Notas iniciais
Desculpe a demora, mas assim que vocês lerem esse capitulo vão entender porque demorei tanto. Espero que gostem...

Eu vivia com o medo constante que Edward poderia se apaixonar por outra. Afinal o que o impedia? Ele não podia me amar, o amor só vinha do “meu lado” do relacionamento.

Suspirei.

Todos pareciam gostar de mim, Alice e Rose se tornaram grandes amigas, mas ainda assim sentia que faltava algo em mim.

Peguei as laterais do vestido para facilitar descer as escadas. Alice estava sentada na poltrona, algumas pétalas de rosa flutuavam a sua frente, agora que eu sabia de tudo, eles pareciam mais confortáveis em deixar seus “poderes” a mostra.

– Alice? – chamei. Ela virou seus olhos para mim e sorriu.

– Esta tudo bem Bells? – perguntou. Assenti e fui para o seu lado, me sentando no carpete.

– Você não me parece muito bem. – disse sinceramente.

– É o Jasper, a cada década fica mais difícil. – disse Alice.

– Como isso funciona? – perguntei.

– Não sei bem como explicar, mas é como se para mim ele fosse um fantasma entende? Não posso toca-lo, minhas mãos passam direto por seu corpo... As vezes gostaria que o toque de nossas peles me causasse alguma dor, tudo, qualquer coisa é melhor do que não poder toca-lo. – disse Alice.

– Ele sebe como você se sente? – perguntei.

– Sabe. Quando você não pode tocar seu namorado, sobra bastante tempo para conversar. – disse Alice e deu um sorriso travesso.

Eu podia ver a dor em seus olhos. Queria que houvesse um meio de ajuda-la.

– Queria que tudo fosse diferente, queria vê-la sorrir. – disse.

– Nem tudo é um mar de rosas certo? Jasper sempre será o homem da minha vida, podendo ou não toca-lo. – disse ela.

– Rose não pode ter filhos, e o Emmett não pode ser médico certo? – perguntei.

– A maldição do Emmett é um pouco mais que isso, imagine como seria não poder chegar perto das outras pessoas sem sentir vontade de mata-las... Consegue imaginar isso? Ou talvez nunca poder ajudar alguém? Se você visse alguém machucado, seu primeiro instinto seria ajudar certo? Agora imagine como é isso para alguém como ele, que sonhava em criar um mundo melhor! – disse ela.

– Sinto muito. – sussurrei.

– Não é sua culpa afinal, sei que pode pensar que o mundo é difícil com você Bella, mas ele é difícil com todos nós... Esme não sabia o que a maldição custaria, mas nós não colocamos a culpa nela, ela é uma mulher esplendida que merece muito mais do que lhe foi dado. – disse Alice.

– As vezes me esqueço o quanto você é sabia Alice. – disse.

Ela gargalhou alto.

– A minha querida, séculos de experiência fazem coisas com nós mulheres. – disse ela rindo.

– Pode me contar mais sobre sua vida? Antes disso tudo? – perguntei.

– Em 1500 o mundo era um pouco pior do que é hoje, homens brigando por terras e tesouros. Eu fui encontrada na porta de um orfanato na Italia, não me pergunte o nome daquele lugar faz tanto tempo que nem me lembro, vivi lá até meus 15 anos, quando Esme e Carlisle me adotaram. Eles já tinham o Edward com 17 anos e Rose com 16, eu era e sou a mais nova. Eles eram bem gentis, lembro-me que assim que cheguei a mansão, Edward disse “Oi minha nova irmãzinha”, eu chorei sabe? Nunca alguém tinha me aceitado tão bem. Com o tempo fui me acostumando a vida com Esme, Carlisle, Rose e Edward, eles eram como uma pintura para mim. Conheci Jasper alguns meses depois de completar 17 anos, ele era lindo sabe? Tínhamos tudo para ficar juntos, Carlisle já o havia aceitado e Edward também, eu era cortejada por ele e todas as noites ele ia até a mansão e dava uma rosa a Carlisle para que ele me entregasse... Mas foi quando completei 18 que percebi o que Esme era capaz, eu fiquei doente nesse ano. Eu ia morrer Bella.

“Eu estava pronta para isso sabe? Morrer. Jasper sofreria é claro, mas eu já o havia afastado de mim assim que contrai a doença, ele odiou é claro... Mas o que mais eu poderia fazer? Esme passava o dia fazendo feitiços e colhendo plantas para me ajudar, Carlisle lia o que podia, Emmett estava se formando em medicina e Rose estava gravida, não podia ficar perto de mim. Edward ficava sentado ao meu lado sabe? Por isso quando ele quis morar aqui eu fiquei com ele, jamais vou esquecer o que ele fez por mim... Foi então que Edward também contraiu a doença, estávamos morrendo os dois. Esme já havia comentado que existia um jeito de ficarmos jovens, mas isso foi antes da doença, na época nós todos concordamos que queríamos viver e parar de envelhecer, só esperaríamos o filho de Rose e Emmett nascer...

Rose perdeu o filho quando caiu da escada, ela chorou meses seguidos, Emmett estava desolado, como podia ajudar o mundo, se não conseguiu nem ajudar seu filho? A família estava vivendo dias negros. Chegou então a hora de Edward, ele já ia morrer, mas a doença se adiantou nele... Então Esme nos juntou. Perguntou se estávamos prontos, que a magia custaria um preço e que ela não sabia qual era. Todos concordaram.

Aquela noite eu percebi que a doença não era nada comparada a Maldição.”

Fiquei em silêncio por alguns minutos.

Saber o que aconteceu com eles me fez ver o mundo de Edward de outro jeito. Como eu poderia ser suficiente para um homem como ele? Para uma família como aquela?

– Alice... Não sei como dizer isso, mas preciso da sua ajuda. – disse.

– Faria qualquer coisa por você Bella. – disse ela.

Então comecei a chorar.

***

Alice não aceitou logo meu plano, mas o que ela podia fazer? Eu ia deixar Edward por que precisava.

Ele tinha que encontrar outra mulher, pela qual se apaixonaria e a Maldição acabaria. Ele iria conseguir.

– Bella, você sabe que a Maldição não vai ser quebrada assim tão facilmente, não é apenas ele se apaixonar você sabe. Você não precisa fazer isso. – disse ela. Assenti em meio as lagrimas.

– Eu preciso tentar Alice, preciso pensar no que é melhor para todos vocês... E se quando eu for embora Edward encontrar a mulher certa? E ela quebrar a maldição... Eu jamais me perdoaria por colocar minha felicidade a cima disso tudo. Vocês merecem ser felizes Alice, e eu não vou ficar no caminho. Apenas deixe-me ir. – disse.

Alice suspirou, mas assentiu.

Fomos juntas até a porta da mansão, eu não voltaria para casa do meu pai. Precisava seguir viagem, para um lugar onde Edward não me procuraria. Algum lugar onde eu pudesse continuar minha vida sem atrapalhar a deles.

– Você tem 30 minutos Bells, nada mais entendeu? Se nesses minutos você não estiver a uma vida daqui Edward vai te encontrar e pode acreditar que eu ajudarei... Eu não quero que você vá, e acho que o que você disse sobre, outra mulher quebrar a maldição é a maior tolice desse mundo, mas você precisa cometer seus próprios erros... Viva Bella! Vá e viva, por todas nós. – disse Alice.

A abracei o mais forte que pude, peguei as laterais do meu vestido e corri.

Corri o mais rápido que consegui, o bastante para pensar que conseguiria chegar a algum lugar, que conseguiria ajudar Edward e sua família.

***

Itália 1850 ( 60 dias longe de Edward)

O mundo perdeu a cor. O céu não é mais azul e temo que nunca volte a ser, quando fui embora não pensei no que isso me custaria. Pensei apenas no bem de Edward e sua família.

Talvez o fardo de ser um empecilho naquela família foi grande demais para mim, mas não me arrependo de ter fugido. Eu precisava tentar dar a todos eles, a chance de acabar com a Maldição, mas fazendo isso não percebi que estava condenando me coração a viver machucado.

Hoje a dor é latejante, eu sei que posso ignora-la. Mas a vezes que eu quero que ela fique la, que doa bastante para que eu me lembre sempre dele.

Alice tinha razão, a dor é bem melhor, assim eu sei que ele existiu, tudo é melhor que não poder toca-lo.

Estou em uma pequena cidade da Italia, aqui as pessoas são gentis, uma senhora me ofereceu um emprego como dama de companhia. Tenho teto, comida e uma amiga.

Lady Sulivan, é um doce. Fez por mim, o que ninguém no mundo ousaria fazer. Dar uma casa a uma estranha.

Preciso ir, tenho que ajuda-la no banho. Isabella Swan.

***

Itália, Burano 1850 ( 100 dias de saudades de você)

Um jovem veio me cortejar, seu nome era Conde Alexandre Falcon, ele era um jovem belo e doce. Mas nem pensei duas vezes em dizer não, agradeci suas investidas como uma boa dama, mas não o quis.

Seria injusto certo? Dar um coração que já não era meu.

Vivi 100 dias sem você meu amado, as vezes quando Lady não precisa de mim, eu me deito em seu jardim e fico sussurrando teu nome.

Edward, Edward, Edward.

Você nunca percebeu querido, mas você era meu príncipe encantado.

Edward, Edward, Edward.

Seu nome é minha poesia, talvez esteja ficando louca, mas ao anoitecer eu o vejo. Seus olhos selvagens me avaliando, seu sorriso travesso, seus cabelos pingando agua e seus braços prontos para me abraçar.

Sinto tanto sua falta querido. Isabella Swan.

***

Itália, Carroça para outro lugar 1850 (110 dias pensando em correr ao seu encontro)

A meu amado, você me encontrou não foi? Ouvi uivos durante a noite, então peguei tudo que consegui juntar e tudo que Lady me deu e fugi novamente.

Meu amado pare de me procurar. Não percebe que é melhor para você assim? Longe de mim, você terá uma chance.

A carroça que estou balança tanto que sinto que vou ser arremessada para fora, se você estivesse aqui me seguraria em seus braços, seria uma desculpa para me aproximar de você, mas você nunca saberia.

A Edward, querido.

Choro agora porque não me lembro do som da sua voz, não lembro de como seus cabelos ficavam a luz do sol, não lembro qual era seu cheiro ou o quanto apertado você me abraçava. Seu rosto esta se apagando querido, apagando da minha memória.

Como poderei viver um amor, que me parece somente existir em minhas lembranças? Como não saberia se tudo isso não é um sonho? Se agora você se tornou apenas um sonho...

A e como eu daria tudo para sonhar tudo isso novamente. Isabella Swan (mas troquei de nome para ninguém reconhecer-me, sou agora Andrea Lupin).

***

Lisboa, 1850 ( 200 dias, será que você existiu mesmo?)

Querido Edward, não sei como dizer-te isto mas acho que vou me casar.

Meu coração é sempre seu querido, sempre será assim, mas preciso encontrar algo por que ficar.

Trabalho para uma Condessa em Lisboa e o filho dela esta me cortejando, estou pensando duas vezes antes de recusar, faço mal querido?

Eu penso em você todos os segundos do meu dia, esqueci tantas coisas a seu respeito, estou triste por isso. Queria guardar-te para sempre, mas me lembro dos teus olhos e isso não me deixa desistir.

A sonho meu.

Como posso eu passar anos e anos, sem ver-te novamente? Lembro-me de pensar que você era meu Romeu, e eu tua Julieta. Será que quando Julieta escolheu Romeu ela pensou em tudo que isso causaria a ele? A tragédia termina com ambas as mortes, você não morre querido, mas eu sim. Não suportaria vê-lo perdendo o seu tempo comigo.

Você disse que era observador, não posso deixar você observar minha morte.

Meu amor, meu anjo, meu sonho.

Edward, minha poesia.

Será que ainda me procura? Será que me reconheceria? Mudei tanto, meus olhos estão maiores, meu rosto mais alongado, meus cabelos maiores do que você viu... Estou ficando mais velha, logo farei 18 anos. Você me reconheceria? Isabella Swan ( apenas para você, o mundo não me conhece mais assim).

***

Lisboa, Carroça para lugar nenhum 1851 (1 ano de saudades de você, sinto muito)

Um ano...

Um ano...

A meu amor, como o tempo passou, sinto tanto sua falta. Sinto falta de me lembrar de você.

Não vejo seu rosto Edward, você realmente existiu?

Não consegui ficar na casa da Condessa, depois que recusei o pedido do filho dela... Eu jurei que seria somente sua meu amor, o que eu estava pensando? Como cogitei amar outro além de ti?

Entendo porque Julieta morreu, essa dor me faz desejar o mesmo fim.

Será que se eu voltar, encontrar-te-ei? E meu pai? Alice? Jasper? Esme? Carlisle? Rose? Emmett? Vocês realmente existiram?

Não sei para onde estou indo agora, talvez essa carroça me leve até você, talvez sim ou talvez não. Mas torço ardentemente que sim. Isabella ou Andrea.

***

França 1851 ( 1 ano e vinte dias, estamos em guerra)

Estamos em guerra querido.

Vivo escondida, em uma pensão bem velha devo dizer.

Você esta bem? Vivo? Conseguiu amar?

A querido, ame alguém... Não faça como eu, não me espere e nem me procure.

Eu tenho um bom emprego sou dama de companhia de três belas meninas, as Duquesas de Ronil.

Elas acreditam no príncipe encantado querido. Será que se eu contasse acreditariam em você?

As vezes quero falar sobre isso com alguém, mas me esqueço que não me lembro do seu rosto, como posso falar de alguém que nunca existiu?

Você é um sonho Edward, nunca foi real. Nunca me abraçou de verdade, nunca me amou... E eu o amo, amo tanto que estou ficando louca.

Estou realmente louca?

As paginas do caderno estão acabando quando estiver morrendo pretendo manda-lo para você, assim você poderá se lembrar de mim, mas eu não me lembro de você. Andrea Lupin.

***

França, como o mundo ainda não inventou algo melhor que carroças? 1851 ( Vou voltar para casa depois de 1 ano e 100 dias de saudades de você)

Você vai estar como te deixei?

Sera que vai me reconhecer? Sera que se casou? Sera que já ama outra?

Sinto que não mereço voltar para você querido.

Vou fazer o que você quiser, mas preciso ver seu rosto, ver que você foi real.

Ver que tudo que sonhei era verdade.

Minhas malas estão prontas, estou na metade do caminho sinto meu coração acelerar.

Quando vou ve-lo? Isabella Swan (voltei a ser quem eu era).

Notas finais
Já me perdoaram? Eu pensei em acabar a fic com mais uma carta da Bella, mas pensei melhor e decidi devolve-la a seu mundo de origem hehe Sinto muito se vocês não gostarem, e peço que falem comigo sobre isso... Podem me mandar um Email : Danielaokokok@hotmail.com Outra coisa queridos e queridas, a fic vai ter mais uns 3 capítulos, desde o inicio, eu planejei apenas 10 capítulos, mas talvez eu faça uma fic separada com as histórias dos outros personagens, o que você acham? Mandem suas ideias e eu lerei todas(juro juradinho) Beijos (: