhei pro quadro levei um susto, era a foto pintura de uma criança presa em uma cela com espadas atrás e na moldura tinha escrito "Camila".

– Quem é Camila? — perguntei

– E eu lá sei. Olha a cara de desespero da menina, eu hein.

Voltei pro meu quarto e atrás da porta tinha algo escrito, tipo um aviso, o papel era antigo e a ortografia também. O que é isso?

Quando olho para trás vejo o Sr. K me encarando.

– Isso não é para você! — ele arrancou o aviso da porta e me trancou no quarto.

Continua...

Notas finais
Rafaella era uma das órfãs que dividia quarto com a Julie nos últimos meses.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.