Um novo amor
6 Capítulo 05 —
Notas iniciais
Nagisa POV.
O capitão do time de vôlei é estranho. Lindo. Meio musculoso, na medida certa, sabe? Mas estranho. No dia seguinte do da sorveteria (que foi meio estranho, por causa das piadinhas toscas do Atsushi e do cérebro lerdo do Kouha que não entendia nada), eu fui para o clube de vôlei e o capitão, o Kazumi, não parava de falar comigo. Sinceramente, foi irritante.
O Kouha me olhava de um jeito diferente. Talvez quisesse me dizer algo, mas o quê? Não dava pra entender e isso também era irritante. Meu dia — quase inteiro — foi irritante.
Fiquei desesperadamente lembrando-me da Nagizinha. Ela está na CASA DO RYOSUKE e ele simplesmente ontem disse que existia uma boneca com o nome "Nagizinha". Por mais quantos momentos constrangedores eu irei passar por causa dele?
Ah, sim. Também tem a Mishiya. Olhos verdes e cabelos negros. Baixinha, magrinha, inocente e pura. Eu não gosto dela. Nem de coisas fofas. Nem animais. Só corujas, raposas, cachorros e gatos. Esses são fofos, mas enfim, eu não gosto desse tipo de gente. Ela irritou uma boa parte do meu treino de vôlei.
– Ryosuke-kuuunn!! — ela disse gritando — Boooa soorte! Estarei torcendo por você!
Torcendo? Ela sabe que isso é um treino e não uma competição? Por causa dela, ele levou uma bolada na cara e uma bronca do Atsushi. Irritada, continuei treinando, e no final, talvez meu dia não tenha sido tão ruim assim.
Que mentira! Logo quando o treino acabou eu estava prestes a ir para minha casa, quando a doce-falsa da Mishiya veio falar comigo. Seu cabelo curto estava amarrado em um rabo-de-cavalo e ela estava com uma expressão feliz no rosto. Ela é meio estranha, mas eu não sou o tipo de pessoa que posso chamar as pessoas de estranhas.
— Yamano-chan! Que bom saber que você está no clube de vôlei! — ela sorriu — Posso falar com você? — concordei meio desconfiada, confiança é algo que você tem que conquistar para mim, e não é algo muito fácil. Seguimos para um lugar com poucas pessoas, e então, a Mishiya se transformou.
— Saia de perto do Ryosuke-kun — ela disse com uma expressão sombria, que me fez ter um arrepio na espinha. Me senti em um filme de terror. Experiência nada interessante.
— Sair de perto do “Ryosuke-kun” — repeti. Olhei para ela, e (mesmo completamente apavorada), dei uma gargalhada — Eu não sei se você percebeu, mas... Ele é o melhor amigo do namorado da minha irmã de consideração. Mesmo que eu quisesse, seria impossível eu não me aproximar dele! Mesmo ele sendo um chato, ridículo, idiota que me odeia e que eu odeio, é impossível! IM-POS-SÍ-VEL!
Incrível como eu consigo dar ênfase nas sílabas da minha última palavra sem nenhum esforço. Na verdade, tudo aquilo saiu de mim sem o menor esforço, e ela percebeu, soltou o sorriso mais tenebroso e com os olhos verdes — que agora pareciam cor de caneta marca-texto — me encarou.
— Isso pouco me importa, Nagisa! O Ryosuke é meu, e você, sua vadia desgraçada, pode sair de perto dele, ouviu? — ela me olhou de um jeito que certamente estava dizendo que iria me matar se não fosse por seu jeito estranho acabar quando ouviu seu nome sendo chamado pela Yuuka.
— O que vocês estão fazendo? — o Kouha perguntou meio surpreso.
Enquanto a Mishiya disfarçava tudo o que tinha acontecido, a Yuuka falou meio alto, para que o Kouha, o Atsushi e o Kazumi (capitão do time de vôlei que passava por ali coincidentemente) ouvissem e olhassem para mim, me encarando para ver algo de errado no meu rosto. Eu certamente nunca consigo perceber quando uma pessoa está pálida ou não e isso é péssimo.
Fui para casa andando no ‘modo alerta’, olhando para todas as garotas baixas de cabelo preto na rua, e quando cheguei em casa, uma onda de alívio de estar segura me dominou, seguido de medo do que aconteceria entre meus pais hoje. Suspirei.
Não deixei de pensar nas coisas que a Mishiya disse. Eram meio assustadoras, e mesmo me deixando apavorada, eu não senti muito medo — bem, isso depois de chegar em casa, abaixar o ‘modo alerta’, voltar ao normal — depois que pensei nas coisas novamente.
No outro dia, o Kouha às vezes olhava para mim, como se quisesse dizer algo, mas sempre virava. E isso se seguiu várias vezes. Como esperado, a Mishiya não gostou, e tudo o que eu fiz foi ignorar e soltar um sorriso malvado discretamente. Era até interessante vê-la daquele modo.
Na hora do treino no clube de vôlei, ela também estava por perto, conversando com o Kouha durante as pausas. Eu me irritei, porque a cada vez que ela olhava para mim, soltava um sorriso desafiador, e aquilo era insuportável.
— Kazumi — chamei o capitão — Você não acha que a Mishiya pode estar atrapalhando não? Ela sempre está acompanhando o Kouha... Nada contra isso, mas... Talvez ela possa estar tirando a concentração dele. Lembra-se da bolada ontem, e da bronca que você deu nele?
Ele é loiro do olho castanho, meio alto, forte, inteligente e engraçado, segundo as meninas que ficam observando-o na porta da quadra. Realmente, o cara é lindo. Uma garota seria sortuda de tê-lo como namorado, ou marido... Não sei. Eu não o conheço muito bem, mas talvez seja legal e normal.
Kazumi olhou para os dois na arquibancada, conversando alegremente enquanto só faltavam cinco minutos para aquilo tudo acabar e voltarmos ao trabalho.
— É melhor eu ir falar com ele mesmo — ele disse sério, mas olhou para mim e sorriu. Ouvi gritinhos e surtos vindos da porta da quadra, olhares de garotas todos voltados a mim e ao Kazumi, e tudo o que ele faz é sorrir mais uma vez. Talvez ele se sinta um deus grego com todas as garotas o adorando, mas se é isso mesmo, ele não demonstra.
Ele disse também que quando o treino acabasse, queria falar comigo. Várias meninas ouviram, e o treino acabou. Quando eu saí do vestiário, arrumada para ir embora depois que falasse com o Kazumi, várias meninas me cercaram, fazendo perguntas do tipo:
— O que está rolando entre você e o Kazumi?
— Vocês estão namorando?
— Vão para casa juntos?
Senti-me em um interrogatório, e respondi tudo com um ‘’Nada e não’’. O que deixou as garotas animadas por pouco tempo. E quando eu digo isso, é porque eu sei que elas se irritaram bastante quando viram o Kazumi vindo à minha direção, me olharam como se tudo o que eu disse estivesse se contradizendo com o que estava acontecendo ali, e aquilo era bastante constrangedor. Nunca queira experimentar olhares cheios de invejas de fãs de colírios colegiais.
— Então, o que foi? — falo de um modo frio e ríspido, que não saiu do modo que eu queria, como uma pessoa normal, que não estivesse irritada por estar sendo quase impedida de ir para casa.
— Você é bem legal, Yamano — ele sorriu — Não são todas as vezes que as garotas com quem eu peço para conversar negam para as fãs que estão saindo comigo. — ele faz aspas com os dedos quando diz fãs, e isso me faz duvidar um pouco da pessoa legal dele. Eu fico em silêncio.
— Você também é bastante bonita. — ele diz me observando de cima para baixo e me deixando corada e meio constrangida.
Ele me puxou para mais perto. Seu rosto estava a poucos centímetros à minha frente. Sua mão estava delicadamente mexendo em uma mecha do meu cabelo, ele estava olhando para a minha boca e eu estava hipnotizada com aqueles olhos castanhos. Eu estava. Então acordei, ele já estava se aproximando mais e mais, e como minhas mãos estavam livres, empurrei-o para longe de mim.
Kazumi se assustou. Talvez não recebesse um empurrão há muito tempo, ou então aquela era a primeira vez que uma garota recusava um beijo dele. Qual é! Aquilo estava ridículo! Ele só me conhece desde ontem! O que sabe sobre mim? Completamente n-a-d-a.
Me afastei dele, irritada, constrangida, corada. Indignada. Como ele, o deus grego de todas as garotas naquele colégio havia feito isso comigo? Se não só foi comigo, pode ter sido com várias garotas, o que me deixou mais abalada ainda!
A última coisa que vi antes de sair do pátio foi uma sombra, uma pessoa irreconhecível pela distância ente nós. Ela me olhava espantada, incrédula com o que tinha visto. E eu sabia que, amanhã, haveria vários boatos sobre isso. Eu estaria completamente ferrada, mas tudo o que eu fiz foi caminhar rapidamente até em casa.
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