"Ah, Marcelo" disse Maria Inês, entrando no quarto , enquanto ele a abraçava por trás, beijando o seu pescoço, "Eu nunca poderia imaginar, há alguns anos, que seria tão feliz a esta altura da minha vida, se não fosse toda a história do Marcos, tudo estaria perfeito." Nesse momento ele a pegou pela cintura e a girou gentilmente, de modo que pudesse ver o seu rosto, (a luz do quarto ainda estava apagada) ele envolveu seu rosto com as mãos, aquele era sempre um assunto delicado, ele sabia que nada do que dissesse aliviaria a dor que ela sentia, mas ao mesmo tempo, ele não poderia admitir que ela se culpasse pela situação, o que ela acabava fazendo constantemente. "A vida é assim Maria Inês, ela nunca será perfeita, o que a gente tem que fazer é tentar ser feliz com o que ela nos dá, ou... ele disse, desta vez sorrindo, o que fez com que ela sorrisse também, "correr atrás da nossa felicidade, no caso de saber exatamente onde, ou com quem, ela está." "Como você fez" ela disse com os olho marejados. "Sim, como eu fiz" ele respondeu, beijando-a intensamente.

Depois de alguns instantes, ela se afastou, pondo as mãos em seu rosto, "Eu sinceramente não sei se seria capaz de passar por tudo isso sem você.", "Acontece que você nunca vai ter que pensar nessa possibilidade" ele respondeu, "Eu estarei sempre ao seu lado, Maria Inês, e nada no mundo será capaz de impedir isso, nada, meu amor. "Ela sorriu, ternamente, abraçando-o depois o puxou pela camisa em direção a cama, até que sentiu algo desconfortável nas suas costas. "Oh, meu amor, desculpa" ele disse acendendo a luz, "Eu trouxe isso pra você, deixei aqui antes de ir no quarto da Bella." Ela sorriu, admirando o buquê, "Alguma ocasião especial?", "E eu preciso de uma pra dar flores para a mulher da minha vida?"

Ele sentou-se na cama ao lado dela, percebendo que ainda tinha algo errado. Ele não precisava falar, seu olhar dizia tudo, ela sabia que ele estava preocupado. "De manhã, logo que você saiu, antes de eu ir para o hospital, eu recebi uma ligação.", "Sobre o Marcos?" "Sim, ele teve outra crise, o médico responsável é amigo do Fernando, você sabe, por isso ele me liga constantemente, pra me atualizar sobre o estado de saúde do Marcos"– de fato o médico era sim amigo do Fernando, mas Marcelo sabia muito bem que o motivo das ligações era outro, mas aquilo não era hora de sentir ciúme e nem ele tinha motivos pra se sentir inseguro em relação à Maria Inês, mas talvez, ele devesse acompanhá-la com mais frequência nas visitas ao filho, mesmo que ele sempre estivesse na revista quando ela decidia ir, assim, de repente. "Eu queria ir visitá-lo, mas o médico disse que ele estava sedado, não havia muito o que fazer lá, foi aí que a Laura chegou com a Bella e eu esqueci um pouco disso, até cancelei as reuniões que eu tinha para hoje, mas eu estou me sentindo tão culpada agora."Maria Inês" ele disse com um tom mais sério, "Você precisa parar de se preocupar e se culpar por tudo, toda essa situação do Marcos, nada disso é culpa sua, você foi, e é uma mãe maravilhosa, adotou dois filhos depois de achar que tinha perdido um." Às vezes ainda era difícil acreditar que eles tinham uma filha, "Agora tá aqui, fazendo de tudo pra recuperar o tempo perdido com ela, eu fiquei observando vocês duas agora há pouco, e não poderia ficar mais feliz e orgulhoso em ter como mãe da minha primogênita a senhora Maria Inês Pereira Bitten..." ele não completou o último sobrenome, a verdade é que ele odiava o som deste nome junto ao dela.

"Sabe, Maria Inês, talvez já esteja na hora da gente consertar uma coisinha." Ela o observava, curiosa, enquanto ele tirava do bolso uma pequena caixinha, ele vivia enchendo-a de presentes, mas aquilo só podia significar uma coisa. "O que você acha de se tornar oficialmente a senhora Maria Inês Pereira Barbosa?" Marcelo perguntou enquanto abria a caixinha, tirava o anel e pegava sua mão direita. "Hum, o que me diz?" Mesmo já estando juntos, dividindo a mesma casa, quarto, cama, vida, há meses, os dois estavam nervosos. Ela esperava que mais cedo ou mais tarde isso fosse acontecer, principalmente depois de ter achado, por acidente, o anel nas coisas dele. Mas ainda assim, nada a havia preparado para aquele momento, e ele, mesmo sabendo que não existia a mínima possibilidade de uma recusa, estava tão nervoso como no dia que eles ficaram pela primeira vez em Paris, ou como no dia que ele largou tudo e foi atrás dela no nordeste. Ela, com os olhos cheios d'água, só conseguia fazer que sim com a cabeça, até que ele pôs a aliança em seu dedo e da sua boca saiu um "Sim, eu aceito", ainda meio trêmulo. Foi então, que um pouco mais recomposta, ela pegou a mão direita dele e perguntou: "Não está faltando nada aqui, senhor Marcelo Barbosa?" Ele riu, ela mais uma vez o puxou pela camisa para mais perto dela,(dessa vez ele se certificou de empurrar o buquê para o chão), enchendo-o de beijos enquanto dizia "Amanhã — eu — mesma — me — certificarei — de — comprar — uma — aliança — pro —
meu — futuro — marido — cancele — todos — os — seus — compromissos.", "Sim, senhora" ele respondeu, deitando-a na cama beijando-a apaixonadamente.