Um novo destino.
1 capitulo 1: Um desafio nunca vem ao acaso.
Notas iniciais
Dias após perder meu melhor amigo, continuo a minha fuga daquele lugar que outrora fora minha vida, meu lar e que, devido os militares, agora é apenas um mar de fumaças e morte. Consegui escapar com sorte, fugindo em caminhões, meu destino é a minha cidade natal pois lá eu sei que vou ser bem recebido. Do guerreiro a única recordação física que ele pôde me dar foi sua estupida flauta de bambu que segundo ele nas mãos certas ela podia ser mágica. Corri dia e noite, não parava para descanso, minhas pernas estavam exaustas mas eu não parava, atravessei cidades e vilarejos mas nunca descansei. Até que a minha frente um deserto começava a ganhar espaço, quilômetros e mais quilometro de areia.
Um velho homem , cabelos muito grisalho e uma bengala velha e quebrada das pontas muito semelhante a um tronco de arvore velha e tralhada para ser uma bengala , se aproximou de mim e disse calmo como um punhado de areia que recai sobre as outras.
–- Meu jovem , o que te aflige?
–- Esse deserto... ainda guardo algumas recordações dele.
–- Enfrente-as pois o seu caminho só será possível se o deserto você enfrentar. Use esse contratempo e transforme sua fuga em uma jornada de autoconhecimento. Sente-se e concentre-se pois o deserto não o considera digno de que entres.
Ao olhar para o velho homem, ele estava sentado, com os olhos fechados e os pés recostados sobre seus joelhos em posição de meditação, sem muitas expectativas resolvi aceitar pois meditar sempre foi o meu modo de me acalmar. Ao sentar no banco de areia, eu senti como se o deserto tivesse se conectado a mim e ecoando na minha cabeça ele disse:
–- As palavras nunca precisaram ser ditas para que alguém pudesse compreender.
Eu não conseguia entender o que aquela frase significava e quase que como uma resposta à pergunta mais fácil do mundo o deserto me respondeu rapidamente:
–- Enquanto a razão não te abençoar você nunca terá a força e o conhecimento para enfrentar o seu próximo desafio.
–- Próximo?
–- Sim , pois poucos são aqueles que no momento de aflição conseguem encontrar o deserto dos sonhos perdidos. Do outro lado da minha imensidão você encontrará as suas respostas das perguntas mais escondidas. Basta se concentrar e deixar que seu coração fale por você.
Durante o entardecer, senti uma leve tempestade de areia me rodear, a areia passava em meu rosto e me cortava, mas eu ainda sim mantive a concentração. Até que a voz do velho homem voltou a soar.
–- Espere... não abra os olhos , mantenha a concentração. A partir de agora você terá que aprender a responder sem usar a boca. Use seus instintos e não deixe sua concentração te abandonar.
Naquele momento eu quis dizer que achava tudo aquilo uma grande besteira. O velho homem segurou minha mão e colocou um papel e disse que na próxima brisa eu poderia abrir meus olhos mas que não deveria emitir nenhum som com minha boca e assim eu fiz. Ao abrir meus olhos eu estava em pé sobre um morro de areia, na mão esquerda eu estava com um papel velho e amassado (possivelmente o papel do velho homem) na outra eu estava novamente com a flauta de bambu. Ao abrir o papel havia apenas uma frase.
“TE OFEREÇO UM NOVO DESTINO, DEIXE SEU CORAÇÃO TE GUIAR ATÉ ELE”
Ao terminar de ler o papel se transformou em areia e se desfez em minhas mãos, segurei mais forte a flauta e jurei para mim mesmo que iria até o fim daquela jornada, pois se eu queria saber de onde eu realmente tinha vindo eu teria que cruzar aquele deserto enfrentando os novos desafios que a mim foram impostos.
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