Um novo The Big Four
15 AiMinhaSantaPaciencia
Notas iniciais
— Eu sinto muito.
Essas palavras me fizeram desejar estar morta. Como pude deixar ele desorientado? Como pude pensar em me afastar?
— Eu sinto muito. Muito mesmo. Não vai acontecer outra vez. Eu prometo – ele começou a chorar, e eu tentava de tudo para não fazer o mesmo – eu fui um idiota, Bete. Um idiota de verdade. Não vou fazer de novo. Não vai acontecer. Não posso pensar em te perder. Me perdoa, Bete. Por favor. Eu não aguento mais – depois de última frase, ele desabou de vez.
Era horrível vê-lo chorar daquele jeito. Ele estava parecendo uma criancinha, um menininho que levou uma queda do brinquedo.
Não aguentei por mais tempo, comecei a chorar também, e nós dois caímos de joelhos não chão. Depois de um tempo, amenizamos o choro, ele tirou os braços dos meus ombros, mas continuou com a cabeça encostada, e eu sabia que ele estava fazendo a cara de quem queria morrer.
— Soluço – tentei passar conforto pela voz.
Segurei sua cabeça com as mãos, e trouxe ela para frente, parecia que eu segurava um corpo morto, estava pesado. Encostei nossas cabeças, de modo que facilitava que eu o segurasse. Nossas testas estavam encostadas, não chorávamos mais, mas ainda de olhos fechados, tentei faze-lo reviver.
— Shhh, vai ficar tudo bem. Tá tudo bem. Shhh.
— Me desculpa Bete. Me desculpa.
— Relaxe, vai ficar tudo bem. Você está perdoado. Tá tudo bem.
Ele recuperou a vida perdida, levantou a cabeça, e olhou para mim, limpando minha bochecha com o polegar. Seus olhos eram de dor, ele estava realmente acabado. Ele se ajeitou, enxugou os olhos no seu moletom amassado. Eu fiz o mesmo com as mãos, deixando minha maquiagem ainda mais borrada.
— Eu não sabia o que estava fazendo – ele falou, do nada. Olhei para ele, que olhava para o chão – eu estava no automático… eu… eu não queria ter gritado com você… eu não queria ter gritado.
— Soluço – minha voz era calma – me conte o que aconteceu. Me diga o que houve. O que aconteceu para ter tanta raiva do Itan.
— Eu não sei.
— Não sabe? – estranhei.
— Eu não sei, eu… eu não lembro… só lembro de todos falando mal dele, e… o xingando. Eu não ligava, não tinha ligações com ele – ele deu de ombros – tá, eu posso ter batido um papo com ele, uma ou duas vezes, mas não éramos próximos.
— Vocês pareciam se conhecer bem – falei com cuidado.
— Ele meio que fez parte do grupo por um tempo, mas não durou muito – ele fungou – estava sempre sendo seguido por uma legião de descerebrados.
Eu não disse mais nada. É claro que ainda tinha muitas dúvidas, mas olha só para o garoto, eu não vou perguntar mais nada.
— Eu… — comecei a falar, mas ele não deixou.
— Precisa ir? – deduziu sozinho – eu te levo pra casa – ele foi se levantando, mas o parei, já de pé.
— Não – disse rápido – tudo, menos casa.
Soluço me olhou sem entender, mas não fez perguntas.
— Tudo bem – ele disse – sem casa – sorriu e estendeu a mão.
Segurei sua mão com certa incerteza, mas ele não ligou, e me puxou para perto de si.
— O que acha de caminharmos na praia? – ele disse, baixo, e estranhamente sedutor.
— Acho romântico demais para dois amigos – sorri sem graça.
— Você não é minha amiga, Bete – ele pôs uma mecha da minha franja para trás da orelha (meio desnecessário, mas ok). “Devo me preocupar com isso?” pensei – você é a irmã que nunca tive – ele beijou minha testa. “Não” respondi minha própria pergunta interna. “Por enquanto, não”.
— Ainda acho demais – falei.
— Ora, vamos! Vai ser divertido! – zombou (cortando a parte que balançou os braços, como um polvo agonizando). Ri da sua dancinha estilo “polvo agonizante”, ele fez o mesmo, parando de dançar – vamos? – segurou minhas mãos e olhou fundo nos meus olhos.
Eu ia recusar, ia mesmo! Mas olha só para ele! Os olhos ainda estavam meio inchados, e o nariz meio vermelho. Como posso dizer “não” para isso?
— Uma volta – disse devagar – depois voltamos para casa!
Ele consentiu, feliz da vida. “Parecia minha mãe, quando concordei em ir para festa do Jack, no início do mês” lembrei, e fiquei cabisbaixa no mesmo momento. Quem minha mãe tinha convidado? E por que?
— Você tá bem? – a voz do Soluço parecia preocupada.
— Tô, claro. Porque não estaria? – respondi rápido.
— Tá fazendo a minha cara de quem quer morrer – ele segurou o riso. Eu ri, para desfaçar a confusão na minha cabeça.
— Passado. Futuro. Presente – falei – vamos para praia? – sorri.
— Sim! – ele abriu a porta do carro para mim, entrei, e blá blá blá, clichê clichê clichê.
…
É muito estranho passear na praia a essa hora, tipo, não tem quase ninguém! Andamos sem (descalços) para um lado, e quando achamos que estava longe demais, voltamos pela beira do mar. Soluço como sempre, tentou ao máximo fugir do assunto “casa”, ou “Merida”, ou qualquer coisa do tipo, então falamos de filmes e series, livros, animais de estimação, como era em sua ilha natal e como é rodar o mundo. Acho que nunca tive uma conversa tranquila assim com o Soluço, foi a primeira vez que conversamos em paz…
Soluço me levou de volta para casa, e eu estava super feliz! Até abrir a porta da frente, e avistar minha mãe na cozinha… ela estava sentada num dos bancos do balcão, com o rosto afundado nos braços, em cima do mesmo. Me aproximei devagar, sem fazer barulho, mas ela sentiu minha presença, e levantou a cabeça.
— Oi – eu disse, sem jeito. Sua cara estava horrível! Não aparentava que tinha chorado, mas estava amassada, e perdida.
— Oi, querida – ela falou devagar, e pareceu desorientada. Tentou se levantar, mas se movia estranho, como uma marionete – você… tá com fome? Eu já ia…
— Não – falei rápido, indo até ela — eu tô bem – a segurei pelos cotovelos, e fiz sentar-se (ela estava cheirando a vinho, tinha bebido?) – quem esteve aqui?
— Ah Beterraba, eu não quero falar disso – para ela parecia doer cada palavra.
— Certo – cedi – vem, vou te levar para o quarto – tentei faze-la andar, estava difícil.
Consegui subir as escadas, e deita-la na cama. A observei: parecia cansada, exausta na verdade. Eu ia sair do quarto, mas ela me chamou.
— Filha – ela disse, com uma voz fraca. Me virei para olha-la – você é meu único pequeno milagre, e está crescendo rápido – ela engoliu seco – e eu só queria que soubesse, que não importa o que acontece, ou o quanto você mude, eu sou sempre ser sua mãe, e você sempre será minha filha… e eu te amo.
Eu respirei fundo, e senti meus olhos se encherem de lagrimas. Mordi o lábio inferior, e respondi apenas…
— Também te amo… mãe…
E foi assim que fui dormir: com uma imagem embaçada de um teto tediantemente branco.
Segunda-feira
Acordei como sempre, no horário de sempre, seguindo a rotina de sempre. Tomei um banho, escovei os dentes, coloquei a farda, pus o laço no cabelo. Na frente do espelho, pus a maquiagem simples de sempre (batom, lápis e máscara para cílios), mas enquanto eu passava o batom, vi o reflexo da minha mãe no espelho.
— Bom dia – dei a primeira palavra, ignorando totalmente o acontecimento de ontem. Ela parecia não ter ignorado, parecia desconfortável, me respondeu com um sorriso, e esfregava o braço esquerdo (lenta mas freneticamente).
— O… motorista não vem – ela disse – ele ligou, avisando que não vem… — ainda parecia desconfortável, mas parou de esfregar o braço – eu posso levar você…
— Claro – sorri para ela, enquanto devolvia tudo para minha nécessaire.
— Tá bem – ela disse, mas demorou um tempo até que saísse da porta, e descesse as escadas.
Respirei fundo ela nunca agia assim, pensei. Ignorei os pensamentos e joguei o que faltava na mochila, peguei tudo, e desci. Assim que cheguei a cozinha, minha mãe me fitava, ansiosamente desconfortável (ignorando totalmente as Leis Universais dos Sentimentos Misturados).
— Sobrou… biscoitos – ela disse, pausadamente – de ontem. Você talvez…
— Sim – interrompi – aceitos os biscoitos – sorri, sentando na cadeira.
— Ah, ótimo – ela sorriu, e (acredite se quiser) não pareceu forçado – café com leite ou leite com chocolate?
— Mistura tudo num copo, e corta o leite pela metade – ela deu uma gargalhada, o que me fez rir também.
Meu celular vibrou no bolso, e eu o peguei: WhatsApp. Bufei, era o Deny.
Eu: O que foi?
Ele: Ah, qual é, não faz assim!
Eu: Deny, fala de uma vez!
Ele: Quero falar com você.
Eu: Amenos que seja para pedir desculpas e dizer que nunca mais vai acontecer, dispenso.
Ele: Bete, eu não vou dizer essas coisas, porque eu não me permitiria mentir para você.
Eu: *emoji de tédio*
Ele: Tá, na escola. No almoço, pode ser?
Eu: Eu não disse que topei.
Ele: Eu estou dizendo. Te vejo no almoço.
E ficou off-line. Como podia ser tão arrogante?
— Algum problema? – a voz da minha mãe, ultrapassou a barreira dos meus pensamentos. Olhei para ela, pisquei algumas vezes, e depois de muito pensar, sorri.
— Não. Tudo bem.
— Ah, ok – ela fez a cara que eu não sabia o que era, e depois continuou – o motorista…
— Não vai poder vir – completei, interrompendo-a – você já disse isso.
— Ah já? Hum… então tá… — ela olhou o relógio, e depois se voltou a mim – acho melhor comermos rápido.
Sorri. E fiquei feliz por tudo ter voltado ao normal…
P.V.O. Italian:
O despertador tocou, 07:00, mas eu já estava acordado a um tempo. Desliguei ele, e segui para o banheiro, tomei meu banho, escovei os dentes, e blá blá blá…
Que vida amarga…
Tudo culpa da Beterraba! Ela me fez lembrar o sabor de uma vida doce…
Sacudi a cabeça para afastar esses pensamentos idiotas. Desci as escadas, e fui para a cozinha, Sári estava colocando a mesa.
— Bom dia – falei, querendo chamar a atenção dela.
— Seu pai não vai tomar café com a gente – ela disse logo, sem olhar para mim.
— Que novidade – ironizei, sentando à mesa.
— Quer que eu chame alguma das meninas para sentar à mesa com você? – ela perguntou, terminando de retirar as coisas que ficaram onde meu pai sentaria.
— Preferiria que você sentasse comigo – falei me servindo do suco de laranja.
— Ora, não tenho tempo para isso! Essa casa é enorme, e não vai se manter limpa sozinha! – ela mexia a cabeça de um lado para o outro, enquanto limpava as mãos (limpas) no avental. Eu sempre ria com Sári, ela sempre me lembrou a velhinha do desenho “101 Dálmatas”.
— Temos uma dúzia de empregados! E acho que você deve tirar uma folga – sorri, sedutor, e ela me olhou feio. Eu ri.
— Então, como vai o caso Donovan – ela perguntou, querendo mudar de assunto, e eu não gostei nadinha.
— Uhm… bem… normal… — mordi a torrada com geleia, evitando fazer contato com a generosa senhora que me olhava feio – ora, não faça essa cara! – pedi.
— O que aconteceu? – ela foi fria, e se apoiou na cadeira de frente para mim.
— Porque tem que acontecer algo? – me deixei levar, soltando a torrada no prato.
— Por que você é um orgulhoso! Igualzinho ao seu pai! – ela rebateu, pondo a mão livre no quadril – você brigou com a menina! Não foi?
Eu não respondi, não podia responder. O que iria dizer? “Sim, estava com ciúmes”? fala sério! E além disso, não é ciúme!
— Viu só? Você e seu pai são farinha do mesmo saco! – ela balançou a cabeça de novo, de forma que eu acharia graça… se não estivesse aborrecido – qual foi o motivo?
— Sári, eu realmente…
— Qual foi o motivo? – ela insistiu com os olhos fechados, e levantando a voz só a ponto de me calar. Suspirei.
— Ela estava se “engraçando” com um idiota — falei de olhos fechados. (E não reparem no meu vocabulário, é tudo culpa da Sári).
— Uhm… ciúme… — Sári pronunciou cada sílaba vagarosamente, rasgando, na mesma velocidade, o orgulho do meu peito.
— Não é ciúme da Beterraba! – respondi por impulso – só me sinto enganado… traído… cego…
— Italian – olhei para ela – você pode mentir até para si mesmo, mas não pode mentir para…
— Sári…
— Não! Engula o orgulho que herdou do seu pai, e se desculpe com ela! – ela foi severa, e como várias outras vezes, chegou aos meus ouvidos como uma mãe – quando voltar aqui na sexta, quero que esteja de bem com ela! E quero também que assuma que gosta dela! Do contrário, você não entra nessa casa!
Eu tinha um bilhão de contra-argumentos para a situação, mas ouvir Sári falar assim, fez com que todos parecessem grandes mentiras. Tudo parecia fazer sentido quando Sári falava em voz alta, mas ainda tinha uma coisa que governanta poderia negar.
— Meu pai me mataria – foi a única coisa que eu consegui dizer. Sári abriu os olhos, e me olhou.
— Seu pai é um mimado que merece umas boas palmadas, isso sim! – as palavras dela me surpreenderam, tanto que me fizeram sorrir – ele teve a sorte de se apaixonar profundamente, mas é tão egoísta que proíbe que seu filho faça o mesmo! – meu sorriso desapareceu, não queria ser comparado ao meu pai…
— A paixão de meu pai teve um final triste – falei com amargura.
— Isso porque ele um egoísta – Sári iria defender sua opinião com todos as forças – não posso enfrentar seu pai por você, mas me recuso a deixar que você cometa os mesmo erros que ele! – ela me olhou nos olhos, e eu fiz o mesmo. Ela retirou a arrogância da voz, e soou como uma velha, sábia, e conselheira – sua mãe pode ter morrido, mas ela não está morta. E acredito com todas minhas forças, que se ela estivesse aqui, agora, lhe diria para amar a menina.
Para você possa parecer que tocar no nome da minha mãe, é cutucar uma ferida antiga, mas toda vez que Sári me lembra dela, me faz ter toda certeza do mundo. Acredite se quiser, mas ver a morte nos dá muito mais força e poder.
— Agora coma! – ela me tirou do transe mental – e volte reconciliado, na sexta. Vou arrumar seu quarto – ela ia saindo, mas a chamei.
— Sári – ela olhou – obrigado… por… por ser a avó que nunca tive… — ela sorriu orgulhosa.
— Juízo! – foi a única coisa que gritou ao sair da cozinha, em direção as escadas.
Sorri sozinho, ao lembrar das várias vezes em que Sári me tirou de enrascadas, que meu pai nem sabia que eu tinha me envolvido… pai… será que vou conseguir convence-lo a desistir do plano Donovan...? Não sei… mas “eu e Beterraba” jamais poderia existir se o plano der mesmo certo… ai se ele descobre que fiz exatamente o oposto do que ele pediu…
P.V.O. Beterraba:
— Juízo! – foi a última coisa que escutei da minha mãe, antes de seu carro desaparecer na neblina do dia frio.
Logo entrei na escola, e fui direto para meu quarto, deixar a mochila, e pegar a chave do meu armário. Mas aí cheguei no quarto, e aconteceu algo mais que mega estranho. Quando entrei, aparentemente não tinha ninguém, mas quando fui virando para a porta, dei de cara com Merida, que contra as leis do universo, estava toda sorridente para o meu lado.
— Bom dia! – me sorriu – que dia lindo, não é? – ela girava e dançava na minha frente, e só tinha uma explicação lógica:
— Deixa eu adivinhar: você na verdade é a Rapunzel, que fez uma troca bizarra de cérebro, e agora você e Merida trocaram de corpo! – falei com toda empolgação que pude demonstrar.
— É sério, você precisa parar de assistir tanto filme – ela disse, parando de girar e dançar, e parecendo a Merida de verdade… mas durou pouco – mas não! Eu sou eu! Punze é Punze! E eu tô super feliz! – ela parou de girar, e olhou para mim, sorrindo, sorrindo muito – e não faça essa cara! Eu sei que tem seu dedo nisso!
— Olha, eu posso te assegurar que não sei nada sobre troca de cérebros! – levantei as mãos em rendimento, e Merida me olhou com repreensão, mas ainda sorrindo.
— Já disse que sou eu! Só estou feliz – ela segou as minhas duas mãos, e me fez girar pelo quarto com ela – e eu sei muito bem que foi você quem fez!
— Merida, pela santa lua cheia, você quer ser direta! – me soltei de suas mãos, e tentei soar seria, mas seu riso era contagiante.
— Tá bom, eu conto – ela disse animada – mas não que você não já saiba… — pigarrei chamando sua atenção, e ela parou, mordendo o lábio inferior, suas seguintes palavras foras jogadas em mim como uma chuva de cascalho – o Soluço me beijou – ela disse rápido, mas eu entendi perfeitamente, fiquei paralisada no meu canto, enquanto ela voltava a girar.
— Espera um pouco aí – falei, piscando com dificuldade – quando foi isso?
— Ontem – ela não parou de girar – ela foi lá em casa com uns papos estranhos – ela pagou de girar e começou a dançar – ai ele falou algo sobre você, que não me lembro agora – então ela segurou minhas mãos de novo – e então, em um ato totalmente inesperado, ela me beijou! E foi magico! – e voltou a girar, dessa vez lembrando de me soltar primeiro.
Ainda estava digerindo tudo, quando finalmente me toquei:
O SOLUÇO. BEIJOU. A. MERIDA!!
Peguei as mãos de Merida, e voltamos a girar e dançar, compartilhando a felicidade de uma missão cumprida com total sucesso!
Até que a porta do quarto se abre, e paro para ver melhor o vulto de longos cabelos loiros. De imediato, percebi a surpresa e a confusão que ela sentia (que Merida parecia nem ter percebido), mas que rapidamente se transformou em raiva, quando Merida, por puro desleixo, disse as seguintes palavras.
— Ah Punze! O amor não é lindo?!
Essas palavras me lembraram da conversa com Rapunzel, aquela na qual ela desistia de Jack. Isso me deu um embrulho no estomago. Mas não maior do que o embrulho que deu ao ver o que ela fez em seguida.
— Ah, é mesmo? E porquê? – Rapunzel não pareceu sarcástica, ou irônica, ou qualquer coisa do tipo, ela pareceu a mesmo Rapunzel de sempre! Ela se omitiu pela Merida! Deduzi. Ela soou tão verdadeira, que eu teria me permitido acreditar, se não tivesse conversado com ela no sábado.
Elas falaram um pouco, mas eu não prestei atenção, ainda estava pasma. Até que Merida sumiu.
— Cadê ela? – falei sem pensar.
— Foi ver o Soluço! – Punze jogou um travesseiro na porta – porque o amor é lindo! – ela jogou outro. Depois desabou na própria cama.
“Agora sim, ela parecia em si”, pensei. Me aproximei devagar, sentando ao seu lado na cama, passei meus dedos dentre seus cabelos, mas ela nem se mexeu.
— Eu estou aqui… com você… pode ficar tranquila…
Ela soluçou com pouco, e levantou a cabeça, olhou para mim, que me limitei a sorrir.
— Eu prometo… que terei um pretendente… até o fim do dia – ela falou entre um soluço e ouro – e ai… o Jack não significará mais nada para mim…
— Não acha que…
— Não – ela me interrompeu – eu já tomei minha decisão! Está comigo, ou está contra mim! – ela se sentou na cama, e me fitou.
— Vou estar sempre com você – respondi devagar.
Ela não disse mais nada, apenas levantou e andou até o banheiro, quando chegou na porta, parou, e sem olhar para mim, ela falou.
— Não precisa me esperar para as aulas, pode ir na frente – depois adentrou no cômodo.
Fiquei preocupada com ela, realmente fiquei. Pincipalmente quando ela não foi a aula de ciências humanas. Mas não fui a única a perceber sua ausência.
— Ok, o que que tá pegando? – perguntou Jack, me arrastando para um corredor, depois de aula, e me pressionando contra parede (Obs: Merida e Soluço nem perceberam o feito).
— Como assim? – perguntei sem entender nada, e não estava mesmo, só depois de ele me olhar com cara de “faça-me o favor!” foi que entendi.
— A Punze tá boladona desde o fim de semana, eu sei que você sabe o porquê! – ele falou mais rápido do que eu.
— Você é muito idiota mesmo! Não vou explicar! – sai da sua prisão besta, mas ele não me deixou sair, segurou meu pulso e me fez olhar para ele.
Ele não falou nada por um período de tempo, mas me olhava fixamente nos olhos. Eu não conseguia decifrar os olhos dele, não fazia ideia do que sentia, mas sabia, que bem no fundo, brilhava confusão. Quando achei que o silencio já estava demais, me soltei de seu aperto, e o encarei.
— Amenos que admita que gosta da Rapunzel… eu nada posso fazer por você.
E saí, pisando forte, e sem direção.
Ele ia me procurar de novo, eu sabia que iria. Mas e quando ele viesse? O que eu faria? O que diria? E se ele não admitisse? Pior! E se admitisse? Teria que ir contra a Rapunzel… prometi que ajudaria!
Ai minha santa lua cheia! Eu tinha menos trabalho com o casal encrenca!
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