Um novo amor
3 Capítulo 02 —
Notas iniciais
Ryosuke P.O.V.
Meu sábado não foi tão bom quando você imagina. Primeiro começou com meu irmão mais novo jogando Toddynho nas minhas calças enquanto eu via televisão com o meu irmão mais velho.
— Desculpa Onii-chan! – ele disse, olhando para mim com aqueles olhos enormes e cara de pidão. Argh! Como eu tenho raiva desse moleque. Mas eu acabei desculpando eles, senão eu iria levar uma bronca da minha mãe, e ela com certeza não iria me deixar sair de casa.
Quando cheguei ao shopping com o Atsushi, vi as garotas em frente à bilheteria do cinema. Meu olhar foi rapidamente voltado para a Yamano. Eu a achei mais bonita do que eu pensava... Mas no que eu estou pensando?! Fomos comprar pipocas, e eu percebi que ainda estava com a carteira e o celular na mão.
— Atsushi, sua calça tem bolso? – perguntei, a minha tinha, mas eu sou bastante desastrado e havia chances do celular e da carteira caírem e eu perdê-los.
— Não... Por isso minhas coisas estão na bolsa da Yu-chan. – ele disse dando um beijo na bochecha dela, que corou. Cara, esses dois estavam bastante grudados ultimamente. Eu não gosto de coisas assim.
— Yuuka, você pode colocar minha carteira e o meu celular na sua bolsa? – perguntei, torcendo para que ela dissesse sim.
— Não tem mais espaço... Eu trouxe uma bolsa pequena.
Mas que droga! Não havia mais ninguém com um lugar para eu colocar duas coisas que são quase do mesmo tamanho?! Então eu lembrei que tinha a Yamano. Mas eu não queria pedir isso a ela. Era isso ou perder o celular e a carteira.
— Yamano... Você pode colocar... – ela olhou para mim meio surpresa, provavelmente achando que eu nunca iria perguntar para ela. Realmente, eu não iria, mas é por uma questão importante. Eu não precisei continuar a frase, ela respondeu rápido.
— Posso. Não tenho bolsa tão pequena e nem tenho coisa de mais para colocar nessa.
Enfim, fomos para a sala e o filme começou. A Yuuka e o Atsushi estavam se abraçando e se beijavam algumas vezes. Então para não olhar para os dois, tive que olhar para o lado, mas se eu olhasse para o lado, a Yamano me estranharia por estar olhando para ela, e se eu olhasse para a tela, daria para ver o casal se beijando de relance e a Yamano também. Ela não parecia se importar com a Yuuka e o Atsushi. Não que eu estivesse contra eles, afinal, isso não é proibido em um cinema, mas... Era bastante estranho.
A Yamano não considerou eu estar perto dela. Eu a vi chorando. O filme era de comédia, mas ela não parecia estar rindo e nem chorando por causa dele. Fiquei surpreso em saber que a Yamano também tem sentimentos. Pra mim ela sempre foi uma chata, irritante e brincalhona demais.
Nós terminamos o filme. A Yuuka e o Atsushi estavam de mãos dadas e a Yamano com um sorriso estampado no rosto, rindo sobre alguma coisa com a Yuuka. Que agonia! Eu a vi chorando no cinema e agora ela estava ali, sem nenhum vestígio de choro. Depois eu chamo-a de falsa e não acreditam em mim.
Fomos passando por várias lojas, comemos hambúrgueres e tomamos sorvete. Eu mal percebi que a Yuuka e o Atsushi eram um casal. Eu não prestava atenção neles. Não prestava atenção em nada. Até nós entrarmos em uma loja de bichos de pelúcia.
— Atsushii!! Olha que fofo! – disse a Yuuka, segurando um gato branco, que realmente era fofo. Fiquei observando os dois. Eles eram perfeitos juntos. Entendiam-se rápido, possuíam gostos iguais e diferentes. Havia certo equilíbrio.
A Yamano foi se distanciando e secretamente pegou um bichinho de pelúcia, que eu deduzi ser uma coruja. Ficou apertando a barriga dela e falando ‘’fofinha’’ o tempo inteiro, bem baixinho. Me segurei pra não rir. Que garota lerda!
— Nagi-chan! Você gostou dessa coruja? – a Yuuka perguntou para ela. Comecei a me sentir constrangido, porque, eu estava acompanhando aquele grupo e estava dentro de uma loja cheia de BICHINHOS DE PELÚCIA! Embora eu realmente tenha achado a coruja bonita.
— Sim... Mas eu estou meio sem dinheiro para comprar essas coisas. – ela disse, dando um sorriso meio torto. Eu fiquei olhando para ela, até que o Atsushi e a Yuuka olharam para mim tipo: Compre.
Eu não ia comprar, e nem comprei. A Yamano falou que não precisava (ela entendeu o olhar da amiga) e eu também não comprei.
* * *
Eu estava no meu quarto, procurando meu celular desesperadamente, então eu lembrei que ele estava na bolsa da Yamano. Droga. Eu tive que ligar para a casa do Atsushi (com o telefone da casa), que ligou para a Yuuka e depois me deu o telefone da casa dela.
Liguei para o celular dela pelo o celular da minha mãe. Foi estranho ter que explicar para ela que eu estava ligando para a amiga da namorada do meu melhor amigo, já que ela quer que eu tenha uma namorada e essa coisa toda de mãe.
Quando ela atendeu ao telefone, ouvi uma voz de choro. Me assustei logo.
— Yamano? Aconteceu algo? – Sério, eu não sou um bom ‘’odiador ‘’ de pessoas. Meu ponto fraco é ser bonzinho com algumas pessoas.
— Kouha? – ela se assuntou quando percebeu que era eu. Na boa, ela é muito idiota. – Kouha, eu quero falar com você. Naquela praça, aqui perto. Agora! Tchau.
Incrivelmente eu sabia que praça era a que ela estava falando. Coloquei uma blusa e me calcei para ir até lá. Estava frio, e eu comecei a me arrepender por ter saído rápido de casa, principalmente com uma blusa de manga curta.
Sentei-me no balanço e comecei a olhar para o piso cheio de grama. Até que vi gotas d’água caindo no chão e olhei para cima. Era a Yamano. Chorando. E muito. Ela estava com a calça de um pijama, uma pantufa de coelhinho, uma blusa que eu não soube dizer se era de manga longa, sem manga ou manga curta, já que ela estava com um moletom cinza por cima. O cabelo dela estava bagunçado.
— Você me chamou aqui para quê, Nagisa? – achei que se eu a chamasse pelo nome (e não pelo segundo nome) daria um ar de assunto mais sério, mas acabei me arrependendo uns segundos depois.
— Não fique se achando só porque eu quero falar com você, Ryosuke. – ela disse com voz soluçante e me chamando pela PRIMEIRA VEZ de Ryosuke. Foi estranho. – Não chamei o Atsushi porque não tenho intimidade com ele. Não chamei a Yuuka porque não quero preocupá-la, e enfim, você foi minha única opção. E nem ia ser, pois eu só lembrei de você porque você ligou para mim.
Ela ainda estava chorando e mesmo assim conseguia dizer essas coisas calmamente. Estava fazendo bastante frio e eu queria ir para casa. Mas ela me chamou aqui, e eu espero que seja algo sério.
— Sabe, Ryosuke, – ela disse se sentando no balanço do meu lado – Meus pais estão brigando muito. Por minha causa, eu acho. Eles ficam o tempo todo, não importa o motivo, brigando, Ryosuke! Sempre eu estou lá ouvindo eles brigarem e brigarem, e geralmente sou eu que a que faz eles brigarem e...
— Eles não estão brigando por sua causa. – respondi, interrompendo-a – Eles não querem começar a briga por eles, então vão começar por você. Se você falar do seu dia, eles vão colocar a culpa no outro, dizendo que seu dia poderia ser melhor, se não fosse por um dos dois. Ou seja, a culpa não é sua. Eles querem brigar e fazem de você uma ferramenta para o início da briga.
Ela ficou quieta por alguns minutos. Acho que falei verdades demais. Ou ela está pensando. Ou julguei os pais dela sem nem ao menos conhecer. Ela começou a enxugar as lágrimas com os dedos e as costas da mão, sem falar nada. Então ela se levantou.
— Você... Tem certeza? Eu não estou sendo o motivo da briga deles? – ela perguntou, como se eu tivesse algum espião que fosse na casa dela, observar as brigas dos pais dela e me contar tudo. Com certeza eu não sabia, mas eu sabia que ela não queria receber um não naquela hora.
— Sim... talvez. – Murmurei o talvez.
— Certo, agora tenho que ir. – ela falou, começando a chorar novamente.
— Tchau. – falei indo embora.
Quando cheguei em casa que me deitei na cama prestes a dormir, me lembrei que... Eu não havia pedido que ela levasse meu celular e minha carteira.
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