Um novo amanhã
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Essa é a minha primeira história publicada aqui no Nyah!Fanfiction. Comecei escrevendo pra minha irmã mais nova, percebi que ela gostou e continuei criando novos capítulos. Depois disso achei interessante a ideia de divulgá-la pra que outros leitores pudessem ter acesso. :33 Fiz tudo com muito carinho.^u^ Espero que gostem!
Boa leitura. ♥
—Mamãe, mamãe!- eu gritava, enquanto balançava freneticamente os braços no ar numa tentativa de chamar a atenção da minha mãe. Estava correndo até ela.
As plantações de frutinhas, de um azul brilhante, estavam em época de colheita. Minha mãe coletava pacientemente uma por uma, para que não ficassem machucadas e acabassem estragando antes do nosso jantar. Muitas da nossa espécie naquela região não chegavam nem aos pés da minha mãe quando o assunto era colheita.
—Eva…-sussurrou minha mãe meio impaciente, enquanto apoiava a cesta no chão.- Já falei que você não pode correr assim pela plantação porque…
Olhei para meus próprios pés, e percebi que tinha pisado em dezenas daquelas frutinhas.- Perdão, mamãe.
Anoitecia quando chegamos em casa, mas ainda não estava totalmente escuro. Lenha na fogueira, água nas tigelas. Começamos a cozinhar um banquete que tinha como prato principal as tais frutinhas azuis, mas minha mãe logo percebeu que faltavam raízes pra tirar o “gosto de planta” de que papai sempre reclamava.
—Qual a quantidade necessária, mãe?-perguntei.
—Não acho que você deva ir agora. Já está escurecendo.- afirmou, com preocupação na voz.
—Mas é aqui pertinho, e se eu não achar ao redor da casa, prometo que não vou muito longe. Ah! e não está tão escuro assim.-tentei convencê-la. Meio hesitante, ela assentiu levemente e me deu as costas. Foi nesse momento que percebi como a cauda da minha mãe era linda, de um marrom brilhante e pêlos visivelmente macios. Quando encostei a palma da mão na porta, ela advertiu:-Não demore muito, seu pai vai chegar logo.
Fui para o terraço, e comecei a coletar as raízes que aparentemente estavam mais saudáveis. Algum tempo se passou pra que eu conseguisse pegar um punhado delas, mas ainda não eram suficientes pro jantar. Senti minha orelha tremendo, minha cauda se agitou igualmente.
Alguém estava por perto.
Olhei ao redor, e dei um passo para trás, ao mesmo tempo que segurava as raízes com força. Senti uma mão pesada segurar meu ombro.
Gritei.
-Já conversamos com você sobre sair de casa à essa hora.-sua voz era grave. Era meu pai.
-C-certo, papai.- percebi que havia medo e um alívio repentino em minha voz. Me abaixei novamente e continuei pegando mais raízes, e percebi que meu pai entrava em casa.
As reuniões ao final do dia com minha mãe, e com o grupo de homens iam caçar com meu pai para conseguir acumular comida pro inverno, eram frequentes. Eu sempre conseguia perceber uma pontada de preocupação na voz dele, mesmo que essa preocupação não ficasse aparente em sua fisionomia fria. Acredito que ele seja assim porque ele é um grande líder, e apesar de suas expressões serem…”duras”, digamos assim, sei que tem um grande coração. Apesar das reuniões constante, eu nunca sabia exatamente quais eram os assuntos tratados entre aquelas quatro paredes. Naquela hora, conseguia ouvir a voz do papai ecoando na cozinha:
-Eu sei que eles estão ao redor de nossa vila. No início pensei que fossem poucos, mas de um tempo pra cá...apareceram muitos outros.- ele deu uma pausa.- É como uma praga.
-Quando você acha que eles…?-mamãe hesitou.
-Que eles o quê?- papai perguntou, com certa impaciência. Ele odiava ter que se esforçar para completar alguma sentença mentalmente.
-Que eles vão atacar nossa vila, você sabe…-mamãe afirmou. A altura da sua voz foi diminuindo, senti que estavam olhando através das paredes, suspeitando que eu estava ouvindo. E estava mesmo.
-Meus homens e eu estudamos os arredores dos acampamentos dos forasteiros...conseguimos observar que estão se armando, ainda. Apesar do aumento da quantidade de pessoas, tudo indica que a invasão ocorrerá na semana que vem.- disse ele, com firmeza.-Temos que tirar nossas coisas daqui, nesse intervalo…
Não consegui ouvir o resto da conversa, pois algo dourado e brilhante do outro lado do rio me chamava atenção. O rio ficava entre minha casa e as plantações, e para que eu alcançasse o que quer que tivesse aquele brilho dourado, eu precisaria atravessar o rio. Não foi tão difícil, as margens eram próximas uma da outra, e quase 8 anos brincando de pular o rio com outras crianças não foram em vão. Fui me aproximando cada vez mais do objeto, um objeto com uma superfície lisa e formato circular. Toquei, puxei um pouco pra perto de mim e percebi que tal objeto ainda tinha um cordão dourado.
Suspendi o objeto no ar, pra dar uma olhada melhor.-É lindo…-sussurrei. Mas eu nunca tinha visto um daqueles. Sentei no chão, e comecei a estudar aquela coisa dourada e bonita. Pendurei e fiz movimentos de pêndulo pra ver se saía algum som, apertei pra ver se algo acontecia. Então olhei na lateral do objeto circular, e percebi que tinha um fenda finíssima ali. Apoiei um polegar entre uma divisão e outra, coloquei um pouco de pressão e...ele se abriu.
-O que é…-vi ponteiros e um nome do lado interno de uma das faces douradas.-...isso?
Foi quando senti o cheiro de fumaça.
Instintivamente, olhei na direção da aldeia. Focos de fumaça saíam do chão em meio às casas, e se projetavam como pilastras negras gigantes com o pôr do sol ao fundo. Percebi o quanto tinha me afastado da aldeia, e me arrependi na mesma hora de não ter seguido os conselhos que recebi. Comecei a correr em direção à aldeia e, mesmo anos depois, eu nunca corri tanto na minha vida como naquele dia...nunca corri tanto.
Notas finais
Obrigada por ler até aqui >3< Xêro no coração.
Fale com o autor